B. Ulusal Olaylara Bakışı
6. Bulgaristan Meselesi’nde Avrupa’nın Tutumu
contabilidade
Conforme esclarece SCHAPIRO251 , dentre as propostas da tese da convergência institucional figuram análises e proposições identificadas como agenda
blueprint, isto é, posicionamentos e argumentos normativos que buscam recomendar
que as reformas institucionais tenham como parâmetro, exclusivamente, os modelos de sucesso e boas práticas internacionais.
250
Apesar de existirem outras classificações possíveis, aquela utilizada para identificar a posição defendida pelos doutrinadores brasileiros foi livremente baseada nos apontamentos de José Casalta Nabais acerca dos três modelos possíveis de relação entre lucro contábil e lucro tributário – (i) modelo de dependência total; (ii) modelo da autonomia; e (iii) modelo da dependência parcial – conforme descrito na obra Direito Fiscal, 3ª ed. Coimbra: Almedina, 2005, p. 576. Apud: SCHOUERI, Luís Eduardo. O Mito do Lucro Real na Passagem da Disponibilidade Jurídica para a Disponibilidade Econômica. In: MOSQUERA, Roberto Quiroga; LOPES, Alexsandro Broedel (Coords.). Controvérsias Jurídico-contábeis (Aproximações e Distanciamentos). São Paulo: Dialética, 2010. p. 255.).
251
SCHAPIRO, Mário Gomes. Banco de Desenvolvimento, regulação e auto-regulação: complementaridade regulatória no mercado brasileiro de capital de risco. In: TRUBEK, David M. (Org.). Direito e Desenvolvimento: um diálogo entre os Brics. 1ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012. pp. 296 e 297.
Dentre os adeptos dessa tese, existe uma convicção de que o modelo internacional é, em sua integralidade, melhor que o modelo nacional e, por esse motivo, é desejável que as idiossincrasias locais sejam suplantadas pelas melhores normas e práticas identificadas internacionalmente:
Faz parte dessa agenda as propostas de reforma orientadas pela noção de
good governance, que, usualmente, figura nos repertórios de agências
multilaterais, como, por exemplo, o programa Doing Business, do Banco Mundial. No âmbito acadêmico, trabalhos na linha Law & Finance, quando propõe implicações normativas, também se situam dentro deste campo, em que o objetivo das reformas institucionais é emular arranjos bem sucedidos em outros países. (g.n.) 252
Hipoteticamente aplicada ao caso da implementação das IFRS no Brasil, os adeptos da tese da convergência institucional recomendariam, portanto, a plena adoção do modelo internacional em detrimento das especificidades jurídico- institucionais nacionais. Mais especificamente, recomendariam uma completa integração entre o contábil e tributário para fins de padronização e eficiência, não importando os custos envolvidos ou a efetiva possibilidade de concretização de tal medida.
Paralelamente ao que seria um posicionamento hipotético de um grupo do direito e desenvolvimento, ao analisarmos a doutrina jurídico-tributária nacional encontramos autores que se aproximam desse posicionamento, os quais enquadram-se entre aqueles que defendem a completa integração entre o direito tributário e a contabilidade IFRS.
Para alguns autores da doutrina jurídico-tributária nacional, para que o direito tributário brasileiro acompanhasse a mudança contábil, integrando-se ao novo modelo, seria necessária uma mudança muito maior que a simples adoção das IFRS por meio de Lei 11.638/07, seguida de um regime tributário de transição inserido pela Lei 11.941/09. Ademais, para esse grupo, a Lei 12.973/14 teria sido “tímida” em sua função, e perdido a oportunidade de mudar radicalmente as regras de tributação no país.
Nesse grupo situam-se, portanto, aqueles que defendem uma visão mais progressista de redesenho de sistema tributário, sendo a completa integração entre o contábil e o tributário uma boa medida para se reduzir complexidades e aproximar resultados contábeis de tributos recolhidos.
Dentre os adeptos dessa corrente merece destaque SCHOUERI:
252
Despida a contabilidade das amarras da forma jurídica, torna-se desafio para o Direito Tributário aceitar, ou não, a nova forma de apuração do patrimônio. A medida provisória nº 627/2013 revela o temor do Executivo pela mudança, preferindo manter a tributação vinculada às formas de Direito Civil antes que à realidade econômica. Fica latente, diante de tal posição conservadora, o clamor por revisão, para que se afaste de vez o distanciamento entre resultados contábeis e tributos recolhidos. Essa medida urge para que a tributação deixe de ser assunto abstrato, afastado da compreensão do povo. Afinal, é este que, em última instância, arca com o seu custo, sendo fundamental dar-lhe uma justificativa do montante que se exige.253 (g.n.)
No trecho acima, com a sugestão da existência de vinculação absoluta entre os resultados contábeis e os tributos recolhidos, referido autor propõe uma alternativa que englobe mudanças mais profundas nos desenhos da tributação brasileira, no sentido de se repensar o próprio modelo constitucional de tributação.
Ainda que teoricamente louvável, a posição defendida pelo autor, quando analisada sob as lentes da perspectiva jurídico-institucional, acaba por se aproximar da tese da convergência institucional, a qual é alvo de diversas críticas pela doutrina do direito e desenvolvimento, principalmente no que tange aos limites de sua efetiva aplicabilidade. Neste sentido, esclarece SCHAPIRO:
A noção de uma reforma pré-moldada tem como limites evidentes a ausência de tratamento aos fatores contextuais. Nesse ponto, parece acertada a crítica apresentada por Tamanaha (2009) e também sintetizada por Rodrik (2007), ao sugerir que subjacente às regras formais, há uma constelação de elementos não formais, não codificados e que podem obstar a efetividade de novas leis e regulamentos. É o caso, entre outros, da resistência dos grupos de interesse, das práticas culturais, da forma de aplicação do direito pelas autoridades, ou ainda, dos hábitos e modos de operação dos atores sociais. Imaginar, portanto, que uma reforma institucional será bem sucedida se, apenas e tão somente, transplantar boas práticas de outros contextos institucionais, pode ensejar frustrações, quanto ao resultado final alcançado. No campo financeiro e de governança corporativa isso é particularmente verdadeiro: a organização dos arranjos institucionais compreende fatores de path dependence, de tal modo que os atores incumbentes tendem a reagir a mudanças nas regras do jogo. Tais reações podem ser tanto formais e públicas, como informais e restritas, contribuindo neste caso para minar a efetividade da reforma.254
As críticas formuladas à tese da convergência institucional deveriam integrar o campo de análise dos adeptos da completa integração entre o contábil e o tributário, dada a proximidade de raciocínios que apresentam. Também seriam úteis para se avaliar os efeitos de política pública que poderiam emergir de recomendações pela completa integração entre o contábil e o tributário na implementação das IFRS no Brasil.
253
SCHOUERI, Luís Eduardo. Nova contabilidade e Tributação: da Propriedade à Beneficial
Ownership. In: MOSQUERA, Roberto Quiroga; BROEDEL, Alexsandro Lopes. Controvérsias
Jurídico-Contábeis – aproximações e distanciamentos. 5º Volume. São Paulo: Dialética 2014. p. 220/221.
254
Conforme já mencionado, é justamente esse o mérito de uma abordagem institucionalista: avaliar as possibilidades de êxito de propostas reformistas dentro de um contexto maior, que vislumbra o direito conectado à diversos fatores jurídico- institucionais, mutuamente imbricados e, muitas vezes, mais resistentes que as recomendações de mudança calcadas em padrões internacionais.
No outro extremo das recomendações de direito e desenvolvimento voltadas à reformas institucionais encontramos os adeptos da tese da dependência da trajetória institucional, a qual apresenta como paralelo na doutrina jurídico-tributária nacional os adeptos da completa segregação entre o contábil e o tributário, a seguir apresentadas.
5.2. A sincronia entre os adeptos da tese da dependência da trajetória