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II. KURAMSAL ÇERÇEVE

9. Boş Zamanları Değerlendirmenin Yararları

empresas como independente e não submissa à ação dos Estados, ao mes- mo tempo em que, aceita a centralidade da ação dos Estados na regulação do sistema econômico internacional. Nessa perspectiva, o autor argumen- ta que as empresas multinacionais buscam infl uenciar os Estados e suas coalizões utilizando-se de seu poder estrutural. Uma importante conclu- são da tese de Sarfati é que “a infl uência das empresas multinacionais nas negociações econômicas internacionais depende largamente das estrutu- ras dos processos de negociação, onde fóruns multilaterais e multitemáti- cos tendem a favorecer a infl uência das multinacionais em comparação a fóruns monotemáticos” (SARFATI, 2006,p.12).

A emergência dos projetos e planos estratégicos contemporâneos no mundo tendem a acompanhar o surgimento dos discursos sobre a atração de capitais tecnológicos, como forma de garantir e sustentar o desenvol- vimento local indica uma perspectiva da ampliação da escala geográfi ca tomada por referência nas decisões sobre as políticas para os territórios. Esssa mudança vale-se da asserção de um contexto de novas transfor- mações sobre o tecido urbano, sujeito ao processo de formação de um espaço globalizado que articula os lugares pela disposição extensiva de infraestruturas de transporte e comunicação.

No Brasil, por conta de experiências bastante controversas, o que as versões do planejamento dito “estratégico” possuem em comum é a explicitação da dimensão política do planejamento, como identifi cação dos grupos de interesse envolvidos, análise de conjuntura, entre outros, com o objetivo de tentar costurar alianças e/ou de promover uma visualização mais clara das ameaças, das potencialidades e dos obstáculos presentes. Em geral, isso é feito de modo acrítico e as alianças são condicionadas por um viés que é o peso enorme dos interesses empresariais na defi nição da agenda. Na verdade, muito pouco resta em matéria de discurso sobre o interesse público, no mais das vezes, o planejamento pautado pela aliança público e privado busca convencer que o favorecimento dos interesses empresariais, gera crescimento econômico e traz benefícios coletivos como a geração de empregos e a maior circulação de riquezas. O referencial político-fi lo- sófi co é conservador corresponde, em linhas gerais, ao ideário neoliberal, mundialmente hegemônico desde os anos de 1980.

Teoricamente, a infl uência das empresas multinacionais sempre se dá dentro do marco nacional, ou seja, o Estado é que caracteriza o ativo econômico-político dessas empresas para o seu próprio interesse e, na medida em que convenha a sua agenda, retorna às empresas, promovendo sua expansão internacionalmente. Em última instância, poderíamos dizer que, quanto mais um Estado concentra empresas fortes no cenário in- ternacional, maior será a infl uência econômica e política desse Estado. O Estado, seria, assim, sinônimo de organizações corporativas, o que aponta para uma clássica privatização do público. Nessa perspectiva, a abordagem sobre as parcerias públicas e privadas no âmbito local se faz necessária, de modo a favorecer a compreensão das mediações entre as determinações globais e locais na produção do espaço.

No panorama em que se realiza o planejamento estratégico de longo prazo do estado do Espírito Santo, vale ressaltar a aliança nas ações estabele- cidas entre o movimento empresarial “O Espírito Santo em Ação” e o Governo do Estado. O “ES em Ação” está estruturado para operar em sistemas de rede que possibilita a integração de elementos e instituições autônomas num plano horizontal, com ações de cooperação que possam ser acionadas em redes de diferentes cortes, abrangências territoriais e di- mensões. O ES em Ação tem como missão “mobilizar a classe empresarial do ES a contribuir na formação de uma sociedade melhor e mais justa.” E apresenta como “visão” “ser reconhecido como referência do pensa- mento empresarial capixaba e agir como um importante catalisador de interesses originários de setores empresariais, através de ações positivas e pró-positivas, colocando-se como instância de representação qualifi cada do empresariado” (ESTATUTO do ES em Ação, 2008)62.

O Movimento Empresarial do Espírito Santo estabelece ainda que atuará como “catalisador de idéias, organizador de debates e condutor de proje- tos e ações públicas que visem ao desenvolvimento do Estado”. É impor- tante frisar que as empresas mais representativas do Estado estão engaja- das nesse processo, justamente no intuito de criar um pacto e demonstrar a força empresarial junto às instituições públicas e outros setores da socie- dade na defesa de seus interesses. Entre as empresas mais fortes, no estado 62 Estatuto ES em Ação. Disponível em < http://www.es-acao.org.br/esemacao/esemacao/ estatuto/estatuto.php>. Acesso em jun 2008.

que integram o ES em Ação, temos: a Vale, a Aracruz Celulose, a Arcelor Mittal (siderurgia); a Samarco Mineradora; a Rede Gazeta, a Rede Tribuna (empresas de comunicação, jornal e TV); a Viação Itapemirim e o Grupo Águia Branca ( transporte rodoviário); o Grupo Tristão (exportação de café); a Chocolates Garoto; a ESCELSA (energia elétrica); a FAESA (Fa- culdades associadas); a Coca-Cola; a Oi; a Elkem; entre outras.

Analisando o Estatuto Social do “ES em Ação”, observa-se que algumas de suas fi nalidades comprovam a tese de que as relações entre Estado e empresas estão atreladas de modo irrefutável à consolidação dos interes- ses de mercado, a saber: “ser indutor de mudanças nas relações entre o setor público e o setor privado, garantindo a transparência e a ética, bem como a ambiência adequada ao desenvolvimento das empresas e da so- ciedade; contribuir para a formação de lideranças empresariais e políticas capazes de promover a construção das condições para o desenvolvimento sustentável; apoiar e promover ações que busquem reconstruir a credi- bilidade do setor público estadual e restauração da confi ança interna e externa, principalmente junto aos investidores; promover o acompanha- mento das ações dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciários estaduais e adotar ações concretas no sentido de permitir a continuidade de proje- tos públicos, eventualmente não priorizados em função das alternâncias governamentais”63 [ grifo nosso].

Fundamentalmente, o interesse das grandes empresas capixabas está liga- do à sua sobrevivência dentro do jogo dos negócios internacionais asso- ciada a estratégias que garantam lucro, não só no ano fi scal corrente, mas também no longo prazo. Isso não se faz sem uma regulação política do território pelo mercado. Para que as metas do planejamento estratégico se viabilizem, as empresas pactuam com o Estado o interesse em fomen- tar recursos no desenvolvimento de projetos e infraestruturas. É desse modo que se reconstroem os contextos da evolução das bases materiais geográfi cas e também da própria regulação, haja vista o fato de que o “ES em Ação” foi o interlocutor do Estado na contratação dos estudos para Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) do Polo Industrial e de Serviços, além de participar efetivamente na produção de diagnósticos e estudos 63 Estatuto ES em Ação. Disponível em < http://www.es-acao.org.br/esemacao/esemacao/ estatuto/estatuto.php>. Acesso em jun 2008.

que indiquem novos vetores de expansão dos circuitos produtivos. Essa condição de inserção direta nos assuntos de interesse público evidencia a interdependência entre o público e o privado na condução das políticas territoriais no estado do Espírito Santo.

Diante do exposto, observa-se que o que está em jogo não é apenas a realização de intervenções lastreadas em uma análise da realidade social e espacial codifi cada em relatórios e diagnósticos, mas a captação de sinais emitidos e solicitados pelo mercado ou, simplesmente, o atendimento de demandas específi cas, predefi nidas, relativas ao interesse do capital indus- trial, imobiliário e outros segmentos empresariais. Nesse contexto, é lógico que o grau de abertura para com a participação popular restringir-se-á, na melhor das hipóteses, às formas de pseudoparticipação, às vezes, não chegando sequer a isso.

Todo planejamento traz, subjacente, uma concepção de vida social e, de certa forma, uma utopia em que alguns aspectos e confi gurações são valorizados em detrimento de uma infi ni- dade de outras possibilidades [...] ao projeto e ao plano cabe, neste momento histórico, o papel de transcender a racionali- dade, de revelar, na construção da paisagem, a pluralidade e a diversidade sociais sem suprimir os confl itos e, principalmen- te, sem neutralizar oposições.

Leite (2004a, p.67)

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Entre os projetos constantes da carteira de Projetos Estruturantes do Pla- no 2025, temos aqueles que balizaram a criação do Pólo Industrial e de Serviços de Anchieta, fornecendo suas bases estruturais e suas diretrizes, a saber: o projeto de “Implantação do Polo Siderúrgico em Anchieta” (projeto de nº 61 do grupo Agregação de Valor à Produção, Adensamento das Cadeias Produtivas e Diversifi cação Econômica); o projeto de “De- senvolvimento do Porto de Ubu” e a criação da “Ferrovia Litorânea Sul” (projetos 70 e 76, respectivamente, do grupo Desenvolvimento da Logís- tica) e ainda o projeto “Desenvolvimento Urbano de Anchieta e Região de Impacto” (dentro do Grupo “Desenvolvimento da Rede de Cidades”). O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, no uso de suas atribui- ções, cria o Polo Industrial e de Serviços de Anchieta por meio do Decreto Estadual n º 1.247-S em 10 julho de 200764 , portanto, posteriormente à data de aprovação do Plano Diretor Municipal de Anchieta – PDM - (2006). O governo desapropriou por meio desse decreto uma área de 2,5 mil hectares (25 milhões em metros quadrados), correspondente a dez propriedades particulares, para a sua implantação. Este é o primeiro gran- de distrito industrial fora dos limites da Grande Vitória que deverá abrigar atividades siderúrgicas, mineradoras, de petróleo e gás, além da estrutura logística portuária e ferroviária.

O referido Decreto justifi ca a criação do Polo Industrial e de Serviços de Anchieta com base nos seguintes argumentos considerados em seu caput:

• é atribuição do Estado regular e fomentar as atividades econômicas objetivando a redução das desigualdades sociais e regionais e o incremento de empregos diretos e indiretos;

• o Estado do Espírito Santo em conformidade com o “Plano de Desenvolvimento Espírito Santo 2025” tem pautado seu desenvolvimento na atração de investimentos produtivos, salientando a importância da interiorização do investimento, a inserção regional e a conservação dos recursos naturais;

• cabe ao Estado estimular a manutenção e o desenvolvimento de empreendimentos 64 O Decreto foi publicado no Diário Ofi cial em 11 de julho de 2007.

Benzer Belgeler