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Biyokütle Tabloları ve Karbon Depolama Kapasitesinin

A identidade e a trajetória profissional dos professores revelam a origem desses docentes e sua experiência em relação à atividade que exercem. Como afirmam Farias et al. (2011), a trajetória profissional e o significado que cada professor confere à atividade no seu cotidiano docente são constituidores de como ele se faz e refaz, dialeticamente, como profissional. Nesse contexto, são verificados aspectos como gênero, idade, atividade funcional, experiência na docência e formação profissional, de modo a fornecer um perfil dos entrevistados.

Sobre a identidade docente para além dos quadros tradicionais de sua atuação em sala de aula, Farias et al. (2011) desenvolveram uma imagem mais complexa desse profissional, tomando como parâmetro a teoria do educador Paulo Freire, que a concebe de uma forma mais pluralista, criticamente diferencial. Segundo Freire (1996), “o professor como qualquer outro ser humano se produz por meio das relações que estabelece com o mundo físico e social”.

Trata-se de uma teoria que defende a ideia de que o professor não nasce pronto e acabado, ao contrário, “professor se faz professor” no dia a dia da sala de aula, ao longo de sua prática pedagógica. Aceitar essa teoria como instrumento de pesquisa, tal como esta foi introduzida na presente tese, implicou a adoção de posições teórico-metodológicas menos tradicionais, que relativizam a clássica visão da identidade docente que a reduz exclusivamente ao papel social desse profissional na sala de aula. Embora ninguém duvide que a experiência de magistério influencie significativamente na definição da identidade profissional do professor, outros estudos já mostraram, há décadas, que diversas instâncias da

vivência individual e coletiva do docente, inegavelmente, interferem também em suas atuações (TEIXEIRA, 1996; CIAMPA, 1981). Naquela ocasião, esses estudos mostravam empiricamente como, por exemplo, os sindicatos de professores, os grupos de amigos, os clubes, a igreja e a família desempenhavam influências que interferiam em sala de aula. Outros pesquisadores mostravam também, por meio de estudos de campo, o quanto as características pessoais influenciavam na relação professor e aluno e até dos professores entre si. Por exemplo, a questão do gênero, que antes se reduzia à dicotomia entre homem e mulher e em torno da qual se construíam estereótipos machistas e sexistas, teve que ser desconstruída, inicialmente, em função do avanço dos direitos humanos, que, por sua vez, não toleram mais discriminações desse tipo, e, segundo, porque hoje essa dicotomia tende a ser mais complexa, à medida que outras categorias da sexualidade adentram o universo social.

Outro tema silenciado durante séculos no contexto escolar foi o das questões étnico-raciais. Embora estudos sobre as relações no interior das escolas e nos rituais pedagógicos tenham mostrado o racismo institucional prevalecente nas instituições de ensino, só com a introdução da Lei nº 10.639/2003, o cenário acadêmico ampliou estudos em nível de pós-graduação, criando linhas de pesquisa tratando do tema da discriminação racial em todas as instâncias de formação. Imaginando o atual contexto em que a presente pesquisa foi desenvolvida (segunda década do século XXI), seria impossível não considerar, além dos fatores acima, todos os outros meios de comunicação visual e digital que interferem na vida das pessoas que, no nosso caso, trata-se da imagem e do perfil dos policiais militares. As suas práticas profissionais hoje são postas nas redes, online, podendo ser vistas por todas as pessoas em proporções inimagináveis, o que há vinte anos seria impossível.

Conscientes de que o presente estudo foca a atuação docente na formação de profissionais da Policia Militar nesse contexto digitalizado, buscou-se, na presente tese, considerar todos esses elementos levantados pelos especialistas da área da educação, tornando-nos atentos às formas como eles aparecem no discurso de nossos entrevistados.

7.1.1 Docente da disciplina de Direito Penal Militar – Prof. 1

Trata-se de um professor do sexo masculino, com 33 anos de idade, não é policial militar e exerce a profissão de advogado há 11 anos e, ainda, concilia sua atividade com a de professor universitário. Trabalha como profissional liberal na área de Direito com

especialidade em Processo Penal Militar. No CSTAPO/2014, lecionou disciplinas de Direito Penal Militar, Processo Penal e Constitucional, possuindo ainda experiência como docente em outra instituição de nível superior. É graduado em Direito e sua maior titulação é de especialista. Possui o Curso de Especialização de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública e também é especialista em Direito Público. Na docência está há 07 anos, sendo que na PMMG exerce a atividade há menos de 03. Na sua opinião, considera que se encontra no nível mediano em relação à prática docente.

Em análise do perfil do Prof. 1, verifica-se que, entre os professores observados e, consequentemente, entrevistados, é o único civil, ou seja, não pertence aos quadros da Polícia Militar. Apesar de sua atividade profissional enquanto advogado da área do Direito Penal Militar, tem experiência enquanto defensor de policiais militares que respondem por ações infracionais dentro da esfera exclusivamente militar e, por isso, imagina-se que ele tenha material coletado na sua prática profissional que ajude a trabalhar com os seus alunos com materiais mais próximos do que acontece nos tribunais militares. Também é o mais experiente na docência em termos de anos de atividade, inclusive em outra instituição de ensino superior, apesar de ele próprio se considerar como sendo mediano em termos de prática docente.

7.1.2 Docente da disciplina de Polícia Comunitária – Prof. 2

O referido professor é do sexo masculino, com 31 anos de idade, é policial militar do quadro de oficiais, com 07 anos de tempo de efetivo serviço. Trabalha em uma unidade operacional da Polícia Militar e no CSTAPO/2014, lecionou disciplinas de Comunicação Operacional, Informática e Polícia Comunitária. Não leciona em outra instituição de nível superior, tendo como maior titulação a especialização. É graduado em Engenharia de Telecomunicações, além do próprio Curso de Formação de Oficiais, que é reconhecido como de nível superior. Atualmente, ainda está cursando Direito. Como especialização, tem o Curso de Polícia Comunitária. Encontra-se na atividade docente há menos de 01 ano na PMMG, sendo esta a única instituição em que é professor e, na sua opinião, considera que se encontra no nível iniciante em relação à prática docente.

O Prof. 2 pertence ao quadro de oficiais da Polícia Militar e possui relativamente pouco tempo de exercício profissional e também de docência, fazendo jus ao seu enquadramento de professor iniciante. Todavia, em que pese a pouca experiência na docência,

o Prof. 2 possui conhecimentos acadêmicos suficientes para ministrar as disciplinas mencionadas, obtidos tanto pela graduação como pela especialização.

O que se pode visualizar dessas descrições, de forma patente, é que, dentro da PMMG, sua função é majoritariamente operacional e não de docência. Tudo indica que, em relação às outras formações recebidas, não haja registro de experiências profissionais concretas. Como se pode ver, trata-se de um perfil muito difícil de ser classificado dentro de qualquer uma das teorias acima citadas que trataram da questão da identidade docente.

7.1.3 Docente da disciplina de Psicologia Aplicada nas Relações Humanas e nas Organizações – Prof. 3

Entre os entrevistados, esta é a única do sexo feminino, com 56 anos de idade, é policial militar do quadro oficial especialista em saúde, todavia, já se encontra na inatividade. No CSTAPO/2014, lecionou a disciplina de Psicologia Aplicada nas Relações Humanas e nas Organizações. Não leciona em outra instituição de nível superior, tendo como maior titulação a especialização. É graduada em Psicologia e possui especializações em Formação em Psicanálise, Terapia Ramain e Atendimento aos Usuários de Álcool e outras Drogas. Encontra-se na atividade docente há menos de 06 anos na PMMG, sendo esta a única instituição em que é professora. Na sua opinião, considera que se encontra no nível mediano em relação à prática docente.

A Prof. 3, além de ser a única do sexo feminino entre os quatro entrevistados, é do quadro de saúde da Polícia Militar, o que agrega dois valores que trazem significados peculiares em termos de percepção da docência, que são relativos ao gênero e à especialização. O gênero tem seus significados próprios na docência sendo a presença feminina na educação motivo de debates, tanto em termos de conceito como de construção histórica, social e cultural, o que traz ingredientes suficientes para discussões específicas. O segundo valor diz respeito ao quadro de saúde da instituição, que difere do quadro tradicional que é o de carreira, ou seja, são policiais militares, todavia, exercem funções específicas de apoio aos demais integrantes da corporação, não sendo empregados em atividades de policiamento. Os psicólogos da PMMG têm funções muito específicas. Entre elas está a aplicação de testes de seleção para medir personalidade dos possíveis candidatos a integrar a corporação. O laudo deles é fundamental na hora de se decidir se um indivíduo é apto

psicologicamente ou não para se incorporar à PMMG. Essa é uma atividade que carrega uma grande tensão. Alguns são reprovados nessa fase, o que acarreta, em muitas vezes, ações judiciais contra a medida de rejeição pelos referidos motivos, mas acaba sendo incorporado um indivíduo aos quadros da polícia por uma decisão final do juiz. No caso analisado, a especificidade vinculada à Psicologia traz os contornos diferenciados ora apresentados para a prática docente. A Prof. 3 tem razoável experiência em termos de docência, apesar de se considerar como de nível mediano, o que, aliado ao conhecimento profissional obtido por meio dos cursos de graduação e especialização, a faz detentora de um saber acadêmico e profissional considerável para ser utilizado em sala de aula.

Esse é mais um caso difícil para se definir uma identidade docente no sentido que os pesquisadores da área da educação têm dado a esse termo, pois aqui se tem uma psicóloga da Polícia Militar que ministra, de tempos em tempos, aulas de Psicologia Aplicadas às Relações Humanas e nas Organizações e, como explicado anteriormente, trabalha com valores singulares de percepção da docência por carregar consigo peculiaridades próprias de sua atividade profissional.

7.1.4 Docente da disciplina de Policiamento Ambiental – Prof. 4

O professor é do sexo masculino, com 31 anos de idade, é policial militar do quadro de praças da instituição, com 11 anos de tempo de efetivo serviço. Trabalha na Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Sargentos (EFAS) e no CSTAPO/2014, lecionou disciplinas de Policiamento Ambiental e Legislação Institucional. Não leciona em outra instituição de nível superior, tendo como maior titulação a graduação em Direito. Encontra-se na atividade docente há menos de 03 anos na PMMG, sendo esta a única instituição em que é professor e, na sua opinião, considera que se encontra no nível iniciante em relação à prática docente.

Entre os professores policiais militares entrevistados, o Prof. 4 é o de menor graduação (sargento), porém, já cumpriu pouco mais de um terço do tempo de efetivo serviço a ser prestado na instituição, cujo tempo limite é de 30 anos para ser conduzido à inatividade, ou seja, possui uma considerável experiência no exercício da profissão policial militar. O Prof. 4 se propôs a lecionar disciplinas tipicamente da atividade policial militar, apesar de sua graduação de Direito o habilitar para a docência em outras áreas. Provavelmente, a

disponibilização restrita para ministrar aulas nessas disciplinas tenha se dado em decorrência do seu nível de iniciação na prática docente.

Uma vez apresentado o perfil individual dos professores entrevistados, em primeira análise, verifica-se que há uma heterogeneidade de identidades cujas origens, de formação policial militar ou não, com diferenças de gênero e de idade, experiências profissionais distintas e com diferentes níveis de experimentação docente, tornam a amostra para a coleta de dados rica em termos de opiniões e, principalmente, em relação à discussão em torno da prática docente. A seguir, são expostas essas dimensões do ensino profissional na Polícia Militar, sob o olhar dos professores, no que se refere aos aspectos do cotidiano docente, articulação de conteúdo, experiência profissional e prática em sala de aula.

Algumas reflexões precisam ser feitas sobre a identidade docente, com base nas características concretas dos docentes acima apresentados. Considerando a literatura com a qual se buscou dialogar para refletir sobre identidade docente, percebe-se que existem alguns pontos que merecem ser explicitados nesta tese, conforme se vê adiante.