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Birliğin Yargısal Örgütlenmesine Genel Bakış

C. Lizbon Andlaşmasına Göre Hukuki Korunma Sisteminin Geleceği

II. Birliğin Yargısal Örgütlenmesine Genel Bakış

Se a questão do uso racional da energia remonta à década de 1970 e se existem programas ainda hoje ativos que fazem a sua apologia, por que esse tema permanece na ordem do dia com sinais evidentes de sua baixa percepção pelo cidadão comum?

Uma resposta fácil, ainda que plausível, seria o fato de a questão energética mundial oscilar, nas últimas três décadas do século XX, entre situações estáveis e pouco favoráveis6, sendo que no primeiro caso abandonaram-se total ou parcialmente as iniciativas que visam conscientizar o indivíduo quanto à necessidade de um uso eficiente da energia; entretanto, há que se considerar a existência de barreiras que limitam a disseminação dessa prática.

De acordo com Weber (1997), as barreiras para o uso eficiente da energia dividem-se em quatro situações, ou na combinação dessas:

barreiras institucionais: causadas por instituições políticas (governos e autoridades locais);

obstáculos condicionados pelo mercado: falta de clareza nas regras a serem adotadas no mercado energético;

barreiras organizacionais: ocorrem dentro de organizações, especialmente em empresas;

barreiras comportamentais: estão nos próprios indivíduos.

As barreiras comportamentais, em virtude de ter o indivíduo como elemento comum, participam nos demais obstáculos. Isso justifica o fato de que os problemas de consumo de energia pertencem ao domínio da tecnologia e as atitudes de conservação da energia pertencem ao domínio da sociedade (WEBER, 1997).

Conforme a opinião dos cientistas comportamentais, ao invés de se assumir que as pessoas investem em eficiência energética se e somente se elas esperarem economizar capital, acredita-se na hipótese de que as pessoas investem em algo pelo fato de terem ouvido tal afirmação por parte de outros indivíduos, e que é verdadeiro o retorno do investimento, ou ainda porque seus amigos já tomaram alguma providência quanto ao uso racional da energia7, e estão satisfeitos com os resultados obtidos (STERN, 1992). De acordo com Constanzo et al. (1986), as pessoas são mais influenciadas pela redução de perdas do que pela promessa de ganhos através de investimentos. Como exemplo, pode-se citar a tendência dos indivíduos, diante de um processo informativo eficiente, tentarem utilizar melhor os equipamentos, ao invés de substituí-los pelos de tecnologias mais eficientes.

Nesse cenário, o papel da informação assume grande destaque, pois a aceitação da mesma não está somente apoiada em seu conteúdo, mas na forma como é oferecida e nos

6 Faz-se menção à recente investida norte-americana contra o Iraque (final de 2002 e começo de 2003) quando o

preço do barril de petróleo chegou a US$ 37,70, com pico a US$ 39,50 na Bolsa de Valores de Nova Iorque. As razões para esse novo fato continuam sendo geopolíticas e econômicas.

processos psicológicos (afetivos e cognitivos) que ela desencadeia no indivíduo. A Figura 4.2 ilustra a teoria da dissonância cognitiva8, a qual propõe que as pessoas num processo posterior a uma tomada de decisão estarão engajadas em levar à frente os seus objetivos (Constanzo et al., 1986); o caminho inverso também é válido, ou seja, se o indivíduo não for sensibilizado no que diz respeito aos aspectos psicológicos e posturais, advogará contrariamente a uma proposta. Conforme a avaliação de Constanzo et al. (1986), uma informação recebida através de meios interpessoais é percebida de uma melhor maneira, favoravelmente avaliada, entendida e memorizada, superando portanto, em termos qualitativos, as informações impessoais.

Não ocorre a conservação de energia Informação pró-conservação de energia Instalação do equipamento Percepção Avaliação favorável Entendimento Memorização Variáveis psicológicas Disposição ao lucro Manutenção Posse do local Tecnologia da residência Variáveis posturais Compra de equipamento energeticamente eficiente Percepção do retorno de capital do investimento Utilização de outros equipamentos eficientes e busca de mais informações Advogar pela conservação

de energia (difusão a outras pessoas)

Fonte: Constanzo et al. (1986)

Figura 4.2 – Teoria da dissonância cognitiva relacionada à conservação de energia.

8 “A teoria da dissonância cognitiva parte da consideração axiomática de que o ser humano esforça-se por

manter um estado de coerência consigo mesmo. Essa coerência, consonância, é obtida por intermédio da harmonia entre as cognições. Quando, por alguma razão, essas cognições não se compatibilizam entre si, surge a dissonância cognitiva, um desconforto psicológico que motivará a pessoa a procurar meios de reduzir ou eliminar essa dissonância (FRANÇA, 1982)”.

Foi observado que os grupos familiares julgam mal a quantidade de energia usada nas atividades domésticas e tampouco as relacionam com os impactos ocasionados ao meio ambiente, e que esses erros persistem mediante determinados processos informativos (STERN, 1992). Tal fato, dentre vários fatores, também é uma conseqüência da chamada “invisibilidade da energia”, ou seja, na evolução histórica do uso da energia, o ser humano não reconhece hoje a energia como uma mercadoria, que passa pela sua aquisição, uso e descarte; basta lembrar que as pessoas no passado tinham que comprar ou sair à procura de lenha para o cozimento, e que após o seu uso, as cinzas oriundas da queima da lenha tinham que ter alguma disposição final.

A questão não se resume em querer uma volta a outros tempos, mas visa buscar caminhos para que as pessoas resgatem o sentimento de visibilidade da energia de modo a que se tornem sensíveis ao fato de que muitos esforços são necessários para que sua geração, transporte e distribuição se efetivem.

Na divulgação dos conceitos relacionados à conservação de energia nota-se a importância da participação social e da credibilidade da fonte das informações9 no processo de superação das barreiras comportamentais. Stern (1992) cita que no final da década de 1970, em Minnesota (EUA), as companhias de energia promoveram programas de auditoria energética em residências, através de três formas de ação: realizadas pelas empresas concessionárias, por empresas contratadas e pela participação das comunidades. As comunidades, além de realizarem as atividades com um custo igual a um terço do que foi praticado pelas concessionárias, sensibilizaram 15% das residências participantes, enquanto que as empresas contratadas atingiram 6% (com a metade do custo das concessionárias) e as concessionárias conseguiram sensibilizar apenas 4% das residências envolvidas. Tal fato encontra respaldo nos trabalhos desenvolvidos por Vygotsky, nos quais o mesmo defende que o processo de ensino-aprendizagem possui um caráter sócio-histórico, ou seja, o desenvolvimento humano depende da interação com outros indivíduos (RATNER, 1995).

9 Craig e McCann (apud STERN,1992) relatam que, na década de 1970, em Nova Iorque (EUA) foi determinada

a distribuição de um comunicado sobre os procedimentos para a redução do consumo de energia nos aparelhos de ar condicionado. Os comunicados, com o mesmo conteúdo, foram postados em papel timbrado próprio, tanto pela Comissão de Serviços Públicos do Estado de Nova Iorque quanto pela companhia de energia local, a Con Edison, para grupos distintos de consumidores. No mês seguinte, o grupo de residências que recebeu o comunicado da Comissão Pública economizou 7% no consumo de energia; o outro grupo não apresentou economia. Aparentemente as mensagens enviadas pela Con Edison foram ignoradas ou desacreditadas.

CRAIG, C. S.; McCANN, J. M. Assessing communication effects on energy conservation. Journal of Consumer Research, n.5, p.82-88, 1978 apud STERN, P. C. What psychology knows about energy conservation. American Psychologist, v.47, n.10, p.1224-1232, 1992.

Desse ponto de vista, a educação é o processo principal na promoção das mudanças efetivas do comportamento humano, permitindo a construção de novos valores e atitudes que favoreçam a cidadania e a participação comunitária. Esse processo permite a criação de parcerias estratégicas, a fim de minimizar as barreiras que possam prejudicar o desenvolvimento sustentável da sociedade humana.

4.4. A APRENDIZAGEM SÓCIO-CULTURAL NO CONTEXTO DO USO DA ENERGIA