3. BİLGİ VE İLETİŞİM TEKNOLOJİLERİNİN KATILIMCI POLİTİKA
3.2. Ülke Örnekleri
3.2.2. Birleşik Krallık
A análise dos dados sugere a existência de um campo da educação cooperativista, no sentido de Bourdieu59, no qual organizações interagem, disputam capitais e ocupam posições dominantes ou dominadas. As organizações compõem um campo múltiplo, diversificado e em crescimento, e a entrada mais recente de algumas organizações, como por exemplo, o Sescoop e as ITCPs certamente agrega maior complexidade a esse campo.
Como menciona Bourdieu (1996, p. 17), “o real é relacional”. No espaço social verifica-se a existência de inúmeras relações entre os agentes e as instituições que se encontram imersas nos vários microcosmos (campos) particulares, situados em um universo maior denominado macrocosmos ou mesmo espaço social. Estas relações não são sempre pacíficas, sendo muitas vezes até conflituosas, isso ocorre especialmente devido à posição ocupada pelos agentes e instituições no campo, podendo estar situados no polo positivo do campo, no caso os dominantes, ou no polo negativo, onde se encontram os dominados. Assim, o posicionamento das instituições vai depender do volume global do capital60 possuído e valorizado no campo.
Pela análise dos dados obtidos com os questionários e entrevistas, notam-se indícios de proeminência de três organizações no campo de educação cooperativista no estado de
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Para Bourdieu (1983, p. 89-90): “Os campos se apresentam (...) como espaços estruturados de posições (...). Um campo (...) se define entre outras coisas através da definição dos objetos de disputas e dos interesses específicos que são irredutíveis aos objetos de disputas e aos interesses próprios de outros campos (...). A estrutura do campo é um estado da relação de força entre os agentes ou as instituições engajadas na luta ou, se preferirmos da distribuição do capital específico que, acumulado no curso das lutas anteriores, orienta as estratégias ulteriores”
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Bourdieu (1996) menciona a existência de quatro capitais distintos: O capital econômico, que é importante para demarcar a posição dos agentes no campo, mas não só ele, pois o autor identifica também neste universo o capital cultural, simbólico e social.
Minas Gerais, o Sescoop, o Sebrae e a Emater, nesta sequência, dado que foram as mais citadas pelas cooperativas pesquisadas e, conforme os Gráficos 12 e 15, seriam essas as organizações mais solicitadas pelas cooperativas que responderam os questionários para o desenvolvimento de atividades de educação cooperativista e as que mais oferecem suporte para as cooperativas na promoção de tais atividades, possuindo recursos financeiros que possibilitariam custear a suas ações.
O Sescoop, dentre estas organizações, pareceria ocupar uma posição distinta em relação ao Sebrae e à Emater, dada sua legitimação legal no âmbito nacional, por ter sido criado especificamente para atuar em prol da educação cooperativista, sendo direcionado a todos os ramos do cooperativismo, trabalhando diretamente na capacitação/formação dos cooperados, dirigentes e funcionários dos empreendimentos cooperativos.
Outro ponto importante a ser destacado refere-se aos substanciais recursos que o Sescoop possui para desenvolver suas atividades, vez que obtém suas receitas advindas da contribuição compulsória de 2,5% sobre a folha de pagamento das cooperativas. Convém destacar ainda que o Sescoop pôde aproveitar as experiências desenvolvidas pela Ocemg, por estar diretamente atrelado a ela, recebendo todo o seu suporte político e econômico para o desenvolvimento de seus trabalhos. Observa-se assim que muitas atividades atualmente desenvolvidas pelo Sescoop, são adaptações ou mesmo simples reprodução do que foi realizado pela Ocemg no passado.
É preciso destacar também que a legitimidade do Sescoop relaciona-se com a legislação vigente e os vínculos desta organização com os órgãos de representação máxima do cooperativismo tradicional, como as OCEs (de nível estadual) e a OCB (de nível Nacional)61.
Um episódio recente na trajetória institucional do Sescoop confirma essa legitimidade, pois frente a um questionamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade da Medida Provisória – MP 1.715/1998 que cria e estabelece o funcionamento deste serviço em âmbito nacional, houve em maio de 2009 o reconhecimento preliminar pela Justiça Brasileira da legalidade da MP 1.715/1998, ou seja, do próprio Sescoop (Portal Brasil Cooperativo).
Quanto ao Sebrae-MG, os indícios de que ocupa também posição de destaque nesse campo estão relacionados ao fato de se tratar de uma organização pioneira62 no
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É órgão máximo de representação do cooperativismo a nível nacional, segundo a lei 5764/71, e órgão técnico consultivo do Governo Federal.
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Referente à década de 1990, pois, como já mencionado anteriormente, a Sudecoop desempenhou importantes trabalhos de educação cooperativista junto às cooperativas agrárias mineiras em inícios da década de 1970.
desenvolvimento de projetos relacionados à educação cooperativista junto às cooperativas mineiras, provavelmente devido à atuação de um presidente (que é um conotado dirigente do sistema cooperativista mineiro) na gestão do Sebrae em 1995, incentivando o desenvolvimento de trabalhos que contemplassem as demandas das cooperativas. Desde então, o Sebrae teve um importante papel para estas organizações, fomentando o empreendedorismo e levando em conta as peculiaridade das cooperativas e suas necessidades de educação cooperativista. Cabe lembrar que o Sebrae foi constituído em Minas Gerais no ano de 1995, sendo que o Sescoop só entraria em cena a partir de 1999. Até então trabalhos deste teor eram realizados pela Ocemg, às vezes em parceria com o próprio Sebrae, aproveitando sua maior abrangência, dada a existência de escritórios locais.
Entre Sescoop e Sebrae, organizações do Sistema S, parece existir um conflito silencioso, pois com a criação do Sescoop e com a conseguinte definição de suas atribuições, ficava implícito que o Sebrae não precisaria mais realizar atividades agora de competência do Sescoop. A orientação política parece ser a de que cada uma delas desempenhe suas atividades em consonância com sua área de atuação, no intuito de evitar possíveis desacordos entre estas duas instituições. Esta determinação, embora não seja explícita, pode ser percebida nas entrelinhas dos relatos obtidos nas entrevistas. Assim, o Sebrae declara ter buscado diminuir ou mesmo eliminar atividades realizadas com as cooperativas, embora pelos dados apresentados nota-se que sua atuação neste campo ainda é importante, devido ao reconhecimento das cooperativas relativo à educação cooperativista realizado pelo Sebrae em suas organizações.
Uma terceira instituição bastante citada pelas cooperativas pesquisadas é a Emater, tendo um lugar de realce neste campo. Enfatiza-se que as suas atuações junto às cooperativas agrárias foram sempre relevantes. Porém, diferentemente do Sebrae, as atividades desempenhas de incentivo à cooperação, sobre a importância do trabalho conjunto, na disseminação dos valores, princípios cooperativistas e sobre a natureza peculiar das organizações cooperativas, não são definidas pela Emater como educação cooperativista e estão subordinadas ao cumprimento de objetivos maiores vinculados à assistência técnica e à extensão rural. Elas são realizadas dentro de sua área de atuação, que está fundamentalmente voltada para os produtores, sendo estes conteúdos difundidos a este público, no intuito de atender demandas relativas à possível organização em grupos informais ou formais, como as associações e cooperativas, para o trabalho coletivo. Isso pode ser percebido nos próprios relatos de entrevistas e com base nos documentos aos quais se teve acesso. O fato de ser identificada como uma organização de educação cooperativista ocorre devido à assistência
técnica – principal atividade da Emater – ser considerada pelas cooperativas parte das funções da educação cooperativa.
As demais organizações citadas - as IES, as ONGs, o Senar, e as Entidades Locais (Sindicatos Rurais, Conselhos Municipais e a Epamig) - estariam em posições subordinadas no campo da educação cooperativista.
Desta forma, o Sescoop, o Sebrae e o Senar (como citado pelos respondentes das cooperativas pesquisadas) fariam parte deste campo e, de igual modo, pertencem ao Sistema “S”, trabalhando todos com produtores rurais, muitos deles associados às cooperativas. Por isso, observa-se sombreamento das ações realizadas por essas três instituições. No entanto, existem também, em alguns momentos, ações sinérgicas destas organizações, às vezes, até também parcerias para concretizar determinadas atividades.
As Instituições de Ensino Superior também são citadas como fazendo parte do campo de educação cooperativista. Diferentemente das demais organizações, seu papel está direcionado especialmente para formar recursos humanos capazes de trabalhar junto às cooperativas, para que estes profissionais, como assessores, dirigentes ou funcionários, possam atender os imperativos demandados pelos empreendimentos cooperativos. O público direto das ações não seriam as cooperativas, exceto para atividades específicas vinculadas à extensão e/ou pesquisa.
As ONGs e as incubadoras apresentam estratégias de ação diferentes das outras organizações mencionadas, por terem diferentes perspectivas de trabalho. Estas organizações concentram seus trabalhos, especialmente, em grupos de indivíduos de menores recursos. Apoiam iniciativas que promovam mudanças socioeconômicas que possibilitem superar a situação de precariedade das condições de trabalho e de vida, por meio de empreendimentos coletivos que lhes permitam ter aumento (ou acesso) da renda, assim como acesso às políticas públicas. Dentre suas propostas de trabalho, apostam no associativismo e no cooperativismo, com o viés da economia solidária, como forma de superar as limitações enfrentadas por esses indivíduos.
Assim, é oportuno frisar que as intervenções realizadas pelas ONGs e Incubadoras estão direcionadas a grupos de indivíduos que ainda se encontram na informalidade ou que precisam de suporte externo para impulsionar o desenvolvimento do seu empreendimento, consequentemente, com um perfil diferente daquele privilegiado pelas organizações que se encontram no polo positivo deste campo, as que geralmente se dedicam a organizações com associados de perfis distintos. Com isso, evidentemente, as temáticas privilegiadas são diferentes, vez que precisam atender aos imperativos de capacitação concernentes à realidade
de vida destes grupos. Existe também uma relação conflituosa, que pode ser claramente percebida nos discursos de dirigentes e no rechaço mútuo que se aprecia entre essas organizações e a Ocemg (e, consequentemente, com o Sescoop), manifestando-se assim uma disputa política sobre quem representaria realmente o interesse dos associados, em especial, dos agricultores familiares. A par disso até poderia se afirmar que possuem diferentes percepções do que venha a ser educação cooperativista e seu significado para as cooperativas. Essa questão se verifica também com as demais organizações presentes no campo, onde não existe uma homogeneidade do que seja educação cooperativista, existindo sim, pelo contrário, uma diversidade de conceitos sobre a forma e conteúdos desta prática educativa e de ações que possam viabilizá-la nos empreendimentos cooperativos. De fato, só o Sescoop, em certa medida, as incubadoras e, de forma mais acadêmica, as IES possuem uma definição do que eles entendem por educação cooperativista.
É passível de mencionar ainda que existem algumas organizações que se auto- denominam, pelos trabalhos que desenvolvem com as cooperativas, promotoras da educação cooperativista e, neste grupo, podem ser colocados o Sescoop, o Sebrae, a Sucoop, parcialmente, as Instituições de Ensino Superior63 e incubadoras. No entanto, existem outras organizações que, mesmo desenvolvendo educação cooperativa dentro do âmbito de sua atuação, às vezes, não se reconhecem promotoras desta prática educativa, embora sejam apontadas como tais pelas cooperativas e, ainda, que algumas das atividades por elas promovidas sejam de fato de educação cooperativista, como as desempenhadas pela Emater, Senar, algumas ONGs, entre outras.
Há de se ressaltar que, dentre as organizações que realizam educação cooperativista citadas pelas cooperativas, algumas se dedicam de modo especial à capacitação/treinamento/formação dos dirigentes, funcionários e associados para poderem atuar de forma satisfatória (com eficiência e eficácia) na gestão empresarial das cooperativas. Dentro deste universo, é possível citar o Sebrae, o Sescoop e o Senar. Estas três organizações também atuam, de acordo com sua proposta de trabalho, realizando capacitações referentes à gestão social dos empreendimentos cooperativos, embora a ênfase recaia, de forma especial, na profissionalização da gestão desses empreendimentos. Entre as organizações que enfatizam
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As instituições de ensino superior oferecem uma ampla gama de cursos, dos quais geralmente só um se relaciona com as cooperativas.
a capacitação relacionada à gestão social das cooperativas, podem ser mencionadas a Emater, as ONGs e as incubadoras64.
A respeito dos públicos atendidos pelas organizações, deve-se ressaltar que algumas se dedicam em especial à formação dos cooperados, dentro deste grupo podem ser incluídos o Senar, a Emater e as Incubadoras; outras formam majoritariamente dirigentes ou empregados das cooperativas, como as instituições de ensino superior, o Sescoop e o Sebrae; finalmente, outras organizações que trabalham com todos os públicos (Sescoop, Sebrae). Ainda existem aquelas que formam também os educadores, como as IES, o Senar e o Sebrae.
Todas essas organizações citadas como promotoras de educação cooperativista, em atendimento às demandas específicas das cooperativas agrárias, dedicam substancial atenção à realização de atividades de assistência técnica, às vezes, enfatizando o âmbito gerencial, como é o caso dos trabalhos desempenhado pelo Sebrae. Cada organização empreende suas ações em consonância com suas áreas de atuação, apresentando conteúdos e temáticas de educação cooperativista, por vezes, distintas, embora possam existir certas coincidências nos conteúdos que são ministrados às cooperativas agrárias, e por isso sejam constantes os sombreamentos das suas ações. No entanto, o público (os associados das cooperativas) pode ser composto tanto por agricultores familiares, como por grandes produtores, portanto, as capacitações/formações precisariam ser diferenciadas, pois se trata de públicos específicos, com características, lógicas e necessidades distintas. No entanto, nas fontes pesquisadas não se perceberam referências sobre isso. Portanto, cabe questionar se essas organizações atendem de fato a essas especificidades.
Bourdieu menciona que “cada campo tem um interesse que é fundamental, comum a todos os agentes. Esse interesse está ligado à própria existência do campo (sobrevivência), às diversas formas de capital, isto é, aos recursos úteis na determinação e na produção das posições sociais” (BOURDIEU, 1984, p.114, apud THIRY-CHERQUES, 2005, p. 38). Neste sentido, parece ser o acesso ao conhecimento, à aprendizagem, um dos maiores interesses apresentados pelos agentes dentro do campo de educação cooperativista; em contrapartida, do lado das organizações, o interesse seria o repasse de conhecimentos para que as cooperativas funcionem de um modo determinado que lhes permita alcançar o fim para o qual foram constituídas. Assim, não ocorreria somente o repasse do conhecimento, mas da própria ideologia dessas organizações. Apesar de existirem diferentes “traduções” e, sobretudo,
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A Unitrabalho e as ITCPs também têm sua atenção dispensada a gestão econômica dos empreendimentos, mas se dedicam com maior intensidade à gestão social, enfatizando princípios e valores do cooperativismo e da economia solidária.
ênfases dessa ideologia, as questões doutrinárias e os princípios cooperativos são comuns a todas as organizações, portanto, acredita-se que existam razões para postular a provável existência de um campo da educação cooperativista em Minas Gerais.