IV. BULGULAR
4.11. On Birinci Soru Ġçin Alan Bilgilerine Ait Bulgular ve Yorumlar
Essa atividade refere-se ao atendimento prestado pelos técnicos do CRAS (psicólogo ou assistente social), em uma sala reservada, à pessoa que procurou o equipamento, independente da demanda. Os CRAS, desse município, separa dois dias da semana para esse serviço, nos quais acolhem tanto as pessoas que encontram-se pela primeira vez no serviço, quanto as famílias que já
são/foram acompanhadas “que demandam uma nova escuta ou a visita domiciliar”. (ALINE). Thaís explica como funciona:
A pessoa chega às oito horas, tem que vir as oito, pega um horário, deixa agendado pro mesmo dia e eu espero ela retornar no horário, aí ela conta o que ela quiser [risos], é um acolhimento mesmo, ela fala sobre a situação dela [...] Geralmente a pessoa quer ser inserida em algum programa de transferência de renda e dependendo do caso essa família é acompanhada por mais tempo ou finalizado ali mesmo o atendimento. THAÍS
Durante o atendimento das pessoas que procuram o CRAS pela primeira vez, se a pessoa apresentar demandas pertinentes à proteção social básica, o técnico realiza o preenchimento de um prontuário, onde há perguntas sobre a condição social das mesmas, conforme explicou Luiza. A partir de então, essa família torna-se referenciada pelo serviço, ou seja, ela torna-se conhecida pelo serviço e poderá procurá-lo quando precisar. Desse modo, todas as ações desenvolvidas com ela deverão ser registradas em um prontuário. Esse acolhimento também pode ser realizado pelos estagiários de Psicologia e de Serviço Social.
Pedro conta que ele atende cerca de quinze pessoas em cada dia de acolhimento. No entanto, caso alguém compareça nos dias destinados às outras atividades, essa pessoa é ouvida do mesmo jeito e lhes são oferecidas algumas orientações mais imediatas, ou seja, o respeito pela pessoa prevalece às agendas e aos protocolos. “A pessoa precisa sair pelo menos orientada” (PEDRO).
Malu indicou que eles geralmente levam entre 40 e 50 minutos para atender cada “família” e se for necessário, pode ser marcado um retorno para outro dia ou ser agendada uma visita domiciliar. No entanto, ressalta que “nem sempre ela vai sair com o que ela veio buscar”, pois, geralmente a demanda da família, ou seja, aquilo que ela necessita é diferente do que ela “veio pedir”. O termo família foi colocado entre aspas, porque é questionável o pressuposto de que cada pessoa que frequenta o CRAS representa uma família.
[...] na hora que você escuta a família que veio só pra banco de alimentos, às vezes, você vê que nem é caso disso, existem outras demandas. Então assim, na verdade a família, às vezes, chega com uma demanda explícita e um milhão de implícitas. [...] cada caso é um caso. Nem sempre para o que ela veio aqui, ela vai sair daqui com. MALU
Assim, segundo Malu, um dos objetivos do acolhimento é procurar compreender essa demanda, investigando com mais profundidade a história da pessoa/família, como a pessoa chegou à situação de vulnerabilidade em que se encontra. Em seguida, junto com ela, encontrar estratégias para a superação dessa situação.
[...] você vai conversando com a pessoa pra identificar por que ela não entra no mercado... algumas são claras, a situação: idade e analfabetismo, ou baixa escolaridade, tem quarta/quinta série e tá com 45 anos [...] MALU.
[...] a maioria das pessoas chega aqui e fala assim, essa é a frase inicial: “Eu vim aqui pra fazer bolsa família” ou “eu vim aqui pra fazer renda cidadã” [...] Só que não é assim “eu vim aqui pra fazer”, “eu vou e faço”, por que pra isso não precisa nem de assistente social, por que é preenchimento de cadastro. Aí a gente fala: “Então me conta um pouquinho o que tá acontecendo” [...] Primeiro a gente escuta a família, qual que é a situação dela hoje, por que ela chegou nessa situação... [...] por um rompimento, por exemplo, de vínculo com a mãe, ou com a irmã que ajudava ela, ou por que largou do marido que batia nela... [...] a rede que ela tem de família, de amigos, da onde que ela veio, como é que ela veio parar [nesse município] [...] a gente tenta, e às vezes a gente não consegue, mas a maioria das vezes a gente consegue achar onde que começou essa situação dela de vulnerabilidade, e junto com ela tentar achar a intervenção. MALU
Dentre as estratégias ou intervenções oferecidas depois dessa compreensão, de acordo com Thaís, Pedro e Malu, elas podem consistir em: orientações, informações e/ou fazer acordos com a pessoa que buscou o atendimento. Esse aspecto será mais bem discutido na seção Sentidos do
Trabalho.
[...] a pessoa veio aqui e contou a história dela para você. A partir disso, você a orientou, no que cabe ao CRAS, seja pra beneficio, seja para tirar dúvidas em outro lugar, procurar advogado, procurar creche... E de certa forma, você pode combinar ou não certas coisas com ela. [...] PEDRO
As orientações abrangem desde informações sobre direitos (educação, lei, saúde, previdência), até os métodos para espantar morcegos da casa. Sendo, mais frequentes, as questões referentes aos programas de transferência de renda e à procura de emprego.
[...] uma das pessoas pediu orientações sobre como espantar morcegos da casa. Pedro ficou de ligar na vigilância sanitária para ver isto. Então, dirigiu-se para a sala, onde havia computador e telefone. [trecho retirado do diário de campo em 20/06/12]
Segundo Thaís e Malu, algumas pessoas não sabem da existência de alguns de seus direitos e quando esses lhes são informados elas criam um vínculo com o CRAS e retornam para contar o resultado da ação que fora orientada ou para buscar outra coisa.
Eu o orientei a respeito de emprego que ele queria com urgência. Para ir ao centro de emprego da cidade e ele vai voltar. PEDRO
Eu dou várias orientações, por exemplo, de currículo, por que eu tive alguma experiência de RH [...] Aí eu falo “você tem um currículo aí?” às vezes elas têm dificuldades [...] pergunto “onde é que você tá procurando? Como é que você tá fazendo? Como que você chega lá?” [...] Você deixa o seu currículo na loja com a menina vendedora, ou você chama o gerente para conversar? MALU
Essa variedade de intervenções corresponde à diversidade das demandas apresentadas pelas pessoas. De acordo com os participantes da pesquisa, os programas de transferência de renda são os principais motivos pela busca do atendimento. Além disso, há as solicitações por participar do banco de alimentos, por receber o auxílio aluguel, o bilhete do idoso (interestadual) e a cesta básica, fornecida somente em casos de urgência.
Thaís também relatou que algumas pessoas vão ao CRAS apenas para conversar com os profissionais, principalmente para pedir orientações sobre algum parente que apresenta dependência química. Segundo Pedro, Aline e Thaís, o sofrimento propiciado por conta do uso abusivo de álcool e drogas está presente na vida de muitas pessoas que os procuram, mas essa questão não faz parte do foco da proteção social básica e sim, da proteção social especial e dos serviços de saúde. Segundo Pedro, essas situações são “difíceis de tratar” (Pedro).
[...] e tem casos... parece que as pessoas vêm para conversar mesmo. Tem esse problema também [...] a dependência química [...] não seria uma coisa pra gente acompanhar [...] mas, tem muitos casos, muitos, muitos, quase em todas as famílias [...] aí eles vêm aqui: “Ai o meu filho fez isso”. Agora eu cheguei aqui tinha um bilhetinho na minha mesa: “Ligar para tal pessoa”. Ela nem tá dentro dos critérios para nenhum programa de transferência de renda, ela vem aqui por isso... para falar sobre o filho e eu não vou falar... THAIS
Os demais participantes também relataram que as pessoas vão ao CRAS para conversar. Segundo Pedro, as pessoas até usam os benefícios como desculpa: “eu vim consultar o meu benefício... mas, sabe aquele meu neto?” (Pedro). Desse modo, conforme avaliou Malu, um dos principais temas eleitos para o diálogo com os técnicos refere-se às dúvidas em relação aos cuidados dos filhos e netos: “O que faço com minha filha que quer ir ao forró e não quer ir para a escola? Ela não me obedece”. Aspecto que pode refletir uma representação social histórica de uma Psicologia predominantemente clínica, que trata das relações familiares, oferecendo a escuta e orientações sobre comportamentos adequados/esperados.
Segundo os participantes, em outros casos, a procura se dá por conta de situações emergenciais que, geralmente, envolvem incêndios ou alagamentos: “a pessoa acabou de perder tudo que tinha, está precisando urgentemente de uma casa, então, ela veio tentar conseguir auxílio aluguel” (Pedro). Sendo que, para Malu, a maioria das pessoas busca o atendimento em decorrência de “situações momentâneas que precisam de um suporte para superar uma situação de vulnerabilidade ocasional, provocada por perda de emprego, separação, etc.”. A falta de vagas em creches é outra demanda frequente, pois o município “tem uma defasagem nessa área”, conforme relataram Pedro e Aline.
Quando a família os procura por não encontrar vagas para as crianças nas escolas, os profissionais entram em contato com a Secretaria de Educação, Conselho Tutelar ou mesmo com o Fórum.
Ambos também afirmaram que algumas das mulheres atendidas sofrem violência doméstica e “as pessoas não falam a respeito no primeiro atendimento, somente a partir do terceiro ou na visita domiciliar”. Por isso, a aproximação, o vínculo e o acompanhamento são importantes.
No acolhimento também podem ser realizadas as consultas e o desbloqueio da situação do benefício das pessoas que já são acompanhadas pelo CRAS. O encontro também pode voltar-se para o acolhimento de situações emergenciais, como as que envolvem a perda da moradia. Além disso, esse atendimento pode desencadear uma série de outras ações, tais como: os encaminhamentos, as inclusões em PTRs, as visitas domiciliares e/ou acompanhamento, que serão descritos a seguir.
Ela pode ser inserida em algum programa, ela pode ser encaminhada para o grupo socioeducativo, ela pode ser encaminhada para o CAPS, a gente entra em contato, às vezes, com a UBS, com agente de saúde, ou leva para o matriciamento para discutir com todos os serviços da saúde. É isso, que mais? Ou pode ser agendado uma visita domiciliar pra essa família... Ahn... nossa, tem muita coisa, depende do que ela solicita e do que ela tá dentro do critério [...] THAÍS
De acordo Chiaverini (2011), o matriciamento pode ser descrito como uma forma de organização do trabalho prestado pelos diferentes serviços da atenção primária, com base na gestão participativa e na criação, de modo compartilhado e integrado, de uma proposta de intervenção pedagógico-terapêutica para o tratamento de um determinado indivíduo assistido pelos profissionais. O objetivo desse sistema é evitar a comunicação precária e irregular dos encaminhamentos por escrito ou dos formulários que, sob os efeitos burocráticos e pouco dinâmicos dessa lógica tradicional, não oferecem bons resultados. A proposta é substituir essa prática por ações horizontais e conjuntas entre os diferentes níveis assistenciais.