• Sonuç bulunamadı

I. BÖLÜM:GİRİŞ

2.5.1. Birinci Grupta Yapılan Uygulamalar

Apesar de a Etnografia ser utilizada na área da Educação desde os anos 1960, apenas no final da década de 1990, a nomenclatura Etnografia Interacional passou a ser adotada, designando a lógica de investigação construída para possibilitar a prática etnográfica na Educação (GREEN, DIXON, ZAHARLIC, 2002). Essa prática busca compreender a construção de oportunidades de aprendizagem para todos os participantes das salas de aulas, que são compreendidas como espaço de construção de culturas. (GOMES, DIAS, GREGÓRIO, 2012).

A sala de aula é um campo de estudo muito peculiar, que apresenta características específicas nas relações que a constituem. Por esse motivo, optamos por desenvolver nossa pesquisa utilizando a Etnografia Interacional, pois essa abordagem busca compreender as práticas da vida cotidiana da sala de aula, por meio da cultura construída nas interações sociais do grupo. Essa lógica de investigação envolve aspectos coletivos e individuais dos participantes da pesquisa, seus costumes e práticas, significados e pontos de vista.

O Grupo de Estudos e Pesquisa de Psicologia Histórico-Cultural (GEPSA- FaE/UFMG) e a Etnografia Interacional, proposta pelo Grupo de Discussão da Sala de Aula de Santa Barbara Classroom Discourse Group (SBCDG) têm em comum a concordância de que estudar a sala de aula significa conhecer a cultura daquele grupo, o modo como os diferentes alunos aprendem e os significados que eles atribuem a essa aprendizagem.

Essa perspectiva de pesquisa resultou da combinação da etnografia (por meio das teorias antropológicas culturais) e da análise do discurso (por meio da sociolinguística e das teorias interpretativas da linguagem em uso) (GREEN, DIXON, ZAHARLICK, 2002). Portanto, o pesquisador deve observar o que os membros do grupo estão fazendo e falando, com quem e para quem, sob quais circunstâncias, quando e onde, com quais propósitos e resultados.

A Antropologia Cognitiva, a Análise Crítica do Discurso e a Sociolinguística Interacional são princípios teórico-metodológicos complementares da Etnografia Interacional que, embora possuam focos analíticos diferentes, partilham uma visão de cultura, linguagem e discurso como sendo construídos contextualmente, uma vez que as pessoas interagem entre si em diferentes espaços sociais. (CASTANHEIRA, 2004). Esses princípios teórico- metodológicos serão apresentados a seguir.

3.1.1 Antropologia Cognitiva

A Antropologia Cognitiva é um subcampo da Antropologia Cultural que tem o objetivo de entender e descrever o mundo dos indivíduos, partindo dos significados que eles próprios produzem. Ela contribui para a compreensão da cultura construída na sala de aula que se manifesta por meio das interações entre aluno/aluno e aluno/professor.

Estudar a sala de aula de música significa tentar conhecer aquela cultura, a forma como os alunos aprendem e os significados que eles atribuem a essa aprendizagem.

Neste estudo, buscou-se observar os comportamentos e as interações entre os alunos e o professor de música das duas turmas pesquisadas, com o objetivo de entender os significados dos eventos de aprendizagem em educação musical para cada um dos sujeitos, e o que as consequências desses significados representavam para a cultura do grupo. Ao analisar esses aspectos, procurou-se compreender os padrões e as práticas utilizados ali para construir, interpretar e gerar ações que pudessem definir o que se considera, por exemplo, uma manifestação musical criativa.

3.1.2 Sociolinguística Interacional

A Sociolinguística Interacional aplicada à Educação tem o objetivo de compreender como os integrantes da sala de aula usam a linguagem para se comunicar e alcançar objetivos e para interagir nas atividades, construindo oportunidades de aprendizagem.

Segundo Castanheira (2004), a Sociolinguística Interacional propõe duas perspectivas analíticas complementares de abordagem:

• Uma compreende a língua como um processo de interação que depende dos conhecimentos linguísticos dos participantes, ou seja, a língua na sala de aula;

• Outra compreende a língua como um sistema discursivo construído dentro do contexto, nas interações entre os participantes do grupo, sendo, portanto, a língua da sala de aula.

A sociolinguística interacional também se preocupa em analisar a comunicação não verbal. Assim, determinados comportamentos dos alunos ou do professor podem indicar algumas pistas sociológicas que são transmitidas pelos participantes para marcar suas intenções e expectativas sobre os acontecimentos que se darão durante a interação (GUMPERZ, 2002).

Em nossa pesquisa, além da análise da língua na e da sala de aula, muitas foram as oportunidades de comunicação não verbal das turmas observadas. A expressão corporal – típica da linguagem musical – transmitiu também intenções e expectativas sobre os acontecimentos que se davam naquele ambiente, manifestando-se, ora pelo direcionamento do olhar, ora pelas expressões faciais ou por movimentos corporais tanto do professor quando dos alunos.

3.1.3 Análise Crítica do Discurso

A Análise Crítica do Discurso compreende a linguagem como uma prática social inserida em um determinado contexto social e histórico, numa relação dialética. Ela “focaliza a língua usada na sociedade e a sua relação com as mudanças social e cultural” (CASTANHEIRA, 2004, p. 48).

A Análise Crítica do Discurso possibilita investigar como as práticas e os processos educacionais são construídos no tempo e como formatam o que se produz de significados sobre o fazer, saber e ser, por meio dos e nos eventos de sala de aula e em outros espaços educacionais (GOMES, DIAS, GREGÓRIO, 2012). De acordo com Jeandot (1990, p. 15) a música “é uma linguagem universal, mas com muitos dialetos, que variam de cultura para cultura, envolvendo a maneira de tocar, de cantar, organizar os sons e de definir as notas básicas e seus intervalos”. No caso desta pesquisa, a partir dos referenciais teóricos da Análise Crítica do Discurso, buscamos compreender a relação discursiva entre o professor de música e seus alunos e dos alunos entre si, focando nosso olhar nas interações sociais escolares estabelecidas entre eles que favoreceram o trabalho criativo de música em sala de aula. Inspiradas no referencial teórico de Gee e Green (1998), procuramos reconhecer as oportunidades de criação de algo novo dos dois grupos pesquisados, com o objetivo de entender de que forma o conhecimento construído em sala de aula moldou e foi moldado pelas atividades discursivas e pelas práticas dos envolvidos e, ainda, como aquelas

oportunidades de aprendizagem/criação foram influenciadas também por ações de atores que estavam além do contexto de sala de aula.