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Bireylerin Hukukî Güvenlik İçinde Olması

Partituras do Tempo é uma ficção sobre a chegada de um imigrante alemão,

Martin Moron, à Estação Barro (que deu origem à cidade de Gaurama) e trouxe a música para a região. É um curta-metragem com boa captação de áudio, planos precisos, unidade estética, sem diálogos (o que facilita as interpretações), cuidado com as locações, com a produção dos figurinos e dos objetos de cena, essenciais para a tentativa de reconstituição histórica. O uso de fotografias, de datas e de redundância entre áudio e imagem permeia o filme. Também se vê a marca de uma produtora contratada, a Tokyo, e a participação da realizadora, com sua trajetória de

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professora de História e de envolvimento com a comunidade, como essenciais para o filme.

Dos 117 questionários respondidos durante a exibição do filme em Gaurama, muitos espectadores responderam que o curta-metragem feito na cidade retratava as histórias de seus bisavós e avós. Além disso, a importância da realização do filme seria a divulgação da cidade, o contar sobre o passado/origens/trajetória do povo. Quanto às outras histórias que relatariam sobre a cidade, repetem-se as respostas sobre a saga da imigração e a ferrovia.

O filme abre com o detalhe em uma cortina que se move e os créditos já mostram: “Baseado em...”; “Roteiro adaptado a partir de manuscrito deixado pelo maestro Paulo V. Moron”. A importância de indicar as fontes se articula com toda preocupação de reconstituição histórica da realizadora.

Também existem muitos créditos no início, registrando os nomes dos atores que interpretam as personagens principais. Há três pessoas com o sobrenome Moron, identificando os familiares envolvidos na trama. Destaque para o nome de Camilo Bevilacqua, ator convidado e que faz o próprio Paulo V. Moron adulto. Este ator é gauramense e já atuou em trabalhos na Rede Globo e Rede Record, motivo de orgulho para a cidade, como relatado anteriormente.

Figura 79: Abertura do filme.

Depois do primeiro plano na cortina, seguem-se detalhes dos objetos, toca- discos, instrumentos musicais. Os objetos antigos preservados pelos moradores foram emprestados para a realização do filme, em uma busca da equipe em garimpá-los e demonstrando também o envolvimento dos habitantes em colaborar com a produção.

Figura 80: Detalhes dos instrumentos.

A narração em voz over, indicando o que o personagem principal ia escrevendo, começa o relato: “Em 1912, meu pai sentindo o cheiro de mais uma guerra...”. Existe, no curta, uma preocupação com as datas “1912, 1968”, até mesmo nas fotos dos bastidores, indicando março de 2011 nos créditos.

Um homem, interpretado pelo ator Camilo Bevilacqua, sentado a uma mesa, acende uma vela e começa a escrever em um papel com caneta tinteiro. Ao seu lado, está o clarinete. No final do filme, surge um letreiro indicando que esse é o clarinete original trazido pelo seu pai. Ao seu lado, há também uma cuia de chimarrão, identificando elementos culturais compartilhados no Rio Grande do Sul.

Figura 81: Imagens do relato, o ator Camilo Bevilacqua, indicação de lugar e data, presença do fogo/vela.

Um fade out mostra a chegada de um trem em uma estação. A fumaça que sai da sua chaminé se mistura ao nome do curta-metragem Partituras do Tempo, e a tipografia escolhida remete às formas manuscritas, do relato e do passado. Créditos novamente indicam o local e a data: “Chegada na estação Barro, Norte do RS, Verão de 1912”.

Um plano conjunto mostra as pessoas descendo na estação, e o figurino remonta a outro tempo. O plano médio do perfil das pessoas permite que se vejam mais detalhes dos rostos e das roupas. Há uma freira entre essas pessoas, a qual é homenageada ao final do filme. Assim como a referência ao personagem do outro curta-metragem feito pela equipe de Cidreira, esses códigos podem ser compartilhados pelos moradores da região que têm em seu repertório, seja a figura do personagem do filme anterior (baseado em um morador da praia, no caso de Cidreira), seja a figura da freira, importante para os moradores de Gaurama.

Figura 83: Chegada dos migrantes e imigrantes à estação.

O movimento de travelling, único usado nos filmes gravados no Rio Grande do Sul, mostra as pessoas chegando à estação. A possibilidade desse recurso de movimentação de câmera aconteceu pela união da equipe da produtora com os envolvidos na produção, que improvisaram um carrinho que deslizava pelos trilhos do trem da estação de Gaurama. É significativo como um espaço, uma ideia e o envolvimento de um grupo possibilitam uma expressão estética que se realiza em um movimento de câmera no filme.

Em seguida, há o primeiro plano de dois meninos. A câmera subjetiva, sugerindo o olhar de um deles, mostra os acordos de compras de terra dentro da estação. Um plano determinante nos revela que quem observa é o garoto loiro, que espia, junto com o irmão, os acordos do pai. O narrador fala: “Quero mostrar para vocês como eu vi e o que era o barro”. Aqui, ele ressalta o testemunho, como foi visto nos outros dois curtas-metragens ficcionais do Revelando os Brasis, M’Boy Guaçu e Duas Cruzes.

A narração e as imagens expressam redundância durante todo o curta- metragem, o que guia a estrutura do filme. Por exemplo: o narrador fala da empresa Luce Rosa, é mostrada a placa Luce Rosa; fala de pinheiros, surgem os pinheiros; “meu pai comprou”, assinatura e aperto de mão indicando o negócio, etc.

Figura 84: Imagens das fotografias e do acordo de compra das terras.

Ao som de um clarinete assistimos à descida dos migrantes desde a picada até o barracão. Destacam-se os figurinos de época, com detalhes para as roupas das crianças, por exemplo, os objetos, como as malas, que foram emprestadas pelos moradores. A redundância entre narração e imagem segue. “O instrumento dele era o clarinete”, plano detalhe no clarinete; “Depois da janta”, detalhe da comida no fogo. Entretanto, há uma variação de planos, movimentos de câmera, de locações, atores, figurinos, e existe um cuidado na produção que se expressa no resultado final do filme.

Figura 85: Imagem da pesquisa feita pela diretora e utilizada como referência para os figurinos.

Figura 86: Detalhes dos figurinos e caracterização.

Seguem-se as cenas e existem mais redundância e repetição: “As melodias se perdiam nos morros e nas matas”, são registradas imagens de morros e matas. “Brincando nas águas límpidas”, aparecem cenas no arroio. “Mais vizinhos vinham chegando a cavalo”, imagens de homens a cavalo e a pé. “Primeiro trio musical no meio do mato”, veem-se os três homens tocando.

Figura 87: Imagens de Partituras do Tempo.

Até que se chega a mais uma marcação de tempo. “Em 1923, parou tudo”. Imagens dos morros mais escurecidas, trovões, relinchos dos cavalos, na proposta de dar sentido do medo que havia chegado naquelas terras com a Revolução de 1923. Há uma explicação para a Revolução em um sentido pedagógico, uma preocupação, a meu ver, da professora de História enquanto realizadora do filme.

Figura 88: Imagem de Partituras do Tempo.

“Depois do tempo de insegurança, criamos uma bandinha.” Aqui, surgem as fotos da banda, recurso utilizado desde o início do filme, com fotos dos lotes de terra, por exemplo. É a fotografia sendo usada como documento histórico dentro do curta-metragem, o qual é baseado em um relato.

Na cena do baile, existe uma variedade de rostos dos figurantes, muitos dos quais estiveram na exibição. Um dos motivos para a exibição do filme, em Gaurama, ter lotado o ginásio e tido a participação de grupos e de atores vestidos com os figurinos do filme foi o envolvimento de dezenas de figurantes, especialmente nas

cenas da chegada à estação e do baile, que necessitavam a participação de muitas pessoas.

Figura 89: Detalhes das fotografias e cena do baile.

Retorna o detalhe do toca-discos do início do curta-metragem, que toca

Danúbio Azul, conhecida valsa e que serve de trilha para o curta. O narrador assina:

“Gaurama, 1968, Paulo V. Moron”. Atesta seu testemunho e autoria do relato, depois descoberto por H., durante sua pesquisa de mestrado.

Se, nesse curta, não há uma lição de moral de uma lenda, existe uma lição final: “Lições sublimes que a música nos ensinou vão alegrar para sempre gerações”. Essa intenção de histórias ou práticas que são passadas de gerações em gerações é vista também nos cinco filmes.

Em Duas Cruzes e M’Boy Guaçu, avô e mãe contam as lendas para crianças; Partituras do Tempo relata a história dos migrantes e imigrantes; Memória da Terra

enfatiza a necessidade de se passar de geração em geração o achado dos fósseis em São Pedro do Sul; Loucos por bocha fala sobre o jogo/prática cultural que também é transmitido de geração em geração.

Figura 90: Indicação de local e data.

Ao final do filme, seguem agradecimentos e dedicatórias, assim como uma fotografia da equipe de produção, com local e data, como recorrente em todo o curta. “Gaurama, março de 2011”. O uso das fotos em Partituras do Tempo também é compartilhado por Memória da Terra. Não obstante, ambas as diretoras são historiadoras e valorizam tais documentos.

Figura 91: Créditos finais e agradecimentos.

Figura 92: Créditos finais e agradecimentos.

Partituras do Tempo compartilha elementos de Photographos – Cima da Serra, de Cambará do Sul e produzido durante o Revelando os Brasis III. Photographos traz os pioneiros da fotografia em uma pequena cidade do interior do

Rio Grande do Sul, e Partituras... os pioneiros da música. Ambos os filmes buscam representar moradores e cenas contadas sobre o desbravamento da região, e sobre as novidades artísticas, as mudanças durante o tempo, e a relação das diretoras com as histórias narradas.

Em relação às produções feitas nas próprias cidades, o documentário

Dormentes do Tempo, em que H. é uma das entrevistadas e no qual ela trabalhou

como consultora, tem uma outra abordagem: nostálgica e de denúncia, diferentemente da ode feita aos pioneiros da música em Gaurama.

A coprodução entre as prefeituras de Viadutos, Marcelino Ramos e Gaurama, que financiaram o projeto, direciona a ação justamente para a causa do sucateamento da estrada de ferro. Já o curta do Revelando os Brasis, como H. mesmo diz, tem o propósito de elevar a autoestima dos moradores, por isso vê-se uma mensagem positiva no curta-metragem. Deve-se considerar os propósitos de ação dos realizadores e envolvidos, porém, a importância da estação e da estrada de ferro está lá, registrada em ambos os filmes.

No caso de Dormentes do Tempo, novamente há a presença de Ivanir Migotto e Mariana Müller, da Epifania Filmes. São sujeitos do espaço audiovisual gaúcho que circulam por diversos âmbitos e que mostram essa nova geração de

realizadores com formação acadêmica realizada no Rio Grande do Sul, em um contexto de formação e de experiência profissional que o estado também oferece.

Figura 93: Imagens do documentário Dormentes do Tempo.