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BÖLÜM 2: MÜŞTERİLERİN BANKA TERCİHLERİNİ ETKİLEYEN

3.5. Bulgular ve Değerlendirilmesi

3.5.14. Bilgiyi Eyleme Dönüştürebilme ve Banka Kullanımına Etkisi

a experiência da visão e na filosofia do olhar que se constituem a partir da leitura de Merleau-Ponty existem referências constantes e diretas ao corpo. Mas de qual corpo nos fala o filósofo?

84 CÂMARA, José Bettencourt da. Expressão e Contemporaneidade: a arte moderna segundo Merleau-Ponty.

Lisboa : Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2005, p. 43-44.

85 Merleau-Ponty trata do corpo na primeira parte de sua obra “Fenomenologia da Percepção” e dedica um

capítulo ao corpo próprio, além de referir-se a ele em diferentes trechos do livro. Em seu texto “O olho e o espírito” aparece a designação corpo operante e atual. Já em seu livro “O Visível e o Invisível”, publicado postumamente, aparecem referências ao corpo fenomenal.

N

78 O corpo próprio está no mundo assim como o coração no organismo; ele mantém o espetáculo visível continuamente em vida, anima-o e alimenta-o interiormente, forma com ele um sistema. 86

O corpo próprio ou corpo operante87

distingue-se de todos pela sua singularidade, já que é o único que não é apenas um corpo, mas é o meu próprio, aquele do qual disponho de forma imediata, do interior do qual coordeno as experiências diversas de meus processos e campos de sensação. Para o filósofo, o corpo concentra a complexidade do existir humano no qual se misturam natureza e cultura, com um entendimento de que este é um sistema, uma totalidade. Merleau-Ponty afasta-se, assim, de dualismos e mecanicismos, tais como as separações entre corpo e espírito, sujeito e objeto, homem e mundo. Merleau-Ponty supera essas separações ao compreender o ser em situação de existência, como um feixe de processos, ou seja, como visão, mobilidade, linguagem, sexualidade que se fundem e se confundem entre si, com os quais só lidamos pela própria vivência. O corpo guarda, então, essa ambiguidade, pois suas funções estão ligadas entre si, como também com o mundo externo: logo, não temos um corpo como pensamento ou ideia, mas somos o nosso corpo.

(...) Merleau-Ponty trouxe à tona, com toda a clareza, as teses implícitas nesse ponto de vista. O corpo não é um objeto, uma coisa. ‘Quer se trate do corpo alheio, quer se trate do meu, não tenho outro modo de conhecer o corpo humano a não ser vivenciando-o, ou seja, assumindo por conta própria o drama que me invade e confundindo-me com ele. (...)88

O corpo é a expressão de nossa existência, assim, podemos dizer que a operação expressiva, neste sentido, torna-se uma dimensão do corpo próprio89

ao oferecer sentidos e significações para o vivido, transformando a experiência em linguagem artística. Essa proposição fundamenta um alargamento do campo da expressão artística durante o século XX. O corpo operante, tratado por Merleau-Ponty, torna possível falar de um rompimento com uma visão absoluta na representação mimética do corpo para um corpo que se emprega, cada vez mais, como condição de existência incorporado à arte atual ao demonstrar que aí está também a experiência da criação. Com os escritos pontianos, é possível dizer que, a partir da modernidade, o corpo é convidado a participar da arte com seu potencial questionador e interpretativo, convocado como “corpus”, parte da obra, “espírito selvagem” que se inscreve

86 MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da Percepção. 2º Edição - São Paulo : Martins Fontes,

1999. (Tópicos), p. 273.

87 Ibid., p. 205-212

88 ABBAGNANO, Nicola (Ed.). Dicionário de Filosofia. 5º Edição (revista e ampliada). São Paulo, Martins

Fontes, 2007, p. 249.

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no campo do “eu quero” e “eu posso” 90

. O corpo, assim, é deslocado da categoria imagética e reintroduzido como experiência do mundo vivido, como visão e movimento91

. Segundo Merleau-Ponty92

, “(...) a experiência do corpo próprio nos ensina a enraizar o espaço na existência”. Assim, o corpo não simplesmente ocupa o mundo, mas ele é no espaço

onde se realiza como corpo93. Lugar de conjunção das significações vividas, o corpo próprio é

onde o movimento da expressão se entrelaça a visão e ao pensamento, dando existência as coisas e permitindo-lhes existir como tal94

.

A produção filosófica de Maurice Merleau-Ponty oferece oportunidades para discutir as potencialidades do encontro com o corpo próprio como uma experiência que nos exige a criação. O encontro com esse caráter pregnante do corpo próprio alimenta as linguagens artísticas em um banquete no qual o “sentido bruto” da experiência perceptiva colhe do mundo marcas95

, ao mesmo tempo, recolhidas para fazer parte do ser. Essa relação orgânica entre sujeito e mundo constituinte é também instituinte de uma visibilidade que se constrói a partir de uma “ruminação do mundo” que toma como empréstimo o próprio corpo do artista96

. Numa floresta, senti, várias vezes, que não era eu quem olhava a floresta. Senti, certos dias, que eram as árvores que me olhavam, me falavam... Eu, eu ficava ali, escutando... Creio que o pintor deve ser trespassado pelo universo e não querer trespassá-lo. Espero estar inteiramente submerso, enterrado. Pinto para surgir.97

Assim, os escritos de Merleau-Ponty apontam não somente um corpo como realidade orgânica ou fisiológica, mas trazem uma ampliação da ideia de corpo enquanto fisicalidade, objeto natural ou fisiológico em geral, revendo sua consideração como utensílio, instrumento ou meio que o ser humano utiliza no mundo para uma noção de corporeidade, ou seja, um desempenho que este corpo tem em nossas experiências, com os objetos e com os outros sujeitos, como potencialidade para construção de linguagem. Um habitar a si mesmo e ao mundo que pode ser traduzido em tessituras matéricas e plásticas, indícios de uma subjetividade enraizada e entrelaçada solidariamente com o mundo.

90 CHAUÍ, Marilena. Experiência do pensamento: ensaios sobre a obra de Merleau-Ponty. São Paulo : Martins

Fontes, 2002. (Coleção Tópicos), p. 152.

91 MERLEAU-PONTY, Maurice. O olho e o espírito. In: ______. O olho e o espírito: seguido de A linguagem

indireta e as vozes do silêncio e A dúvida de Cézanne. São Paulo: Cosac & Naify, 2004, p. 16.

92 Id., Fenomenologia da Percepção. 2º Edição - São Paulo : Martins Fontes, 1999. (Tópicos), p. 205. 93 Ibid., p. 205-206.

94 Ibid., p. 203.

95 Id. O olho e o espírito. In: MERLEAU-PONTY, op. cit., p. 34-40. 96 Ibid., p. 14-16.

97 Paul Klee Apud CHAUÍ, Marilena. Experiência do pensamento: ensaios sobre a obra de Merleau-Ponty.

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A figuração, assim, pode dissolver-se em um vigor pregnante do gesto artístico como expressão da potência do corpo na criação. O corpo, cada vez mais, é convidado a participar da obra, como "espírito selvagem", na qual gesto e intenção são inseparáveis na realização de uma experiência que se faz nela própria98

. O corpo se reintroduz na obra, na qual visão e movimento estão imbricados em uma produção plástica que ao refletir sobre os elementos que compõem a linguagem da arte (linhas, massas, formas, cores, equilíbrio), junta-se à obra como ação, pensamento e visão.

Basta que eu veja alguma coisa para saber juntar-me a ela e atingi-la, mesmo se não sei como isso se produz na máquina nervosa. Meu corpo móvel conta com o mundo visível, faz parte dele, e por isso posso dirigi-lo no visível. Por outro lado, também é verdade que a visão depende do movimento. Só se vê o que se olha. (...) Todos os meus deslocamentos por princípio figuram num canto de minha paisagem, estão reportados ao mapa do visível. Tudo o que vejo por princípio está ao meu alcance, pelo menos ao alcance de meu olhar, assinalado no mapa do ‘eu posso’. Cada um dos dois mapas é completo. O mundo visível e de meus projetos motores são partes totais do mesmo Ser.99

Assim, essas tensões entre figuração-abstração, motivo/tema-evocação, técnicas- objeto, materiais-linguagens existentes na arte a partir de meados do século XX afirmam a existência de uma passagem pelo espaço da experiência do artista que não se trata de uma interiorização do mundo ou representação dos seus aspectos visuais. Esta passagem implica em perspectivá-lo no ato do fazer criador, dimensão que pode dar visualidade por meio do emaranhado de elementos plásticos, enfim, dimensão da própria movimentação do ser artista durante o ato do fazer.

(...) A arte é um encontro contínuo e reflexivo com o mundo em que a obra de arte, longe de ser o ponto final desse processo, age como iniciador e ponto central da subseqüente investigação do significado.100