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BÖLÜM 2: MÜŞTERİLERİN BANKA TERCİHLERİNİ ETKİLEYEN

3.5. Bulgular ve Değerlendirilmesi

3.5.10. Alışkanlıklar ve Banka Kullanımına Etkisi

rganizamos também alguns trechos da entrevista de Lia Chaia em “unidades de significado” que serão apresentadas a seguir. Estas colaboram para perceber similaridades e outros pontos de vista a respeito do fenômeno corporeidade que queremos situar. Após esta análise realizaremos uma leitura de um trabalho da artista.

(1) O Corpo enquanto ausência-presença: caráter estrutural e ritualístico

(...) Este assunto do corpo me interessa. (...) É um assunto que eu já venho tratando faz tempo. E porque, também, eu estudo dança, é outra relação com o movimento. (...) E me fez pensar o corpo junto com artes plásticas.

Mas também pensando esta arquitetura de corpo. (...) A coluna é recorrente no meu trabalho. (...). Que é essa estrutura que deixa a gente ereto, claro, a musculatura, tudo, o osso, mas a coluna tá ligando tudo, tudo passa por aqui.

(...) Eu mostrei um monte de trabalho e tem alguns que nem está o corpo. Não precisa estar (...).

(...) O corpo agigantado ou o mundo pequeno. Isso também me interessa bastante, mudar a escala e você vê aquilo, dá um desequilíbrio no corpo mesmo, um mundo pequeno, uma pessoa gigante. (...)

(...) É bem experimentação. Tem umas coisas que não cai, não dá certo. Esse daqui que é o desenho sobre voil, é bem grande tá vendo. Fico pensando neste corpo, escápula, eu fico pensando nela como um lugar de proteção, esse corpo-arquitetura também. E são várias, é uma sobreposição também. Então, isso foi bem experimentar (...).

E quando eu penso em instalação (...). Pensar o corpo do artista, porque a instalação também é isso, ela tem que abranger o corpo, senão ela é uma projeção grande na parede. (...)

(...) Quando você faz grandes coisas, você está com seu corpo ali também, você olha,

58 vê de longe, você entra, você pensa. Uma experiência que eu tive, as pessoas, as vezes, acham que quando fala de corpo, tá falando desse corpo de revista. (...) Tem gente que acha que falar corpo, acha que é aquele corpo que já foi falado nos anos 80... Na época da AIDS, teve um pouco disso... (...)

(...) Fala do corpo, mas aí é mais como eu lido com ele no dia-a-dia no trabalho e, não necessariamente, que ele esteja, coincidentemente ele está muito, está bastante. (...) Não é o meu autorretrato, não estou falando de mim, mas estou usando o corpo do artista.

(2) Envolvimento do corpo no processo de criação e na experimentação de materiais e suportes

(...) Porque tem a questão da performance também. Os meus trabalhos, alguns eu mando executar, mas muitos eu gosto de fazer também, eu gosto de por a mão na massa, ir lá mexer com um desenho enorme, o que eu acho muito corporal isso. Você tem uma tela gigante, você vai sobe escada, você desce, abaixa, desenha, pinta, você tá mexendo com o corpo, você está neste movimento. (...) Eu gosto disso, fazer, de por a mão na massa, sentir a matéria.

Eu desenho. (...) Hoje em dia, eu vejo que tem um voil tão grande que dá para fazer uma serigrafia (...). Mas é bem experimental... Mas é legal, porque eu desenhei, então, mas primeiro eu desenhei grande em um papel Kraft e eu projeto. (...) O que para mim é muito legal poder fazer, um negócio grande, amplo...

(...) Eu gosto de todos esses suportes e das possibilidades que os suportes oferecem. Eu acho que caminha um pouco junto também. Às vezes, eu tenho uma ideia e vou atrás de suporte que cabe melhor. Às vezes, eu vejo algum material que interessa e isso me dá uma ideia. (...). Então, aí esse uso das materiais, eu me interesso também em misturar elas, que nem o “Desenho-corpo” é performance, é vídeo e é desenho... Quebrar esses limites, essas bordas, poder misturar instalação com desenho, com o corpo...

(...) Isso também de quem está lá ver uma coisa gigante, um corpo enorme. E eu achava bonito quando tinha um outro corpo, uma outra coluna aqui, sendo comparada. (...)

(3) A apreensão do mundo na experiência vivida como criação artística

(...) Porque também me interessa trabalhar com o corpo e fazer estas aulas que eu

faço, porque eu aprendo fazendo estas aulas tudo que o corpo recebe. Não é só o olhar. Quando a gente come, quando a gente lê, mas o corpo ele está percebendo o mundo ao redor e a gente também está com o nosso corpo interagindo nele.

(...) O corpo que percebe o mundo, que interage sobre ele... Assim que eu vejo o corpo. Na verdade é isso, é mão dupla na verdade, não é que o corpo que percebe, interage, mas ao mesmo tempo o mundo também tá interagindo e a gente também está.

59 É a relação do corpo com o objeto. (...) Era primeiro a paisagem local que era o que eu via todo dia... Todo dia, eu estava na frente de um estacionamento, essa era a vista da minha janela, esse dia-a-dia, esta vista que você vai vendo, vai vendo e você começa a criar intimidade(...).

(4) Os sentidos e a experiência de ver com o corpo inteiro

(...) Hoje em dia a gente é muito ligado ao olhar, é o que mais desenvolveu. (...) Fala como o cheiro é importante, todos os sentidos, como paladar é importante, a audição, o tato é importante.

Então, perceber que o corpo inteiro está ligado, tá reagindo ao mundo, tá recebendo este estímulo é que eu acho que a gente fica muito mortificado, assim, muito enrijecido no olhar e na frente do corpo. (...) Então, isso, quando eu uso o corpo e penso nele é porque eu acho que o corpo aprende com o mundo. O corpo aprende, ele percebe. E talvez não seja lá essa percepção toda racional que a gente tem. (...) A gente está recebendo toda hora, quando a gente anda na rua e vê e está lá no meio de um monte de prédio. Naquela verticalidade, a gente se sente menor. Ou quando a gente está na praia, relaxa, amplia. Aí tudo isso é o corpo. (...) Então, por isso que eu gosto de eu participar também. Quando eu faço a ação... (...) Porque eu acho que eu estou aprendendo quando eu faço uma performance, quando é meu corpo que está ali executando.

(...) Mas tem a coisa do tocar mesmo. Mas é um tato, as vezes, que não é nem tanto de mexer... A pessoa vai lá e mexe, manipula, mas você percebe o tato pelo trabalho. (...). (...) Eu peguei estes desenhos de anatomia tradicionais e fiz com pena, fiz esse homem, esse músculo. E é super tátil na verdade, mas não necessariamente quem vê vai tocar.

(...) A minha ideia é que a pessoa tenha um impacto corporal também. Porque é isso, eu acho que a gente que trabalha com essa matéria, com a arte que você não tá lendo, não tá falando, não tá escrita. É isso, é a poesia, é o corpo, eu acho que tem isso mesmo (...).

(...) E hoje a pessoa fala dessa ideia do corpo e acha que é vaidade, o corpo vaidoso e não é. Outros dias eu estava no ateliê e uma mulher foi ver o trabalho do meu amigo. E ela se surpreendeu quando ela viu ao vivo, quando ela viu com o corpo. Porque ela falou: “Olha só, eu vi na foto e achava que era diferente. E eu estou vendo aqui e é maior.” E ela se deu conta que era uma relação corporal ali, até para isso...

E eu fiz esse corpo que olha, que como eu te falei um pouco, todo ele está percebendo (...). O corpo que é visto, que olha e é olhado.

(5) A questão do tempo como desaceleração e passagem (...) É tudo com o tempo, não é imediato. Nada é imediato.

60 tempo desacelerado, que não é esse tempo urbano que você tem que fazer, tem que consumir, tem que acabar...

Então, me interessa esse tempo mais lento. (...) É essa passagem de tempo também... Então, é esse tempo também que é o tempo da natureza, que eu digo que é o tempo lento. A gente também poder fazer o nosso próprio tempo. (...) A gente tem nosso ritmo interno. A dança também ajudou muito a perceber isso. (...)

(6) Criação de espaços e ressignificação de paisagem

(...) “Coluna”, que é uma foto que foi pensando neste corpo mesmo enrijecido. Esse corpo nosso duro. (...) A paisagem do entorno como ela influencia. Essa aqui era a vista do meu antigo ateliê; (...) A convivência com esta paisagem no dia-a-dia, estou trabalhando, paro, olho, olho, olho... (...)

(...) Usar a arquitetura do lugar (...). E aí eu fotografei os prédios que tem ao redor (...). Eu criei essas gotas gigantes que eu chamei “Toró” de concreto. Aí já tem uma inversão de escala, porque não tem uma gota desse tamanho. E aí as gotas quando elas caem no chão, elas se desfaziam nessas possas e as possas eram feitas da arquitetura, do que se via também. (...) Eu acho que tem esse diálogo com o espaço. Então, o que estava lá fora que eram os edifícios, eu coloquei dentro se desfazendo nas gotas.

(7) Linguagem aberta: aglutinar sentidos e formação de novas palavras

Eu gosto sempre de por título, para mim é difícil deixar sem título. Não tem nada sem título. Eu acho legal, eu gosto de por título e, muitas vezes, tem uns títulos que são mais explicativos tipo “Músculo-pena” ou “Desenho-corpo”; mais aí tem esses títulos tipo “Folíngua”, que eu junto, folha com língua, eu acabo criando uma.

(...) A gente tá falando do título, que eu devia ter colocado “Máquina TEPMOAH”, na verdade, que é máquina “tempo espacial parada em movimento orgânico artificial humana”. Eu juntei tudo que eu achava que tinha no meu trabalho que é o tempo, espaço, parado, em movimento orgânico artificial humano...

2.3.1. Descrição de trabalhos de Lia Chaia a partir das unidades de significado

O trabalho de Lia Chaia que selecionamos para a leitura é um vídeo com cerca de 50 minutos que tem o título de “Desenho-corpo”, figura 19, e foi realizado em 2001. No vídeo a câmara acompanha o movimento da mão da artista que se apropria de seu corpo como superfície para marcá-lo. Usando uma caneta com tinta vermelha a artista desenha uma linha contínua. Conforme ela mesma descreve:

61 outras, questões, uma delas era essa superfície do corpo, a pele. Porque a pele é o que marca o dentro e o fora. A pele é esse limite, essa superfície e pensei nela também como uma superfície de desenho, de pintura. Assim, como a tela, como a parede, o nosso corpo para o desenho. Então, porque eu percebi desenhando que tem lugares mais oleosos, lugares que a caneta pega melhor, desliza mais, o corpo arredondado também. Então, foi, quando eu comecei a desenhar eu queria perceber esse limite mesmo do nosso corpo com que tem fora, assim, o que é dentro, o que é fora. (...) No final, a ideia era preencher todo o corpo, só que a caneta acabou, depois de 60 minutos, que foi a grande surpresa para mim. Eu achei legal que o tempo se deu pela caneta. E ao mesmo tempo essa linha vermelha que lembra o músculo, as veias, que lembra o sangue.

A figura 19 mostra alguns quadros deste trabalho que a artista inicia pela região do ventre e que, aos poucos, toma todo o seu corpo. O foco da câmara se aproxima de algumas partes do corpo, o que, em alguns momentos, torna o corpo abstrato como estrutura do trabalho. Este corpo preserva um caráter ritualístico, pois em outros momentos, temos dificuldade de identificar de qual parte se trata.

Figura 19: Lia Chaia, Desenho-corpo, 2001 (vídeo 51’)

Com esta ação Lia ressalta um corpo como experiência que guarda as memórias do vivido. Ela nos mostra um corpo que experimenta e descobre as coisas, entre elas o próprio material artístico torna-se uma descoberta do corpo. O olhar que acompanha o vídeo é um olhar que também é estimulado como tato, no sentido de sentir a caneta que desliza pelo corpo.

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O próprio corpo passa a ser ressignificado no processo artístico porque enquanto senciente-sensível se percebe na situação artística. O corpo se estabelece como ponto de partida que se olha olhando, se toca tocando durante a produção do trabalho artístico e torna- se parte da experimentação matérica no trabalho, pois nas palavras de Lia a própria contemplação da obra de arte é uma relação corporal.

O título da obra aglutina a palavra corpo e desenho, tornando-a uma única expressão que sintetiza o trabalho, mas mantém sua abertura para novos sentidos que o corpo pode assumir no decorrer da ação.

A temporalidade, assim, também torna-se uma dimensão do seu trabalho, neste caso o tempo de duração foi marcado pela tinta da caneta. Ou seja, um tempo mais lento que se dá como passagem pela experiência vivida pela artista durante a realização da ação.

Os trabalhos de Lia Chaia não tem um caráter autobiográfico ou de autorretrato, o corpo é um participante do trabalho, aparece como uma extensão e uma transcendência da fisicalidade pura.