1.3. Bilgi Yönetimi Süreci
1.3.2. Bilginin Kullanılabilir Hale Getirilmesi ve Saklanması
As iconografias humorísticas têm despertado a atenção de vários cientistas sociais, descobridores de potencialidades do texto visual cômico, não mais encarado como mero desenho humorístico. Recurso de leitura do cotidiano materializado pelo cômico, a charge alimenta-se da realidade social para compor seu quadro. Sendo documento imagético, contribui para a identificação, sistematização e análise de questões sociais que aparecem mascaradas no cotidiano. Parece-nos válido pensar a charge como prática cultural ou um meio de comunicação e muito mais de leitura para compreender a sociedade em um momento dado, observando os discursos não verbais, que de forma irônica e risível compõem quadros de época, contextualizações, práticas sociais e culturais.
Pretendemos atribuir atenção especial à categoria do cômico não apenas como categoria filosófica e estética, mas como leitura humorística em que o viés cômico e satírico tem por finalidade uma crítica social. É evidente que a faculdade de despertar o uso cômico depende da maneira como o leitor apreende essa realidade. E esta depende da apropriação que é feita pelo chargista. Também dependem das condições de ordem histórica, social e pessoal que caracterizam as diferentes formas de humor, desde o humor zombeteiro, bufão, até o humor engajado socialmente.
O riso, segundo Morris (1990), assume algumas características que denotam suas intenções e se tornam elemento desagregador e denunciador, diferindo do sorriso que pode ser agregador, libertador de tensão ou revelador da
afetividade. Estamos trabalhando com a primeira compreensão, que situa o riso entre as manifestações de libertação da ordem estabelecida.
As representações humorísticas escolhidas e trabalhadas em sala de aula pelo professor, não se limitam a um determinado período, não há uma temporalidade única, no sentido de construirmos um olhar linear às temáticas.
Essa forma de tratar as iconografias humorísticas deve-se ao fato de que as abordagens das manifestações do cômico, não são homogêneas, visto o sentido do risível não ser o mesmo, uma vez que é produzido historicamente. Em diferentes períodos históricos, as representações se consagram e se cristalizam através de estereótipos, outras são silenciadas na memória popular. Essa façanha destaca-se como um dos privilégios dos intelectuais do traço que, como caricaturistas, historiam os momentos do aqui e agora, os instantes-tipo, traços que vão se sedimentando na memória popular, mas que são reinventados através das apropriações das práticas sociais.
Um outro aspecto denotado nas práticas pedagógicas é que os professores não seguem uma metodologia linear dos conteúdos temáticos ditados pela ordem curricular de não trabalharem uma temporalidade única. Isso é devido à recorrências de certos temas e identidades, forjadas por meio de uma cultura. A partir dessa compreensão, partimos do pressuposto determinante de que não é a cronologia e a linearidade que identificam uma temporalidade, e sim a duração e recorrência de certos fenômenos culturais que são usados para perfazer uma nova configuração, com elementos que se perpetuam, como os estereótipos sobre o negro, a mulher, a pobreza, a velhice, entre outros.
Nesse sentido concordamos com a reflexão de Citelli (1998), que já dizia que a escola brasileira entrou em uma “espécie de espiral”, num movimento
descendente, em que presenciamos um hiato entre o discurso pedagógico e a sociedade. Dentre as várias faces da crise, evidencia-se o descompasso existente entre o discurso didático pedagógico e as linguagens não institucionais. Estamos vivenciando formas, relativamente, novas, umas de impacto, outras de grande alcance popular, as primeiras como quadrinhos, cordel, jornais, cartoons, charges e outras como filmes, vídeos etc.
Comumente, pensamos que o ato de ler está sempre relacionado com a escrita, e o leitor seria visto como o decodificador da letra, porém quando falamos em leitura, não estamos nos referindo apenas a “leitura da palavra escrita”, mas sim linguagem imagética ou a iconográfica, que se incorporam às diferentes linguagens que circulam em nossa sociedade. Através da associação de significantes (sonoros, gestuais, icônicos) e significados, a linguagem transforma em signos, palavras, sons, desenhos, caricaturas, ampliando a capacidade de interação entre o indivíduo e o contexto social.
Sabemos da grande dificuldade que os jovens de hoje tem com a leitura, alunos que não querem ler textos literários, que também não se interessam pelos textos históricos, trabalhados nos livros didáticos. Essa é uma constatação, destacada por Martins (1994) ao trabalhar a questão da leitura na atualidade, ao afirmar que “os próprios educadores constatam sua impotência diante do que denomina a crise da leitura”.
Este é um desafio que a realidade educacional nos apresenta, e nos motiva a fim de ampliar a noção de leitura para além do texto escrito. Assim, o ato de ler, se refere, tanto a algo escrito, quanto a outros tipos de expressão do fazer humano. Entendemos o ato de ler como algo que vai além do simples “decodificar”, no processo de compreensão, reflexão, diálogo e intercâmbio de experiências.
Neste sentido, consideramos oportuna a colocação Martins (1994) que sugere uma visão mais ampla da noção de leitura. Vista num sentido amplo, independente do contexto escolar, e para além do texto escrito, permite compreender e valorizar melhor cada passo do aprendizado das coisas, cada experiência. Mas ampliar a noção de leitura, pressupõe transformações na visão de mundo em geral e na de cultura em particular. Isso porque, como destaca a autora.
Estamos presos a um conceito de cultura muito ligado a produção escrita, geralmente provinda do trabalho de letrados... Seria preciso, então considerar a leitura como um processo de compreensão de expressões formais e simbólicas, não importando por meio de que linguagem. Assim, o ato de ler se refere tanto a algo escrito quanto a outros tipos de expressão do fazer humano. (MARTINS, 1994, p. 30)
Sugerindo uma visão mais ampla da noção de leitura, elas são colocadas como um desafio, visto que estamos condicionados a perceber a relação leitura escrita, desconsiderando os aspectos que vão além do texto ou seja o contexto em geral, na qual as pessoas convivem atuam e passam a ter influencia em seu desempenho na leitura.
Tradicionalmente, o ensino da leitura na cultura escolar submete o aluno a uma diretriz metodológica que, de um lado preserva e reproduz os conteúdos incorporados e transmitidos, e de outro, estimula uma prática que cerceia o sujeito no exercício de sua capacidade crítica. Em outras palavras, as práticas de leitura são permeadas pelo desinteresse e sem qualquer avaliação crítica nesse confronto com a realidade. O que há, na verdade, é um modo de ler que aniquila a curiosidade e a criatividade do aluno.
Resgatar a leitura como uma prática social, estimulando o consumo de linguagens alternativas, onde se privilegia a relação leitura-realidade, empreendendo
novas formas de representação, seria uma das nossas preocupações nesta pesquisa. Essa nova forma de ler a realidade, via imagem, incita-nos a apresentá-la como uma das modalidades de leitura da sociedade. Munidos pela necessidade histórico-cultural de lançar um novo olhar aos registros iconográficos como fonte de pesquisa histórica, apresentamos teoricamente elementos que subsidiam este projeto.
Esta pesquisa tem a preocupação de dar um tratamento histórico-cultural aos registros cômicos, considerando-os como objeto cultural das práticas cotidianas de um povo. Fato que nos conduziu a fazer o uso da charge como recurso de leitura, ou, mais especificamente, como recurso gráfico visual que se materializa pelo viés cômico. O aspecto que nos despertou a atenção, e que constitui uma de nossas preocupações, diz respeito à possibilidade de uso metodológico pelo educador dessas práticas.