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Beslenmeye Dikkat Etmek

BÖLÜM 2: HADİSLERDE TEDAVİNİN ÖNEMİ VE TEDAVİ YOLLARI

2.2. Koruyucu Hekimlik

2.2.2. Beslenmeye Dikkat Etmek

Conseguir trabalhar com alguma precisão o conceito de canção não me tem sido simples como parecia num primeiro momento. Concorreram para isso, a própria maneira como os dicionários de música – ao menos aqueles que consultei – estão organizados.

Peguemos, para exemplo, um dos dicionários mais conceituados: o Dicionário Grove

de música, edição concisa, 1994 – traduzido para o português. Ele inicia apresentando uma

definição genérica de canção que, embora apresente alguns problemas, pode-se dizer que seja um bom início. Em seguida, sem explicar quais os critérios de escolha, traça um histórico da canção começando por Grécia e Roma, avançando, dentro do território europeu, para as canções religiosas e profanas medievais do século IX. Após esse trajeto, continua com sua “evolução” no tempo até chegar ao século XX. Como panorama não deixa de ter um interessante caráter informativo. Presume-se, então, que ele esteja tratando apenas do conceito de canção dentro de uma linha cultural que pode-se chamar de canção de alguns segmentos da sociedade ocidental.

O problema real começa em seguida, quando o signatário passa a pôr, como entrada, título de obras que contém o nome canção, como Canção da pulga, de Mussorgsky, ou de ciclo de canções, Canção da terra, de Mahler, e assim por diante. Ou seja, o dicionário passa a ter como entrada títulos de obras particulares ao invés de um conceito que as abarque.

Quanto à definição, voltemos a ela

:

Canção Peça musical, habitualmente curta para voz ou vozes, acompanhada ou sem acompanhamento, sacra ou secular. Em alguns usos modernos, o termo implica música secular para uma voz. (SADIE, 1994, p.160). Com esta definição, o signatário procura ser mais geral possível, dentro de uma organização musical que podemos chamar de ocidental, como afirmei antes. Digo isso porque outras culturas que também têm canção, não dividem, necessariamente, esferas da vida, manifestando certas divisões por termos opostos como sacro e secular. Ou seja, pode ser que em tal ou qual cultura essa dicotomia não exista. No entanto, os termos voz ou vozes e acompanhada ou sem

acompanhamento, que pressupõe uma relação com instrumento(s) – melódicos ou percussivos

– podem ter algum caráter universal.

Vejamos agora o verbete do Grove Music online, assinado por Geoffrey Chew70

Canção Uma peça musical para voz ou vozes, com ou sem

acompanhamento, ou o ato ou a arte de cantar. O termo não é usado geralmente para formas vocais grandes, como a ópera ou o oratório, mas muitas vezes é encontrada em vários sentidos figurados e [metafóricos] transferidos. (e.g. para o segundo tema lírico de uma sonata...)

1.Geral A canção pode bem representar um atributo de todo ser humano em

todos os tempos71

A primeira parte da definição, até a conjunção alternativa ou, assemelha-se à citada anteriormente, do Grove impresso. Na parte que segue, após o vocábulo ou – “... ou o ato ou a arte de cantar.” – essa definição torna-se especialmente interessante justamente pelo uso da conjunção, que não tem aqui o valor alternativo, mas propicia a conjunção72 dos dois significados: conjunção entre a coisa cantada e o seu ato. Essa definição nos permite pensar que a canção – ou o ato de cantar – seja primordial e, portanto, anterior a qualquer forma estabelecida. Logo, por princípio, canta-se uma canção; se, posteriormente, um conjunto de canções ganhar a dimensão de uma ópera, ou de uma missa, ou de um oratório, isso é secundário.

É muito comum – e isso apareceu em vários trabalhos que compõem o corpus desta pesquisa – a comparação entre a canção e a ópera. A primeira, vinculada sempre ao espaço de vivência privado, ao passo que a última à vivência em ambiente público como os teatros. Essas vinculações tornaram-se importantes nas teses de Diósnio Machado Neto (2008) e Edílson de Lima (2010), tendo esse último se baseado no primeiro. Aliás, parece-me que o raciocínio de ambos tem na ópera sua referência; o que é bastante comum entre os estudiosos de música lidos para esta pesquisa. Um dos poucos pesquisadores de música que tem na

70 A versão online agrada-me mais, pois cada verbete é assinado por um autor. No caso do Dicionário Grove físico, quem assinava era apenas o editor, embora no prefácio fossem citados, de maneira genérica, os nomes dos principais colaboradores. Foi por esse motivo que utilizei a palavra signatário e não autor, quando me referi à autoria do verbete. Essa autoria individualizada pode ajudar a compreender as diversas linhas teóricas que orientam as definições que aparecem nos verbetes, sugerindo assim, mais pluralidade que incoerência.

71 Song A piece of music for voice or voices, whether accompanied or unaccompanied, or the act or art of singing. The term is not generally used for large vocal forms, such as opera or oratorio, but is often found in various figurative and transferred senses (e.g. for the lyrical second subject of a sonata, in J. Stainer and W.A. Barrett: Dictionary of Musical Terms, 1875). (Tradução minha).

1.General. Song may well represent an attribute of all human beings in every age […].

72Neves (2000), afirma que a conjunção alternativa ou “marca disjunção”. Na minha interpretação deste uso particular desta conjunção, arrisco-me a propor que ela tenha valor conjuntivo e não disjuntivo, embora apenas em nível semântico. No caso em tela, pela elaboração de Chew, canção é o ato de cantar.

canção seu referencial é Vasco Mariz. Sua postura pode ser verificada no livro A canção

brasileira, de 1977.

Esse verbete apresenta ainda outra coisa que merece destaque. Vejamos: “O termo não é usado geralmente para formas vocais grandes, como a ópera ou o oratório...”. Enquanto o signatário do Grove impresso assume para si a responsabilidade de afirmar que a canção é “.... habitualmente curta...”, ou seja, ele adota a ideia da pequena duração da canção, Geoffrey Chew, no Grove Music online, prefere trabalhar sobre o uso da linguagem: “... o termo não é

usado geralmente para formas vocais grandes...”. Desse modo, a afirmação desse último

incide sobre o uso da palavra canção e não sobre sua natureza.

Falta agora refletir sobre o trecho posto como “1.Geral A canção pode bem representar um atributo de todo ser humano em todos os tempos.” Não há como negar que o autor, com essa afirmação, pretenda pôr, na canção, um alcance universal. De certa maneira, reforça seu caráter primordial, conforme apontei acima. Justamente pelo traço universal da canção, Geoffrey Chew, ao desenvolver o verbete, toma o cuidado de delimitar explicitamente os territórios culturais sobre os quais vai discorrer.

Talvez, por este caráter primordial não seja possível fazer uma história canção; já a ópera, tal qual a conhecemos, tem seu ponto de partida com lugar, tempo, autores e público determinados.