3.5. Küresel Toplumsal Hareketler ve “Ben Nesli”
3.5.2. Ben Nesli’ne İlişkin Eleştiriler
A inflamação, freqüentemente presente no CEO (HOFFMANN, BIER e WHITESIDE, 2004), é uma resposta protetora do organismo cujo objetivo é livrá-lo da causa inicial da lesão. Essa resposta ocorre no tecido conjuntivo vascularizado, cuja reação vascular leva ao acúmulo extra-vascular de líquido e leucócitos estando estreitamente ligada ao processo de reparo, caracterizado pela capacidade do organismo substituir células lesadas ou mortas após a inflamação. Logo, a proliferação celular pode ser estimulada, sendo a mesma controlada por fatores químicos do micro-ambiente. A população celular, no tecido adulto, é determinada pela velocidade de proliferação, diferenciação e morte por apoptose. Porém, um excesso de fatores estimulantes, ou uma
deficiência de inibidores pode resultar em um crescimento descontrolado, ou seja, o câncer (COTRAN, KUMAR, COLLINS, 2000).
Uma variedade de agentes lesivos, ao mesmo tempo em que provoca danos celulares dispara uma série de eventos que servem para conter a lesão. As respostas vasculares e celulares são desencadeadas por estímulos inflamatórios, e a inflamação só termina quando o estímulo lesivo é removido e os mediadores dissipados ou inibidos (COTRAN, KUMAR, COLLINS, 2000).
Na grande maioria das vezes, a remoção do estímulo inflamatório fica sob responsabilidade do sistema imunológico, que tem como função defender contra microorganismos infecciosos, embora, atue também contra substâncias estranhas não infecciosas. A imunidade natural ou inata fornece a primeira linha de defesa contra os microorganismos, mas não reconhece diferenças discretas entre substâncias estranhas. Uma outra forma de imunidade mais específica e com memória é desenvolvida em resposta a infecções, conhecida como imunidade adaptativa ou adquirida (ABBAS e LICHTMAN, 2005).
Muitas pesquisas vêm sendo desenvolvidas com o objetivo de ativar o sistema imunológico de forma específica (JANEWAY et al., 2007), já que ele não é efetivo frente a muitos tipos de tumores (KACANI et al., 2003; ABBAS e LICHTMAN, 2005). Para isso, é necessário a identificação dos antígenos associados às células tumorais, pois, tumores sediados na cavidade oral são freqüentemente circundados por infiltrado inflamatório com células imunes (HOFFMANN, BIER e WHITESIDE, 2004).
Os mecanismos efetores da resposta imunológica têm início com a ligação de um agente sinalizador a um receptor específico, na superfície celular que envia sinais ao núcleo através de vias de transdução de sinais, onde fatores reguladores conhecidos como fatores de transcrição promovem alterações específicas na regulação da expressão gênica (COTRAN, KUMAR, COLLINS, 2000).
O NF-NB é um fator de transcrição ativado em resposta aos sinais do receptor de célula T (TCR) sendo essencial para a síntese de citocinas. Na célula T em repouso, essa proteína encontra-se no citoplasma associada a proteínas inibidoras (INBs). Os
sinais do TCR induzem à fosforilação pelas INB cinases (IKK), que é seguida pela inserção de múltiplas cópias de uma pequena proteína chamada ubiquitina, liberando assim o NF-NB que entra no núcleo, onde contribui para a ativação transcricional de vários genes de citocinas e receptores de citocinas. O NF-NB está envolvido na ativação da célula T, contribuindo para a transcrição da interleucina 2 (IL-2) e na resposta de muitos tipos celulares às citocinas pró-inflamatórias tais como o fator de necrose tumoral (TNF), interleucina 1 (IL-1) e lipoproteínas bacterianas (LPS) (HAYDEN e GHOSH, 2004; ABBAS e LICHTMAN, 2005).
A manutenção do NF-NB ativado durante a inflamação, predispõe à transformação maligna, podendo ser utilizado para inibir a transformação tumoral, mas para isso, é preciso interferir no seu papel fisiológico, tanto na imunidade e/ou inflamação, como na homeostase (PACIFICO e LEONARDI, 2006).
Os tumores humanos podem ativar linfócitos CD4 ou CD8, dependendo da via do processamento para desencadear a resposta imunológica, e o controle do tumor depende tanto da magnitude da resposta imunológica inicial, como da capacidade de sustentar essa resposta por um período prolongado (SABEL et al., 2005).
O principal mecanismo de defesa anti-tumoral é a morte das células neoplásicas pelos linfócitos T CD8, também conhecidos como linfócitos T citotóxicos (LTC), as quais podem reconhecer e matar células potencialmente malignas que expressem peptídeos derivados de proteínas celulares mutantes ou proteínas virais oncogênicas associadas ao MHC classe I (ABBAS e LICHTMAN, 2005).
A função dos linfócitos T CD4 parece estar relacionada com a produção de TNF pelos macrófagos e INFJpela população Th1, podendo ser responsável pelo aumento na expressão do MHC-I pelas células neoplásicas, resultando na sensibilisação dos linfócitos T CD8 e conseqüente lise das células neoplásicas pelo sistema perforina/granzima (CHANG et al., 2005), ou através da ligação do Fas presente nas células tumorais com o Fas-L (CD95) dos Linfócitos (ABBAS e LICHTMAN, 2005). Ainda segundo Chang et al. (2005), a supressão dos linfócitos CD4 Th1 resulta em progressão tumoral.
Segundo Janeway et al. (2007), a resposta imune do tipo celular, se dá através do receptor de célula T (TCR) associado a moléculas transmembranas designadas CD3 e ] (zeta), as quais traduzem a ligação extracelular com o antígeno em sinais ativadores para o interior da célula, e a completa ativação requer um segundo sinal co- estimulatório fornecido pela ligação do CD28, presente nos linfócitos, ao B7-1 ou B7-2 nas APC.
Quando os linfócitos se tornam células ativadas, passam a expressar receptores para IL-2, podendo ser identificados pelo método da imuno-histoquímica, utilizando-se o anticorpo anti-CD25 (WEISS, 1993). Porém, Sato et al (2005) lembram que o CD25 também se encontra expresso na superfície das células T regulatórias, as quais exibem propriedades imunossupressoras. Segundo Hoffmann, Bier e Whiteside (2004) a IL-2 é capaz de inibir o crescimento de CE de cabeça e pescoço.
A célula Treg, é um subtipo de linfócito T que tem o papel de induzir e manter a tolerância imunológica, bem como a finalização da resposta imune. A deficiência ou diminuição dessa célula pode conduzir a uma doença auto-imune (HORI, NAMURA e SAKAGUSHI, 2003; MAGGI et al., 2005).
Bluestone e Abbas (2003) propuseram dois grupos de células Treg profissionais: a célula Treg Natural, que se desenvolve no timo, tem elevada expressão constitutiva de CD25 (CD4+CD25+) e destrói outras células T por contato, independente de citocinas, tendo papel importante na tolerância contra antígenos próprios; A Treg Adaptável (Th3) torna-se madura nos tecidos periféricos, sob estimulação antigênica e/ou co- estimulação, exercendo função supressiva através de secreção de IL-10 e TGF-E.
Forkhead Fox P3 (Foxp3), uma proteína responsável pela regulação das funções e desenvolvimento das células Treg, tem sido utilizada na detecção das mesmas (SAKAGUCHIS, 2004; SATO et al., 2005; BOER et al., 2007), sendo considerada por Hori, Namura e Sakagushi (2003), o melhor marcador para essas células. Boer et al. (2007) afirmaram ainda que Foxp3 é quase que exclusiva das células que expressam CD4 e CD25, que devem expressar também GITR (Glucocorticoid-Induced TNF Receptor) e CTLA-4.
Boer et al. (2007) relataram que Foxp3 pode ser um fator de transcrição que induz GITR, talvez por isso encontraram um grupo de células Foxp3 (+) e GITR (-), não considerando este último, um bom marcador.
Wan e Flavell (2007) demonstraram que a diminuição da expressão de Foxp3 causa doença auto-imune dose dependente através da transformação das células Treg em células efetoras, as quais instruiriam uma diferenciação Th2 nas células T convencionais.
Vários estudos têm ressaltado o envolvimento da célula Treg no desenvolvimento e progressão do câncer (PETERSEN et al., 2006; FU et al., 2007; KOBAYASHI et al., 2007), e como a expressão de CD4+CD25+ não quer dizer que essas células sejam Treg, pelo fato de outras células T, recentemente ativadas, poderem expressar CD25, a proteína Foxp3 pode ajudar a entender o papel de Treg na carcinogênese (BOER et al., 2007).
A propriedade imuno-supressiva das células T CD4 foram associadas à baixa sobrevivência de pacientes com câncer de ovário (CURIEL, 2004), embora Sato et al. (2005) não acreditassem que apenas o infiltrado de células T CD4 fosse responsável pela baixa sobrevivência e sim, que a influência da modulação de CD4 sobre os benefícios de CD8 dependesse do número de células Treg na população CD4.
A inflamação crônica como fator de risco para o câncer já havia sido cogitada por Virchow no início do século XIX e constatada por Weitzman e Gordon (1990) ao associar várias doenças inflamatórias crônicas como doença de Bowel, gastrite atrófica, colecistite crônica e esofagite de refluxo com o desenvolvimento do câncer. Contudo, com a biologia molecular vieram os vários estudos que envolviam a relação do tumor com o estroma peri-tumoral (BALKWILL e MANTOVANI, 2001; COUSSENS e :(5% 2¶%<51( H '$/*/(,6H, 2001; YAN, ZUCKER E TOOLE, 2005), ficando evidente a contribuição deste com o crescimento tumoral, invasão e metástase (MIGNOGNA et al., 2004; AGGARWAL et al., 2006; VIGNESWARAN et al., 2006).
Para Balkwill e Mantovani (2001), ficou mais fácil sugerir a participação das citocinas e células inflamatórias no desenvolvimento e progressão tumoral do que uma resposta anti-tumoral do hospedeiro (NAKANO et al., 2001), como proposto em vários outros estudos onde serviu de parâmetro para gradação histológica de malignidade (JACKOBSSON et al., 1973; ANNEROTH, BATSAKIS e LUNA, 1986; BRYNE et al., 1989).
Aumento na concentração de linfócitos CD4 e CD8 foram relacionados tanto com a transformação como com a progressão do câncer oral e este, exercia influência tanto na reação imune local quanto na sistêmica (GANNOT et al., 2002 e GANNOT, BOCHNER e KEISARI, 2004).
A quantidade de linfócitos T CD8 esteve relacionada com o grau de diferenciação no câncer de pulmão, sendo maior quando as células encontravam-se indiferenciadas (MORI et al., 2000), e segundo Sheu et al. (1999), os CD4 estiveram diminuídos em relação ao CD8 em tumores cervicais de crescimento rápido e produção de metástase.
Na revisão de Chang et al. (2005), os autores citaram um estudo onde a relação CD4/CD8 era menor nas displasias moderadas e severas do que nas displasias leves, sendo a maioria dos CD8 considerados supressores, sugerindo um desequilíbrio imunológico local, e um outro que considerou essa relação menor que 1 preditiva de metástase em linfonodo. Sendo assim, esses autores sugeriram a possibilidade dessa deficiência de linfócitos CD8 no CEO, ser devido a fatores inibitórios liberados pelas células tumorais.
Daniel et al. (2003) encontraram concentrações elevadas de linfócitos CD4 na transformação de lesões pré-cancerosas para o câncer de pele, sugerindo a possibilidade destas estarem relacionadas com a progressão tumoral.
Sato et al. (2005) encontraram um prognóstico favorável nos tumores que apresentavam uma alta taxa na relação CD8/Treg, ao estudar 117 canceres de ovário, ressaltando a importância da localização intra-epitelial dos linfócitos e a detecção das células Treg sendo feita através de dupla marcação CD25/FOXP3.