TÜRKĠYE’DE ĠHALE SĠSTEMĠNĠN 4734 SAYILI KANUN KAPSAMINDA ĠYĠLEġTĠRĠLMESĠNE YÖNELĠK ÖNERĠLER
2. ĠHALE USULLERĠ VE ALIM YÖNTEMLERĠ KONUSUNDA DEĞERLENDĠRME VE ÖNERĠLER DEĞERLENDĠRME VE ÖNERĠLER
2.1. BELLĠ ĠSTEKLĠLER ARASINDA ĠHALE USULÜ
Segundo Ferreira, Modesto e Weitzel (2003), o conceito comunicação científica foi desenvolvido na década de 20 do século XX por John Bernal.
Conquanto o conceito tenha surgido na Europa, o principal foco de estudos situou- se do outro lado do oceano Atlântico, nos EUA, a partir da década de 40, mormente após a Segunda Guerra Mundial, como decorrência do crescimento significativo da literatura científica. Os primeiros estudos desenvolvidos visavam compreender os problemas do uso da informação por parte dos cientistas.
Durante a década de 60 e até meados da de 70, o interesse pelos temas da comunicação científica e literatura científica persiste, provocado pela disputa entre as duas potências de então, EUA e a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em busca da supremacia científica e tecnológica. Surgem assim vários estudos, individuais ou coletivos, considerados clássicos no âmbito destas temáticas, por parte de Menzel (1966)49, Merton (1973)50, Price (1976)51, Garvey (1979)52 e Griffith (1989)53,
ou estes dois últimos em parceria54 (Targino, 2000).
49 "Scientific communication: five themes from social science research". American Psychologist. Vol. 21,
nº11 (1966) p. 999-1004.
50 The sociology of science: theoretical and empirical investigations. Chicago: The University of
Chicago, 1973.
51 A ciência desde a Babilônia. Belo Horizonte: Itatiaia, 1976; O desenvolvimento da ciência: análise histórica, filosófica, sociológica e econômica. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1976. 52 Communication: the essence of science: facilitating information among librarians, scientists, engineers and students. Oxford: Pergamon, 1979.
53 "Understanding science: studies of communication and information". Communication Research. Vol.
16, nº5 (1989) p.600-614.
54"Communication and information process within scientific disciplines, empirical findings for
psychology". In GARVEY, William D. - Communication: the essence of science: facilitating
information among librarians, scientists, engineers and students. Oxford: Pergamon, 1979. Apêndice
73
Ainda que possam existir outras versões para a definição de comunicação
científica55, de forma geral, podemos interpretar o conceito como o meio perante o qual
os cientistas, de qualquer campo de conhecimento, usam e divulgam conhecimento científico através dos canais informais e formais de comunicação (Mukherjee, 2009). Ambos os canais são fundamentais para a comunicação de ciência, embora tenham funções distintas, em momentos diversos e obedeçam a cronologias diferenciadas (Targino, 2000).
A disseminação através de canais informais antecede a finalização de um projeto de investigação ou mesmo o seu início, pois há propensão para se abandonar um projeto quando os pares não demonstrem interesse pela investigação (Targino, 2000).
Para Mukherjee (2009), a comunicação informal é baseada em contactos face-a- face entre investigadores, com a intenção de trocarem ou partilharem informações, opiniões e conhecimento entre eles. Por vezes, os chamados colégios invisíveis56 são
usados para descrever este processo de comunicação informal.
Em contrapartida, a trajetória da comunicação formal é demorada (Targino, 2000), pois o trabalho é sujeito à revisão pelos pares antes de se publicar formalmente através de monografias, artigos em periódicos, apresentações em conferências, entre outros (Mukherjee, 2009).
55 Há quem considere a definição num campo mais restrito considerando unicamente os artigos através do
sistema de peer-review ou, num sentido mais lato, toda a comunicação entre pares (Mukherjee, 2009).
56 Segundo Leite (2006), a designação de colégio invisível foi desenvolvida por Derek J. de Solla Price,
físico e historiador inglês, nas décadas de 60 e 70 do século XX, para caracterizar contactos informais entre pares. Leite (2006) refere que De Solla Price percebeu a importância que as redes informais de contactos desempenhavam para o crescimento e disseminação da informação científica. Mostafa e Terra (1998) salientam, na sua definição, o facto de ser uma rede informal que permite criar um fórum para partilhar e testar novas ideias através de feedbacks e discussões. Ainda sobre como abordar os colégios invisíveis, Berto (2003) define-os como um poderoso canal de comunicação informal, onde pessoas com interesses comuns trocam informações através de contactos pessoais presenciais ou, de forma remota, através dos meios de comunicação. Estes contactos iniciam um processo de relação entre investigadores, que ajudam a enriquecer as investigações.
74
Este processo, que envolve sempre os canais informais e os formais, acaba por ser “um círculo” porque, uma vez finalizada uma investigação, esta pode dar origem a outras investigações realizadas pelos leitores do estudo antecedente (Schirmbacher, 2006).
Para Targino (2000), é a comunicação científica que fornece ao produto (produção científica) e aos produtores (investigadores) a necessária visibilidade e possível credibilidade no meio social em que produto e produtores se inserem. Esta mesma autora com base no estudo de Menzel, efetuado em 1958, considera que as funções da comunicação na ciência propõem-se:
a) Fornecer respostas a perguntas específicas;
b) Concorrer para a atualização profissional do cientista no campo específico da sua atuação;
c) Estimular a descoberta e a compreensão de novos campos de interesse;
d) Divulgar as tendências de áreas emergentes, fornecendo aos cientistas ideias da relevância do seu trabalho;
e) Testar a confiabilidade de novos conhecimentos, diante da possibilidade de testemunhos e verificações;
f) Redirecionar ou ampliar a área de interesse dos cientistas;
g) Fornecer feedback para aperfeiçoamento da produção do pesquisador.
Perante estas funções, Targino (2000) chega à conclusão que a comunicação científica é essencial para todos os investigadores.
75
Anos antes de Targino (2000), Meadows (1998) definia a comunicação de ciência como a base de todo o sistema:
"A comunicação situa-se no próprio coração da ciência. É para ela tão vital quanto a própria pesquisa, pois a esta não cabe reivindicar com legitimidade este nome enquanto não houver sido analisada e aceite pelos pares. Isso exige, necessariamente, que seja comunicada. Ademais, o apoio às atividades científicas é dispendioso, e os recursos financeiros que lhes são alocados serão desperdiçados a menos que os resultados das pesquisas sejam mostrados aos públicos pertinentes. Qualquer que seja o ângulo pelo qual examinemos, a comunicação eficiente e eficaz constitui parte essencial do processo de investigação científica" (Meadows, 1998:vii). De entre todos os campos de análise na comunicação científica, os que têm recebido mais atenção são os modelos que explicam as fases de criação e divulgação do conhecimento.