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Belge ve Senet Kavramları

C. BELGE VE SENET KAVRAMI, SENETLE İSPAT ZORUNLULUĞU VE

1. Belge ve Senet Kavramları

O campo de ação da história oral consiste na gravação de entrevistas de caráter histórico. Um de seus principais alicerces é a narrativa. Afinal, um acontecimento ou situação vivida pelo entrevistado não pode ser transmitido ao outro sem que seja narrado. Claro que nem tudo em um testemunho é certeza demonstrável, mas boa parte é. Este é um trabalho de pessoas que falam de um tempo especifico de suas vidas. São lembranças que chegam a quarenta anos desde sua ocasião. Justamente pela ação do tempo na memória, e a inseparável subjetivação da fala de qualquer testemunho, que a atividade de coleta de dados desta pesquisa constitui um documento coletado com metodologias de otimização. O corpo oral conseguido foi confirmado com verificação bibliográfica, coisa que permitiu formatar uma narrativa (jornalística) das narrativas colhidas nos testemunhos. Os depoentes são vistos como portadores de valor histórico. Seus relatos como capazes de produzir literalidade do real, ou Jornalismo Literário.

3.3.

Narrativa: metodologia e produção

História oral é a história com testemunhas, contemporânea, do tempo presente. Seu uso permite esclarecer trajetórias individuais, eventos ou processos que não podem ser elucidados em outras abordagens de apuração. A principal característica do documento de

história oral não está no preenchimento dessas lacunas. Sua peculiaridade decorre de toda uma postura com relação a história e às configurações sócio-culturais, que privilegia a recuperação do vivido conforme concebido por quem viveu74.

O trabalho consiste na gravação de entrevistas de caráter histórico e documental com atores e ou testemunhas de acontecimentos, movimentos, instituições e modo de vida. Tal processo coloca frente-a-frente sujeito e objeto de estudo na produção de um

documento pautado na narrativa do depoente. Um acontecimento ou uma situação vivida pelo entrevistado não pode ser transmitido a outrem sem que seja narrado. Sendo assim, o objeto de estudo o historiador é criado pela memória dos informantes. Fontes orais são fontes narrativas, e esse discurso é portador de literalidade.

A história do tempo presente manifesta com peculiar pertinência a aspiração a verdade que é inerente a todo trabalho histórico, nesses últimos anos, as atenções se voltaram justamente para o parentesco existente entre a escrita histórica e a escrita ficcional. Ambos pertencem a categoria das narrativas, e toda história, inclusive a menos factual, a mais estrutural, constrói suas entidades, suas temporalidades, e suas causalidades da mesma forma que a narrativa de ficção. A partir dessa constatação, totalmente justificada, ao risco de chegar-se a outra, que dissolve o status de conhecimento da história e a identifica as obras de imaginação. Ora, a história do tempo presente, mais do que todas as outras, mostra que há entre a ficção e a história uma diferença fundamental, que consiste na ambição da história de ser um discurso verdadeiro, capaz de dizer o que realmente aconteceu. Essa vocação da história, que é ao mesmo tempo narrativa e saber, adquire especial importância quando se insurge contra os falsificadores e falsários de toda sorte que, manipulando o conhecimento do passado, pretendem deformar as memórias75.

O dever de memória é uma premissa que está presente nos projetos testemunhais. O testemunho é um processo epistemológico que parte da memória declarada, passa pelo arquivo e pelos documentos, e termina na prova documental. As entrevistas foram feitas com o objetivo de construir um corpus, isto é, recolher o maior número possível de depoimentos sobre o período estudado. A escolha das fontes obedeceu critérios qualitativos, como a posição dos entrevistados na época e o significado de sua experiência. Tento-se buscar as chamadas grandes testemunhas, pessoas que tem sentimento de que de algum modo fizeram parte da história. Sua trajetória individual se cruza com fatos históricos. Era preciso buscar fontes de conhecimento geral dos fatos. Em todos os casos, era gente que falava política. A decisão de parar seguiu um processo de maturação normal aos testemunhos. Quando esses começam a se repetir é sinal de que novas conversas não vão acrescentar tanto na construção da narrativa final.

Um dos aspectos centrais do trabalho da narrativa histórica, voltado para um controle, uma ordenação e uma domesticação de experiências vividas, que como tal são afetadas e movidas pelos sentimentos, afetos e paixões cuja natureza, muitas vezes pode demonstrar disruptiva, e mesmo desorganizadora. O trabalho da narrativa é, por isso mesmo, o de ordenar, de formar e tornar significativo um conjunto disperso de experiências e vivencias segundo certos padrões e dispositivos capazes de serem apreendidas por uma comunidade de leitores/interpretes. Mas, ao fazê-lo, opera necessariamente a partir de um trabalho de domesticação desse passado segundo

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ALBERTI,Vereda. (org.). Ouvir e contar: textos em história oral. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2004. P 16.

75 AMADO, Janaina. FERREIRA, Marieta Moraes (org.). Usos e Abusos da História Oral. Rio de Janeiro:

necessidade e demandas que são evidentemente do próprio passado76.

A preferência foi por perguntas abertas. Temas. Um caderno de campo auxiliou no mapeamento dos assuntos já pautados previamente. Imagens e visitas a locais importantes no contexto foram alternativas utilizadas para auxiliar a fonte em seu processo de rememoração. Os depoimentos foram, em maioria, tomados na casa dos depoentes. A residência, por si só, já revela muito sobre seus donos. Em uma visita de memória isso se acentua. Para esse trabalho foram feitas 20 entrevistas.

O entrevistado está submetido a três condicionamentos na narrativas de suas histórias. Em primeiro lugar, ele deve formar um todo dos diversos acontecimentos, que seja capaz de abrigar o ponto culminante de sua história. Em seguida para conduzir a atenção do ouvinte para o apogeu de sua história, ele precisa condensar os demais elemntos importantes. Por último, ele necessita encaixar em sua narrativa informações que são requisitos para a compreensão da história, as quais ele imagina serem desconhecidas por parte do seu interlocutor. Da

combinação dos três condicionamentos resulta, para estética de tais histórias, de um lado a possibilidade de se visualizar sua unidade de sentido – isto é, o fato de elas serem citáveis e, de outro, a construção de relações complexas a partir de percepções concretas77.

O processo de edição foi iniciado somente após todo o trabalho ter sido apurado. A visão do todo é importante para se ter idéia da importância das partes. A audição das entrevistas permeou sua edição, bem como sua utilização como material narrativo (em formato jornalístico). O documento oral poderia ter sido transcrito em sua integridade, configurando um outro tipo de registro, mas a opção pelo formato reportagem revelou-se mais adequado ao objetivo de buscar uma unidade. O texto jornalístico permite organizar diferentes narrativas com naturalidade. O motivo? Ela é uma linguagem feita para ser uma narrativa, ou seja, próxima da fala da testemunha. Foi acrescentados ainda nessa construção, o diálogo do documento oral com outros tipos de documentação reunidas – bibliografia disponível, discursos proferidos, e registros diversos de ações do Legislativo e Executivo locais no período, incluindo o diário pessoal do então governador deposto, Francisco Lacerda de Aguiar

76História e linguagens: texto, imagem, oralidade e representações / organizadores. Antonio Erculano

Lopes, Mônica Pimenta Velloso e Sandra Jatahy Pesavento. – Rio de Janeiro: 7Letras, 2006. P 47.

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