II. Araştırmanın Amacı ve Yöntemi:
2. GENEL OLARAK BEDEVĐLĐK
2.1. Coğrafi Unsurlar:
2.3.1. Bedevilerin Müspet Özellikleri
discurso acadêmico
Uma das premissas da elaboração do texto acadêmico é justamente o envolvimento, no momento da escritura, de vários interlocutores que atuam de formas diferenciadas para que o gênero, no caso a monografia, constitua um trabalho científico e possa ser divulgado dentro da comunidade que o constitui.
Nesse sentido, buscamos, nesta seção, compreender e esclarecer como esses possíveis interlocutores envolvem-se nessa produção, de forma a garantir, de um lado, a produção do gênero, e, de outro, a aceitação por parte da comunidade científica. Com esse intuito, fundamentamo-nos em escritos do Círculo de Bakhtin, já que a noção de interlocutor parte da sua obra e também de trabalhos de outros autores tais como Perrota (2004), Fossey (2008), Sobral (2009), dentre outros.
Inicialmente, deixemos evidente a nossa compreensão do que seja locutor na perspectiva do Círculo de Bakhtin (2003), partindo da consideração de que todo enunciado possui um locutor-sujeito da enunciação e sobre a qual se responsabiliza pelo o que seja escrito ou falado e para que essa enunciação seja materializada em textos, necessita da participação de muitos "outros" interlocutores para a produção do sentido do enunciado.
Entendemos, pois, que o locutor, é o produtor da monografia, é aquele que está na ordem do dizer, aquele por quem o dito é proferido (mesmo considerando os não-ditos e os “outros” do dizer que convergem para o dizer), e uma vez dito, esse locutor deve considerar, nesse dizer, os outros que estão na base, fundamentando, apoiando e/ou discordando desse dizer. Assim, esses “outros” podem ser compreendidos como os interlocutores que, nessa acepção, consideramos apenas o interlocutor, do ponto de vista dos autores, que fundamentam o dizer do locutor, entretanto, conforme já informado, na produção do gênero monografia muitos outros interlocutores são reconhecidos, cujos papéis variam para que o gênero seja elaborado.
É válido recordar aqui o que o Círculo de Bakhtin (2003) chama de atitude responsiva ativa. É uma postura a ser tomada pelo locutor diante da comunicação verbal, de maneira a poder participar ativamente com os interlocutores: concordando, discordando, completando, tornando-se o locutor, pois,
Toda compreensão da fala viva, do enunciado vivo é de natureza ativamente responsiva (embora o grau desse ativismo seja bastante diverso); toda compreensão é prenhe de resposta, e nessa ou naquela forma a gera obrigatoriamente: o ouvinte falante. (BAKHTIN, 2003, p. 271).
Em termos gerais, o locutor precisa reconhecer-se como interlocutor de seu próprio dizer, isso é uma forma de atingir, adentrar no espaço dos outros interlocutores, o que, nas palavras de Bakhtin, é tomar uma atitude responsiva ativa pelo seu dizer. Para tanto, é preciso que o locutor saia do seu papel de produtor e atinja o papel de interlocutor, procurando perceber no seu próprio texto as possíveis nuanças. O locutor, no movimento de interlocução, precisa dialogar com seu texto, a fim de tomar uma postura para atingir a meta-consciência (BAKHTIN, 2006).
Nesses termos, o locutor necessita obter uma postura virtual do interlocutor, ou seja, precisa transferir-se para ser o interlocutor do seu texto, apontando os vários outros que estão internalizados, parafraseando as
palavras dos “outros” em palavras próprias. Essa questão é vislumbrada pelo Círculo de Bakhtin na seguinte passagem.
O próprio locutor como tal é, em certo grau, um respondente, pois não é o primeiro locutor, que rompe pela primeira vez o eterno silêncio de um mundo mudo, e pressupõe não só a existência do sistema de língua que utiliza, mas também a existência dos enunciados anteriores – emanantes dele mesmo ou do outro – aos quais seu próprio enunciado está vinculado por algum tipo de relação (fundamenta-se neles, polemiza com eles), pura e simplesmente ele já os supõe conhecidos do ouvinte. Cada enunciado é um elo da cadeia muito complexa de outros enunciados. (BAKHTIN, 2003, p. 291)
Isso significa que o locutor institui-se no seu próprio texto numa postura de meta-consciência, já se reconhece em uma posição de interlocução, em que dialoga com outros interlocutores, a fim de garantir uma relação dialógica. Sendo assim, dado o caráter de interlocução em que o produtor precisa atingir diante do seu texto, partimos para a compreensão dos vários interlocutores que se envolvem na escritura no gênero monografia. Esses interlocutores, muitas vezes, são reconhecidos como os leitores do texto, como assim propõem Perrota (2004) e Fossey (2008), quando os denominam como leitores.
Dadas as especificidades dos gêneros produzidos no âmbito acadêmico, especialmente a monografia, que se configura por ser produzida por um único produtor, pelo menos no Curso de Letras do CAMEAM, o qual compartilha da participação de muitos interlocutores na escritura de seu texto, Perrota (2004, p. 01) argumenta que:
Na academia, a questão do leitor [no caso interlocutor] é bastante complexa, pois, além do grupo profissional a quem dirigimos nosso estudo, devemos pensar também na banca examinadora, e isso cria mais um ponto de tensão na equação acima, mais uma voz com a qual precisamos dialogar. [grifo
nosso]
Perrota (2004) mostra como um aspecto central a ser considerado, quando se pensa na produção do texto acadêmico, o interlocutor, ou seja, o
para quem dirigimos o nosso discurso, e nos aponta dois interlocutores: o grupo profissional para o qual a pesquisa é feita, para a divulgação por entre a comunidade científica; e a banca examinadora para a qual o texto é direcionado quando do momento da avaliação.
Um pouco além do que propõe Perrota (2004), a produção da monografia envolve outros interlocutores, dentre os quais, apresentamos: (i) o orientador do projeto de pesquisa – como primeiro interlocutor do nascimento da pesquisa, já que parte dele as orientações para elaboração desse gênero; (ii) o orientador da monografia – aquele a quem cabe a orientação do trabalho de conclusão de curso, uma vez que a orientação da execução da pesquisa é de responsabilidade dele; (iii) a banca examinadora – para quem o trabalho é desenvolvido com vistas a verificar a qualidade, do ponto de vista avaliativo e (ii) a comunidade científica – para a qual a pesquisa é realizada e divulgada, com vistas a atingir méritos acadêmicos. De acordo com Perrota (2004, p. 01), o locutor/produtor da monografia precisa pressupor para a produção de seu texto, algumas posições que o interlocutor pode assumir diante da escritura do texto:
Escrever para os amigos significaria, [...] seria nossa capacidade de articular criativamente as ideias e apresentá-las de maneira que nosso público nos identifique como autores do texto, influenciando, suscitando apreciações de diversas ordens. Já os para os inimigos seriam aqueles com quem deveríamos brigar, discordar antecipando objeções, contrapondo ideias, concepções, visões de mundo – dessa tensão de vozes dissonantes nasceria nosso texto.
Essa postura do produtor diante do texto, pode ser atribuída aos diferentes interlocutores, por cada um desde o orientador do projeto, o orientador da monografia, a comunidade científica até a banca examinadora. É necessário evidenciar que a colocação de Perrota reflete a postura responsiva ativa proposta pelo Círculo de Bakhtin e nos indica que o produto precisa assumir diferentes interlocutores diante do seu texto. Em termos gerais, a quem cabe ser amigo e inimigo do texto não se tem como
determinar, são relações simétricas e assimétricas, cada interlocutor pode assumir posturas e propor encaminhamentos distintos para o texto.
Nesse sentido, podemos dizer que a produção da monografia exige: um locutor – produtor – aquele a quem cabe a produção do gênero, devendo considerar suas especificidades, fazendo escolhas, justificativas sobre o método e objeto de pesquisa; diversos interlocutores – a começar pelo orientador do projeto – que faz o produtor descobrir o objeto de pesquisa e compreender as diversas nuanças que compõe o trabalho de pesquisa na iniciação científica; o orientador da monografia – é aquele com quem o trabalho é elaborado e também para quem é dirigido, cuja participação perpassa toda a elaboração do texto, com encaminhamentos, apontando posições teóricas e metodológicas que melhor se adaptem ao objeto a ser pesquisado; a banca examinadora – é aquele para quem o trabalho é elaborado e encaminhado com vistas à avaliação da pesquisa; e de certo modo, com quem se pode atribuir um pouco na participação na elaboração, já que a banca participa como avaliadora, com ponderações e oferecendo possíveis redimensionamentos para a melhoria do trabalho, o que pode dar a essa o caráter de colaboradora da escritura do trabalho; por fim, a comunidade científica – é aquele para quem o trabalho é dirigido, em uma perspectiva de divulgação dos resultados da pesquisa, esse interlocutor corresponde aos pares de profissionais dentro da área de atuação do locutor/produtor.
Em suma, o gênero monografia, assim como outros gêneros acadêmicos (artigo, dissertação, tese, dentre outros), abarca vários interlocutores que propõem e contribuem de maneiras diferenciadas para a escritura do trabalho e, especialmente, para a aceitação por parte da academia. Esclarecido e definido o locutor e os interlocutores envolvidos na monografia, procuramos, no tópico a seguir, apresentar e discutir, com base nos pressupostos da Análise Textual do Discurso, questões relativas à responsabilidade enunciativa, que podem emanar por parte do locutor e interlocutores da monografia.