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Arap Toplumu ve Bedevilik

Belgede Kur'ân'da bedevilik (sayfa 55-65)

II. Araştırmanın Amacı ve Yöntemi:

3. ARAP YARIMADASINDA BEDEVĐLĐK

3.2. Arap Toplumu ve Bedevilik

A caracterização e a materialização da responsabilidade enunciativa ou PdV podem ser manifestadas através de marcas linguísticas que ajudam no trabalho de análise empreendido por Adam (2008). Pensando nisso, o presente tópico mostra as diversas marcas que categorizam a responsabilidade. Isso porque “o grau de responsabilidade enunciativa de uma proposição é suscetível de ser marcado por um grande número de unidades da língua”. (ADAM, 2008, p. 117-120). Para tanto, vejamos o quadro abaixo:

Quadro 1 – Grau de responsabilidade enunciativa: categorias e marcas

linguísticas

Ordem Categoria/definição Marcas Linguísticas

01 Índices de pessoas – dos pronomes e

os marcadores de pessoa

Meu, teu/vosso, seu 02 Dêiticos espaciais e temporais

compreendem desde uma referencia absoluta até uma relativa ao contexto (anafórica) ou ao contexto (situacional)

Advérbios (ontem, amanhã, aqui, hoje) Grupos nominais (esta manha, esta porta) Grupos preposicionais (em dez minutos) Alguns determinantes (minha chegada) 03 Tempos verbais – correspondem a

diferentes tipos de localização relativamente a posição do enunciador

Oposição entre presente e futuro do pretérito

Oposição entre presente e o par pretérito imperfeito e pretérito perfeito

04 Modalidades Modalidades sintáticos-semânticas maiores:

Téticas (asserção e negação) Hipotéticas (real)

Hipertéticas (exclamação) Modalidades objetivas Modalidades intersubjetivas

Modalidades subjetivas Verbos e advérbios de opinião

Lexemas afetivos, avaliativos e axilógicos 05 Diferentes tipos de fala – das

pessoas ou das personagens geram uma tensão entre a busca de uma continuidade enunciativa da narração e as rupturas que toda fala representada introduz.

Discurso direto (DD) Discurso direto livre (DDL) Discurso indireto (DI) Discurso narrativizado (DN) Discurso indireto livre (DIL) 06

Indicadores de quadro mediativo

Marcadores como segundo, de acordo com

e para

Modalização por um tempo verbal como futuro do pretérito

Escolha de um verbo de atribuição de fala como afirmam, parece

Reformulações do tipo é, de fato, na

verdade, e mesmo em todo caso

Oposição de tipo alguns pensam (ou

dizem) que X, nós pensamos (dizemos) que Y etc.

07 Fenômenos de modalização autonímica – todo enunciado metaenunciativo que, num debruçar-se reflexivo do dito sobre o dizer, manifesta a não-transparência e a não-evidência das palavras simples aspas ou itálico podem indicar essa alteridade

Não coincidência com o discurso e consigo mesma (como se diz, para

empregar um termo filosófico)

Não coincidência entre as palavras e as coisas (por assim dizer, melhor dizendo,

não encontro a palavra)

Não coincidência das palavras com elas mesmas (no sentido etimológico, nos dois

sentidos do termo)

Não coincidência interlocutiva (como é a

expressão? Como vc costuma dizer)

08 Indicação de um suporte de percepções e de pensamentos relatados – efeitos de pontos de vista que repousam

Focalização perceptiva (ver, ouvir, sentir,

tocar, experimentar)

Focalização cognitiva (saber ou pensamento representado)

Fonte: Adam (2008, p. 117-119) e Passeggi et al (2010, p. 300-301)

É preciso dizer que essas marcas linguísticas, segundo Adam (2008, p. 187-188), não constituem categorias fechadas, pois outras podem ser acrescidas, dentre essas, ele destaca as modalidades sintáticas de interrogação, exclamação, frasais. Ademais, temos os marcadores do escopo da responsabilidade enunciativa que são: (i) os de reformulação que demarca no texto uma retomada metaenunciativa, que é, muitas vezes, uma modificação de um ponto de vista (isto é, dito de outro modo, em outras

palavras, dentre outros); (ii) os de integração linear conclusiva (enfim, em resumo, finalmente, dentre outros); (iii) os de estruturação da conversação

(bom, bem, pior, então, etc) e (iv) e os fáticos são necessários em textos orais (você sabe/tu sabe, você vê/tu vês).

Cada uma das marcas linguísticas e marcadores de escopo da responsabilidade enunciativa, apontados acima, são necessários na demarcação do PdV. Podemos dizer que Adam (2008) esclarece ao longo do seu texto essas categorias, de modo a possibilitar uma maior compreensão de como reconhecê-las em análise de textos. Com vistas a tornar mais claro o quadro acima, esclarecemos, pois, algumas dessas categorias. A começar pelos índices de pessoa, que atuam no enunciado-proposição como uma categoria que pode representar, dependendo do pronome utilizado, a assunção do pdv em relação ao conteúdo. Já os dêiticos atuam no enunciado como elementos que podem fazer remissão ao cotexto (anafórica) e ao contexto (situacional), de modo a facilitar a compreensão do sentido da proposição, bem como do PdV. Quanto às modalidades, essas são essenciais para o locutor, cuja função é modalizar o discurso, o que permite compreender quando o locutor intenciona assumir ou não o PdV. Os tipos de representação da fala, por sua vez, constituem, na representação, como elementos que marcam o distanciamento do locutor em relação ao enunciado, já que demarca quando esse não assume o PdV e atribui a uma fonte do saber o conteúdo proferido. Tal categoria é retomada com base nos estudos de Authier-Revuz (1990, 1998, 2004) sobre heterogeneidade enunciativa, assim como a categoria do fenômeno de modalização autonímica, que também tem seus pressupostos em Authier-Revuz, que dedica uma discussão aprofundada sobre as não-coincidências. Essas são muito representativas do PdV, já que podem revelar a assunção da responsabilidade enunciativa. Quanto aos tempos verbais, Adam (2008) reserva uma discussão profunda sobre a atuação desses marcadores na proposição-enunciado como categoria de análise da responsabilidade enunciativa.

Ainda sobre as categorias, Adam (2008) discute a categoria mediativo, a partir do que estabelece Guentchéva (1994), que constitui a base para o entendimento dessa categoria no âmbito da Responsabilidade enunciativa dentro do quadro da ATD, reservando uma discussão pertinente que trazemos para esse espaço.

Para Guentchéva (1994, p. 08), a língua possui diferentes formas/mecanismos que permitem ao enunciador demarcar em diversos graus a distância tomada em relação ao fato enunciado, isso através de maneira “mediata”. É, portanto, através desse quadro mediativo que o enunciador pode indicar explicitamente que não se trata da fonte da informação, isso porque os fatos podem ser de outra fonte. Sobre isso, Guentchéva (1994) apresenta quatro possibilidades para reconhecer a fonte da informação, que são ligadas a fatos: (i) são fatos conhecidos e admitidos pela tradição; (ii) são fatos conhecidos por terceiros e se constituem nessa relação entre pessoas; (iv) fatos que foram deduzidos com base em observação e (v) fatos resultantes de raciocínio.

Com essas possibilidades de apresentar a fonte do saber, Guentchéva (1994, p. 12) define o que ele vem chamar de mediativo.

Dans les langues où un tel système grammatical spécifique existe, l'énonciateur est donc contraint à marquer formellementd,a ns son propre acte d'énonciation, s'il s'engage ou s'il ne s'engage pas sur les faits énoncés. Il s'en dégage ainsi un jeu subtil de valeurs qui se structurent de façon différente suivant les langues dans une catégorie grammaticale que nous proposonsd'appeler le médiatif14.

Como vemos, a noção de mediativo serve como um mecanismo da língua para estabelecer os limites em que o enunciador envolve-se ou não com o conteúdo enunciado, permitindo esclarecer quando o enunciador é a fonte do conteúdo e quando esse não assume a responsabilidade pelo fato. Acreditamos, pois, que Adam (2008) retoma a noção de mediativo por ter essa possibilidade de demarcação no enunciado desse envolvimento do locutor, que vem corroborar com a definição de responsabilidade enunciativa.

Para Adam (2008), o quadro mediativo proposto por Guentchéva (1994) exprime a forma como a responsabilidade enunciativa pode se

14

Tradução do exceto: Nas línguas em que um tal sistema gramatical específico existe, o enunciador é então obrigado a marcar formalmente, no seu próprio ato de enunciação, se ele se envolve ou se ele não se envolve nos fatos enunciados. Resulta daí um jogo sutil de valores que se estruturam de maneira diferente conforme as línguas em uma categoria gramatical que nós propomos chamar de mediativo.

manifestar: (i) mediação epistêmica ocorre quando o enunciador para se estabelecer sobre o dito necessita de uma fonte do saber e (ii) mediação perceptiva é quando o enunciador exprime-se em uma focalização perceptiva, em que usa verbos como ver, ouvir, sentir, observar. De acordo com Rodrigues (2010, p. 144), “o PdV anônimo, materializado pela presença de formas verbais em terceira pessoa no singular, poderá ser um tipo de mediação epistêmica, dependendo do valor semântico da forma verbal que esteja na terceira pessoa”. Com isso, entendemos que o quadro mediativo possibilita entender a responsabilidade e a forma como o enunciador assume ou não o conteúdo dito, atribuindo a uma fonte do saber.

A categoria mediativo constitui como relevante dentro das discussões empreendidas por Adam (2008) no âmbito da ATD, pois revela quando o enunciador não assume o conteúdo proferido. De maneira que o enunciado não se estabelece em relação ao enunciador, pois não evoca a responsabilidade.

De um modo geral, entendemos que todas as marcas linguísticas, discorridas ao longo dessa seção, são essenciais para o estabelecimento da responsabilidade enunciativa dentro do empreendimento da ATD, já que permitem, conforme é descrito no quadro elaborado por Passeggi et al (2010), atribuir graus de responsabilidade, partindo dos índices de pessoa até as indicações de suporte de percepção.

CAPÍTULO 3 A METODOLOGIA DE PESQUISA E A CONSTRUÇÃO DO

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