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2. İLGİLİ ALAN YAZINI 1. Beden Eğitimi

2.3. Beden Eğitimi ve Spor

2.3.3. Beden Eğitimi ve Sporun Amaçları

No primeiro semestre de 2011, realizei em conjunto com a professora e sociolinguista Nabiha Jerad, da Universidade de Túnis, uma enquete online para analisar as representações de adolescentes e jovens adultos sobre as línguas: berbere, árabe clássico, árabe dialetal,

francês e inglês. A realização da enquete foi uma primeira tentativa de recolher dados que expressassem o imaginário magrebino em torno das línguas faladas na região e que permitissem demonstrar como os discursos das políticas linguísticas oficiais nem sempre correspondem às práticas reais dos falantes. A intenção primeira era a da realização da enquete nos três países aqui estudados para fins de comparação. Entretanto, alguns dos nossos contatos para o auxílio da realização da enquete não foram correspondidos. Em contrapartida, os dados tunisianos se apresentaram muito relevantes para a discussão, não podendo ser descartados. Com isso, para termos uma visão mais completa das práticas e das representações linguísticas em questão, utilizaremos dois outros trabalhos que contribuem para a ampliação da visão geral do Magrebe. Para uma discussão da situação argelina, temos o trabalho43 de Yacine Derradji, da universidade de Constantine. O corpus apresentado e analisado pelo sociolinguista argelino é resultado de uma enquete realizada com jovens da universidade. Nesse questionário, procurou-se verificar as línguas mais faladas pelos informantes em diversos ambientes e situações da vida social, familiar e escolar. A importância atribuída a cada uma delas também foi destaque na pesquisa. As línguas selecionadas são as mesmas utilizadas na enquete que realizei com os jovens tunisianos: árabe dialetal e clássico, francês, berbere e inglês. Um segundo trabalho44, de Jan de Ruiter, nos

43

DERRADJI, Yacine - Vous avez dit langue étrangère, le français en Algérie?, Le français en Afrique, nº 15, Nice : 2001.

44

RUITER, Jan Jaap de Ŕ Amazighophones et arabophones au Maroc d’aujourd’hui, EDNA, nº 12, p.61-81, Zaragoza : 2008.

aponta um panorama da situação linguística do Marrocos, principalmente sobre a situação do berbere em relação ao árabe dialetal, clássico e ao francês, destacando o domínio das diferentes habilidades em cada língua Ŕ compreensão e produção escrita e oral Ŕ pelos informantes.

Através da leitura desses três corpora, poderemos ter uma melhor visão sobre as práticas linguísticas magrebinas Ŕ especialmente nos centros urbanos - assim como das representações sobre as línguas que circulam nessas sociedades. Com isso, temos em mãos um conjunto de informações importantes que colocam em questão os discursos oficiais e nos apontam uma discussão sobre o multilinguismo na região, destacando o futuro da língua francesa no Magrebe.

7.1 Ŕ A enquete Tunisiana

O nosso questionário, realizado em língua francesa, foi dividido em três partes, contendo perguntas que definem o perfil linguístico do informante, as suas atitudes e práticas linguísticas no cotidiano e, por fim, as suas representações e imagens sobre as línguas em questão. Em alguns itens, foi possível a marcação de mais de uma língua, na tentativa de verificar o bilinguismo dos falantes. Ou ainda, questões abertas/livres para a expressão pessoal acerca das línguas.

Ao todo, contabilizam-se 46 informantes, sendo 33 declarados do sexo feminino e 13 do sexo masculino. As idades variam de 13 a 23 anos (alunos de escolas e da universidade de Túnis). A maioria possui nacionalidade tunisiana. A primeira série de perguntas define um perfil linguístico para esses informantes, onde se constata que45:

45

 36 pessoas declararam como a sua língua materna o árabe dialetal;

 Uma média de 43 pessoas afirma ter nascido e crescido em centros ou nas suas periferias;

 42 declararam morar em centros ou nas suas periferias;

7.1.1 - Atitudes e práticas linguísticas no cotidiano

Pode-se perceber que o par árabe dialetal-francês aparece como o bilinguismo mais expressivo nessas comunidades. O quadro abaixo apresenta o número de informantes que declararam usar cada uma das línguas em questão nas suas práticas linguísticas cotidianas.

Tabela1

Tunísia Ŕ Porcentagem de informantes que declaram utilizar cada língua nas suas práticas cotidianas. Foi possível marcar mais de uma opção de língua. Entre parênteses, o número de pessoas que marcaram a opção.

*Na opção outras, foi indicada majoritariamente a língua inglesa. 46 informantes totais.

Situação cotidiana

Árabe clássico

Árabe

dialetal Berbere Francês Outras*

Sala de aula 13,04% (6) 47,83% (22) 2,17% (1) 73,91% (34) 6,52 % (3) Família 8,70% (4) 89,13% (41) 2,17% (1) 67,39% (31) 2,17% (1) Amigos 6,52% (3) 91,30% (42) 4,35% (2) 76,09% (35) 10,87% (5) Comércio 4,35% (2) 86,96% (40) 0% (0) 60,87% (28) 4,35% (2) Espaços religiosos 13,04% (6) 23,91% (11) 0% (0) 6,52% (3) 6,52% (3)

7.1.2 - Tecnologias e escrita

Os falantes também foram questionados sobre os seus usos linguísticos com as novas tecnologias. Neste item, procuramos também averiguar as práticas de escrita por duas razões importantes. A primeira é que a comunicação, na Internet e nos aparelhos de celular, tem na escrita o seu principal canal. A segunda é que as línguas em questão possuem alfabetos diferentes e políticas divergentes para tal.

A relação árabe dialetal – francês continua muito frequente nas respostas, mas com uma nova informação: a presença do inglês. Era permitido ao falante marcar mais de uma opção de língua. Os números expressam a quantidade de informantes.

Tabela 2

Tunísia - Porcentagem de informantes que declaram utilizar cada língua nas suas práticas cotidianas com novas tecnologias. Foi possível marcar mais de uma opção de língua. Entre parênteses, o número de pessoas que

marcaram a opção. 46 informantes totais.

Nos contextos Internet e SMS, os informantes declararam escrever: Tabela 3

Tunísia Ŕ Porcentagem de informantes sobre práticas de escrita nas novas tecnologias. Entre parênteses, o número de pessoas que marcaram a opção. Número de informantes totais 46.

Situação

Árabe clássico

Árabe

dialetal Berbere Francês Inglês

Internet 10,87% (5) 47,83% (22) 2,17% (1) 89,13% (41) 47,83% (22)

Mensagens (SMS)

4,35% (2) 58,70% (27) 0% (0) 91,30% (42) 17,39% (8)

Palavras francesas com alfabeto árabe 32,61% (15)

7.1.3 Ŕ Representações linguísticas

A última parte da enquete privilegiou as representações dos falantes sobre as línguas estudadas. O informante deveria definir através de uma palavra ou imagem cada língua apresentada ao longo da pesquisa. O quadro abaixo resume algumas respostas dadas pelos falantes:

Tabela 4

Tunísia Ŕ Palavras ou expressões citadas pelos informantes como representações linguísticas para cada língua.

Palavras berberes com alfabeto árabe 2,17% (1)

Palavras árabes com alfabeto latino 52,17% (24)

Palavras berberes com alfabeto latino 2,17% (1)

Não responderam 4,35% (2)

Árabe clássico Árabe dialetal Berbere Francês Inglês

Árabe antigo Agonizante Língua pela qual poucas pessoas se interessam Corão Difícil Beleza-poesia- Língua falada Variada e prática Árabe moderno Língua materna Nossa língua Tunisiano Cotidiano Não gosto Minoritária Língua perdida Língua quase morta Não conheço Desconhecida Desafio Língua corrente Preferida Importante Literária Segunda Língua Elegância Não é muita falada Língua Internacional Mundo Sexy Tendência Progresso

O

questionário termina com uma pergunta de resposta também livre, em que o informante deveria indicar a língua que melhor representasse a cultura do seu país. Obtivemos como resposta mais expressiva o árabe dialetal como língua representante. Entretanto, o par árabe dialetal-francês

mais uma vez aparece, logo em seguida, como uma das respostas mais encontradas.

A partir da observação desses dados, podemos confirmar as primeiras discussões sobre a ampla utilização do francês no cotidiano dos falantes em diversos domínios. Língua ainda associada à ascensão social, à modernidade, aos estudos e à economia, marcando um lugar muito específico nas sociedades magrebinas, especialmente a tunisiana, origem majoritária dos informantes. Outro dado evidente é a clara distinção entre “árabes” diferentes, sendo a variante denominada dialetal considerada como língua materna pelos falantes, língua também utilizada no cotidiano juntamente com o francês. Entretanto, ela parece ocupar um espaço mais ligado ao que

Corão Arcaico Autenticidade Literatura Desuso Complexo Mulçumano Tradições Língua corrente Fácil Popularidade Identidade Casual Raiz Origem Autêntica Ignoro Prestígio Juventude Molière Clareza Refinamento Expressiva Prática Estudos Língua midiática Cool Comércio Universal Fácil Abertura

diz respeito à vida privada e à identidade primeira. O árabe clássico é apontado como a língua do “atraso”, que não é capaz de expressar a vida prática e contemporânea, mas que ainda guarda um certo prestígio ao ser associada à religião e à literatura, itens que nos indicam o conceito de tradição. O berbere não se mostrou expressivo nos resultados, pois os informantes são majoritariamente tunisianos. A língua berbere encontra mais destaque na Argélia e no Marrocos, onde se concentra a maioria de seus falantes, como bem expressam as constituições apresentadas anteriormente. O inglês é indicado como uma língua estrangeira, universal e prática. A partir dos dados obtidos, fica evidente que, apesar dos textos oficiais darem o mesmo status ao inglês e ao francês, a realidade linguística é diferente. O francês é citado como língua segunda, categoria completamente distinta do status de língua estrangeira.

No que diz respeito às práticas com a escrita, o intercâmbio entre os alfabetos árabe e latino para com as línguas francesa e árabe se mostraram relevantes. O alfabeto latino foi apontado como um alfabeto de caráter mais produtivo nas práticas linguísticas cotidianas. Certamente, o seu destaque está estreitamente associado ao tipo de meios de comunicação como computadores e celulares, que, em sua maioria, possuem padrões em inglês. A esse raciocínio, podemos também acrescentar o fato do árabe dialetal, língua mais usada em situações não formais, não possuir uma alfabeto próprio oficial, cabendo ao francês ocupar este espaço na expressão escrita.

7.2 Ŕ A enquete argelina

O sociolinguista argelino, Yacine Derradji, realizou uma enquete com alunos da universidade de Constantine na Argélia. Os informantes são jovens universitários Ŕ mulheres e homens -, moradores de áreas urbanas. A enquete verifica as práticas linguísticas dos estudantes, a mistura de códigos linguísticos diferentes realizados por eles e o grau de importância atribuído

às línguas berbere, árabe dialetal e clássico, francês e também o inglês pelos informantes. Abaixo, veremos um quadro resumido das perguntas referentes às práticas linguísticas dos falantes. A porcentagem se refere ao número geral de informantes (176 pessoas), que puderam marcar mais de uma opção de língua para cada situação indicada.

Tabela 5

Argélia Ŕ Porcentagem de informantes que declaram utilizar cada língua nas suas práticas cotidianas. Entre parênteses, o número de pessoas que marcaram a opção. Foi possível marcar mais de uma opção de língua. 176

informantes totais. Língua mais utilizada Árabe dialetal Francês Árabe

clássico Berbere Inglês

em casa 84,66% (149) 46,59% (82) 3,40% (6) 5,11% (9) 2,27% (4) entre amigos 87,50% (154) 60,22% (106) 6,81% (12) 2,84% (5) 1,70% (3) na universidade 64,20% (113) 85,22% (150) 8,52% (15) 1,13% (2) 2,84% (5)

Para o item em casa, as línguas que se destacam são: o árabe dialetal e o francês. A presença do árabe dialetal no ambiente familiar já era esperada como língua do cotidiano, entretanto o destaque do francês contraria o discurso oficial das constituições, mostrando que é uma língua fortemente presente no dia-a-dia dos argelinos. A Argélia foi o país magrebino que por mais longo tempo manteve fortes laços com a França, pois seu período de colonização foi maior e o seu status político era o de um départament francês. A dinâmica populacional entre os dois países também é intensa, já que muitos argelinos possuem familiares na França,

descendentes da imigração pós-colonial, o que favorece a manutenção do francês no ambiente familiar.

Em seguida, mas em bem menor porcentagem, temos a indicação do berbere, aparecendo antes do árabe clássico e do inglês, que não são línguas marcadas no ambiente familiar. A população berbere não é tão representativa quantitativamente nas universidades, que estão situadas em centros urbanos, o que explica a menor porcentagem. Todavia, a indicação de uma terceira posição na estatística mostra que o berbere é uma língua utilizada no ambiente familiar, afirmação que pode ser comprovada pelos outros dois itens: entre amigos e na universidade. No primeiro, o par árabe dialetal-francês ganha novamente destaque, invertendo sua posição somente quando o ambiente é a universidade. O árabe dialetal aparece claramente como a língua materna desses informantes, enquanto o francês ganha destaque de língua segunda. Nas universidades magrebinas, apesar das políticas de arabização, a língua francesa ainda é a língua de ensino e pesquisa, sobretudo para as áreas científicas, o que justifica a sua primeira posição para o item na universidade. Ainda entre amigos, o árabe clássico e o berbere aparecem antes do inglês. Este último ganhando a quarta posição no ambiente universitário, que tem por última língua o berbere, língua que não é utilizada nesses espaços.

Assim, podemos resumir o quadro descrito acima da seguinte maneira: árabe dialetal ou berbere como língua materna dos informantes, tendo o árabe dialetal mais destaque na estatística em razão dos seus informantes universitários e moradores de centros urbanos, uma vez que o berbere é uma língua encontrada mais no interior do país. O francês aparece como língua segunda, diferente do inglês que se caracteriza muito mais como língua estrangeira. Além de ser uma língua presente no cotidiano dos informantes, o francês também é a língua que ganha destaque na universidade. O árabe clássico não se apresenta como uma língua produtiva nos três ambientes investigados, mas, mesmo assim, faz parte de alguma forma do dia-a-dia dos informantes.

O pesquisador também verificou a língua mais importante para os informantes. Só foi possível marcar uma opção. Nesta pergunta, 176 pessoas responderam à questão. Temos então o seguinte quadro:

Tabela 6

Argélia Ŕ Porcentagem de informantes que declaram a língua que consideram mais importante nas suas práticas cotidianas. Entre parênteses, o número de pessoas que marcaram a opção. Só foi possível uma opção de língua. 176

informantes totais.

Francês Árabe dialetal Inglês Árabe clássico Berbere

64,20% (113) 16,47% (29) 14,77% (26) 2,84% (5) 1,70% (3)

Em destaque, temos o francês em larga vantagem sobre o árabe dialetal e o inglês, que possuem porcentagens bem próximas. Obviamente, a língua francesa ganha maior consideração pelo grupo de pessoas pesquisadas, pois é a língua que dentro do ambiente universitário pode fazer diferença. Ela está ligada ao prestígio profissional desses alunos. Podemos dizer que o árabe dialetal e o inglês estão no mesmo nível de importância para essas pessoas, originárias do meio acadêmico. O berbere não é expressivo nesse ambiente, pois não faz parte do discurso universitário.

Outro quadro nos mostra qual língua é considerada pelo informante a mais importante para o país. Temos ao todo1760 informantes para esta pergunta. Neste item, o inglês não foi considerado.

Tabela 7

Argélia Ŕ Porcentagem de informantes que considerou cada uma das línguas como importante para o país. Foi possível marcar mais de uma opção de língua. Entre parênteses, o número de pessoas que marcaram a opção. 176

informantes totais.

Francês Árabe moderno Árabe clássico Árabe dialetal Berbere

75% (132) 51,13% (90) 21,59% (38) 15,34% (27) 2,27% (4)

A leitura que pode ser feita das três línguas que ganham maior evidência nesse item Ŕ francês, árabe moderno e clássico - se apresentam como um misto da identidade preconizada pelos discursos oficiais com um inevitável reconhecimento do francês como língua argelina. Além disso, o francês é, claramente, para esses informantes uma língua que projeta o país para o desenvolvimento, juntamente com uma versão árabe menos rígida do que a versão clássica, símbolo da tradição e do Corão. O árabe dialetal, apesar de ser destacado no item

língua mais importante para o informante, não se mostra produtivo quando se é necessário assumir uma imagem do nacional. O berbere também não possui uma imagem de importância nesse item, evidenciando o seu caráter de língua minorada dentro desse cenário das representações das línguas no contexto argelino.

Os informantes também classificaram por ordem prioritária as línguas mais utilizadas no cotidiano. O resultado obtido, da mais prioritária para a menos prioritária, foi:

1 Ŕ Árabe dialetal 2 Ŕ Francês 3 Ŕ Árabe clássico 4 Ŕ Árabe Moderno 5 Ŕ Inglês 6 Ŕ Berbere

A ordem que encontramos para esta pergunta evidencia o árabe dialetal e o francês como as duas primeiras línguas consideradas prioritárias para a sociedade argelina, segundo a ótica dos informantes. De fato, nas trocas linguísticas do cotidiano, o árabe dialetal e o francês se apresentam como línguas muito produtivas nas relações diárias, como vimos anteriormente. Podemos dizer que a primeira tem o status de língua materna da população, enquanto o francês não possui apenas um status de língua estrangeira, mas de língua segunda, possuindo um papel muito importante e significativo nessa sociedade.

Em seguida, o árabe clássico e o árabe moderno aparecem em terceira e quarta posições. As duas variantes são consideradas conservadoras e não dão conta das necessidades e usos linguísticos cotidianos dos falantes. O seu uso se limita aos meios oficiais, à religião, às leis, ao texto constitucional, e também, à mídia escrita.

Por fim, o inglês aparece antes do berbere. Esta indicação evidencia uma atribuição de utilidade ao inglês, que é uma língua estrangeira, maior do que ao berbere, língua nativa da região. Apesar do inglês não possuir destaque nos resultados desta enquete, é preocupante ver a ótica destes informantes em relação ao berbere, ocupando um espaço muito pequeno dentro dos imaginários linguísticos dos informantes. A Argélia concentra, depois do Marrocos, uma das maiores concentrações de falantes de tamazight no norte da África.

7.3 Ŕ A enquete marroquina

Para apresentar a situação linguística marroquina, utilizamos dados do trabalho realizado por RUITER (2008), que investigou o multilinguismo no Marrocos, focando seu olhar na situação da língua berbere. O sociolinguista aplicou uma enquete para 569 estudantes universitários, entre 19-23 anos, no período de 2000 a 2003. Os informantes são em sua maioria estudantes de Letras provenientes de nove cidades diferentes e representativas da

extensão do Marrocos. Temos 248 homens (43,6%) e 321 mulheres (56,4%). Setenta e cinco por cento dos informantes declararam como língua materna o árabe dialetal, 24,6% consideram sua língua materna o berbere e 0,4% a língua francesa.

O autor do trabalho utilizou uma metodologia na qual atribuiu uma pontuação de 1 a 5 para diferentes categorias de frequência de uso da língua ou grau de domínio das línguas, conforme detalhado na apresentação dos dados. As comparações das respostas dos diferentes grupos linguísticos foram feitas através de testes estatísticos, utilizando as médias e os desvios padrões das respostas.

Desde 1980, uma política de arabização é levada a cabo no sistema educativo marroquino. O sistema privado possui um perfil bilíngue árabe-francês, sendo frequentado pela classe média ou pelas elites marroquinas, enquanto o sistema público de ensino é arabizado, sendo frequentado pelas classes mais desfavorecidas economicamente. O pesquisador nos indica, através de uma enquete realizada por EL BIAD (1991)46, que não há no Marrocos um discurso “anti-arabização”, mais sim um discurso à favor da arabização sem a supressão da língua francesa do cenário linguístico do país. Ele considera que a desigualdade econômica no Marrocos propicia à língua francesa a sua permanência no mercado linguístico atual e futuro do Marrocos.

Para Ruiter, a arabização não teve sucesso no Marrocos, pois depois de mais de 30 anos, a língua francesa é amplamente utilizada e está presente no dia-a-dia dos marroquinos, igualmente como o árabe. Entretanto, diferenças regionais podem ser verificadas, já que o francês está presente em cidades mais ocidentalizadas e turísticas do Marrocos, como Casablanca, enquanto o berbere se encontra em cidades mais ao nordeste e sul do país.

A enquete realizada pelo pesquisador avaliou o domínio da língua berbere, do árabe clássico e dialetal, além do francês pelos informantes. O peso da língua materna no domínio

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das línguas também foi levado em consideração. Trabalharemos também com os dados do perfil linguístico desses estudantes, suas avaliações sobre as línguas em questão e suas práticas linguísticas com as mesmas a fim de ter as informações necessárias para fechar nosso quadro comparativo com as enquetes tunisiana e argelina.

7.4 - Práticas com o árabe literário

A primeira investigação da enquete marroquina tinha como objetivo investigar o uso do berbere entre os estudantes nas seguintes situações: “durante as refeições”, “com outros estudantes” e “com as pessoas na rua”. Os alunos puderam avaliar a frequência com que falavam berbere nessas situações: sempre; com muita frequência; em 50% dos casos; às vezes; nunca. Temos então o seguinte quadro:

Tabela 8

Marrocos Ŕ Porcentagem de frequência da utilização do berbere pelos informantes por situação. Entre parênteses, o número de pessoas que marcaram a opção. 131 informantes totais.

Durante as refeições Com outros estudantes Com as pessoas na rua Sempre 44,3% (58) 6,9% (9) 6,9% (9) Com muita frequência 10,7% (14) 11,5 % (15) 11,5% (15) Em 50% dos casos 9,2% (12) 6,9% (9) 10,7% (14) Às vezes 30,5% (40) 41,2% (54) 38,9% (51) Nunca 5,3 (7) 33,6% (44) 32,1 (42)

O berbere se apresentou como uma língua muito falada durante as refeições Ŕ sempre (44,3%) ou às vezes (30,5%). Entretanto, mostrou-se pouco utilizada quando a conversa é com outros estudantes Ŕ 41,2% e 33,6% disseram falar às vezes ou nunca a língua nesta situação. Na rua, a situação se repete, pois temos 38,9% para às vezes e 32,1% para nunca. A