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Beşinci Alt Amaca (AGSL’ de 11 Sınıf Atölye Öğrencilerinin Boğa İnek Öküz Figürlerinin Stilize Edilmesi Uygulaması ile İlgili Bilgiler) İlişkin Bulgular ve

BULGULAR ve YORUM

4.5. Beşinci Alt Amaca (AGSL’ de 11 Sınıf Atölye Öğrencilerinin Boğa İnek Öküz Figürlerinin Stilize Edilmesi Uygulaması ile İlgili Bilgiler) İlişkin Bulgular ve

O risível é o extremo oposto do trágico e tem cumplicidade com o humor, o engraçado e o cômico. Aliás, as quatro palavras são sinônimas. Muitas são as situações que podem levar ao riso: as deformidades físicas e vocais, ações físicas, pessoas coisificadas, uma imitação bem feita, alguém que cai desastradamente, um susto ou alguém que cai inesperadamente. Neste último caso, alguém que está por perto é contagiado pelo fenômeno psicossocial do riso. Ximenes (2010, p. 13) estuda-o como “uma manifestação físico-biológica” cujo potencial de comunicação não se deve desprezar. O ator risível é, portanto, “aquele que prepara os elementos de sua arte para a cena de modo que a plateia a perceba de forma engraçada”. (XIMENES, 2010, p. 15)

O riso descarrega o corpo e a alma do peso das emoções e das excitações mentais. É conhecido o adágio que diz “rir é o melhor remédio”. O homem, segundo Bender (1996, p. 53), “é o único animal que ri”. Ri porque está alegre e ri, ás vezes, por uma decepção ou desgosto. Mas, “o riso implica reconhecer o ridículo, atribuir algum valor moral às ações [...]”

A Comédia Risível Catirina101102é a história de um casal de matutos que sai do campo com a filha única, de nome Catarina, para matriculá-la em um internato. A intenção deles era dar à filha a educação que não tiveram, pois trabalharam a vida inteira na roça. Ao longo do discurso, percebe-se a pouca ou nenhuma instrução escolar que os pais possuem, manifestada pela linguagem de suas falas. O contraste fica patente na estrofe final quando a Diretora se dirige ao casal para tranquilizá-lo e explicar as vantagens que sua filha irá usufruir durante a permanência no internato. A mãe, antes de se despedir da filha, dá-lhe os últimos conselhos relacionados aos procedimentos que ela deverá adotar caso sofra algum tipo de agressão por parte de colegas ou funcionários do internato. Sugere-lhe que revide, usando como arma couro de “cururu”, que é um tipo de sapo grande, ou uma “alpragata” [alpargata], um tipo de calçado típico do nordestes, muito resistente e pesado, feito de couro cru.

101 Catirina é uma forma usual de se referir a Catarina, substantivo próprio personativo feminino, nos

sertões da Região Nordeste.

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A melodia que apoia a comédia é um baião. A fábula é em versos septissillábicos com rimas BD.

No palco estão presentes quatro personagens: pai, mãe, filha e a Diretora do internato. O cenário é formado por mesa - sobre a qual se estende uma toalha branca – e cadeira.

A comédia Catirina foi documentada no dia 23/05/2014 por ocasião da X Mostra dos Dramas de Guaramiranga, no Teatro Rachel de Queiroz (o pequeno).

A cena se inicia com o casal e a filha chegando ao internato onde são recebidos pela diretora em sua sala. Esta, sentada em uma cadeira, à frente de sua mesa de trabalho, ouve pacientemente todo o discurso dos pais de Catirina, somente intervindo na estrofe final do drama. Catirina permanece calada e triste durante toda a cena, limitando-se apenas a ouvir, cabisbaixa, as falas dos demais personagens. Todos saem, permanecendo no palco apenas a diretora e Catirina. É neste momento que final a Diretora (Dona Augusta) muda a postura e assume comportamento despótico, ameaçando Catirina de castigo caso não se comporte bem. Deixa no ar a ideia de que Catirina terá uma vida dura no internato, bem diferente daquilo que seus pais esperavam.

Fig. 45. Grupo Tradição na representação da comédia Catirina. Imagem de Marcos Cortez.

Fig. 46. Transcrição musical da comédia Catirina.

Catirina

Pai (dirigindo-se ao público e explicando a sua história: Nóis viemo lá da roça

Prumode matriculá Catirina, nossa fia, Pra mode se inducá. Deixei prantado mio e feijão No meu roçado, pra São João. Pai (orientando a filha): Catirina, minha fia, Aproveite e coma muito. Pode inté cumê de tudo, Pode inté cumê presunto. Aprenda bem de culinária Pra cozinhar pra Dona Yara. Pai (aconselhando a filha): Catirina, minha fia,

Se as meninas dé nim tu Tu, também pode dá nelas Cum coro de cururu

Num se incomode co‟as impregada Dá também nelas de alpragata. Pai (agora se dirigindo à esposa): Puliguera, minha véia,

Agora pode falar Cá pobi da Catirina, Que já vai se interná. A pobizinha, tão inocente A coitadinha, longe da gente.

Mãe (dirigindo-se à Diretora do internato): Olha, sua Diretora,

Me preste bem atenção! Cuide bem da nossa fia Cum muita inducação! Cuide bem dela com atenção Se quer ganhar nosso tostão.

Diretora (levantando-se da cadeira e se dirigindo-ao casal): Olhem, não se preocupem,

Catarina fica bem. Aqui, nesse internato, Tudo de bom ela tem. Café com leite e requeijão, Boas comidas e educação.

Com relação à letra e à música, mais uma vez procurei retratá-las o mais fidedignamente possível. A linguagem é típica da zona rural cearense. Quanto à melodia, em ritmo de baião, transcrevi-a tal e qual como a Mestra de Dramas Dona Zilda Eduardo cantou.

O Bêbado103, Nêgo Bêbo ou simplesmente Bêbo é um exemplo de uma

comédia risível monologada em que narrativas verbais e poesia cantada se alternam na cena. Trata-se da história de um malandro bêbado que gostava de viver bem, mas não tinha condições financeiras para bancar uma vida de luxo. Bem vestido e sem uma moeda no bolso, hospeda-se em bons hotéis, frequenta festas, come do bom e do melhor, mas na hora de pagar a conta foge em desabalada carreira para não ser preso. Documentei este drama no meu primeiro encontro com as dramistas de Guaramiranga quando elas se apresentaram no dia 09 de fevereiro de 2011 no Auditório Prof. Aluísio Cavalcante, no Campus da Universidade Estadual do Ceará, quando da abertura do Seminário Política de Acesso à Leitura e ao Livro enquanto Direito Humano.

Durante toda a performance, Marta Carneiro (o bêbado) cambaleia simulando as atitudes e trejeitos de um homem embriagado. Segundo informou antes da apresentação, encenou este drama pela primeira vez aos cinco anos de idade incentivada por sua madrinha Dona Zilda Eduardo do Nascimento.

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Fig. 47. Grupo Tradição na representação da comédia O Bêbado. Imagem de Marcos Cortez.

Observa-se pela fotografia que os trajes de Marta não estão compatíveis com a descrição que fiz nos parágrafos anteriores. É que ela acabara de participar de outro drama que deveria encerrar a programação. Mas, diante dos aplausos e insistentes pedidos de bis ela, para não desgostar os presentes, apresentou O Bêbado, que não constava da apresentação, conservando a indumentária do drama anterior.

A melodia que apoia o texto da cena é um baião em metro binário simples. A poesia da fábula é estruturada em versos livres, com leve tendência a redondilhas maiores e rimas em BD.

O Bêbado

Bêbado (cantando):

Com o meu chapéu de palha, Minha bengala na mão, Cheguei num hotel

Sem tomar satisfação! (Repete os 2 últimos versos) Bêbado (falando):

Cheguei no hotel, sem tomar satisfação. Eu pedi um prato de comida. Comi que enchi a pança...! Não tinha com o que pagar. Sabe o que eu fiz? Sabe mesmo o que eu fiz? Me larguei na carreira.

Bêbado (cantando): Me larguei na carreira Cai aqui, cai acolá. Adiante ouvi um “psiu”!

Moreno venha me pagar. (Repete os dois últimos versos) Bêbado (continuando a cantar):

Com o meu chapéu de palha, Minha bengala na mão, Cheguei numa festa

Sem tomar satisfação. (Repete os 2 últimos versos) Bêbado (falando):

Eu cheguei numa festa sem tomar satisfação. Chamei a nega pra dançar. Dancei que rodei o pé. Não tinha com o que pagar. O que eu fiz? Quê é que eu fiz? Larguei o pé na carreira!

Bêbado (cantando): Me larguei na carreira Cai aqui, cai acolá. Adiante ouvi um “psiu”!

Moreno venha me pagar. (Repete os 2 últimos versos)

O drama O Soldado104, também conhecido por A Despedida ou por O

Sorteado, é um exemplo do que denominei de Comédia de Comoção. Trata-se de

um tema triste, de despedida. De todas as Pecinhas documentadas em Guaramiranga foi o que mais me comoveu pela carga de dramaticidade que encerra. Não apresenta bailado ou diálogo. É um monólogo cantado em ritmo de marcha lenta, muitas vezes em “ad libitum”, no qual o soldado, personagem central, convocado105 para defender a pátria durante a guerra, despede-se dos pais, noiva e dois irmãos antes de embarcar no navio e seguir para a fronteira.

Eventualmente, quando há disponibilidade de dramistas, dois a três amigos completam os personagens figurantes da cena. A participação das demais dramistas

104 Apêndice “B”, faixa 16.

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fica restrita a abraçar o soldado sempre que este se aproxima para despedir-se dos parentes e amigos.

Os Protagonistas do espetáculo são os seguintes: Sra. Vilanir de Freitas (soldado), Sra. Ivanir de Freitas (noiva), Dona Violeta Batista (pai), Dona Augusta Ferreira (mãe), Dona Maria de Lourdes ou Dona Tutu (irmão), Dona Zilda Eduardo (irmão) e Dona Terezinha Barroso (amigo).

Esta Comédia de Comoção foi apresentada no dia 26/05/2012, por ocasião da VIII Mostra dos Dramas de Guaramiranga, acontecida no Teatro Rachel de Queiroz (o pequeno).

Fig. 50. Grupo Tradição na representação da Comédia Dramática O Soldado. Imagem de Marcos Cortez.

O Soldado106

(Drama com características tristes em forma de monólogo cantado) Que vida triste é do sorteado

Corneta toca e é pra marchar

Não há dinheiro, nem tem pedido, então, Que livre o soldado da embarcação. (Repete os 2 últimos versos) Adeus papai, adeus irmãos queridos Adeus mamãe, minha primeira amiga Vou pra fronteira, vou defender a pátria Vou derramar meu sangue e arriscar a vida. (Repete os 2 últimos versos)

Levo saudade de minha noiva Sinto por ela um amor sem fim Se tu me amas, podes rezar por mim E pede a Deus do céu para eu tornar a vir. (Repete os 2 últimos versos)

Os meus amigos e meus companheiros Sei que por mim vocês vão orar

Mas, muito breve estarei de volta Porque sei que aqui é o meu lugar. (Repete os 2 últimos versos)

Impressionou-me, em especial, a intensa emoção que dominou a solista e demais dramistas durante a peça. O Soldado mal conseguiu terminar a repetição dos dois últimos. Notava-se Dona Augusta em lágrimas que foram imitadas por parte da plateia, principalmente das pessoas mais idosas. Após o estrepitoso aplauso, elas permaneceram no palco para a apresentação do bailado de despedida. Algumas, como as irmãs Freitas (soldado e namorada), Dona Augusta e Dona Terezinha, mal conseguiram cantá-lo. Encerrado o espetáculo, fui ao camarim cumprimentá-las e fiquei surpreso em vê-las muito emocionadas, abraçadas e ainda chorando.