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4. BİYODİZEL

4.5 Biyodizel Üretimi ve Prosesleri

4.5.2 Biyodizel Üretimi

4.5.2.1.1 Bazik Katalizör Kullanımıyla Biyodizel Üretimi

Com essa concepção de acontecimento, articulamos a concepção de história, compreendida como o cruzamento de determinados pontos, ou seja, a história não está em um ponto específico. Ela constitui-se, antes, pelos elementos que operam sobre esse ponto de relevo e passa, em conjunto, a nomeá-lo. Assim, para nós, a nomeação do acontecimento Movimento LGBT é um efeito do jogo de historicidades que se imbricam e ganham visibilidade.

Nesse sentido, podemos dizer que o acontecimento enunciativo é um acontecimento histórico. Acompanhemos a discussão abaixo:

(5) Figura 5 – Campanha Venha ser hétero

Fonte: http://igay.ig.com.br/2014-08-06/vem-ser-hetero-tambem-convida-igreja

internacional-os-gays-declinam-obrigado.html. Acesso em 10/12/14.

Em uma página, em redes sociais, da Igreja Internacional, a instituição faz propaganda da heterossexualidade com o objetivo de mobilizar e unir os jovens a esse propósito. Tomemos o texto para uma breve análise:

“Venha também ser hétero. Ser hétero é divertido, legal e popular! É possível transar sem usar o órgão excretor, entre pra esse time!

Organicamente, temos um enunciado completo, os signos se agregam uns aos outros obedecendo à sintaxe da Língua Portuguesa e formando um enunciado formulado na temporalidade do enunciar. Entretanto, devemos observar que as relações que se presentificam em um enunciado não se dão apenas no plano da organicidade. Como explica Dias (2013a), a significação da língua reside na junção do plano da organicidade ao plano enunciativo. Isto é,

a relação entre os signos vai além de sua organicidade, tendo em vista que é histórica, ou seja, a agregabilidade dos elementos na língua já acontece “armada” de significações.

Dessa forma, para que esse enunciado ganhe efeito de completude é preciso, além de suas articulações, imaginar que outros acontecimentos o precederam, tais como o fluxo de pessoas assumindo a sua homossexualidade, a popularidade das paradas gays e a resistência a esses avanços: pessoas e instituições que resistem a esse fato e lutam pela sua negação. Assim, o enunciado em questão projeta não apenas as vantagens de ser heterossexual, mas, principalmente, os benefícios de não ser gay. Logo, compreendemos que a bandeira do orgulho de ser hétero tem muito mais a ver com a rejeição à homossexualidade do que propriamente com a autopromoção da heterossexualidade, de tal maneira que essa campanha ignora um dos princípios de qualquer religião: “sexo só depois do casamento”. Mesmo sendo uma campanha voltada para jovens, possivelmente solteiros, a enunciação: “é possível transar sem usar o órgão excretor” permite-nos inferir que o desconforto por parte do autor da campanha, isto é, a igreja internacional, não é a prática do ato sexual por jovens, mas do ato sexual entre pessoas do mesmo sexo que é o que, de fato, configura um pecado de acordo com os dogmas religiosos.

Com essa discussão, argumentamos que dizeres anteriores, consolidados historicamente, participam da reescrituração de um estágio prévio do dizer (pessoa homossexual) para um momento de enunciação atual (pessoa hétero). Assim, o que faz um campo de enunciados crescer é a presença virtual de outros enunciados dentro desse campo.

Esse exemplo também nos permite perceber a relação entre regularidades discursivas e acontecimento enunciativo. Um não existe sem o outro. Isto é, só a estrutura da língua não sustenta os dizeres, os quais adquirem identidade de sentido tendo em vista o acontecimento que os situam numa historicidade. A língua não é capaz de significar apenas a partir de seus elementos estruturais. Somente quando as regras linguísticas da ordem da sentença produzem o suporte para a ordem do enunciado, na relação com o acontecimento, a língua adquire status de dizer, por isso falamos aqui de pertinência enunciativa (DIAS, 2013a).

Para comprovar a importância do acontecimento histórico como o sustentáculo dos dizeres, tomamos como exemplo o caso dos impedimentos ao casamento detalhados na legislação brasileira. Desde a necessidade de formulação sobre o casamento, as leis o detalham a partir de seu conceito, natureza jurídica, regras gerais e seus possíveis impedimentos. Legalmente, o casamento é “o vínculo jurídico entre o homem e a mulher” (DINIZ, 2009, p. 39), cujos impedimentos são também previstos em lei. Entretanto, não há entre os impedimentos de realização do casamento ou na possibilidade de sua anulação nada relacionado à igualdade dos sexos dos nubentes. Dessa forma, casais do mesmo sexo não são, legalmente, impedidos

de casar. Tal silêncio se deve à ausência de um acontecimento histórico que provocasse pertinência para esse dizer. Para os juristas, esse “silenciamento” se deve ao fato de uma realidade “tácita” da heterossexualidade. Para nós, esse silenciamento se deve à falta de pertinência enunciativa devido à ausência, na época, de um acontecimento motivador. Esse e outros fatos nos permitem afirmar que a organicidade só ganha completude na medida em que são regidas pela enunciação.

Além disso, como observa Dalmaschio (2013), o acontecimento é também palco de deslocamentos de sentido ou equívoco, considerado aqui não como erro, mas como “desvio” constitutivo que se alicerça na história. Observemos o texto que segue para ilustrarmos uma das muitas formas em que podemos considerar o equívoco como um “desvio” constitutivo da linguagem.

(6) 10 motivos para NÃO aprovar o casamento gay

1. Ser gay não é natural. Brasileiros de verdade sempre rejeitam as coisas artificiais, como lentes de contato, poliéster e ar condicionado.

2. O casamento gay vai encorajar pessoas a serem gays, da mesma forma que sair com pessoas altas vai fazer você ficar mais alto.

3. Legalizar o casamento gay vai abrir um precedente pra todo o tipo de comportamento maluco. As pessoas podem até querer casar com seus bichos de estimação.

4. O casamento hétero esteve aí este tempo todo e nunca mudou: mulheres continuam sendo propriedade dos homens, negros não podem casar com brancos e o divórcio continua ilegal.

5. O casamento hétero perderia o sentido se o casamento gay fosse permitido. O sacramento do casamento só de zoação de 55 horas da Britney Spears seria destruído.

6. Casamentos hétero são válidos porque produzem crianças. Casais gays, pessoas inférteis e pessoas velhas não devem ter o casamento permitido, porque nossos orfanatos não estão cheios o suficiente, e o mundo precisa de mais crianças.

7. Obviamente pais gays só criam filhos gays, assim como casais héteros só criam filhos héteros.

8. O casamento gay não tem o apoio dos religiosos. Numa teocracia que nós vivemos, os valores de uma única religião têm que ser impostos sobre todas as pessoas do país inteiro. É por isso que temos apenas uma religião no Brasil.

9. Crianças nunca podem ter sucesso sem o papel de um modelo de homem e mulher em casa. É por isso que na nossa sociedade é estritamente proibido pais ou mães solteiros criarem crianças sozinhas.

10. O casamento gay vai mudar os fundamentos da sociedade; nós nunca poderemos nos adaptar a novas normas sociais. Assim como nós não nos adaptamos aos carros, ao terceiro setor, vidas mais longas e a internet.

Fonte: https://deluccamartinez.wordpress.com/2012/01/04/10-motivos-para-nao-aprovar-o- casamento-gay-no-brasil-2/ acesso em 15/03/5

O texto que acabamos de ler é construído a partir de argumentos comumente usados por quem é contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo: ser gay não é natural, gays incentivam os outros a serem gays, casamento gay ameaça casamento hétero, gays não reproduzem, pais gays criam filhos gays. Porém, esses argumentos são agora articulados para um novo direcionamento argumentativo projetando, através da ironia, um efeito contrário, isto é, da necessidade em aceitar esse direito assim como foram aceitas muitas outras mudanças na sociedade. Temos aí uma série de informações articuladas pelo Locutor que provoca no leitor o seu conhecimento sobre as regularidades da língua, mas principalmente, o seu conhecimento histórico e social tanto sobre as discussões que envolvem o reconhecimento do casamento gay quanto aspectos culturais e sociais dos brasileiros. Para que os efeitos de sentidos projetados sejam alcançados, faz-se necessário seguir esse jogo de contradições que organicamente nos conduziria a aceitar a proibição do casamento homoafetivo, porém as diferenças histórico- sociais do acontecimento enunciativo sustentam um outro direcionamento argumentativo, que busca convencer o interlocutor da necessidade de aceitação do casamento e da sua naturalidade e não o contrário, como diria a materialidade do texto.

Como esclarece Dalmaschio (2013):

a materialidade é um constituinte linguístico a partir do qual se lida com a simbologia. Dessa maneira, as duas dimensões – orgânica (material) e simbólica (enunciativa) – sustentam o acontecimento do dizer, que se instala em torno da mobilidade trazida pelo deslocamento constitutivo das discursividades. (DALMASCHIO, 2013, p. 24) Assim, acreditamos que é na relação entre a dimensão material e a dimensão simbólica que se realiza o funcionamento linguístico.