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Bazı Kelâmî Mezheplerin Görüşlerini, Delillerle Reddetmes

ÜÇÜNCÜ BÖLÜM

3. DİRAYET YÖNÜNDEN MECMA’U’L-ENVÂR TEFSİRİ

3.3. KELÂM İLMİNDEKİ YERİ

3.3.2. Bazı Kelâmî Mezheplerin Görüşlerini, Delillerle Reddetmes

Para melhor delimitar o objeto de estudo desta etnografia, aquilo que iremos definir como pensamento sustentável é, na verdade, o pensamento ideológico.

GEERTZ (1989), usou os pressupostos da sua metodologia do pensamento moderno para etnografar o pensamento científico. No mesmo sentido, este trabalho usará as definições metodológicas do pensamento moderno para estudar o pensamento sustentável. Para isso, buscou-se desenvolver interpretações do conteúdo jornalístico de revistas especializadas no ambientalismo empresarial.

De acordo com GEERTZ (1989), o pensamento ideológico e o pensamento científico, mesmo considerando os dois como sistemas culturais que têm relações entre si, são de natureza diferentes, principalmente nas estratégias simbólicas que englobam suas representações.

(...) A ciência nomeia a estrutura das situações de tal forma que revela, no conteúdo de sua atitude, seu desinteresse. Seu estilo é contido, parcimonioso, resolutamente analítico; evitando os artifícios semânticos que formulam de forma mais efetiva o sentimento moral, ela procura maximizar a clareza intelectual. A ideologia, porém, nomeia a estrutura das situações de maneira tal que revela em sua atitude um compromisso com elas. Seu estilo é ornamental, vívido, deliberadamente sugestivo; objetificando o sentimento moral através dos mesmos artifícios que a ciência evita, ela procura motivar a ação. Ambas se preocupam com a definição de uma situação problemática e constituem respostas a uma falta sentida de informações necessárias. Mas a informação necessária é bem diferente, mesmo nos casos em que a situação é a mesma. Um ideólogo é apenas um pobre cientista social, da mesma forma que um cientista social é um pobre ideólogo. Os dois estão — ou deveriam estar — em linhas muito diferentes de trabalho, linhas tão diferentes que pouco se ganha e muito se obscurece tentando medir as atividades de um contra os objetivos do outro.

Enquanto a ciência é a dimensão de diagnóstico, de crítica da cultura, a ideologia é a dimensão justificadora, apologética — refere-se "à parcela da cultura que se preocupa ativamente com o estabelecimento e a defesa dos padrões de crença e valor". Torna-se claro, portanto, que há uma tendência natural para que as duas se confrontem, principalmente quando são dirigidas para a interpretação do mesmo âmbito de situações. Entretanto, são muito duvidosas as suposições de que esse confronto seja inevitável e de que as descobertas da ciência (social) debilitarão, necessariamente, a validade das crenças e valores que a ideologia escolheu defender e propagar. Uma atitude ao mesmo tempo crítica e apologética em relação a uma mesma situação não é uma contradição intrínseca em termos (embora muitas vezes possa tornar-se uma contradição empírica), mas um indício de um certo nível de sofisticação intelectual (GEERTZ, 1989, p. 203).

GEERTZ (1989) explica que durante muito tempo nas ciências sociais não se possuía uma concepção genuinamente não avaliativa da ideologia. O que existia na verdade era uma gama de variações desse objeto de estudo. Ideologia era o conceito polêmico que acabava sendo discriminado, desvalorizado e mal interpretado. Ideologia era definida por aspectos negativos, como irracional e tendencioso. Para as ciências sociais o pensamento ideológico que se afasta do seu objetivo é um tipo de pensamento "deformado", “contaminado", "falsificado", "distorcido", "sombreado" pela pressão das emoções pessoais, como o ódio, o desejo, a ansiedade ou o medo. Dentro da crítica das ciências sociais sobre a ideologia, surgiram representações pejorativas como: “o ideólogo é um tolo”, pois existe uma discrepância entre o que se acredita e o que pode ser. Boa parte dos intelectuais buscava evitar trabalhar com o conceito de ideologia. Porém, quando usado, as pesquisas eram orientadas para mostrar os erros do pensamento ideológico e, ao mesmo tempo, buscar seu o fim.

Para Geertz, o que havia no pensamento científico, em relação ao pensamento ideológico, era a confusão conceitual, erro que distorcia a realidade das práticas ideológicas. Geertz explica que as ciências sociais buscaram se construir com a ideia de perseguição da verdade, isto resultou em disciplinas como a sociologia do conhecimento. Em busca da verdade, as ciências sociais desenvolveram os estudos dos determinantes sociais da ideologia e outras abordagens teóricas. A primeira foi a Teoria do interesse, segundo a qual ideologia tem fator político, é como militância, em busca de poder. Seu conteúdo é mascarado e usado como uma arma, em luta por vantagens. Segundo Geertz, esta teoria está entre o utilitarismo e o historicismo.

A segunda, Teoria da tensão, a ideologia é ao mesmo tempo uma doença e sua cura. Nesta abordagem são levados em consideração os conceitos psicológicos e sociológicos. O estado de tensão pessoal (fundo motivacional) e o contexto social estrutural são retratados mais sistematicamente. A ideologia é o desequilíbrio sociopsicológico que deve ser corrigido com outras ideologias. Segundo Geertz, quatro tipos de explicações são mais frequentemente empregadas pelas ciências sociais: 1) "explicação catártica": a tensão emocional é esvaziada por sua transposição a inimigos simbólicos. Ideologia se dá por oposição; 2) "explicação moral": significa a capacidade de uma ideologia de sustentar indivíduos (ou grupos) em face da pressão crônica, tanto negando-a totalmente como legitimando-a em

termos de valores elevados. Ideologia é aquilo que une pela dor; 3) "explicação da solidariedade": significa o poder da ideologia de unir um grupo ou classe social Neste caso, ideologia é a “coincidência” que une as pessoas; 4) "explicação advocatória": significa a ação das ideologias (e dos ideólogos) na articulação, embora parcial e indistinta, das tensões que as impelem, forçando-as ao reconhecimento público.

Tanto a teoria do interesse como a teoria da tensão vão diretamente da análise das fontes à análise das consequências, sem nunca examinarem seriamente as ideologias como sistemas de símbolos interatuantes, como padrões de significados entrelaçados (GEERTZ, 1989, p. 177).

Para a terceira e última, a teoria extrínseca, a ideologia é o pensamento que consiste na construção e manipulação dos sistemas simbólicos, que são empregados como modelos de outros sistemas (físico, orgânico, social, psicológico etc.). Mas o problema é que eles são fontes extrínsecas de informações em termos das quais a vida humana pode ser padronizada. Como o religioso, filosófico, estético e científico, a ideologia é um tipo de "programa", que fornece um gabarito para a organização dos processos sociais e psicológicos. Isso resulta em modelação da sociedade. Para Geertz, essa corrente teórica reduz a psicologia na ciência social. Passa-se a falar em níveis de organização de controle e se discrimina níveis como o organismo, personalidade, sistema social e cultura.

Para Geertz, os diversos argumentos levantados e as diferentes teorias que as ciências sociais elaboram, na verdade, serviram para elucidar o trabalho científico, e assim revelar a ideologia.

Embora a ciência e a ideologia sejam empreendimentos diferentes, elas não deixam de ter relações entre si. As ideologias fazem exigências empíricas sobre as condições e a direção da sociedade, o que é assunto da ciência avaliar (e, quando falta o conhecimento científico, do senso comum). A função social da ciência vis-à-vis as ideologias é, primeiramente, compreendê-las — o que são, como funcionam, o que dá origem a elas — e, em segundo lugar, criticá-las, forçá-las a chegar a termos com a realidade (mas não necessariamente render-se a ela). A existência de uma tradição vital de análise científica dos temas sociais é uma das garantias mais efetivas contra o extremismo ideológico, pois ela fornece uma fonte incomparavelmente fidedigna de conhecimento positivo com o qual a imaginação política pode trabalhar e que ela pode prezar (GEERTZ, 1989, p. 204).

JAIME (2005) elaborou uma etnografia do pensamento moderno a partir de dois livros: “Terceiro Setor: desenvolvimento social sustentado”, publicado no ano de 1997 e “Governo e sociedade civil: um debate sobre espaços públicos democráticos”, publicado em 2003. Em nossa etnografia, buscamos realizar um estudo do pensamento sustentável a partir de outro tipo de material documental, que fosse possível constituir em um universo de análise. Para isso, foi necessário fazer um mapeamento das principais fontes de pesquisa via Internet. A exemplo de SCOTTO et. al. (2009), na rede global de computadores podemos encontrar uma variedade de assuntos relacionados ao “desenvolvimento sustentável” e “sustentabilidade” em sites, blogs e comunidades virtuais de todos os tipos e de todos os estilos.

Basta digitar em qualquer “buscador” na Internet o termo “desenvolvimento sustentável” para ver surgirem na nossa frente centenas de páginas. Numa busca recente obtivemos 756.000 endereços relacionados a desenvolvimento sustentável em poucos segundos. A variedade dos sites relacionados a estas palavras mostra a grande disseminação do conceito nas mais diversas áreas. A expressão “desenvolvimento sustentável” aparece, por exemplo, em blog, sites do governo, empresas, organizações não-governamentais (ONGs); movimentos sociais, organismos ligados às Nações Unidas como o fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), páginas de beleza, de produtos alimentares e artesanais, acordos sobre o clima e desertificação, e a lista não pára por aqui.

Não é diferente se a busca for somente pelo adjetivo “sustentável”. O atributo “sustentável” bem como “sustentabilidade” aparecem associados a estudos, indicadores, ferramentas organizacionais, agricultura e alimentação. Mata atlântica e outros ecossistemas, gestão empresarial, economia, indústria, políticas públicas, turismo ecológico, campesinato, comunidade, agroecologia, responsabilidade social, entre outros. (SCOTTO

et. al., 2009, p. 7).

Entre publicações, sites, blogs, comunidades, etc. decidimos pelas revistas como a melhor forma de etnografar o pensamento sustentável. As revistas são um tipo de material documental onde podemos encontrar informações em diversos formatos, manchetes, cases, artigos, colunas, entrevistas, anúncios, imagens, etc. sobre o tema pesquisado.

No levantamento das revistas foram utilizados os temas e palavras-chaves relativas ao campo desta pesquisa: natureza, meio ambiente, sustentabilidade, desenvolvimento sustentável, ecodesenvolvimento, movimentos ambientais, responsabilidade socioambiental empresarial ou responsabilidade social corporativa, ecologia empresarial e ambientalismo empresarial. Além disso, priorizou-se as

revistas que tivessem publicações impressas e, ao mesmo tempo, disponibilizassem versões digitais nos seus websites. E, ainda, foi priorizado na escolha aquelas que possuíssem circulação nacional e facilidade de acesso à leitura. As revistas escolhidas foram àquelas voltadas para o mundo empresarial e que tratam da questão ambiental.

No levantamento realizado na Internet foram encontradas as seguintes revistas:

1) Revista Agro Ecológica (disponível em: <http://www.guiademidia.com.br>);

2) Revista Atitude Sustentável (disponível em: <http://atitudesustentavel.uol.com.br>);

3) Revista Brasil Sustentável (disponível em: < http://www.cebds.org.br>); 4) Revista Caminhos da Terra (disponível em:

<http://www.revistaterra.com.br>);

5) Revista Eco 21 (disponível em: <http://www.eco21.com.br>);

6) Revista Ecoturismo (disponível em: <http://revistaecoturismo.com.br>); 7) Revista Eletrônica Envolverde (disponível em:

<http://www.envolverde.com.br>);

8) Revista Horizonte Geográfico (disponível em: <http://www.horizontegeografico.com.br>)

9) Revista Ideia Socioambiental (disponível em: < http://www.ideiasustentavel.com.br>);

10) Revista Info Geo (disponível em: <http://www.mundogeo.com>) 11) Revista Meio Ambiente (disponível em:

<http://www.revistameioambiente.com.br/); 12) Revista Filantropia (disponível em:

<http://www.revistafilantropia.com.br>);

13) Revista Meio Ambiente Industrial (disponível em: <http://www.meioambienteindustrial.com.br>); 14) Revista Mercado Ético (disponível em:

<http://mercadoetico.terra.com.br>); 15) Revista Natureza (disponível em:

16) Revista Primeiro Plano (disponível em: <http://www.primeiroplano.org.br>);

Dentre essas, foram selecionadas as seguintes revistas: a) Revista Brasil Sustentável;

b) Revista Ideia Socioambiental; c) Revista Primeiro Plano.

Foram coletados dois exemplares de edições diferentes de cada revista, para realizar comparações sobre a estrutura lógica do documento.

A coleta de informações ocorreu no segundo semestre do ano de 2009, período escolhido especialmente por ter sido quando ocorreu a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-15), Copenhague, Dinamarca.