1. MODERN ULUS-DEVLET
2.1.1. Batılılaşma Sürecinde İmparatorluğun Genel Durumu
Tendo em conta que qualquer mulher que preencha os critérios de encaminhamento possa ser encaminhada para o presente programa, podendo de igual forma dirigir-se ao próprio de forma voluntária, é fundamental haver uma consulta de triagem na perspetiva de se cumprirem as seguintes metas:
• Iniciar a relação enfermeiro-paciente, com base no conceito de “parceria colaborativa” (Gottlieb, 2016, p.23), formulando, no final da consulta, um plano de cuidados em saúde mental em conjunto com a mulher com alterações psicopatológicas no pós-parto e respetiva família;
• Identificar o(s) tipo(s) de alteração(ões) psicopatológica(s) no pós-parto diagnosticada(s);
• Explorar a experiência de doença, ou a alteração sentida/manifestada, por parte da mulher com alterações psicopatológicas no pós-parto e respetiva família;
• Compreender a mulher a nível pessoal (história de vida), a nível da influência dos mais próximos (família, suporte social) e a nível dos mais distantes (cultura, comunidade);
• Averiguar quais os seus problemas, as suas prioridades, objetivos do tratamento e/ou gestão da situação/alteração;
• Preencher a ficha de acolhimento (Apêndice 22), utilizando os seguintes instrumentos de avaliação, se considerado necessário: PostPartum Depression Screening Scale (versão gravidez e pós-parto – ambas validadas para a população portuguesa) e a Perinatal Anxiety Screening Scale.
• Dar, no final da consulta, o guia de acolhimento (Apêndice 23) do Programa AMA, para que a mulher e a família fiquem providas de toda a informação necessária relativa ao respetivo programa.
A ficha de acolhimento elaborada, assim o foi, com base nas recomendações da WPA (2017) que indica que os instrumentos de colheira de dados devem incluir questões que visem a obtenção de informações no que concerne ao período da gravidez e à possível existência de problemas obstétricos durante a mesma, assim como com base nas recomendações da NICE (2014) que aconselham a existência de questões que procurem informações sobre alterações emocionais no período da gravidez e pós-parto, assim como, história de qualquer problema de saúde mental ao longo da vida, incluindo a gravidez e o pós-parto; histórico de problemas de saúde física (incluindo problemas de peso, tabagismo, nutrição, níveis de exercícios físico); utilização de álcool e drogas; atitude da mulher em relação à gravidez (se planeada, desejada); a experiência de gravidez da mulher e se houve qualquer tipo de problema com ela ou com o feto; como está a relação mãe-bebé; resposta a tratamento de qualquer problema do foro da saúde mental que tenha tido no passado e/ou no presente; suporte social e a qualidade das relações que mantém; condições de vida; isolamento social; história familiar (primeiro grau) de doença mental e resposta ao tratamento; existência de violência doméstica, vivência de relação abusiva, qualquer outro tipo de trauma ou maus-tratos infantis de que tenha sido vítima; situação de vida em termos de condições sociais, habitacionais, empregabilidade e imigração;
responsabilidades como cuidador de outras crianças ou adultos. A NICE (2014) ainda acrescenta a importância de, na apreciação clínica inicial, o companheiro e/ou a restante família estarem presentes, apenas se a mulher concordar, no entanto, sendo necessário averiguar o risco de negligência de cuidados ao bebé, ideação suicida, alto risco de negligência pessoal, ou outro tipo de informações relevantes relativas à mulher e ao seu cuidado para com o bebé, é necessário o contacto com o companheiro e/ou restante família à posteriori. A elaboração da ficha de acolhimento foi enquadrada nos quadros teóricos de referência que suportam o presente trabalho, utilizando um sistema de taxonomia estandardizado para o diagnóstico de saúde mental preconizado pela Ordem dos Enfermeiros (OE, 2010), motivo pelo qual se acrescentam algumas questões consideradas igualmente pertinentes no que concerne a temas como o autocuidado (Gottlieb, 2016) e às condições de transição (Meleis, 2010). Acrescento que são utilizadas escalas de atitudes na ficha de acolhimento, de acordo com as indicadas na NOC (Moorhead, Johnson, Maas, & Swanson, 2010) sendo este tipo de escalas caracterizadas por Lima (2006, p.190) como “a forma mais comum de medir atitudes. Esta técnica parte do principio que podemos medir as atitudes através de crenças, opiniões e avaliações dos sujeitos acerca de um determinado objecto, e que a forma mais directa de acedermos a estes conteúdos cognitivos é através da auto-descrição do posicionamento individual”. As escalas utilizadas integram o grupo das escalas de Likert (1932), permitindo aos investigadores centrarem-se nas pessoas que respondem, sendo a seleção de frases que compõe a escala um manifesto de uma atitude desfavorável ou favorável a um determinado objeto (Lima, 2006).
Relativamente aos instrumentos de apreciação inicial acima mencionados e que podem ser utilizados consoante a avaliação da sua necessidade por parte do enfermeiro especialista em saúde mental, é de salientar que, estes constituem-se um meio complementar à avaliação do que é referido/manifestado pela mulher e respetiva família ao longo da entrevista. De acordo com Pereira (2008, p. 79), a EPDS poderá não um instrumento suficientemente adequado para apreciação clínica inicial, uma vez que, alguns autores consideram o instrumento como “(…) de medida do bem-estar emocional ou de disforia e não como um indicador de depressão” (Pereira, 2008, p.80). Segundo Beck & Gable (2000; 2001a) o conteúdo da EPDS “não faz referência às experiências especificas da maternidade” (Pereira, 2008, p.84), tem um número limitado de áreas de avaliação (Beck & Gable, 2001b, Coyle & Adams, 2002, citados
por, Pereira, 2008, p. 84), não contempla itens relativos aos sintomas somáticos da depressão, sendo estes, os principais indicadores da doença segundo a crescente evidência sobre o assunto (Barker, 2005, citado por Pereira, 2008, p.85), remete-nos para os últimos 7 dias podendo levar a sinalizar mulheres que estavam simplesmente a experienciar um determinado nível de stress transitório no momento do preenchimento (Leverton, 2005, citado por Pereira, 2008, p.85), e “as evidencias revelam que não identifica mulheres com sintomas de lentificação psicomotora e sugerem que apenas é útil na identificação de casos caracterizados por ansiedade e anedonia” (Guerdeney et al., 2000; Yoshida et al., 1997, citados por Pereira, 2008, p. 85).
Alguns destes motivos levaram ao desenvolvimento da PostPartum Depression Screening Scale (PDSS; Beck & Gable, 2000) tendo a mesma sido validada para a população portuguesa, aplicando-se para fins de rastreio, clínica e investigação, e permitindo aos clínicos identificar e intervir o mais rapidamente possível em casos de DPP (Pereira, 2008). A cotação total varia entre 35 (mínimo) e 175 (máximo) pontos, e quanto maior a pontuação neste intervalo, maior a gravidade da sintomatologia associada a sete dimensões que caracterizam a experiência da mulher afetada pela DPP, tais como: os distúrbios do apetite e do sono, ansiedade/insegurança, labilidade emocional, confusão mental, perda do self, culpa/vergonha e pensamentos suicidas (Pereira, 2008).
Devido à elevada prevalência dos transtornos de ansiedade no período perinatal (21,7%), sendo estes descritos como mais comuns do que a depressão pós- parto – algo que tem sido alvo de cada vez mais investigação no âmbito da saúde mental perinatal – surge a Perinatal Anxiety Screening Scale (Somerville, Dedman, Hagan, Oxnam, Wettinger, Byrne, Coo, Doherty, Page, 2014). É constituída por questões relacionadas com quatro eixos específicos, tais como, ansiedade aguda e ajustamento (1), preocupação geral e medos específicos (2), perfeccionismo, controlo e trauma (3) e ansiedade social (4), sendo que, acima da pontuação de 26, as mulheres apresentam manifestações significativas de ansiedade no período perinatal, correspondentes à necessidade de uma intervenção mais especializada neste âmbito (Somerville et al., 2014). Em apêndice pode ser consultada a autorização da investigadora/autora da validação da PDSS para a população portuguesa (Apêndice 24), para os últimos instrumentos serem utilizados no Programa AMA, com estes fins.
Para que a consulta de triagem seja possível, é necessário proporcionar um momento especifico para tal, num setting adequado, sendo este “o ambiente físico no qual decorre a entrevista” (Leal, 2011, p.225), num espaço “insonorizado com mobiliário confortável em cores neutras, e não demasiado personalizado” (Leal, 2011, p.227), se possível, e que corresponda a um contexto credível num local que preserve o sigilo e a confidencialidade de um todo correspondente ao partilhado pela mulher e respetiva família (Leal, 2011). Este cenário deve ser promotor de um ambiente terapêutico que permita à mulher expor as questões que considera serem necessárias no momento, assim como ao enfermeiro. Sendo a consulta de triagem um primeiro momento de encontro entre a mulher e respetiva família, e o enfermeiro especialista em saúde mental e psiquiatria, é provável que dure um tempo superior aos restantes. Contudo, e independentemente do tempo pensado, o mesmo deve ser referido logo no inicio da entrevista, estimando-se que 50 minutos é o tempo médio de duração de uma entrevista clínica, sendo este, referenciado como tempo ótimo de desenvolvimento deste trabalho (Leal, 2011). No entanto, e considerando a experiência tida em estágio comunitário, é provável que o tempo desta consulta ultrapasse os 60 minutos, sendo que, o importante, é obter a informação considerada necessária para a elaboração de um plano de cuidados ajustado à necessidade da mulher e respetiva família. Terminando a consulta de triagem, é esperado que a mulher e respetiva família saibam qual o momento destinado a um próximo encontro, e qual o tipo de intervenções que integrarão brevemente.
5.3. O Processo de enfermagem em saúde mental e psiquiatria