3.5. Yönetim Anlayışındaki Dönüşümü Etkilemede Yerel Bir Örnek
3.5.3. Baskı Unsuru Olarak YEKV
A década de 1990 pode ser considerada um período marcado por fortes transformações e relevantes modificações nas políticas educacionais no Brasil. No campo educacional, havia a constatação de um panorama marcado por desigualdades sociais e econômicas, motivava a defesa da educação voltada para todos, numa tentativa de superar o cenário de pobreza que se instaurava. No campo político e econômico havia a necessidade de um reordenamento do país, com foco na competitividade, o que favorecia um contexto de relações sociais desiguais e excludentes, que apontava para um iminente retrocesso às conquistas sociais. Nesse cenário, realizaram-se as discussões para a elaboração do primeiro Plano Nacional de Educação para o decênio 2001-2010.
Esse Plano tem como base a promulgação da Constituição Federal de 1988, aprovada durante o processo de redemocratização do Brasil, que estabeleceu por determinação constitucional, a obrigatoriedade para a elaboração de um Plano Nacional que desse direcionamento à educação brasileira. Posteriormente, essa determinação é incorporada à Lei de Diretrizes e Bases nº 9.394/96. Discutindo a temática, Severino (2014, p.32) destaca que o PNE 2001-2010 deveria cuidar:
[...] da articulação e desenvolvimento do ensino, em seus diversos níveis e da integração das articulações do poder público que conduzam à: erradicação do analfabetismo; universalização do atendimento escolar; melhoria da qualidade do ensino; formação para o trabalho e Formação humanística, científica e tecnológica do país, cabendo à União a elaboração desse Plano (Art. 87, LDBN 9.394/96), constituindo-se num plano decenal, com diretrizes e metas em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos.
O primeiro Plano Nacional de Educação (PNE 2001-2010) foi aprovado pela Lei nº 10.172, de 09/01/2001, e constava de 295 metas para a educação, dentre as quais, 35 diziam respeito à educação superior, tendo tido destaque, neste documento, alguns objetivos, segundo Dourado (2009): a elevação global do nível de escolaridade da população; a melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis; a redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso e à permanência, com sucesso, na educação pública; a democratização da gestão do ensino público, nos estabelecimentos oficiais, obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.
O PNE 2001-2010 previa a expansão, propondo quatro direcionamentos voltados especificamente para o crescimento da oferta da educação superior, em que se tem, como primeiro direcionamento, o provimento da cobertura em, pelo menos, 30% de jovens na idade de 18 a 24 até o final da década, num segundo momento; uma política de expansão visando à redução das desigualdades regionais de oferta, num terceiro; a implantação de um sistema interativo de educação a distância (BRASIL, 2012) e, num quarto momento, a diversificação da oferta, por meio da criação de cursos noturnos inovadores, cursos sequenciais e cursos modulares (BRASIL, 2012).
Com efeito, merece destaque o fato de que o Plano Nacional de Educação (PNE) sofreu nove vetos presidenciais no tocante à participação do Estado, especificamente àqueles itens que promoviam alterações ou ampliavam sua participação no que dizia respeito ao seu papel de provedor dos recursos financeiros que asseguravam sua implantação. Vale destacar que, dos nove vetos, quatro referiam-se à educação superior, conforme descreve o documento CNE (2009, p. 50):
Proporção nunca inferior a 40% de participação do setor público no total de vagas ofertadas; criação de um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Superior para as IES federais; ampliação do crédito educativo, para atender no mínimo, a 30% da população matriculada no setor privado; triplicação em dez anos, dos recursos públicos para pesquisa científica e tecnológica.
Durante os primeiros anos após a aprovação do PNE, não houve, de fato, interesse do Governo Federal em levar adiante a sua implantação, até porque o respectivo processo de discussão não foi efetivamente de iniciativa do executivo que, além disso, vetou, na lei promulgada, os mecanismos concretos de financiamento das metas estipuladas. Este PNE passou por fortes intervenções e vários vetos, dentre os quais, destacam-se os limitantes dos recursos financeiros que inviabilizaram a ação do plano, o que oportunizou, no ano de 2007, no governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a criação de um Plano de
Desenvolvimento da Educação (PDE), que, pela semelhança com o PNE, fez com que o mesmo se transformasse no que se chamou de “letra morta”.
Sobre o conceito de PNE e a concepção deste como “letra morta”, Saviani (2014, p.23) evidencia que:
Embora o conceito de PNE tenha sido introduzido no campo educacional desde a constituição de 1934 com a sucessiva elaboração e aprovação de planos desde essa data até hoje, a maioria dos planos permaneceu ‘letra morta’ meras cartas de intenção solenemente ignoradas pelos dirigentes políticos, que vêm tomando iniciativas de política educacional inteiramente à margem dos planos aprovados. A última avaliação do Plano Nacional de Educação (2001-2010), realizada pelo MEC (2008), e estudos realizados por pesquisadores como Dourado (2011) e Ferreira (2011), apontam como principais problemas para a não consecução, ou a consecução parcial, das metas e dos objetivos previstos no Plano Nacional de Educação que se encerrou (PNE 2001- 2010): a gestão, o financiamento da educação e o regime de colaboração, corroborando, desta forma, a descrição de Saviani (2014). Ainda nesse sentido, Dourado (2011) sinaliza que, ao definir grandes metas, indicando grandes desafios para a melhoria da educação nacional, o PNE (2001-2010) configurou-se como um plano formal, marcado pela ausência de mecanismos concretos de financiamento. Os planos estaduais e municipais de educação não se realizaram como política concreta e, dessa forma, não contribuíram para a dinâmica de democratização do planejamento e da gestão no país e para a sua ratificação como política de Estado.
Ocorre que o PNE 2001-2010 suscitou grandes embates entre duas propostas distintas de Plano permeando por um lado uma proposta no âmbito da sociedade brasileira, via mobilização da sociedade civil e outra versão proposta pelo poder Executivo ao Congresso Nacional, e nos fortes embates acerca do conteúdo do PNE resultou um Plano que manteve a estrutura da “Proposta do Executivo”, contendo vários problemas na sua formulação e implementação, chamando a atenção a falta de instrumentos de monitoramento das metas e outras questões que envolvem a concepção do Plano, o que o tornou um tanto quanto ineficaz, no que diz respeito à operacionalização de suas tarefas em função das metas propostas. A ausência de mecanismos palpáveis de financiamento foi uma lacuna bastante evidenciada para o não atingimento das metas propostas nesse Plano, o que não vem a justificar a inoperância dos entes federados envolvidos nesse projeto, uma vez que, imediatamente ao seu término, iniciam-se outras discussões, sendo mantida a maioria das metas não atingidas, permanecendo a grande lacuna de como estas seriam resolvidas, suscitando os debates para a criação de um novo plano, conforme segue.