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2.3. ABD’DE BAŞKANLIK SİSTEMİ VE TEMEL ORGANLAR

2.3.1. Başkan

2.3.1.3. Başkanın Görev ve Yetkileri

Edmund Husserl diz “Todos os atos são exprimíveis” (Husserl 1980: 15). Trata-se de uma qualidade da linguagem, que “...ao nível do pensamento é a réplica do ato a ser expresso...” (Husserl 1980: 14). Daí a toda intenção corresponder uma expressão lingüística, como também podemos nos remeter a atos que não se utilizam mais destas “réplicas” promovidas pelas palavras. Quando perguntamos sabemos que se trata de uma pergunta porque a forma gramatical empregada se refere exatamente ao ato interrogativo. Todos estes atos, que são de uso comum tanto no cotidiano quanto no emprego científico, o interrogar, ajuizar, representar, supor, desejar, etc., são operações que realizamos em qualquer tarefa, atravessando a rua, dirigindo um trator, postulando leis físicas e etc.

Portanto, o ato que promove o sentido-musical deve também poder ser exprimível, mesmo que ainda não tenha sido definitivamente nomeado, e mesmo que não compartilhe com a expressão usual dada aos objetos que mais nos habituamos, pois se não for possível esta expressão, ou a postulação de Husserl encontrou uma exceção exemplar, ou a música não possui um ato específico e seu significado está vinculado a outros atos, de outra natureza.

Podemos dizer: “não há mais produtos no estoque”, “haverá musicas que se constroem sozinhas”. Temos aqui duas sentenças, que representam certos atos mentais que nos colocam em relação com o que vivenciamos, real ou imageticamente: no primeiro caso, com o fim inesperado dos produtos, ou, no segundo caso com a possibilidade ou o simples

desejo de que a música se torne um ser independente e auto-produtor de si. No primeiro caso o sujeito que pronuncia a sentença esteve em contato com os produtos do estoque, porém estes atualmente não se apresentam no estoque, sua vivência foi de tal forma que sua expressão se refere ao tempo presente, “não há”. No segundo caso temos uma suposição, pois não se trata de algo “visto” pelo sujeito, e nem simplesmente imaginado, trata-se de uma suposição, daí sua formulação se dar no futuro, “haverá”, pois uma suposição se quer verdadeira, e não meramente imaginada, senão poderia ter dito “imagino um mundo onde toda música se constrói, independentemente de nós.” As expressões pronunciadas, a partir destas mesmas vivências, são expressões de um ato intencional. Em ambas as sentenças eu me exprimi de um modo peculiar sobre o estado de coisas que se apresentava, por exemplo, no caso dos produtos do estoque, eu poderia simplesmente ter dito, ao me deparar com a falta de produtos no estoque: “Precisamos de mais produtos no estoque”. O que acontece é que a expressão se funda no ato mental que aplicamos sob um fenômeno, e sob um mesmo fenômeno podemos aplicar uma série de diferentes atos, posso expressar juízos, desejos, suposições, interrogações, representações e etc. E da mesma forma podemos proceder com música.

Se pergunto, “onde estão os produtos do meu estoque?”, esta é uma pergunta feita aos produtos enquanto significam exatamente o que um produto é? Obviamente não, mas não pela palavra produto não estar bem caracterizada na sentença, mas pela pergunta se destinar a um estado de coisas, centrando-se na relação entre os produtos, o estoque e o provável destino destes produtos. O significado de produto já deve estar subentendido para que o ato interrogativo possa ser entendido e praticado. Agora, se pergunto “onde está o tema deste quarteto?” estou fazendo uma pergunta no interior de minha vivência musical, mas se pergunto “esta música é um hino?” não há relação direta com a vivência musical, mas apenas com uma classificação que não acontece por dados intrínsecos a música, pois queremos apenas encontrar em nosso “vocabulário” a procedência de certa musica. A resposta desta pergunta não se encontra necessariamente na vivência musical, apenas caso queiramos perceber certas regras pertencentes a hinos em um escuta musical, ai sim teríamos que entrar na vivencia estritamente musical. Porém só encontraremos o tema do quarteto dentro de nossa própria vivência musical. Da mesma maneira posso supor, desejar

e executar uma série de atos dentro desta vivência, não constituindo a música, neste caso, nenhum objeto diverso dos demais.

Quando perguntamos “onde está o tema?”, temos que supor um tema, portanto, uma significação, e posta esta significação nos questionamos sobre sua posição. Portanto todos estes atos que aludimos no parágrafo anterior estão situados em torno de um significado já constituído, que é o significado de “estoque”, “quarteto”, “produtos do estoque”, “tema do quarteto” e etc. Cabe averiguar agora qual é este ato que dá sentido a tantos objetos intencionais, e em particular à música.

Quando nomeamos um objeto afigurado em nosso campo perceptivo estamos ao mesmo tempo intuindo um objeto e aplicando um ato lingüístico, ambas, tanto as palavras pronunciadas, quanto a percepção correspondente, não são atos que nos dão o significado, a intuição serve de matéria para a significação, enquanto que o ato lingüístico é o produto deste ato significante, que dá ao percebido uma figura ao mesmo tempo em que sobre esta figura indicamos nominalmente seu significado, quer dizer, o significado é determinado em outra instancia que não a lingüística.

A percepção realiza, portanto, a possibilidade de desdobramento do visar-isto, juntamente com a sua relação determinada ao objeto, por exemplo, a este papel diante dos meus olhos; mas, segundo nos parece, ela própria não constitui a significação nem sequer parcialmente. O caráter de ato do indicar, quando regido pelo intuir, recebe uma determinação de intenção que se preenche, nesse intuir, de acordo com um teor de componentes gerais que pode ser caracterizado como a essência intencional. (Husserl 1980: 21)

O intuir implica em ser o “recheio” de uma intenção, nunca seu significado, a percepção da matéria musical é o recheio necessário à significação, sem este recheio não há sentido no que foi dito. Está claro que todo componente hilético, intuitivo, ou, da percepção, só pode ocupar o lugar de recheio de alguma intenção. No caso musical este componente, por si só, não possui sentido-musical, mas é o componente necessário ao preenchimento intencional, e sua atuação se resume a este papel, que não deixa de ser crucial. Como vimos na seção anterior, a experiência-musical não pode acontecer sem uma matéria à qual a intenção se aplique, portanto a experiência-musical não ocorre na ausência de um dado atual, ativado pela memória ou criado pela fantasia.

Os atos unidos às palavras pronunciadas, que podem ser significativas de uma maneira puramente simbólica ou de uma maneira intuitiva, e que se fundamentam, nesse último caso, quer na mera fantasia, quer numa percepção realizadora, são por demais diferentes, do ponto de vista fenomenológico, para que possamos acreditar que o significar se dê ora nesses, ora naqueles atos; teremos que dar preferência a uma concepção que atribua essa função de significar a um ato sempre da mesma espécie, não tolhido pelas limitações da percepção – que tão frequentemente nos é negada – nem mesmo pelas limitações da fantasia, e que, quando a expressão “exprime” no sentido próprio da palavra, simplesmente se associe ao ato expresso.(Husserl 1980: 18)

Este ato que independe da percepção e que nos dá o sentido-musical, é propriamente o “musical”, aquilo que dá a qualidade com que reconhecemos e vivenciamos uma música, e é capaz de o fazer a partir de um material sonoro, proveniente tanto da percepção como da fantasia. O fato de existir um ato que garanta significado para todas os tipos de expressão não significa que estes atos sejam realmente idênticos, pois quando diante de uma cadeira, de um sentimento, ou de uma música, estamos em contato com conteúdos totalmente diversos, que exigem complexos intencionais diversos acarretando significações também diversas, específicas.

Geneticamente falando, uma associação é disposicionalmente suscitada pela intuição presente, associação que é dirigida para a expressão significante; mas o componente meramente significante dessa última é atualizado, componente este que se reflete agora, em direção inversa, sobre a intuição excitante e se extravasa nela com o caráter de uma intuição preenchida. Esses casos do conhecer não verbal não passam de preenchimentos de intenções de significação, porém, apenas daquelas que, fenomenologicamente falando, desligaram-se dos conteúdos signitivos que habitualmente lhes pertencem. Exemplos pertinentes são fornecidos ainda pela reflexão sobre os encadeamentos habituais do pensamento cientifico. Nota-se aí que as séries de pensamentos que avançam intempestivamente, na sua maior parte, não se ligam às palavras que lhes correspondem, mas são excitados por meio da corrente de imagens intuitivas ou por seus próprios entrelaçamentos associativos.(Husserl 1980: 49)

Voltando à questão da expressividade de todo ato, vemos que o ato que põe o

sentido-musical é por nós desconhecido, em termos nominais. Schaeffer nomeia duas

intenções de escuta que podem se aplicar, ou podem conter este ato que põe o significado, são elas o Compreender, que é uma intenção que se liga ao som no sentido de remetê-lo a um código, a uma linguagem, e o Ouvir, que é uma intenção que ao contrário se liga a uma experiência intuitiva sem ligação com significado algum. Para Schaeffer a intenção musical

consiste exatamente na união destas duas intenções, seria a captação de um som a partir de suas características inerentes formando um significado que em última instância remete apenas ao fenômeno vivido, pois não faz parte do ouvir significar nada além de seus dados. Estas intenções de escuta de Schaeffer compreendem muitas operações, que vão desde o mero perceber dos sons até a confecção final do sentido musical. Caracterizando o sentido musical da seguinte maneira: “O estatuto particular da música localizaria-se assim ‘na articulação deste par extravagante formado pelo agente e pela mensagem: a intenção de fazer música consiste em tomar sons da primeira categoria (não especializados nas linguagens) para criar uma comunicação da segunda categoria (que contudo não almeja dizer nada).” (Chion 1983: 352).

É recorrente na definição do sentido musical a impossibilidade de expressão, veremos na próxima seção como este caráter permanece em diversas filosofias, como nas de Kant e Schopenhauer, embora por motivos diferentes. Porém todas estas filosofias, como a de Schaeffer, atestam uma realidade, a música possui um conteúdo significativo, porém, não como na linguagem. Como veremos, Hanslick tentará solucionar este problema.

Como vimos, em Husserl o fato das sínteses signitivas (de significado) se darem num nível, não acarreta a obrigação de elas se ligarem a expressões lingüísticas, estas expressões configuram outro ato. Assim, o sentido-musical, como uma livre intenção sobre a experiência-musical, é capaz de encadear suas relações, entrelaçamentos, associações, sem que estas produzam uma expressão lingüística, não excluindo seu caráter cognoscitivo por isto.

O sentido-musical portanto é um ato independente da experiência-musical, ele é o

ato que dá significado, como caracterizado por Husserl, porém depende das relações temporais de preenchimento da experiência-musical.