1.5. Bağımsal Dilbilgisi ve Kurucu Yapı Dilbilgisi
1.5.1. Bağımsal Dilbilgisi
A preparação de recursos humanos para pesquisa se constitui em alicerce para o progresso científico e tecnológico. Essa missão tem que ser compreendida
como instrumento importante para a transformação da sociedade. Rezende (2006, p.27) acentua que “até a década de 1960, o Brasil dispunha de um número reduzidíssimo de cientistas”. Lent (1988, p.38) destaca que no País há “um número bastante ponderável de quadros, ainda muito aquém do necessário”.
O País durante mais de 30 anos tem investido de forma permanente na preparação de recursos humanos qualificados. Barros (1998, p.95) comentando sobre ações governamentais voltadas para promover a institucionalização das áreas de ciência, tecnologia e recursos humanos qualificados diz que:
até a década de 60, essas medidas revelaram um caráter descontinuado e pontual de intervenção do Estado no segmento de C e T e recursos humanos, situação que só iria mudar ao final dessa década com a aprovação do Programa Estratégico de Desenvolvimento – PED (1968/70), quando a política de C e T se integra ao planejamento global do Estado, incorporando-se ao discurso governamental.
No Brasil, hoje, os cursos de pós-graduação são centrais para a atividade de pesquisa. Além disso, em geral, os pesquisadores brasileiros tradicionalmente são formados nos cursos de mestrado e doutorado. Portanto, a pós-graduação possui papel estratégico e se constitui como base na preparação de recursos humanos de alto nível. Esses vão atuar principalmente em universidades, centros de pesquisa científica e tecnológica e empresas. Portanto, a pós-graduação assume papel essencial na construção de um país mais sólido e independente na área científica e tecnológica. Oliveira Filho (2005, p. 36) expressa que
cabe à pós-graduação a tarefa de produzir os profissionais aptos a atuar nos diferentes setores da sociedade e capazes de contribuir, a partir da formação recebida, para o processo de modernização do país. Os dados disponíveis demonstram, sobremaneira, que é no interior do Sistema Nacional de Pós-Graduação que, basicamente, ocorre a atividade de pesquisa científica e tecnológica brasileira. Aspectos que chamam a atenção são o acompanhamento e avaliação do ensino de pós-graduação. Para tanto, menciona-se a atuação da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que realiza de forma sistemática acompanhamento e avaliação dos cursos, por meio da participação de assessores pertencentes à comunidade científica. Demonstra-se que um trabalho permanente e desenvolvido de forma coletiva traz expressivos resultados ao mundo acadêmico.
Acentua-se que, em função da seriedade da avaliação, os resultados são respeitados pelo sistema brasileiro de ciência e tecnologia. Desta maneira, nas Agências de Fomento são considerados, entre os critérios, para distribuição de bolsas de mestrado e doutorado, os resultados da avaliação conduzida pela CAPES. É possível argumentar que:
O desempenho da pós-graduação encontra-se intimamente ligado a uma mobilização permanente da comunidade acadêmica nacional, bem como a um processo contínuo de integração com a comunidade científica internacional, orquestrado e apoiado pela CAPES e CNPq. Ao lado disso, a pós-graduação contou com um planejamento de médio e de longo prazos que, desde cedo, incorporou um adequado sistema de avaliação institucional e financiamento do poder público (BRASIL, 2004d, p.8).
As bolsas, no âmbito da pós-graduação, que se constitui no principal centro de formação de recursos humanos qualificados, funcionam como um estímulo aos estudantes e permitem dedicação exclusiva às atividades acadêmicas e de pesquisa. Neste sentido, contribuem para o crescimento da produção científica e a geração de dissertações e teses com maior profundidade. Velloso, Velho e Prandi (1997, p.1) entendem que “as políticas para a pós-graduação no país têm na concessão de bolsas de estudo um de seus importantes ingredientes”.
Com relação ao número de titulações nos níveis de mestrado e doutorado, os dados da Figura 5 mostram que há expansão ao longo dos anos. Sardenberg (2001, p. ix) diz que “a aceleração da produção de artigos indexados e o rápido crescimento
nos números relativos à formação de doutores /ano indicam, de forma inequívoca, que estamos no caminho certo e vamos alcançar nossas metas.”
0 5.000 10.000 15.000 20.000 N ú m er o d e T it u la d o s 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
Figura 5 - Número de Titulados no Mestrado, Doutorado e Profissionalizante - 1996/2006.
Mestrado Doutorado Profissionalizante
Fonte: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Em 1987, 3.818 estudantes terminam o mestrado e 932 finalizaram o doutorado (BRASIL, 2004b, p. 53). No ano de 1996, conforme dados da CAPES (Figura 5), conseguiram concluir o mestrado 10.499 estudantes e no doutorado houve a defesa de 2.985 teses. A ordem crescente, por região, com o valor percentual para mestrado e doutorado, é: Norte (1,3 – 0,9); Centro-Oeste (3,4 – 1,4); Nordeste (10,7 – 1,5); Sul (17,3 – 7,8); e Sudeste (67,3 – 88,4). Verifica-se que, em 1996, aproximadamente 7 titulações no mestrado, entre 10, e 9 no doutorado, também em relação a 10 casos, foram na região Sudeste. No estado de São Paulo, 4.066 alunos finalizaram o mestrado, o que representa 38,7% (Tabela 8) das dissertações concluídas, e 1.961 o doutorado, ou 65,7% das titulações neste nível. Assim, praticamente 4 estudantes em cada 10 conseguiram o título de mestre e quase 7 no grupo de 10 alunos obtiveram o doutorado no estado de São Paulo. A Universidade de São Paulo colaborou com 1.662 dissertações (15,8%) e 1.079 teses (36,1%). Portanto, em 1996, pelo menos uma em cada 3 teses defendidas no Brasil
foram formuladas com orientação dos professores da USP. Conforme Rocha Neto (2005, p.1359):
historicamente, o desenvolvimento científico/tecnológico e
educacional no Brasil tem-se dado de forma altamente concentrada na região Sudeste, supostamente com repercussões importantes em relação aos desequilíbrios sociais e econômicos. Atualmente, observa-se um deslocamento para maior inclusão da região Sul e um pouco menos às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Em 2006, se percebe pela Tabela 8, que foram titulados no Brasil 32.261 mestres e 9.365 doutores. No período que cobre 1996/2006, houve um crescimento nas titulações de mestrado de 207,3%. Quando se analisa a situação do doutorado, as titulações verificaram uma elevação de 213,7%, isto é, em 10 anos as titulações neste nível mais que triplicaram. Então, no ano de 2006, mais de 41.000 estudantes concluíram mestrado ou doutorado no País. Oliveira Filho (2005, p.40) assegura que “o número de titulados no mestrado aumentou em 757% e no doutorado em aproximadamente 932%, no período de 1987 a 2003”.
De outra forma, sabe-se que o Brasil ainda está distante do quadro encontrado nas nações mais desenvolvidas. Em 1991, foram formados 3 mestres para 100 mil habitantes, em 1998, 4,74 mestres e, em 2003, 15,6 mestres por 100 mil habitantes. Os EUA, em 1991, formaram 123,1 mestres e, em 1998, 154,4 mestres para cada 100 mil habitantes. Em 1991, no País, houve a titulação de 0,96 Doutores por 100 mil habitantes, em 1998, 2,9 Doutores, e, em 2003, 4,6 Doutores por 100 mil habitantes. No ano de 1998, na Alemanha: 30 Doutores, nos EUA, França e Reino Unido: 15,8; 17,7; 18,6 respectivamente, e no Japão e Coréia: aproximadamente 12 Doutores por 100 mil habitantes (CARNEIRO JÚNIOR, 2004).
Os dados da CAPES sobre 2006 revelam ainda que as conclusões dos cursos de mestrado e doutorado, no âmbito regional, em valores percentuais apresenta-se assim: Norte (2,9 – 0,9); Centro-Oeste (6,7 – 3,1); Nordeste (13 – 8,5);
Sul (20,6 – 14); e Sudeste (56,8 – 73,5). Houve redução percentual na região Sudeste nas defesas de dissertações de mestrado e teses de doutorado. Os levantamentos mostram que 10.343 estudantes obtiveram o título de mestrado no estado de São Paulo (Tabela 8), o que representa 32,1% das titulações neste nível de ensino, percentual inferior ao levantado em 1996. Enquanto houve uma expansão nas titulações de mestrado no estado de São Paulo de 154,4%, entre os anos de 1996/2006, no País o acréscimo foi de 207,3%. No exame da situação da USP, as informações mostram que houve 3.216 defesas de dissertação, o que significa 10% (Tabela 8) sobre o total alcançado pelo País, patamar inferior ao encontrado em 1996. Os dados evidenciam a concentração científica. Para Baumgarten (2006, p.4) no final do século XX “as políticas formuladas e, principalmente, implementadas, no setor de C&T, não foram na direção de resolver as questões ligadas às disparidades regionais”.
No doutorado, entre 1996/2006, o número de titulações no estado de São Paulo passou para 4.683, com aumento ao longo de dez anos de 138,8%. Em relação ao total do país, São Paulo ficou, em 2006, com 50% dos doutores formados (Tabela 8), abaixo do percentual obtido em 1996. A USP, em 2006, preparou 2.202 doutores, ou 23,5% do total que se titulou no Brasil, proporcionalmente menor ao percentual de 1996. Observando a Tabela 8, constata-se que a região Sudeste, o estado de São Paulo e a USP estão, ao longo dos anos, vagarosamente, reduzindo a participação percentual na titulação de mestres e doutores, porém, em geral, passaram pelo aumento freqüente no volume de formação de mestres e doutores.
Na Tabela 8, está demonstrado que no período de 1996/2006 as regiões que vivenciaram a maior ampliação percentual no mestrado foram: Norte e Centro- Oeste, no nível de doutorado aparecem: Nordeste, Centro-Oeste e Sul. O menor
percentual de crescimento na pós-graduação stricto sensu foi experimentado pela região Sudeste. Esta região, o estado de São Paulo e a USP estão ampliando percentualmente as titulações de mestres e doutores em velocidade menor que a média nacional.
TABELA 8 – Participação das Regiões, Estado de São Paulo e Universidade de São Paulo na titulação de Mestres e Doutores – 1996/2006
1996 1998 2000 2002 2004 2006 Região M D M D M D M D M D M D Centro- Oeste 353 43 33% 468 43 139% 843 165% 114 307% 1.436 219% 137 333% 1.529 407% 218 509% 2150 570% 288 Nordeste 1.120 46 1.320 18% 80% 83 2.106 88% 372% 217 160% 2.908 693% 365 195% 3.299 1395% 688 274% 4190 1.622% 792 Norte 135 26 201 49% 8 107% 279 38% 36 218% 430 46% 38 368% 632 135% 61 603% 949 238% 88 Sudeste 7.070 2.637 8.361 18% 3.493 32% 11.310 60% 4.398 67% 14.575 106% 112% 5.584 16.195 129% 158% 6.807 18.335 159% 161% 6.885 Sul 1.821 233 2.331 28% 38% 322 111% 3.835 145% 570 174% 4.996 769 230 204% 5.531 364% 1.082 6.637 264% 463% 1.312 Total 10.499 2.985 12.681 21% 3.949 32% 18.373 75% 5.335 79% 24.345 132% 131% 6.893 27.186 159% 197% 8.856 32.261 207% 214% 9.365 Estado de SP 4.066 1.961 4.955 22% 2.622 34% 6.740 66% 3.158 61% 118% 8.858 107% 4.055 115% 8.746 141% 4.721 10.343 154% 139% 4.683 USP 1.662 1.079 2.078 25% 1.431 33% 2.708 63% 1.586 47% 99,8% 3.321 2.059 91% 2.770 67% 2.119 96% 3.216 93% 104% 2.202 Nota: A partir de 1998 foi calculado o crescimento em relação ao ano de 1996.
Fonte: CAPES
Trabalho relevante tem sido desenvolvido no País. Por outro lado, fica claro que precisamos avançar. Na Tabela 9, estão o número de pesquisadores de vários países selecionados. Neste aspecto, observa-se que o Brasil supera apenas: Argentina, Cingapura, México e Portugal. Todavia, quando a comparação envolve pesquisadores e População Economicamente Ativa (PEA), o país fica a frente apenas do México, com dados bastante próximos. A situação também é crítica quando se examina o pessoal em P&D em relação ao PEA. Vogt e Knobel (2004, p.8) expressam que:
sabe-se também que a parcela da população brasileira que forma nossa comunidade científica é ainda muito pequena (0.1% do total, contra 0.4%, na Coréia do Sul e 0.8%, nos EUA) e, o que é mais grave, apenas 11% desse número já restrito, atua em centros de pesquisas empresariais.
TABELA 9 - Pesquisadores e pessoal em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em equivalência de tempo integral, relacionados à população economicamente ativa
(PEA), de países selecionados, em anos mais recentes disponíveis.
Pesquisadores Pessoal em P&D
PAÍSES ANOS Tempo Integral Em relação PEA