5.1 Eserlerde Tespit Edilen Değerler ve Yorumları
5.1.3 Bağımsızlık Değeri ile İlgili Bulgu ve Yorumlar
Conforme asseveramos surge ao final do século XX um regime global de propriedade intelectual que deve ser cumprido pelos países participantes do comércio internacional. O Acordo Trips impõe esse cumprimento em esfera global e permite a adoção de medidas punitivas pelos países ofendidos por violações de propriedade intelectual aos países violadores. No entanto, a atuação e pressão dos países detentores dos maiores acervos de propriedade intelectual, em especial dos Estados Unidos, não se restringe à pressão
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Trata-se mais de um programa envolvendo ministérios e agências governamentais diversas do governo americano que uma instituição. O website do programa não traz a data de sua fundação por essa razão. Iniciou- se, na seara governamental, após pesquisas em universidades, com uma iniciativa do governo do Presidente Bill Clinton no ano de 2000 e continuou nas gestões posteriores. Adotamos o ano de 2001 para constar como início por ter sido o primeiro ano em que recebeu dotação orçamentária própria.
externa. Seus interesses adentram as fronteiras dos países menos desenvolvidos e exercem ali seu poder.
Assim, tanto agentes governamentais dos países centrais como representantes das empresas desses países exercem grande pressão sobre governos dos países periféricos ou semiperiféricos para fazerem valer legislações de propriedade intelectual que sejam benéficas às empresas dos países centrais.
Para demonstração dessa política, não precisamos ir muito longe, sendo possível analisar o lobby exercido em nosso próprio país. Scudeler (2014, p. 10), em que pese ser um autor da área jurídica amplamente favorável à proteção da propriedade intelectual, relata sobre a atuação do governo norte americano na oportunidade da aprovação da atual lei brasileira da propriedade industrial (Lei. 9.279/1996) junto ao Congresso Nacional. O Congresso teria sido “pressionado pelo governo norte-americano, que exigia mudanças na legislação patentária nacional, adequando-a aos seus interesses comerciais”. E que anteriormente em 1991, o Presidente Collor teria enviado o Projeto de Lei 824/91 para cumprir uma promessa ao governo americano para “reconhecimento das patentes de processos e produtos farmacêuticos, de química fina e de alimentos processados”.
Sobre as exigências norte-americanas para mudar a lei de patente brasileira diz (SCUDELER, 2014) que essas pressões já se faziam sentir na década de oitenta, mais precisamente em 1987 “diversos laboratórios apresentaram ao governo norte-americano uma petição, afirmando que as limitações na legislação patentária brasileira não eram razoáveis (....)”. O governo americano fazia pressões ao governo brasileiro com ameaças de sanções e retaliações com base na Seção 301 do Trade Act de 1974.
Os Estados Unidos colocaram o Brasil em uma “lista negra” e sofreu sanções econômicas, cujas perdas são estimadas em 105 milhões de dólares, mas com impacto muito maior nas exportações brasileiras. É importante salientar que a política brasileira estava de acordo com as Convenções de Berna e de Paris que autoriza “a exclusão de patenteamento de produtos considerados ao interesse nacional, à saúde e à segurança pública”, ainda segundo Scudeler (2014, p. 11).
A atividade lobista junto ao governo brasileiro não apenas é detectada por pesquisadores, como também é constatada pelos próprios parlamentares e expressa em documentos oficiais. O deputado Roberto Gouveia do Partido dos Trabalhadores apresentou Projeto de Lei (22/2003) envolvendo medicamentos para a Aids, tendo colocou como justificativa o fato de que as empresas farmacêuticas americanas, sob o governo Clinton, tentavam proteger suas patentes, impedindo o desenvolvimento de medicamentos genéricos
em países como a África do Sul que tentavam evitar a epidemia da aids. E expõe textualmente na justificação de seu projeto de lei30:
O setor industrial que está mais apto a proceder de tal maneira é, sem dúvida, o de química fina, mas especificamente as indústrias farmacêuticas. Não é por acaso que o ‘lobby’ dessas indústrias é muito ativo, tanto no Poder Legislativo como no Executivo, como se constata pelas atuações que está a mover no sentido de protelar ao máximo a aplicação da Lei n. 9787/99, conhecida como Lei dos Genéricos, ou de influir nas regulamentações governamentais para aplicação da mesma (BRASIL, 2003).
Esta atuação das corporações, sobretudo americanas, muitas vezes sob o patrocínio do governo americano, não se dá apenas no Brasil. Evidentemente se trata de uma política geral para todos os lugares e é reconhecida até mesmo por pessoas que fizeram parte do centro do poder mundial. Ao comentar a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que rejeitou o patenteamento de genes humanos, Stiglitz (2013)31 assevera que “Mesmo sendo extremamente importante, esta vitória é apenas um fragmento do cenário de propriedade intelectual que é pesadamente definido pelos interesses corporativos – frequentemente norte- americanos”. E conclui que:
O poder econômico normalmente fala mais alto do que valores morais. Em muitas instâncias nas quais os interesses corporativos americanos prevalecem, em relação à propriedade intelectual, nossas políticas ajudam a aumentar a desigualdade no exterior (STIGLITZ, 2013, p.1).
A atividade de lobby dos países e empresas centrais perante governo e instituições dos países da periferia não se dão apenas na indústria química e farmacêutica, mas em todos os ramos. Na esfera da propriedade intelectual ela se deu, no Brasil, em todas as matérias envolvendo a propriedade intelectual do ramo do agronegócio.
Flávia Londres e Paula Almeida revelam a influência das empresas sementeiras do agronegócio sobre governos e legisladores para fortalecer e ampliar seu controle sobre os mercados e afirmam que essas empresas exerceram “uma sistemática ação de lobby e de pressão política” na formulação, discussão e votação das leis de Biossegurança (Lei 8.974 de
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Projeto de lei ainda em tramitação em 29/09/2015. Disponível em:
http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=104345. Acesso em 29/09/2015. 31
Joseph Eugene Stiglitz, economista ganhador do Nobel de Economia de 2001 foi assessor econômico do presidente americano Bill Clinton. Após a passagem pelo governo americano já declarou em diversas entrevistas que a pressão sofrida pelo governo pelo lobby da indústria farmacêutica é escandalosa.
1995), da Lei de Propriedade Industrial, da Lei de Cultivares, da Lei de Sementes, e da Nova Lei de Biossegurança (de 2005) (LONDRES, ALMEIDA 2009, p. 27)32.