3. BULGULAR VE YORUM
3.5. Bölge Ülkelerinin Ekonomik Olarak Denetim Altına Alınması: Türkiye
Tradicionalmente as preposições são classificadas entre essenciais ou simples e
acidentais. Bechara (2009, p.301) define as essenciais como “palavras que só aparecem na
língua como preposições”; e as acidentais como “palavras que, perdendo seu valor e emprego primitivo, passaram a funcionar como preposições”. Castilho (2010) adota um critério de distinção diferente para as preposições chamadas de essenciais e de complexas. O autor classifica como essenciais as preposições mais gramaticalizadas, que serão detalhadas a seguir; e as complexas como “tradicionalmente, [...] definidas como um advérbio ou um
substantivo antecedidos opcionalmente por certas preposições e seguidos obrigatoriamente pelas preposições de ou a” (CASTILHO, 2010, p.588). Tradicionalmente, do primeiro grupo fazem parte as seguintes preposições:
Quadro 3 – Preposições essenciais Fonte: Cunha & Cintra, 2008, p.570
Dentre as preposições desse grupo, as que constituem objeto do presente estudo são as que Ilari et al. (2008) classificam como mais gramaticalizadas.
Tal classificação sobre as preposições decorre de um estudo iniciado por Carlos Franchi, no final da década de 1990, e consistiu em um trabalho de levantamento de cerca de cinco mil exemplos de preposições, extraídos do córpus compartilhado do NURC (Projeto de Estudo da Norma Urbana Culta).
Esse trabalho é muito representativo quantitativamente, pois mostra que de 5215 ocorrências levantadas, 31% são de, 27% são em, 12% são para, 10% são a. Essas quatro preposições correspondem a 80% do total de ocorrências, seguidas por com (com 8%) e por (com 5,5%). Esses números mostram que, de 17 preposições, apenas 6 representam 93,5% do total de ocorrências (apud ILARI et al., 2008).
Essa frequência de uso das preposições também é apresentada por Castilho (2009) através de um quadro de continuum de gramaticalização, que se encontra reproduzido a seguir:
Quadro 4 - Continuum de gramaticalização das preposições Fonte: Castilho, 2009, p.323
a com em por (per) trás
ante para entre sem
após de sobre sob
até desde perante contra
Menos gramaticalizadas Mais gramaticalizadas (-) (+)
GRAMATICALIZAÇÃO
Contra < sem < até < entre Sobre
sob
Por < com < a < em < de para
As preposições citadas já aparecem em trabalho de Borba (1971) como preposições de alta frequência de uso. Essa frequência de uso das preposições, em ordem decrescente, corresponde à seguinte ordenação: de, em, a, para, com e por. Em relação ao trabalho de levantamento de Carlos Franchi, só há uma inversão entre as preposições a e para, pois no trabalho de Borba a aparece com uso mais frequente, enquanto no trabalho de Carlos Franchi, um pouco posterior, para aparece com uma frequência maior, constatando sua maior gramaticalização; esse fenômeno já foi descrito por vários estudos, entre eles Torres-Morais e Berlinck (2006), que constataram uma gradual substituição da preposição a pela preposição
para na função de objeto indireto.
As preposições acima citadas são aquelas que, além de terem uma frequência alta de uso, introduzem argumentos verbais, além de adjuntos, podem ser contraídas com artigos e pronomes - pelo, co’a, cocê, ao, àquela, no, num, nisto, do, dum, disso, docê, pro, prum, praquilo, procê etc.; possuem valor semântico mais complexo (CASTILHO, 2010), ou seja, possuem valor semântico de mais difícil apreensão (ILARI et al., 2008) e podem ser consideradas monossílabas, pois para, o único dissílabo, pode ser contraído, o que usualmente ocorre na fala, em pra.
De acordo com as definições e diante de tantas possibilidades de aplicação, ou seja, de uma grande variedade de empregos, essas preposições apresentam maiores índices de usos, conforme estudo referido e, por isso, são consideradas mais gramaticalizadas.
Por serem mais gramaticalizadas, essas preposições podem ter seu sentido prototípico um pouco apagado e funcionarem, muitas vezes, mais como fator de ligação gramatical do que como item lexical, o que pode fazer com que não sejam realizadas em alguns contextos, muitas vezes, sem prejuízo de sentido.
A seguir, encontram-se os sentidos que essas preposições tinham em latim, segundo Ali (1964):
- a (ad) – significava direção ou movimento para algum ponto de aproximação e final junção de uma coisa a outra;
- de (de) - expressava, a princípio, afastamento de cima para baixo;
- em (in) – significava interioridade com referência a lugar e a tempo, mas também estado de alguma coisa, divisão, distribuição, etc.;
- para (per ad) – originou-se provavelmente de per ad; per possuía valor de "através de", "por meio de", "lugar onde"; e ad tinha sentido de direção ou movimento para algum ponto;
- com (cum) - significava inicialmente companhia, instrumento, causa, maneira; - por (per) - possuía valor de “através de”, “por meio de”, “lugar por onde”.
Como já foi dito, esses sentidos acabaram se diversificando no decorrer da evolução do latim às línguas românicas, o que é confirmado pelos índices de ocorrência dessas preposições, pois com um sentido mais amplo, elas podem ser empregadas em várias construções.
Inicialmente pensou-se em manter as mesmas preposições para o estudo das duas sincronias, no entanto, a ocorrência de per e de per ad no córpus latino é mais restrita, pois ora aparece sozinha, ora se trata de uma locução, o que dificulta seu levantamento e análise; além disso, Bastardas Parera (1953), em relação ao estudo de fontes do latim medieval, afirma que o uso de per se alterna com o de pro, com o mesmo significado, às vezes, dentro de uma mesma frase. Por tais motivos, essas preposições foram excluídas da análise do córpus latino. Mas, por apresentarem um comportamento relevante no português, desde que se encontrem entre as preposições mais gramaticalizadas, serão abordadas no córpus do português paulista.
Assim, as preposições objeto do estudo para o córpus latino são ad, de, in e cum, de forma que, de acordo com o regime clássico das preposições, in, indicando deslocamento, rege acusativo e, com sentido de permanência, rege ablativo; ad rege acusativo; cum rege ablativo; e de também rege ablativo. É importante ressaltar que só foram analisadas as ocorrências da preposição ad, sendo desconsideradas as formas que pudessem ser suas variantes, como por exemplo a forma a.
Para o estudo do córpus paulista, as preposições analisadas são: a, de, para, em, com e por, que constituem as preposições mais gramaticalizadas.