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2. BÖLÜM: YAZARLARIN HAYATI, EDEBÎ KİŞİLİĞİ VE ESERLERİ

2.1. AYTÜL AKAL’IN HAYATI, EDEBİ KİŞİLİĞİ, ESERLERİ

2.1.2. Aytül Akal’ın Edebi Kişiliği

Tecer os caminhos da pesquisa implica ligar fio a fio os tecidos desta, com vista a mostrar a rigorosidade metódica (FREIRE, 1996) da construção de uma investigação que, por sua perspectiva dinâmica e histórica, toma o método dialético como seu eixo estruturante. Sem ser contrastante e, por ter um aspecto dialógico, a pretensão neste trabalho não é de chegar às certezas ou verdades universais, mas reunir elementos que possam tornar a discussão compreensível. Por isso, ao mesmo tempo que tomamos a epistemologia como proposta de constituição dos elementos teóricos que sustentam a pesquisa, viabilizamos a possibilidade de construção do conhecimento e entendemos que o melhor modo de fazê-lo é pela dialética.

Na obra Pesquisa Participante: mito e realidade, o pesquisador Pedro Demo (1984) assinala que “a dialética, como qualquer outra metodologia, não é a unitária. É um erro primário supor que a única dialética possível ou aceitável seja o materialismo dialético” (1984, p. 66). Nestes termos, é importante explicitar o que compreendemos por dialética e que perspectiva adotamos para tecer os caminhos dessa investigação.

A dialética é um modo de filosofar que pretende construir o conhecimento a partir da contradição, da argumentação. Sua abordagem segue várias perspectivas e é identificada, como, por exemplo, dialética de Sócrates, de Platão, de Aristóteles, de Hegel, de Marx. Aqui não temos a pretensão de criticar ou discordar de nenhuma dessas abordagens, pois cada uma tem sua contribuição para a filosofia, a história e a ciência.

Ademais, nossa intenção é explicitar que, tendo Freire como matriz teórica, estruturamos nosso trabalho com base no que denominamos de dialética freireana. Os estudos sobre o autor revelam que as dialéticas de Hegel e de Marx influenciaram paulatinamente seu pensamento, principalmente no que concerne à sua práxis educativa. Observamos isso em sua vivência e nos seus escritos. A esse respeito, no prefácio do livro Paulo Freire em diálogo com outros autores organizado por Freitas, Ghiggi e Pereira (2014), o professor Streck reportou-se aos escritos de Freire da seguinte maneira:

As palavras de Paulo Freire traduzem bem a sua maneira de lidar com as ideias e opiniões alheias, fossem essas de autores renomados ou de camponeses, de operários ou a de professores. Em sua vasta obra não encontramos um apego fanático a alguma teoria ou a uma defesa intransigente de algum autor. Sabemos que ele bebia de fontes marxianas, existencialistas, fenomenológicas, pragmatistas (escolanovistas), entre outras. Ele lançava mão da filosofia, da sociologia, da linguística, da teologia e de outras ciências com as quais se encontrou ao longo de sua trajetória de educador, que no seu caso significava ser um pensador da educação. Também não encontramos em seus livros grandes debates teóricos sobre a validade ou não de determinada teoria, ou o menosprezo de autores que expunham pensamentos diferentes (STRECK, 2014, p. 5).

É possível conferir a validade dessa afirmação de modo mais concreto quando se estuda as ações desenvolvidas por Freire quando esteve como Secretário de Educação do estado de São Paulo. Observamos, por exemplo, uma das entrevistas concedidas a Rosa María Torres, em 3 de setembro de 1994, impressa na revista Novedades Educativas, n. 79, de 1997, em Buenos Aires e, posteriormente, publicada como artigo com o título “Eu gostaria de morrer deixando uma mensagem de luta” no livro Pedagogia dos sonhos possíveis (2014) sob a organização de sua esposa Nita Freire.

Nessa entrevista, Torres solicitou que Freire comentasse porque os pais de família exigiam que os(as) professores(as) não se ausentassem da escola, não fizessem greves, e Freire relembrou um acontecido na Secretaria de Educação de São Paulo em que os professores foram acusados de que não estavam cumprindo sua função de ensinar. Por conta disso e em sentido de defesa, o presidente da associação de professores(as), à época, deu a seguinte resposta: “Não, isso não é verdade. Nós estamos ensinando o que significa uma luta democrática” (FREIRE, 2014, p. 278).

Na ocasião, Freire comentou que os pais ainda não tinham entendido o que era essa luta e pontuou: “Em lugar de colocar-se contra os professores, os pais de família deveriam reagir contra o estado e lutar a favor dos professores, irmanar-se com eles” (FREIRE, 2001, p. 221). Em continuação, arrematou que, por meio de sua postura ética e política, ele “convidaria o magistério e seus dirigentes a reexaminar as táticas de luta. Não para abandoná-las” (p. 278). Freire acreditava que o mundo era repleto de contradições e de armadilhas que levavam à alienação e que, somente a partir da luta consciente e política, as condições de trabalho e as condições sociais seriam transformadas.

A influência da dialética hegeliana e marxista ficam evidentes nessa entrevista de Freire, pois, assim como Hegel, concebeu que o mundo estava em contínuo movimento e que envolvia processos de contradição e de luta de contrários (tese, antítese e síntese); também, como Marx, buscou demonstrar as contradições da realidade social e superá-las ao longo de seu desenvolvimento histórico.

A dialética marxista defende que a matéria é a única forma de realidade e que mais importante que a essência é a existência, por isso, a denominação materialismo dialético. É histórico porque o homem constrói a história e é produto desta mesma construção, mesmo em meio a contradições sociais, as quais só podem ser superadas pela luta de classes.

Na concepção de Hegel, a dialética é responsável pelo movimento em que se tem uma ideia (denominada tese) e formula-se uma ideia contrária à primeira (é a antítese). Da relação de ambas, constrói-se uma ideia mais concreta que supera a fragilidade e a dicotomia das anteriores,

sem contudo desprezá-las (é a síntese). Este é um movimento contínuo e é assim porque se compraz de uma realidade que não é, mas está sendo, que também é histórica e como tal, não tem um fim.

O fato é que, enquanto algumas dialéticas são mais objetivistas, outras são subjetivistas. O materialismo histórico admite a intervenção política humana, mas em última instância a infraestrutura econômica, ou seja, se acentuam os condicionamentos objetivos. Enquanto a dialética hegeliana vê a história construída pelo homem, o que lhe imprime um condicionamento subjetivo (DEMO, 1984).

Analisando essas duas perspectivas e compreendendo que Paulo Freire esteve em defesa insistente pela mudança da realidade, a partir da contrastação dos fatos pela práxis consciente, tomamos a iniciativa de denominar, neste trabalho, o método como dialética de Freire. A justificativa para essa decisão é que, quando estudamos as teorias do conhecimento, o fazemos não na intenção de adotar modelos fechados de pesquisa, ou modelos mais eficientes. Destarte, temos o intuito de ampliar as possibilidades e mostrar que, a partir de uma mesma matriz teórica (a dialética), podemos explorar os mais variados aspectos que possam dar sustentabilidade e validade ao trabalho de pesquisa (DEMO, 1999), tendo o cuidado e o rigor metodológico que se fazem necessários. Por esse motivo, denominamos o método de dialética de Freire.

Para Freire (1996, 2011), o mundo não é aquilo que está posto, o mundo está sendo, e, por isso mesmo, o homem pode interferir, conhecer esse mundo, para transformá-lo, mas, para que isso seja possível, defende que é preciso haver libertação. Ou seja, é preciso que se pulverize a intolerância e a alienação, para dar lugar aos conhecimentos. E defendemos que isso é possível por meio dos inéditos-viáveis.

Para efeito de exemplificação, podemos pensar que se o(a) professor(a) reconhece que não tem seu trabalho valorizado, ele(ela) luta para que se tenham melhores condições de trabalho (inclui-se também a estrutura física da escola), melhores salários e investimento na carreira docente. Como fazer isso? Aqui não se admite apenas uma resposta, como, por exemplo, pensar que ele(a) deve fazer greve. Além disso, o(a) professor(a) também pode se organizar como classe docente, aderir a um sindicato, participar de grupos de discussão e de pesquisa, manter-se ligado ao mundo da pesquisa e continuar as parcerias com as universidades, para que se fortaleça de conhecimentos, coragem, ousadia, curiosidade epistemológica e vá à luta pela garantia de seus direitos como profissional do ensino.

No contexto exemplificado, encontramos na dialética a fundamentação que mais pode contribuir para que o(a) professor(a) seja provocado no sentido de estranhamento dessas condições e de encorajamento para transformá-las, e isso vai se dar com uma práxis que fortaleça

seu trabalho e que lhe permita emancipar-se profissional e socialmente. Contudo acreditamos que as ações da pesquisa podem muito mais que levar o(a) educador(a) a refletir sobre essas condições e vai muito além disso, elas contribuem para que se possa conhecer, contrastar e transformar uma dada realidade.

Quando nos apoiamos na epistemologia do conhecimento da dialética de Freire, consideramos que seu princípio fundamental é a busca pela contradição de uma dada realidade (tese, antítese e síntese). O movimento dialético na e da práxis acontece da seguinte maneira: observamos determinada realidade ou conhecimento, elaboramos uma série de reflexões aprofundadas, abstraímos sua aparência para compreender sua essência e agimos sobre essa pseudorealidade (aparente realidade).

Para viabilização dessa investigação, optamos pela pesquisa participante (que explicitaremos adiante) por acreditarmos que o movimento investigativo para produção do conhecimento se dá na convivência, na relação dialógica e na participação do investigador no contexto investigado. Esse movimento caracteriza a pesquisa como participante. Demo (1984, p. 80) trouxe importante contribuição nesse sentido, quando fez a seguinte afirmação:

Se aceitarmos o relacionamento dialético entre teoria e prática, não seria possível negar que a prática é componente essencial também do processo de conhecimento e de intervenção na realidade. Ao mesmo tempo, a metodologia que cabe à Pesquisa Participante é certamente a dialética, porque é a que assume o contexto histórico, privilegia a apreensão e o tratamento dos conflitos sociais, propugna a transição histórica e acredita no fator humano como capaz de interferir em condições objetivas dadas.

Por essas razões, a tomamos como opção metodológica, porque acreditamos que se trata de uma proposta de pesquisa alicerçada na dimensão ética e política que permite a construção do conhecimento por todos os participantes no processo investigativo. Essa construção é processual porque acontece em um contexto histórico e, como tal, não está livre dos conflitos, da contradição. Doravante, em torno desse processo de construção de conhecimentos, está a justificativa mais importante da escolha da pesquisa participante na perspectiva da dialética: contribuir para ampliar os conhecimentos daqueles que estão diretamente envolvidos no movimento.

3.2 A pesquisa participante na perspectiva do diálogo, da formação e da emancipação