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Avrupa Birliği’nde tarım sektöründe çalışanların sosyal güvenlik hakları

II. BÖLÜM

2.3. Avrupa Birliği’nde Tarım Sektörünün Yeri ve Önemi

2.3.4. Avrupa Birliği’nde tarım sektöründe çalışanların sosyal güvenlik hakları

A partir desta compreensão, enfatizamos que as pesquisas voltadas para o estudo de juventude no Brasil, em se tratando de juventude rural, são recentes e pouco variadas, sendo o interesse dos estudiosos sobre o tema voltado, em sua maioria, para o estudo de jovens nos centros urbanos. De acordo com Castro, no final do século XX e na primeira década do século XXI houve um aumento significativo da bibliografia a respeito da juventude, principalmente juventude urbana, tendo se reproduzido a partir dos anos 1990, no Brasil, em uma diversidade de temáticas no campo das ciências sociais (CASTRO, 2009).

Entretanto, segundo a autora, a maioria dos trabalhos sobre o tema “tratam juventude como categoria auto-evidente utilizando idade e/ou comportamento como definições metodológicas” (CASTRO, 2009, p. 184). As dificuldades em se definir a categoria criam ainda uma falsa homogeneização do objeto, tendendo, segundo Castro, “a ser constantemente substantivada, adjetivada, sem que se busque a auto-percepção e a formação de identidade daqueles que são definidos como jovens” (CASTRO, 2009, p. 181).

De acordo com José Machado Pais, a sociologia da juventude atualmente, tende cada vez mais a romper com as “representações correntes” acerca dos jovens que, por ser uma categoria construída, é dada como uma “unidade social”, “um grupo dotado de interesses comuns” pertencentes a uma determinada faixa de idade. A cultura juvenil é tratada, desta maneira, de forma unitária, como se todos os jovens pertencessem ou representassem uma mesma identidade (PAIS, 1990, p. 140). Neste sentido, a maior parte da bibliografia a respeito de juventude se reduz a tratar a categoria sob dois ângulos distintos e opostos: ora é relacionada aos problemas inerentes a nossa sociedade, atrelando suas atitudes à violência e ao individualismo contemporâneos, ora evidenciada como esperança, pois é representada como o “motor” de novas atitudes e simbolizada como a mudança necessária ao mundo em que vivemos hoje.

Segundo Gonçalves, os estudos interessados na temática da juventude despontam de tempos em tempos, mas aparecem, de todo modo, contaminados sempre por essas idéias. No século XXI, a autora afirma terem sido os estudos sobre juventude privilegiados sob uma

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ótica negativista, sendo os jovens classificados como individualistas e desertores responsáveis por atos de delinqüência e criminalidade urbana. A relação entre bandidagem e juventude, estabelecida pelo “funcionalismo nos anos 1920”, encontra identificação, conforme Gonçalves, “nos textos que falam de modernidade, globalização e violência” urbana, “propugnando um modelo de controle da criminalidade pautado pela atenção aos pequenos delitos e aos jovens transgressores” (GONÇALVES, 2005, p. 207/208).

Dentro deste contexto, Pais enfatiza que “histórica e socialmente a juventude tem sido encarada como uma fase de vida marcada por uma certa instabilidade associada a determinados problemas sociais”, como a falta de oportunidades de um primeiro emprego e as dificuldades de acesso à habitação. Os jovens são vistos, assim, como “desinteressados” e/ou “irresponsáveis”, fato que os colocam em detrimento da fase adulta que, entre outras responsabilidades, está ligada a essa aquisição “habitacional”, “conjugal ou familiar” e “de tipo ocupacional (trabalho fixo e remunerado)”. Em vista dessas carências, Pais salienta que os jovens podem prolongar “os laços de dependência familiar” acarretando conflitos em razão desta convivência forçada e das diferenças entre seus universos culturais. Neste sentido, a juventude é encarada como uma fase de vida problemática em que os filhos rompem com as formas tradicionais de vida de seus pais, ocasionando conflitos de valores entre as diferentes gerações (PAIS, 1990, p. 141).

No entanto, de acordo com o autor, há algumas décadas, outros problemas relacionados à juventude ganharam a dianteira, “como os da revolta, da marginalidade e da delinqüência”. Começam a surgir, assim, trabalhos sobre as juventudes universitárias e políticas dos anos 1960, com suas preocupações sociais e econômicas que insurgiam de encontro às gerações mais velhas e suas instituições ultrapassadas e conservadoras. A juventude da década de 1970, que também faz parte desta juventude problema, levanta também outras questões e surge, ao contrário dos jovens de 1960, protagonizando “problemas de emprego e de entrada na vida ativa”, transformando os estudos sobre o tema em uma análise de “categoria econômica” (PAIS, 1990, p. 143).

De acordo com Castro, a questão da delinqüência juvenil gerou preocupação e uma série de debates em vários países a partir da década de 1990, principalmente. Segundo a autora, a “associação entre jovem e delinqüência foi muito recorrente em pesquisas (...) realizadas na Alemanha”, nos EUA, onde se atrelou os debates em torno da criminalidade e no Brasil, onde a UNESCO “vem realizando pesquisas (...) que analisam a juventude a partir de enfoques que privilegiam questões como violência, cidadania e educação”. No entanto,

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segundo Castro, “definições como jovens em situação de risco” são ainda relevantes para a criação de alguns programas sociais “que pretendem reintroduzir na sociedade esses excluídos” (CASTRO, 2009, p. 185).

Atualmente, na sociedade contemporânea, principalmente nos grandes centros urbanos, os estudos sobre juventude atrelam à categoria posturas ligadas ao individualismo, ao conflito e à “busca por experimentação”, conforme Gonçalves (2005, p. 207) e a outros problemas associados ao “consumo de drogas e à delinqüência” juvenil, de acordo com Pais (1990, p. 143). Segundo Gonçalves, “as crises e os excessos, os conflitos e as explosões que a eles se seguem, acompanham a história da preocupação social e acadêmica com a juventude” que ao longo do século XX e no século XXI reafirmam a postura dos jovens através de seus “excessos pulsionais”.

Os excessos juvenis, tomados como impulso da desordem urbana, colocaram em movimento esforços de disciplinarização. Associadas aos comportamentos disfuncionais, as pulsões da juventude tornaram-se foco da assepsia social que queria o controle e a correção dos vícios, e nesse percurso as ciências reforçaram ao longo dos anos a percepção de que boa parte das mazelas sociais poderia ser creditada na conta da juventude e de seus anseios de diferenciação. Firmou-se no imaginário social a associação entre a juventude e as grandes questões de cada tempo: no século XXI, quando grassam as preocupações com o individualismo exarcebado e a criminalidade crescente, o jovem emerge como individualista e responsável, em grande parte, pela criminalidade urbana (GONÇALVES, 2005, p. 208). Pais argumenta, neste sentido, que a juventude é vista por um ponto de vista homogêneo, ressaltada a partir de teorias que generalizam suas condutas e atribuem pontos de vistas específicos a uma dada faixa etária. De acordo com o autor, uma das versões apresentadas para a definição da categoria os generaliza como “problema social”, sem ao menos questionar aos próprios sujeitos destes estudos se realmente estes são os seus problemas, ignorando a heterogeneidade da cultura juvenil, evidenciada a partir de componentes estruturantes de suas condutas:

Eles são os problemas de inserção profissional, os problemas de droga, os problemas de delinqüência, os problemas com a escola, os problemas com os pais, só pra focar alguns dos problemas socialmente reconhecidos como específicos dos jovens (PAIS, 1990, p. 144).

Neste sentido, a definição da juventude é, de acordo com Pais, “como qualquer mito, uma construção social que existe mais como representação social do que como realidade”

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(PAIS, 1990, p. 145). Torna-se preciso, segundo o autor, considerar a juventude em sua diversidade para além de sua unidade “quando referida a uma determinada fase de vida”, ou seja, tratar os jovens a partir de seus diferentes atributos sociais, que os permitem se distinguirem uns dos outros (PAIS, 1990, p. 149). Por outro lado, para Castro, os trabalhos que apontam os jovens “como agentes privilegiados de transformação social” são igualmente universalizantes, possuindo um “olhar quase heróico da juventude”, definindo-os e adjetivando-os como “juventude vanguarda e juventude revolucionária”. Desta maneira, a autora conclui que “estas duas perspectivas são os dois lados de uma mesma moeda”:

Juventude problema ou juventude solução abordam jovem como dotado de características que definem determinados indivíduos a priori. Contudo, tomando a conceituação de Stolke (2006) os processos de exclusão daqueles identificados como jovens são complexos e envolvem a intercessão de questões de classe social, gênero, raça, etnia, sexualidade e, como veremos, o lugar aonde se vive. Ser jovem implica viver relações de poder e hierarquia social (CASTRO, 2009, p. 185).

Vale ressaltar, brevemente, por outro lado que, nos últimos tempos, os estudos de juventude têm despontando e a análise da categoria tem sido mais trabalhada envolvendo novas temáticas em se tratando de juventude urbana e até mesmo de juventude rural. Os estudos se voltam então para análises da juventude no mundo atual, no que diz respeito ao comportamento, moda, música, estilos de vida, esporte e lazer, evidenciando os grupos e as “tribos” formadas por jovens que se identificam com esses assuntos. A relação dos jovens com as novas mídias, principalmente a internet, também ganha espaço nos estudos sobre o mundo globalizado e as novas formas de sociabilidade, classificando os jovens de hoje como inovadores e formadores de uma nova geração - a geração Z.

Classificação da juventude ao longo do tempo: cinco gerações 25

1- Tradicionais (até 1945): É a geração que enfrentou uma grande guerra e passou pela Grande Depressão. Com os países arrasados, precisaram construir o mundo para sobreviver. São práticos, dedicados, gostam de hierarquias rígidas, ficam bastante tempo na empresa e sacrificam-se para alcançar seus objetivos.

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2- Baby Boomers (1946 a 1964): São os filhos do pós-guerra, que romperam padrões e lutaram pela paz. Já não conheceram o mundo destruído e, mais otimistas, puderam pensar em valores pessoais e na boa educação dos filhos. Tem relações de amor e ódio com os superiores, são focados e preferem agir em consenso com os outros.

3- Geração X (1965 a 1978): Nesse período as condições materiais do planeta permitem pensar em qualidade de vida, liberdade no trabalho e nas relações sociais. Com o desenvolvimento das tecnologias de comunicação, já podem tentar equilibrar a vida pessoal e trabalho. Mas, como enfrentam crises violentas, como a do desemprego na década de 1980, também se tornaram céticos e superprotetores.

4- Geração Y (a partir de 1979): com o mundo relativamente estável, ela cresceu em uma década de valorização intensa da infância, com internet, computador e educação mais sofisticada que as gerações anteriores. Ganharam autoestima e não se sujeitam a atividades que não fazem sentido em longo prazo. Sabem trabalhar em rede e lidam com autoridades como se eles fossem colegas de turma.

5- Geração Z (a partir dos anos 1990 e 2000): nativos digitais, a geração Z nasceu com o boom tecnológico e é familiarizada com todas as tecnologias que surgiram a partir da internet. Extremamente conectados à rede, eles vivem em um mundo virtual e utilizam diversos equipamentos ao mesmo tempo. Entre os traços comportamentais, destaca-se a responsabilidade social e a preocupação com a sustentabilidade do planeta.

A popularização da internet nos últimos tempos, assim como de várias outras mídias, como celulares, iphones, que permitem o acesso a rede a qualquer hora e lugar, abriu as portas para novos estudos acerca da juventude, no que diz respeito aos usos, impactos e transformações que estas novas tecnologias trazem para a vida dos jovens, principalmente, em sua formação e socialização (ANDRADE e ALVES, 2011; LEMOS & FILHO, 2008; CALLOU, 2000; TEIXEIRA, 2001; BELLONI, 2011). Estes novos estudos, por sua vez, trabalham também com a facilidade de acesso à informação pelos jovens nos dias de hoje, analisando de que forma esta facilidade influencia “na construção do indivíduo e na sua relação com o mundo exterior” (ANDRADE e ALVES, 2011, p. 1).

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Esta temática encontra-se envolvida também com a definição dos espaços rurais e a participação da juventude rural no processo de inclusão tecnológica abrindo espaço para pesquisas que buscam ouvir o jovem rural, bem como entender como estes jovens envolvem- se neste processo, seus usos, seus benefícios, sua relação com trabalho, lazer e as facilidades proporcionadas pela chegada da internet no campo. Da mesma forma, eles buscam analisar o envolvimento da juventude com esses novos meios de comunicação que ocasionam modificações no seu modo de vida, bem como nas formas de sociabilidade e na educação rural (CALLOU, 2000). Desta maneira, podemos dizer que a geração Z encontra-se presente tanto na cidade quanto no meio rural e os jovens destes dois mundos encontram-se envolvidos dentro do mesmo processo, mesmo que de maneiras distintas e intensidades diferentes. Essas novas facilidades, no entanto, não eliminaram velhas formas de sociabilidade e a influência de velhas estruturas tradicionais na vida desses jovens rurais, proporcionadas pelo convívio entre as velhas e as novas gerações, como veremos a seguir.