II. BÖLÜM
2.3. Avrupa Birliği’nde Tarım Sektörünün Yeri ve Önemi
2.4.3. Asgari gelir desteği uygulaması ve beraberindeki sorunlar
No Brasil, os estudos relacionados à análise da categoria juventude têm deixado a desejar quando o assunto é juventude rural, apesar do crescimento e do envolvimento de especialistas na temática nos últimos anos. “Uma possível explicação” para esta ocorrência, de acordo com Castro, “pode ser o fato de aqueles identificados como juventude rural serem percebidos como uma população específica, uma minoria da população jovem do país”. De acordo com a PNAD de 2004, 4,5% dos 49 milhões de jovens entre 15 e 29 anos são jovens rurais, correspondendo a 8 milhões de pessoas, fato que, conforme Castro, evidencia que este contingente, ainda assim, é significativo (CASTRO, 2009, p. 182). 27
Dentro deste contexto, no que diz respeito à significação da categoria juventude rural, a adjetivação do termo não é diferente, e a repetição de estudos que trabalham as mesmas temáticas deixa a desejar quando se busca conhecer o universo do jovem rural em suas diversas dimensões. Geralmente, os estudos sobre o tema se voltam para as relações de trabalho e os embates entre campo e cidade, na percepção do jovem rural como eminente imigrante, “desinteressado pelo meio rural”, o que contribui, segundo Castro para a “invisibilidade da categoria como formadora de identidades sociais e, portanto, de demandas sociais” (CASTRO, 2009, p. 182).
De acordo com Castro, essa visão dos jovens imigrantes que deixam o campo em busca de oportunidades na cidade não é nova e há muito “faz parte da literatura clássica sobre campesinato”. Segundo a autora, a atenção dada a esta problemática teve origem no século XIX, aprofundada durante todo o século XX por autores que “tratam a questão como intrínseca ao processo de reprodução social do campesinato, e como conseqüência da desvalorização do campo frente à cidade”. O dilema “ficar e sair” encontra-se envolvido também pela questão da herança familiar e da sucessão, bem como do entendimento do jovem rural como uma categoria social perpassada e pressionada pelas mudanças no campo. No Brasil, Castro acentua que esta questão está ligada principalmente à saída dos jovens do sexo
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feminino do meio rural em direção aos centros urbanos, fenômeno muito estudado, conhecido e denominado como a “masculinização dos campos” (CASTRO, 2009, p. 182/183).
Outras questões relacionadas ao jovem rural estão ligadas ao mundo do trabalho, “seja como aprendiz de agricultor, nos processos de socialização e de divisão social do trabalho no interior da unidade” pertencente à família, seja como “trabalhador fora do estabelecimento familiar”, conforme Carneiro (2005). Esta idéia encontra-se também atrelada à busca por emprego nos centros urbanos e ao abandono do jovem da agricultura familiar, sendo este categorizado como desestabilizador das relações de parentesco, e possível “destruidor” do mundo rural. No que diz respeito às práticas de sociabilidade, cultura, lazer e envolvimento religioso, no entanto, a juventude rural praticamente desaparece dos planos de estudo, que quase exclusivamente focam este envolvimento a partir do espaço urbano.
Vistas dessa maneira desde a ótica do trabalho, a “juventude rural”, categoria fluida, imprecisa, variável e extremamente heterogênea, permanece na invisibilidade quanto a sua participação nas demais esferas da vida social, dificultando, assim, a compreensão de sua complexa inserção num mundo culturalmente globalizado (DURSTON apud CARNEIRO, 2005, p. 244). Vários autores importantes que tratam de juventude rural apontam para essa escassez de novos trabalhos que focalizem o jovem em sua diversidade, a partir de sua própria visão de mundo e com poder de decisão e participação na vida em sociedade (ABRAMO, 1997; CARNEIRO, 2007, 2005; CASTRO; 2007, 2009; SPOSITO, 2009). Estes estudos já avançaram no que diz respeito ao jovem nas políticas públicas e nas pesquisas que trabalham os sonhos e projetos de vida desta juventude rural, mas, infelizmente, continuam a desejar quando se busca estudar esta categoria quanto às suas “tribos”, às novas formas de comunicação, o seu envolvimento com a cultura e religiosidade da comunidade, bem como juventude rural e festas, levando-se em consideração as mudanças da tradição na era pós- moderna.
A descrição do jovem rural permanece, desta forma, estática, relacionada ao agricultor, ao trabalho familiar, à falta de expectativa futura, ao isolamento do mundo social, e à eterna busca por pertencer ao mundo urbano, como a se a vida no campo não oferecesse meios para construção de seu próprio ser. Entretanto, não desconsideramos aqui que o meio rural, se comparado com o urbano, limita as possibilidades de formação e construção do sujeito, levando-o, muitas vezes, à saída do campo. Nossa preocupação é não generalizar esta decisão, evidenciando o que o jovem do mundo rural é para além disso e em detrimento desta escolha,
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dando voz àqueles que decidem ficar, valorizando o meio rural como um espaço também de vida, sociabilidade e permanência.
Dentro deste contexto, Wanderely (2007) evidencia que para os estudos da juventude é preciso levar em consideração outros aspectos da vida em comunidade, não somente relacionados ao trabalho e à saída do campo para a cidade. De acordo com a autora, vários fatores contribuem também para a permanência destes jovens no seu local de origem, ligadas, por exemplo, às relações familiares e à vida em comunidade que marcam fortemente a vivência cotidiana dos jovens rurais. A família, segundo Wanderley, é entendida, neste sentido, “como uma comunidade afetiva (...) e uma comunidade de interesses, que incorpora a particularidade de ser uma unidade de produção, sob a direção do pai”. O compromisso com a família torna-se, deste modo, “indispensável ao funcionamento e à reprodução da unidade produtiva e se expressa, especialmente, na sua participação no sistema de atividades familiar” (WANDERLEY, 2007, p. 24).
Dentro desta perspectiva, Carneiro (2005) evidencia a necessidade de tratar a categoria juventude rural não em oposição a uma juventude urbana, como um todo homogêneo que se diferencia totalmente dos jovens que vivem nas grandes cidades. A juventude rural também deve ser entendida no plural, formada por jovens que desejam sair, por jovens que desejam ficar e por jovens rurais que assim como os urbanos, “são afetados por uma mesma ordem de problemas de uma sociedade globalizada e subdesenvolvida como a brasileira”. Eles representam uma heterogeneidade refletida na ambigüidade entre os laços de família que os incentiva a ficar e a busca por uma nova sociedade, mais moderna e urbana, “que aparece como referência pra suas elaborações de projeto para o futuro” (CARNEIRO apud CASTAÑEDA, 2011, p. 3).
Então, definir os jovens rurais encontra-se na mesma base para se definir os jovens urbanos, mas com a especificidade de terem como espaço e lugar de vida e como marca de sua situação juvenil o meio rural (WANDERLEY, 2007). Além disso, esses jovens vivenciam uma “mobilidade espacial e simbólica, entre os universos rurais e urbanos” tão importante, que esta se “expressa tanto na dinâmica cotidiana, como nas identidades e formulações de projetos de vida” (MARTINS apud CASTAÑEDA, 2011, p. 4).
Desta maneira, tal como Wanderley, acreditamos que o estudo acerca da juventude rural “supõe a compreensão de uma dupla dinâmica social: por um lado, uma dinâmica espacial que relaciona a casa (a família), a vizinhança (a comunidade local) e a cidade (o
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mundo urbano-industrial)”, e por outro lado, “a vida cotidiana e as perspectivas para o futuro” que encontram-se sempre imbuídas por uma dinâmica temporal:
O passado das tradições familiares que inspira as práticas e as estratégias do presente e do encaminhamento do futuro; o presente da vida cotidiana, centrado na educação, no trabalho e na sociabilidade local e o futuro, que se expressa, especialmente, através das escolhas profissionais, das estratégias matrimoniais e de constituição patrimonial, das práticas de herança e sucessão e das estratégias de migração temporária ou definitiva. As relações sociais se constroem no presente, inspiradas nas tradições familiares e locais – o passado orienta as alternativas possíveis ao futuro das gerações jovens e à reprodução do estabelecimento familiar. Estas dinâmicas se interligam e, através delas, emerge um ator social multifacetário que pode ser portador, ao mesmo tempo, paradoxalmente, de um ideal de ruptura e continuidade do mundo rural (WANDERLEY, 2007, p. 23/24).