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Avrupa Birliği’nde İşgücü Mobilitesi ve Sosyal Güvenlik Açısından Serbest

II. BÖLÜM

2.2. Avrupa Birliği’nde İşgücü Mobilitesi ve Sosyal Güvenlik Açısından Serbest

“Somos sempre o jovem ou o velho de alguém” (BOURDIEU, 1983, p. 113).

O papel dos jovens na mudança geracional é um aspecto central ao se considerar a importância da transmissão de bens culturais acumulados pela humanidade. Vimos no capítulo anterior que as sociedades rurais conservam suas memórias festivas em função do modo de vida mais lento e tradicional se comparado com as grandes cidades. Os jovens destas localidades, dentro desta perspectiva, podem ser considerados, teoricamente, menos influenciados pelas tecnologias e formas de interação eletrônicas o que possibilita que eles usufruam de uma sociabilidade mais tradicional, onde o compartilhamento da cultura e das manifestações coletivas é mais expressivo. No entanto, antes de nos aprofundarmos nesta questão, ou seja, a entrada de novos portadores de cultura, precisamos debater a respeito da categoria juventude, assim como juventude rural, e como elas estão sendo desenvolvidas pelos estudos específicos sobre o tema, principalmente, em relação ao tratamento dos jovens com as culturas tradicionais e a religiosidade.

Em um primeiro momento, devemos nos preocupar quanto à definição do conceito de juventude que é, ainda hoje, muito debatido e levanta muitas questões a respeito de como demarcá-la e significá-la. Os estudos sobre o tema, por sua vez, criticam a delimitação etária estabelecida no Brasil que considera os jovens aqueles entre 15 e 29 anos, mas ao mesmo tempo não conseguem solucionar o problema, uma vez que não se pode reduzir a categoria a uma faixa etária sem ignorar as suas particularidades.

Segundo Durston (1994) esse tratamento dado à juventude, principalmente à juventude rural, decorre “de um estereótipo baseado em uma visão urbana da noção de juventude” que estaria ligada, de acordo com o autor, à “percepção da existência de um espaço cultural propriamente juvenil e do adiamento das responsabilidades e dos papéis dos adultos” (DURSTON apud CARNEIRO, 2005, p. 244). No caso da juventude rural, em que a realidade apresenta-se de forma diferente para ela com o início das responsabilidades para cuidar da casa e da família por volta dos 14 e 15 anos, esta definição torna-se, demasiadamente, simplista e redutora, uma vez que ignora a existência de realidades diferentes e estruturas de

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vida que não comportam tal definição (CARNEIRO, 2005). Do mesmo modo, Carneiro aponta que este reducionismo também encontra lugar quando se trata de juventude urbana já que os dados da pesquisa “Perfil da juventude brasileira mostram que não são apenas os jovens rurais que estão envolvidos com o mundo do trabalho”, mas também os jovens urbanos.

A maioria dos jovens (da cidade e do campo) consultados pela pesquisa que integra o PEA (70%), está trabalhando (36%), já trabalhou e encontra-se desempregado (32%), ou nunca trabalhou, mas está procurando trabalho (8%). No entanto, é importante destacar que o número de jovens que estavam trabalhando na ocasião da pesquisa é maior no campo (41%) que na cidade (35%); acompanhando essa situação, o número de desempregados na cidade é maior (34%) que no campo (25%) (CARNEIRO, 2005, p. 244). Neste sentido, torna-se difícil estabelecer uma classificação para juventude sem que se ignore as suas particularidade e homogeneíze a categoria. De acordo com Wander Torres Costa os jovens não são jovens em todas as épocas e em todos os lugares, sendo a resolução dessa questão fácil de ser respondida somente se analisada do ponto de vista biológico:

Nascer, crescer e morrer faz parte do ciclo humano e na maioria das culturas esses ciclos são representados de forma evolutiva. (...) Todos os grupos humanos possuem indivíduos jovens, mesmo sabendo que alguns pesquisadores não atribuem à juventude um status diferenciado (COSTA, 2010, p. 36).

De acordo com Lutte nas sociedades indígenas, por exemplo, “os ritos de iniciação marcam de forma abrupta a passagem da infância para a vida adulta, sem o espaço temporal da adolescência, como acontece na cultura ocidental, com a “invenção” histórica da categoria juventude” (LUTTE apud COSTA, 2010, p. 36). As sociedades tradicionais, de acordo com Moragas, também estabeleciam de forma mais rigorosa “a passagem ou a transição de uma etapa para outra e definiam a idade adequada para assumir determinados papéis”, ou seja, “para entrar na adolescência, casar e trabalhar” (MORAGAS apud LIMA, 2008, p. 22). No entanto, segundo Costa, “a etapa juvenil faz parte de um processo essencial da reprodução social e, com ou sem rito de iniciação, implica em uma fase de preparação da vida adulta, apenas com prolongamentos diferenciados” (COSTA, 2010, p. 37). Na sociedade de hoje os ritos foram aos poucos perdendo sua importância “e as pressões ficaram cada vez menores ao ceder espaço para a independência pessoal” (LIMA, 2008, p. 22).

Por outro lado, conforme Pais, a juventude, “quando referida a uma fase da vida, é uma categoria socialmente construída, formulada no contexto de particulares circunstâncias

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econômicas, sociais ou políticas”, por isso mesmo, sujeita a modificações ao longo do tempo. De acordo com o autor, algumas fases da vida “apenas são reconhecidas, enquanto tal, em determinados períodos históricos”, ou seja, “em períodos nos quais essas fases de vida são socialmente vistas como geradoras de problemas sociais (PAIS, 1990, p. 146/147). Desta maneira, os estudos de juventude pecam por sua homogeneização no que diz respeito ao seu condicionamento em uma faixa etária com problemas comuns dentro de um mesmo período histórico, variando a problemática com o tempo, mantendo, no entanto, a unidade para todos os que se consideram jovens. Neste sentido, conforme Castro, a juventude encontra-se delimitada e referenciada como um “período de transição para a vida adulta”:

A valorização e associação de fatores físico-biológicos a comportamentos psicológicos e sociais como chaves explicativas privilegiadas para se compreender a categoria estão na base de algumas formulações sobre juventude e se refletem em duas questões centrais: 1) a caracterização de padrões comportamentais que os jovens estão pré-dispostos a reproduzir; 2) a valorização da transitoriedade dessa identidade social (CASTRO, 2009, p. 185).

A idéia de relacionar a juventude a uma faixa etária pré-definida é, dessa forma, alvo de muitos estudos que criticam este tipo de classificação. Segundo Bourdieu, definir como jovens aqueles dentro de uma idade biológica é um dado “socialmente manipulado e manipulável”, pois os iguala em um grupo constituído, “dotado de interesses comuns”, desconsiderando a existência de várias juventudes. “As classificações por idade (...), acabam sempre por impor limites e produzir uma ordem onde cada um deve se manter, em relação à qual cada um deve se manter em seu lugar” (BOURDIEU, 1983, p. 113). Conforme Castro, a juventude, ao longo do tempo, “foi uma categoria ordenadora de organizações de representação social”, sendo utilizados critérios de idade e/ou comportamento para defini-las. Segundo a autora, a juventude se tornou, desta maneira, uma categoria passível de uma significação universal, com definições a partir de elementos “físico/psicológicos (...) e das mudanças físico/biológicas e/ou comportamentais” a que está sujeita (CASTRO, 2009, p. 184).

Por essa razão, tal como Groppo (2000), compreendemos juventude como uma categoria social que vai além da simples definição de faixa etária de transição entre a fase da adolescência e a fase adulta. Em vista disso, não definiremos o conceito, pois, por não podermos classificá-la como um grupo homogêneo e específico, acreditamos que a juventude,

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tal como Bourdieu (1983) não está dada, tendo sido, na verdade, uma categoria construída socialmente que, em função disso deve ser analisada a partir de um contexto particular de formas de vida e conduta.