İŞLETMELERDE BECERİ EĞİTİMİ
2.2.6. AVRUPA BİRLİĞİ’NDE TURİZM EĞİTİMİ
A nova ordem mundial, caracterizada pela tecnização, informatização e globalização, colocou o conhecimento em posição singular de fonte de poder e provocou profundas alterações na organização do trabalho que passou do paradigma industrial (modelo taylorista-fordista), para uma sociedade baseada na informação e no conhecimento.
Para distinguir essa nova ordem mundial,distintas áreas do conhecimento, batizaramcomo: Sociedade da Informação; Sociedade do Conhecimento; Sociedade Pós-Industrial; sociedade em rede, economia Informacional, economia da Inovação e economia do conhecimento (LASTRES; ALBAGLI, 1999).
Segundo as autoras supracitadas, embora não haja um consenso sobre o termo, todos voltam seu significado para o atual momento por que passa a sociedade, sinteticamente qualificado pela informação ser um bem comercial; pela valorização do saber como fator econômico; pela revolução das tecnologias de informação e comunicação; pela interferência da tecnologia no “ciclo informacional”; pela ruptura das barreiras do tempo e espaço e, finalmentepela explosão informacional.
Assim, Lastres e Albagli (1999)expõem como a configuração do padrão sociotécnicoeconômico emergente está centralmente baseado e organizado em torno das atividades de geração, recuperação e uso de informações e conhecimentos, que por sua vez, reestruturam as múltiplas questões de caráter econômico, comercial, político, tecnológico, sociocultural e ético.Para Tigre (2006), à medida que a economia se desmaterializa, o conhecimento assume um papel cada vez mais importante na dinâmica econômica e social. O autor reforça que o conhecimento, na atualidade, constitui fator de produção ainda mais importante, para o processo produtivo moderno, que os fatores tradicionais: terra, trabalho e capital.
Jardim (2000)descreve a sociedade da informação e do conhecimento como:
[...] conglomerado humano cujas ações de sobrevivência e desenvolvimento estejam baseadas predominantemente em um intensivo uso, distribuição, armazenamento e criação de recursos de informação e conhecimentos, mediados pelas novas tecnologias de informação e comunicação (JARDIM, 2000, p. 7).
Nesse sentido, esse novo modelo de configuração social é compreendido como aquele no qual a informação é o principal fator estratégico de riqueza e poder, tanto para as organizações quanto para os países.Nessa nova conjuntura, o conhecimento e a inovação são fatores imprescindíveis para a produtividade e o desenvolvimento econômico (DRUCKER, 1994; FUKS, 2003).
Castells (2002), ao discutir o assunto, explica que a origem desse contexto remonta à iniciativa tomada para criação e expansão da internet nos Estados Unidos da América (EUA) durante o período conhecido como Guerra Fria, especificamente, nos anos 60. Takahashi (2000) também explora a questão argumentando que o programa High Performance Computing and Communications(HPCC), que ganhou notoriedade mundial a partir de 1991-1992, pode ser considerado o começo do processo que, hoje, perpassa governos e empresas sob o rótulo de “Sociedade do Conhecimento”.
As novas tecnologias desenvolvidas tornaram fáceis e ágeis a armazenagem e a transmissão de dados e acabaram por culminar num fenômeno global cuja estrutura e dinâmica das atividades, inevitavelmente, são, em alguma medida, afetadas pela
infraestrutura das informações disponíveis (ARAÚJO e FARIAS, 2007; TAKAHASHI, 2000).
No entanto, a informação isolada, sem contexto, não tem valor, que consiste em possuir a sabedoria de usá-la para a tomada de decisão. O material bruto transforma-se em capital intelectual a partir do momento em que agrega valor aos produtos e serviços.
O poder da informação é medido pelo efeito que provoca sobre o processo decisório. Por ser um bem intangível, não é possível quantificá-lo e, assim sendo, sua importância está associada ao contexto, isto é, a mesma informação pode ser de extrema utilidade numa situação e inútil em outra. Moresi (2001) classifica seu “peso” em: valor de uso (relevância para a utilização final da informação); valor de troca (o usuário pagará pela informação); valor de propriedade (reflete um custo sobre a informação) e valor de restrição (informação de uso privativo).
McGee e Prusak (1994) afirmam que o valor da informação é determinado e medido pelo usuário. Assim, pode-se dizer que a informação, para ser útil, depende da análise realizada pelo individuo conforme sua necessidade as circunstâncias de aplicabilidade.
Embora a informação seja um ativo que precisa ser administrado, da mesma forma que os outros tipos de ativo representados pelaspessoas, capital, propriedade e bens materiais, ela representa uma classe particular de ativo. A diferença decorre do próprio potencial da informação assim como do desafio de administrá-la ou gerenciá- la: a informação é infinitamente reutilizável, não se deteriora nem se deprecia, e seu valor é determinado exclusivamente pelo usuário (McGEE;PRUSAK, 1994).
A informação se tornou recurso significativo da sociedade e a forma como as organizações a criam, organizam e processam, a fim de gerar novos conhecimentos através da aprendizagem organizacional,ostenta caráter estratégico (DRUCKER, 1994).
Assim Takahashi (2000) conceitua sociedade da informação:
[...] um fenômeno global, com elevado potencialtransformador das atividades sociais e econômicas,uma vez que a estrutura e a dinâmica dessas atividadesinevitavelmente serão, em alguma medida, afetadaspela infraestrutura de informações disponível.(TAKAHASHI, 2000, p.5).
A humanidade, conforme Toffler (1987), sofreu três ondas revolucionárias que modificaram totalmente sua estrutura. No livro “A terceira onda” (The Third Wave),o autor argumenta que a primeira onda originou-se do setor primário, isto é, da atividade agrícola, nelaa terra e a mão de obraforam os fatores críticos para determinar o sucesso econômico. A segunda onda baseou-se nas modificações ocorridas na sociedade com base na revolução industrial. Na terceira onda a tecnologia ganhou importância e, o capital e o trabalho passaram a ser as forças motrizes do desenvolvimento econômico. Já na atual quarta onda, o conhecimento deixa de ser um fator de produção para se tornar a essência da geração de riqueza.
O mesmo autor, no livro “Criando uma nova civilização”, de 2003, explicita que por trás dessa realocação de poder, existe uma mudança no papel, na significação e na natureza, em especial, do conhecimento. No quadro comparativo abaixo tem-se uma compreensão mais objetiva das diferenças entre uma organização da segunda onda – da sociedade industrial – e a organização contemporânea.
Quadro 2 - Diferenças marcantes entre a sociedade do conhecimento e a sociedade moderna
Elementos Sociedade do Conhecimento Sociedade Industrial Moderna
Produção Acionada pelos investimentos em inovação tecnológica realizados pelo Estado e empresas multinacionais que usam simultaneamente gigantesca máquina de propaganda e através da mídia induzem os consumidores a adquirir os bens produzidos
Acionada pela pré-existência de uma demanda por bens, para atender às necessidades da população, induzindo os proprietários de capital a produzirem esses bens.
Crescimento econômico
Gerado pela acumulação de capital e por outros fatores cujo determinante é o conhecimento e a informação
Gerado consideravelmente pela acumulação de capital.
Classe dominante Tecnocratas e burocrata que administram o conhecimento e a informação.
Classe operária e sindicatos.
Noção de tempo Intemporal reduzido ao instante, cultura do efêmero, da virtualidade.
Cronológico, grande evidência ao mundo real.
Conceito de ambivalência
Objeto e eventos possuem grande possibilidade de ocupar mais de uma categoria, são ambivantes por natureza, como consequência: sensação de confusão, perda do controle, incerteza. Não aceitação da casualidade.
Ordenada, com categorias claras e distintas, existindo uma ordem e pouco espaço para ambivalência, negação do acaso ou da contingência. Representa a luta contra a ambivalência.
Fonte: FUKS, 2003.
Toffler (1987), Savage (1996) e Vivacqua (1999), conforme figura 1, identificam a evolução social em “quatro ondas” – das ondas do músculo para as ondas do cérebro – e explicam que o mundo evolui em saltos e os negócios não foram melhorados, mas reinventados.
Figura 1 - Ondas de mudança da sociedade
Considerando-se o paradigma da quarta onda – conhecimento – tem-se que as organizações ainda enfrentam desafios para atingir o status de “Organizações do Conhecimento”. Discorrendo sobre a questão, Gouveia (2001) assinala os problemas de:
a) Estratégia: não se sabe quais, ou não se têm os dados necessários;
b) Definição: não se sabe o que se tem, ou os processos associados aos dados; c) Acesso: não acessíveis, ou não partilhados;
d) Quantidade: de mais ou de menos; e) Qualidade: erros, redundância;
f) Novas necessidades: não satisfeitas; g) Utilização: não eficientes, ou não utilizados; h) Segurança: acesso, vírus, salvaguarda; i) Privacidade: legislação, dados sensíveis; j) Organização: não explícita;
k) Difícil valorização: quanto vale um registro?
Segundo Choo (2003), uma das formas das organizações se adaptarem ao novo cenário, possibilitando crescimento sustentável e vantagem competitiva, é a utilização das informações em três “etapas estratégicas”. Primeiro a empresa interpreta a informação sobre o ambiente, dá significado ao que acontece à organização e ao que ela faz. Depois cria novos conhecimentos, combinando a experiência de seus membros para aprender e inovar. E, enfim, processa e analisa a informação e dados, escolhendo e empreendendo cursos de ação apropriados.
A informação é a base do procedimento para apoiar as estratégias e processos de tomada de decisão, bem como o controle das operações empresariais. É um ativo intangível acumulado vagarosamente ao longo do tempo e, dessa forma, impossível de ser negociado ou facilmente imitado por concorrentes, uma vez que representa a história e cultura de uma dada organização. Quanto mais especificidades esse conhecimento demonstrar em relação à organização, mais ele se converterá em ativo estratégico (FLEURY, 2001).
Drucker (1993), Lemos (1999) e Fuks (2003) destacam que a sociedade do conhecimento é compreendida como aquela na qual o conhecimento é o principal
fator estratégico de riqueza e poder, tanto para as organizações quanto para os países. Nessa nova sociedade, a inovação tecnológica, ou Novo Conhecimento, passa a ser um fator primordial para a produtividade e para o desenvolvimento econômico dos países.
No quadro 3, são apresentadas as principais características da sociedade do conhecimento, baseado na manifestação dos principais autores sobre o tema:
Quadro 3 - Características da Sociedade do Conhecimento
Autor Características
Borges, 1995; Furks, 2003 Os produtos são valorados pelo conhecimento neles embutido. Assim, o poderio econômico das organizações e dos países está diretamente relacionado ao fator conhecimento.
Mattelart, 2005; González de Gómez, 2002
A pesquisa científica tornou-se fundamental para o desenvolvimento dos países.
Drucker, 1993; Nonaka; Takeuchi, 1997; Choo, 2003
A criação de conhecimento organizacional tornou-se um fator estratégico chave para as organizações, sendo fonte de inovação e vantagem competitiva.
Gómez, 1995, 2002 O conhecimento, a comunicação, os sistemas e usos da linguagem tornaram-se objetos de pesquisa cientifica e tecnológica, sendo o estado um agente estratégico para o desenvolvimento científico.
Fuks, 2003; Mattelart, 1997; Cortés, 2005
Os fluxos de informação e conhecimento entre países, são acrescentados aos fluxos de capital e de bens já existentes, tornando-se uma economia transnacional.
Lévy, 2000; Vaz, 2004 Ocorreu uma mudança no paradigma de comunicação, a lógica comunicacional de “um para muitos" foi substituída pela de “muitos para muitos", impulsionado pelo surgimento da Internet como meio de disseminação de informações e pelas novas tecnologias motivadas pela digitalização de documentos. Fonte: adaptado de diferentes autores.
Para Senge (2009), na Sociedade do Conhecimento, a capacidade de aprendizagem assume, cada vez mais, um lugar privilegiado nas interações sociais, por isso, esse autor propõe a formação de organizações de aprendizagem, nas quais as pessoas expandem continuamente sua capacidade de atingiros resultados que realmente
desejam, de onde surgem novos e elevados padrões de raciocínio, em que a inspiração coletiva é libertada e as pessoas aprendem continuamente a aprender em grupo.
Segundo Albagli e Maciel (2003), a chamada era da informação e do conhecimento, embora assumindo uma dimensão global, expressa: (a)a diferenciação entre realidades culturais e projetosde sociedade, ou seja, entre comunidades territoriais e segmentos sociais diversos; (b) a desigualdade entresociedades com distintas condições de desenvolvimento,bem como entre segmentos de diferentes níveissocioeconômicos no interior de uma mesma sociedade.
A Sociedade do Conhecimento envolve uma dimensão mais abrangente, de transformação social, econômica, cultural, institucional e política, tendo assim uma conotação mais pluralista de desenvolvimento.Observa-se que, atualmente, o conhecimento é a chave principal para o crescimento da organização no mercado competitivo e que o foco no conhecimento pressupõe uma preocupação maior com a eficiência, e dentro disso tem-se uma busca incessante pelo o ideal, pelo acesso direto, sem fronteiras, as mais variadas fontes de informação. Daí, se dizer que pertencer à sociedade do conhecimento, necessariamente, imagina-se ter acesso e domínio aos meios de informação, além de conhecer e reconhecer os processos, desenvolvimento e aplicação dessas informações.
Ressalta-se que a economia, na era do Conhecimento, oferece recursos ilimitados, dada a amplitude da capacidade humana de produzir conhecimento, que por sua vez, possui uma dimensão sustentável visto que, ao contrário dos recursos físicos, eledesenvolve-se quando é compartilhado.