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II. ARAŞTIRMANIN SINIRLANDIRILMASI

3.2 İBN ABBÂS’IN HAC İBADETİ İLE İLGİLİ GÖRÜŞLERİ

3.2.21 İhramlı İçin Yasak Olan ve Yasak Olmayan İşler

3.2.21.10 Avlanma

Primeiramente, esta seção busca explicar o que são as linhas de concordância para, na sequência, fazer a relação deste tipo de material com o ensino e com esta investigação.

Ao pesquisarmos uma palavra ou expressão em um corpus, a palavra de busca, também chamada palavra nódulo, aparece listada verticalmente em suas várias ocorrências nos seus textos, uma embaixo da outra. Em cada ocorrência ela aparece centralizada e cercada por 7 ou 8 palavras à esquerda e à direita. Essas são as linhas de concordância, também chamadas de “Key-Word-In- Context (ou KWIC concordances)” (O'KEEFFE, MCCARTHY e CARTER 2007, p. 8), como mostra a FIG. 1.

A FIG. 1 exemplifica a extração de linhas de concordância da palavra play, retirada da plataforma do The Corpus of Contemporary American English (doravante COCA)25, na qual a palavra nódulo, que é a palavra em estudo e foi colocada na busca, encontra-se em destaque, centralizada. Dessa maneira, a palavra pode ser lida em cada uma das suas ocorrências no corpus. Uma concordância, de acordo com Sinclair (1991, p.32), “é uma coleção de ocorrências de uma forma da palavra, cada uma dentro do seu contexto”26. Por meio dos exemplos selecionados, até mesmo estudantes menos proficientes podem evocar os diferentes sentidos do vocábulo.

FIGURA 1 – Exemplos de linhas de concordância da palavra play. Fonte: COCA.

A discussão a respeito das linhas de concordância é instigada, nesse estudo, pelo ensino de sinônimos e pelo seu uso na língua. Na escola se aprende que muitas palavras apresentam sinônimos, os quais teriam sentido semelhante ou aproximado a um item lexical. Tal interpretação pode trazer dúvidas e ser responsável por equívocos no uso da língua estrangeira, já que palavras

25http://corpus.byu.edu/coca/ 26

A concordance is a collection of the occurrences of a word-form, each in its own textual environment. (SINCLAIR, 1991, p. 32)

ditas sinônimas podem ocorrer com sentidos diferentes associados a um conjunto distinto de padrões (SINCLAIR, 1991). Outrossim, gramaticalmente pode não haver impedimento no intercâmbio de palavras, mas para efeito de sentido o engano no uso de algumas palavras não equivale à comunicação natural. A expressão we are in trouble, muito habitual na língua inglesa, por exemplo, não poderia ser substituída por *we are in problem. Isto posto, a explicação didática para a ocorrência da primeira em detrimento da segunda expressão, pode ser corroborada por meio do uso de dados da língua, como explica Paulino (no prelo). Dito de outro modo, o estudante só passará a notar a diferença no uso das palavras ao ser exposto à um número razoável de textos em língua inglesa com tais ocorrências.

Todos estamos familiarizados com a situação em sala de aula na qual recorremos a

afirmação ‘é porque é assim que se diz’, quando confrontados com uma pergunta

embaraçosa de um estudante sobre porque algo é dito de tal forma, e, muitas vezes, o que estamos de fato explicando é uma forte preferência estatística que pode ser poderosamente demonstrada pela utilização de dados de corpus. A resposta, em última análise, é ainda

que a colocação nos mostra ‘a forma como dizer’, mas ganharemos uma confiança

considerável como professores se pudermos apresentar algo como uma colocação difundida e frequente ao invés de uma única ocorrência em um texto particular no qual estamos trabalhando.27 (O'KEEFFE, MCCARTHY & CARTER, 2007, p. 59)

A disposição das linhas de concordância no corpus facilitam a observação e a análise de padrões gramaticais e lexicais antes e depois da palavra em estudo. A propósito, em consonância com O'Keeffe, McCarthy e Carter (2007, p. 8), nossa cultura ocidental, habituada com a leitura da esquerda para a direita, é desafiada a “ler de uma maneira totalmente nova, verticalmente, ou até mesmo do centro para fora em ambas as direções”28. Por meio das linhas de concordância pode-se notar as palavras que ocorrem mais repetidamente e com significância estatística no ambiente semântico.

As linhas de concordância podem facilitar o aperfeiçoamento do uso da língua por meio de sua grande amostra de colocações e da possibilidade de visualização dos padrões léxico- gramaticais, os quais comprovam que a língua não é formada somente por palavras individuais,

27We are all familiar with the situation in class where we fall back on the statement ‘that’s just the way we say it’, when faced with an awkward question from a student about why something is expressed the way it is, and often, what we are really explaining is a strong statistical preference which can be powerfully demonstrated by the use of corpus data. The answer, in the final analysis, is still that collocation shows us ‘the way we say it’, but we can gain considerable confidence as teachers if we can present something as a widespread and frequent collocation rather than a one-off occurrence in the particular text we are working with. (O'KEEFFE, MCCARTHY & CARTER, 2007, p. 59).

28(…) we are accustomed, in Western cultures, to reading from left to right. Concordance lines challenge us to read

in an entirely new way, vertically, or even from the centre outwards in both directions. (O'KEEFFE, MCCARTHY e CARTER 2007, p. 8)

mas, possui, por exemplo, unidades pré-fabricadas (BERBER SARDINHA, 2009), como em: make a mistake, have breakfast e take a shower. Sendo assim, a leitura de uma sucessão de linhas de concordância na sala de aula demonstrará que as escolhas linguísticas de um usuário respeitam a padronização, a qual “se evidencia pela recorrência, isto é, uma colocação, coligação ou estrutura, que se repete significativamente, mostra sinais de ser na verdade um padrão lexical ou léxico-gramatical” (BERBER SARDINHA, 2000, p. 29).

Para se promover uma discussão pedagógica que envolva a reflexão e análise dos dados na sala de aula, uma das práticas a serem mencionadas neste estudo é a análise das linhas de concordância. Apesar de reconhecer que tal análise pode ser árdua e, portanto, ineficiente para estudantes iniciantes pelo fato de exigir habilidades linguísticas mais desenvolvidas, como dito anteriormente, há a possibilidade de o professor fazer algumas análises direcionadas em conjunto com os estudantes, de conduzir o estudo com grupos mais avançados e de proporcionar o uso adequado ao seu contexto.

A centralização da palavra chave no corpus (KWIC) facilita a visualização da mesma em diferentes ambientes textuais e é fonte de investigações acerca do léxico e da gramática no estudo movido por dados. Além disso, Sinclair (1991) observa a possibilidade de se visualizar o contexto expandido da palavra (FIG. 2), ao clicarmos na palavra nódulo, que também pode ser apreciado na plataforma da Brigham Young University29, a partir da qual podemos acessar o Corpus of Contemporary American English (COCA).

FIGURA 2 – Um dos contextos expandidos da palavra play. Fonte: COCA.

Como dito anteriormente, a concordância, que pode ser assinalada como instrumento principal no emprego de corpus no ensino, é utilizada para exemplificar o uso de itens linguísticos e as situações em que ocorrem, “Uma concordância consiste de uma listagem dos contextos (palavras ao redor) nos quais um dado item (palavra isolada, composta, estrutura, pontuação) ocorre.” (BERBER SARDINHA, 2004, p. 272). Por meio delas os professores podem identificar formas-padrão e estruturas mais recorrentes com a palavra selecionada, destacar em suas aulas

diferentes aspectos lexicais da língua, como sinônimos, palavras colocadas à direita e à esquerda, preposições utilizadas para determinados substantivos, prefixos, sufixos, entre outras observações acerca de sentido e estrutura. As linhas de concordância podem servir também como estímulo a consciência crítica e análise de dados, visto que “as concordâncias auxiliam no desenvolvimento de habilidades de seleção e extração de esquemas, que são processos cognitivos fundamentais na aprendizagem de língua materna e estrangeira.” (KETTEMAN 1997, apud BERBER SARDINHA, 2004, p. 273).

O trabalho com os dados não deve tornar-se exaustivo para o professor ou para o estudante, pois essa importante inovação se tornará eficiente caso se acomode dentro da rotina comum à sala de aula (MAURANEN, 2004). Segundo a autora, os estudantes precisam de acompanhamento e orientação para lidarem com os dados disponibilizados e, de início, até mesmo as linhas de concordância cuidadosamente selecionadas pelo professor ou editadas podem ser difíceis para os alunos, mas com o tempo, tornam-se parte da rotina de estudo.

O que precisamos é de pacotes de programas de fácil-utilização, com concordanciadores simples e bons exercícios de iniciação. Fazer com que corpora tornem-se assunto habitual na formação de professores vai certamente servir para estabelecer o uso de corpora na sala de aula, contudo, para acelerar o processo, os cursos de formação em serviço para a prática de professores devem ser levados a sério. (MAURANEN, 2004, p. 100).30

De acordo com Berber Sardinha (2011b) o professor linguista de corpus não depende apenas de si mesmo e dos materiais convencionais para dar aula. Ele busca auxílio dos dados autênticos, das concordâncias e de informações concretas provindas de corpus, fazendo uso de materiais prontos, ou de fácil confecção, que deveriam ser tomados como instrumento de trabalho. A proposta de uso da LC para estudantes iniciantes, algumas vezes questionada por professores tendo em vista o nível de dificuldade que pode envolver, pode se basear até mesmo na escolha de palavras isoladas para o trabalho com o vocabulário, cuja frequência seja significante no uso da língua, pois as palavras, consideradas unidades mínimas de sentido, “carregam características gramaticais importantes, tais como a capacidade de mostrar número, pessoa, tempo, classe de palavra, etc.31” (O'KEEFFE, MCCARTHY e CARTER 2007, p. 58). Tomemos como exemplo a palavra actresses, que indica o gênero (feminino) por meio da sufixação e o número

30 What we need is user-friendly program packages, with simple concordancers and good initiation exercises. Making

corpora a normal part of teacher education will certainly serve to establish corpora in the classroom, but to speed things up, in-service courses for practising teachers should be taken seriously. (MAURANEN, 2004, p. 100). 31 Words, after all, carry important grammatical characteristics such as the ability to show number, person, tense, word-class, etc. (O'KEEFFE, MCCARTHY e CARTER 2007, p. 58).

(plural) por meio da partícula “es”. Já o verbo saw indica tempo (passado), ao passo que sees, indica o tempo presente e a terceira pessoa do singular.

O trabalho com o vocabulário pode ser feito, ao mesmo tempo, por meio de expressões comumente utilizadas na língua estrangeira como os cumprimentos e outros termos do dia a dia, facilmente introduzidos em tarefas desde os níveis mais elementares. As preferências colocacionais dos usuários da língua, a serem discutidas posteriormente, também podem fazer parte do programa de ensino para esses grupos.

Segundo Berber Sardinha (2011b), atividades centradas nas linhas de concordância levam os estudantes a buscarem regularidades no uso da língua e, por meio dos padrões, a descobrirem “a resposta para questões importantes do aprendizado de uma língua estrangeira, como o significado de palavras e expressões, o uso de classes gramaticais, além de questões relativas ao texto acadêmico e à cultura da língua estudada.” (BERBER SARDINHA, 2011b, p. 307). Para o autor, o professor não tem a obrigação de saber todos os padrões existentes nas linhas selecionadas, mas pode auxiliar seus alunos a encontrarem aqueles que são primordiais para um certo uso, evidenciando que há mais a ser explorado e descoberto nos dados apresentados. Além disso, podem ser acrescentados exercícios com o uso de perguntas, gráficos, combinação de uma coluna com outra, cloze activity, entre outros.

A partir dos exemplos de como utilizar as concordâncias, compreende-se que muitas atividades didáticas poderão ser desenvolvidas por meio deste instrumento da LC pelos professores das escolas públicas de Contagem. Outra sugestão é dada no trabalho com os colocados, apresentado a seguir.