C. TEKNİK ANLAMDA SİLAH VE TEKNİK OLMAYAN ANLAMDA
2. Teknik Olmayan Anlamda Silah
De acordo com Christenson et.al. (1994) e Miltenberger et al.(2003), os sintomas começam a surgir aos 17,5 anos de idade. Em levantamento bibliográfico, Black (2007b) nota que existe variação quanto à idade de início do quadro, que se deve à diversidade de seleções de amostras. Benmoyal-Bouzaglo e Moschis (2009), Tavares et al. (2008) e Norum (2008) relacionam o final da adolescência ao início da emancipação financeira e familiar, por conta das primeiras ofertas de crédito, corroborando os achados de Koran et al. (2006). Filomensky, Tavares e Cordás (2008) afirmam que é por volta dos 30 anos o momento que costuma ocorrer a identificação do problema. Em geral, o transtorno acaba agravando-se à medida que o tempo avança.
Pode haver eventos que antecedam o início do comprar compulsivo, associados não só ao acesso ao cartão de crédito, mas também a momentos de mudanças importantes na vida, como no caso de um divórcio ou do início da adolescência, quando o jovem entra no ensino médio (MILTENBERGE et al., 2003). Os filhos de pais com melhores condições financeiras não estão tão sujeitos ao comportamento quanto aqueles cujos pais possuem piores condições. Pode-se também considerar que quanto maior o recurso, mais o comportamento é camuflado (NORUM, 2008), assim como o acesso ao cartão de crédito oferece a sensação de pertencimento ao grupo de jovens a que pertence (WANG; XIAO, 2009; BENMOYAL- BOUZAGLO; MOSCHIS, 2009). Esses aspectos mostram que há uma dependência comportamental em processo de instalação, frequentemente negada ou até muitas vezes apoiada pela própria família, que em consonância com a sociedade oferece suporte para esse tipo de dependência.
Poucos autores sugerem claramente como agir nesse sentido. Entretanto, Wang e Xiao (2009) apontam fatores que colaboram para a boa administração dos recursos, como é o caso do “social support”, proveniente de amizades que ofereçam conselhos e ajuda e que compartilhem emoções e preocupações, aspecto que pode ser comparado ao apoio emocional entre casais. Os pais representam um modelo importante quanto ao uso do cartão, e seu suporte não inclui somente ajuda financeira, mas também comunicação e educação.
4.4.1 Dados epidemiológicos
Apesar de ainda não ter sido feito no Brasil um levantamento que pudesse indicar a ocorrência da oniomania, é conhecido um indicador sobre o nível de endividamento da família brasileira. Para aquelas que ganham até dez salários mínimos, uma em cada doze famílias brasileiras é superendividada e gasta mais de 30% do que ganha para sair desse problema (Fecomercio, 2012). O termo refere-se àquelas famílias em que os gastos são maiores que a renda, ou seja, é a impossibilidade de o devedor – pessoa física, consumidor, leigo e de boa-fé – pagar todas as dívidas atuais e futuras de consumo (excluindo as do Fisco, as dos delitos e as de alimentos), em tempo razoável, com sua capacidade atual de renda e de patrimônio (Educa Procon SP, 2012).
Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o índice que diagnostica o nível de endividamento e inadimplência para famílias com renda até dez salários mínimos (PEIC – Pesquisa de Endividadmento e Inadimplência do Consumidor) apontou, em fevereiro de 2012, que a porcentagem geral de famílias paulistanas endividadas era de 44,58%. Em março, o índice aumentou para 55,14%. O tipo de dívida mais comum era o referente a cartão de crédito (apontado por 73% das famílias), seguido dos carnês (22%) e do crédito pessoal (12,1%) (CNC, 2012). Esses dados configuram um quadro em que a classe média pode se encaixar perfeitamente, em especial porque o problema está atrelado ao uso do cartão de crédito e a juros altos.
Uma forma de compreender esse cenário está no aumento do índice de confiança do consumidor, que indica a confiança do cidadão na economia nacional e na de sua família. Em relação aos períodos acima, verifica-se a manutenção da trajetória de queda do desemprego. Embora esses dados não nos permitam distinguir, no cenário brasileiro, o comprador compulsivo e o não compulsivo, podemos considerar que a economia aquecida poderia exercer influência nos índices numéricos associados às compras compulsivas.
O superendividado encontra-se em uma situação que não permite o pagamento de suas dívidas sem que isso afete seu sustento e o de sua família, razão pela qual muitos familiares acabam descobrindo o problema da oniomania e buscam ajuda.
Com os diversos artigos elaborados na década de 1990 sobre a oniomania, é possível observar variações nas prevalências populacionais em relação ao transtorno. Além disso, o crescente interesse na época pelo transtorno levou os pesquisadores a elaborar instrumentos
que pudessem avaliar a oniomania. Em 1989, Faber e O’Guinn usaram uma amostra clínica que, comparada com não compradores, indicou que 5,9% da população dos Estados Unidos pode ser considerada compradora compulsiva. Em torno de 2000, surgem mais pesquisas indicando o aumento dessa incidência. Kuzma e Black (2004) observaram que as margens da epidemiologia variam de 1,8% a 16% da população dos Estados Unidos – curiosamente, as mulheres compõem de 80% a 95% dessas porcentagens. Ao longo do tempo, eles verificaram uma aproximação entre o número de mulheres e de homens daquele país afetados pelo transtorno. Posteriormente, Kuzma e Black (2006), apoiados nos dados de McElroy (1994), registraram uma variação de 2% a 8% entre os norte-americanos.
Koran et al. (2006) utilizaram uma amostra telefônica e entrevista estruturada (n=2.513) e estimam que a oniomania atinja 5,8% da população norte-americana. Desse montante, 6% são mulheres e 5,5%, homens – o que mostra pouca diferença de gênero.
Quanto à idade da população, Norun (2008) investigou a forma de uso do cartão de crédito, habilidades e comportamentos de compras, entre outros dados. Delineou uma pesquisa quantitativa com seleção da amostra via e-mail e preenchimento de questionário via internet (n=7.342). Observou que de 6% a 9% dos jovens participantes foram identificados como compradores compulsivos.
Quanto à questão de gênero, na maior parte dos casos, o diagnóstico de compras compulsivas refere-se a pessoas do sexo feminino. Segundo Neuner, Raab e Reisch (2005), as mulheres representam de 80% a 95% dos pacientes, mesmo percentual constatado por Kuzma e Black em 2004. Em pesquisas, cujas amostras são clínicas, o fator gênero acaba por evidenciar mais esta questão. Quando a pesquisa é quantitativa e há escolha aleatória da amostra, a questão de gênero se dissolve. É possível, também, que as mulheres busquem ajuda mais cedo e mais vezes do que os homens, especialmente quando há sintomas de depressão e de ansiedade.
Lejoyeux et al. (2007) observaram, em certa ocasião, que, entre 200 mulheres entrevistadas em uma grande loja de departamentos de Paris, 32,5% eram compradoras compulsivas, mas não deveriam deixar de reconhecer que estes são locais mais frequentados por mulheres. Os autores apontam haver diferenças entre mulheres que, compradoras compulsivas, tenham ou não tenham depressão; as primeiras são, em geral, casadas e mais propensas a comprar sozinhas, gastando o dinheiro do marido e considerando-o, assim, seu apoio financeiro. Esses estudiosos não comprovam, porém, se o fato de as mulheres serem casadas ou solteiras é causa ou consequência do comportamento de comprar. Os achados de
Koran et al. (2006), de Billieux et al. (2008) e de Lejoyeux et al. (2005) destacam a existência de um consenso equivocado sobre as mulheres. Apesar de elas apresentarem maior vulnerabilidade, a questão de gênero não se faz presente. Uma explicação para isso é o viés que se constrói em relação às mulheres por elas atrelarem sua identidade ao ato de comprar, sendo capazes de experimentar as compras como uma forma de interação social e de relaxamento, enquanto os homens vivenciam a compra como um ato de trabalho, que desejam encerrar rapidamente. Black (2007a) acredita que os estudos, em geral, acabam por “construir” tais diferenças, pelo fato de as mulheres considerarem que gostam de fazer compras e os homens, de colecionar objetos.
É interessante notar que em algumas pesquisas mais antigas, o gênero teve influência nos resultados e, nas mais recentes, tal questão aparece equilibrada. A cultura se encarrega de criar as diferenças sociais entre homens e mulheres. Entretanto, apoiar a ideia de que a mulher é mais voltada ao comportamento apenas contribui para reforçar as diferenças de gênero. Neste sentido, são necessárias mais pesquisas que possam indicar se as compras compulsivas estão associadas à questão de gênero.