2. BÖLÜM AVRUPA BİRLİĞİ ve AVRUPA BİRLİĞİ-TÜRKİYE SÜRECİ
2.1 Avrupa Birliğinin Tarihsel Gelişimi
2.1.6 AT’da ve AB’de Genişleme Süreçleri
É fundamental que se reconheça, também, que o campo da comunicação tem, hoje, uma centralidade dos fluxos de informação e sentido que conformam o que chamamos de realidade social para o meio digital.
Vivemos, em grande medida, cada vez mais numa cultura midiática digital, espetacularizada e performática, na qual formulações identitárias, estilos de vida, bem como as diversas estratégias narrativas que contribuem para a organização de nossa vida social, são forjados no interior do ambiente comunicacional, com destaque para sua vertente midiática, povoada de riscos e variados personagens, fantasias e enredos.
Atualmente, assistimos à presença crescente de uma comunicação estetizada, apoiada sobre novas tecnologias digitais, crescentemente, rotuladas de “interativas e convergentes”; interativo no sentido de o emissor procurar ser também o receptor. A interação compreende sempre o Alter e o Ego (RECUERO: 2010, apud PARSONS; SHILL), como elementos fundamentais, em que um constitui-se em elemento de orientação para o outro, como na conversação, em que a ação de um ator social homem- homem depende da percepção daquilo que o outro está dizendo. A interatividade no ciberespaço homem-máquina, segundo Raquel Recuero, dar-se-á de forma síncrona e assíncrona mútua e reativa.
Seja lá como for o processo de interatividade se dá, realmente, mas de uma forma volátil e pobre, pois não há nada mais concreto e verdadeiro do que uma interação real, tête-à-tête, em que os autores possam ter um contato real, sentir o cheiro, as expressões e impressões, os gestos, o olhar em si. Já para Jean Baudrillard: "[...] não há interatividade com as máquinas (tampouco entre os homens, de resto, e nisso consiste a ilusão da comunicação). A interface não existe. Sempre há, por trás da
aparente inocência da técnica, um interesse de rivalidade e de dominação” (BAUDRILLARD, 1997, p.133).
A comunicação, portanto, não se resume mais aos meios de comunicação tradicionais (apesar de possuírem ainda um enorme poder simbólico): cada vez mais ela vem se configurando num grande ambiente virtual, no qual todos nós estamos inseridos queiramos ou não. O campo da comunicação tem, hoje, um papel-chave no capitalismo, constituindo-se numa verdadeira rede, capaz de acolher a multiplicidade de contextos, identidades, universos simbólicos, interesses ou discursos que, na sua existência plural, simultânea e imaterial, caracterizam o que, na falta de expressão melhor, temos denominado cultura digital contemporânea.
A partir de certo ponto da trajetória de nossa sociedade ocidental, foi possível perceber que a mídia, nas suas várias versões e formatos, constituía-se, num importante polo irradiador de sentidos e representações, rivalizando em importância e força com a chamada “vida cotidiana de atores e personagens” que, fora das telas, interagiam presencialmente.
Mais recentemente, as fronteiras entre um lado e outro da tela de um computador ou de um aparelho celular diluem-se de tal maneira, que somos, todos, invadidos pela dramática realidade de nossas ficções midiáticas, ficando, assim, praticamente impossível demarcar com clareza os limites entre telerrealidade e vida cotidiana. Pouco a pouco, vamos percebendo o quanto nossa realidade cotidiana e estrutural de nossa sociedade é fundamentalmente dependente na sua constituição, fruto da dinâmica da produção midiática. O meio torna-se, então, um ambiente vital no qual sonhamos e agimos coletivamente, construindo e reconstruindo nossas realidades.
Em outras palavras, quando nos referimos à comunicação, já não é mais possível apenas avaliar sua relação com as diferentes sociedades contemporâneas apenas por uma perspectiva dicotômica: meio de comunicação de massa e sociedade ou emissor e
receptor (ou somente dentro de uma lógica e dinâmica de broadcast). É necessário que sejamos muito cuidadosos, pois lidamos com uma dinâmica extremamente complexa, na qual a comunicação opera crescentemente na lógica de hipertexto, cada vez mais a partir de mídias que se dizem interativas, nas quais a circulação e o agenciamento de informações e símbolos são cada vez mais velozes e intensos. Evidentemente, neste novo ambiente, vão se reconfigurar as relações de poder: alguns atores e organizações continuam possuindo maior visibilidade, voz (e poder), do que outros, seus enunciados repercutem, pela repetição e alcance, de forma mais efetiva no imaginário social.
As novas tecnologias de comunicação, inseridas em nossa cultura, estão cada vez mais presentes em nosso dia a dia, basta que avaliemos, por exemplo, o significativo tempo em que vivemos à frente de telas de um computador ou com um aparelho celular; que avaliemos o quanto essas tecnologias vem mudando nosso cotidiano mais corriqueiro e banal ou, mesmo, avaliemos as suas implicações sobre ações sociopolíticas atuais. Nesse contexto, e com a suposta convergência tecnológica em curso, a comunicação vem sendo crescentemente vivenciada no cotidiano como um conjunto de fluxos multidirecionais.
Vivemos em uma cultura digital em expansão, em que dados, e não necessariamente conhecimentos, circulam intensamente, os quais são cada vez mais vitais para a o fortalecimento do capital.
Espetacularização e a alta visibilidade
Na sociedade informática, além da espetacularização, outro fator que vem se evidenciando como estratégico e fundamental para a maioria da classe dominante política é a alta visibilidade. Vale destacar que a visibilidade difere da publicidade, como aponta John B. Thompson, no sentido de que a visibilidade não pode ser confundida com publicidade, já que os dois termos possuem usos diferenciados, pelo próprio entendimento de Thompson.
Visibilidade e publicidade
- Publicidade
Diferentemente de visibilidade, o termo publicidade significa tornar público um acontecimento, uma ideia, um fato. O papel maior da publicidade é aquele de despertar desejos, seduzir, informar, persuadir, falar ao nosso inconsciente, criar hábitos e até mudar o modo de agir de uma sociedade.
- Visibilidade
“A arte da visibilidade é cultivar a própria imagem pessoal e controlar sua exposição ao público [...] geralmente face a face”(THOMPSON, 2011, p. 177).
Na política, enquanto a publicidade busca informar, persuadir, a visibilidade pretende ser uma forma de um candidato político ser reconhecido e visível e, dessa forma, permitir a criação ou divulgação de um canal de interação entre ele e seus públicos. Descobrir e criar necessidades são funções do marketing e da publicidade.
Com o desenvolvimento dos novos meios de comunicação, os governantes políticos, segundo Thompson:
“[...] tiveram de se preocupar cada vez mais com sua apresentação diante de audiências que não estavam fisicamente presentes. Os novos meios de comunicação foram usados por eles não somente como um veículo de promulgação de decretos oficiais, mas também como um meio de projetar uma imagem pessoal que poderia alcançar os súditos nos lugares mais distantes” (THOMPSON, 2011, p. 179).
À medida que o poder na sociedade atual em propagar imagens cresce, vem aumentando, também, significativamente, a importância da visibilidade do próprio poder que as propaga. A cada nova tecnologia de veículos da comunicação inventada, surge nova capacidade de alguns em criar maior visibilidade - cinema, televisão, TV a cabo, Internet, aparelhos celulares – torna-se possível à transmissão ininterrupta de imagens para o planeta, colocando como necessidade vital, para cada governante político, a realização cuidadosa de um trabalho, planejado de forma profissional, de gestão da imagem. Em grande medida, o futuro, o sucesso da trajetória dos governantes depende do desenvolvimento e do aperfeiçoamento da capacidade em administrar sua visibilidade na esfera pública e política.
É interessante notar como, nos últimos anos, esses fatores - espetáculo e visibilidade – vêm deixando de ser colocados em segundo plano pelos atores sociais, passando a ser crescentemente tratados como itens estratégicos fundamentais para garantir o êxito às varias ações, intervenções ou projetos sociais, políticos e culturais colocados em curso. Podemos citar as campanhas políticas implantadas por alguns políticos. O ex-jogador de futebol Romário, por exemplo, em sua atuação, buscou produzir ações espetacularizadas sob forma de uma retórica eficaz, especialmente em um plano simbólico como: “jogador de sucesso”, “lutador”, “de garra”, “malandro no bom sentido”, para ele, esses elementos o auxiliaram na manutenção e na construção de sua imagem midiática, num show espetacular que sensibilizou parte de um público e que pode ter resultado em sua vitória como deputado federal.9
Os meios de comunicação de massa convencionais, rádio - jornal, revista e televisão-, que estiveram sempre presentes em nossa sociedade, dividem espaço com meios digitais no que tange à população de forma geral. Há um enorme potencial digital cada vez mais acessível a essa população e a Internet é prova disso para alcançar e “agarrar” de forma espetacular seus súditos nos lugares mais distantes.
9 Romário se tornou destaque positivo enquanto deputado federal. Ele se aproveitou da fama, mas a sua
Para o blogueiro da campanha eleitoral do presidente dos Estados Unidos da América - Barack Obama - Sam Graham-Felsen, em entrevista a “Revista Isto É” o “futuro da política estará na Internet em pouco tempo. A rede virtual mudará a forma como são feitas e financiadas as campanhas políticas”.
Graham-Felsen continua:
“Em algum momento, a televisão deixará de ter esse papel e quem vai assumi-lo é a Internet. A rede está provando ser uma arma poderosa para campanhas, porque com ela é muito mais fácil testar mensagens e público-alvo. Além disso, com a Internet se gasta bem menos que com a tevê. Por outro lado, tevê e Internet estão confluindo. Em poucos anos será possível ligar a tevê e ser imediatamente transportado para uma „página de doação‟, como ocorre hoje nos sites. A campanha de Obama foi baseada numa forte mensagem: Yes, we can; basicamente o segredo é apostar num único mote. Acredito que tivemos sucesso porque insistimos numa mensagem básica com poucas palavras, pois são nas pessoas comuns que causam as mudanças. Outras campanhas mudaram suas mensagens frequentemente com muita retórica, enquanto nós fomos consistentes e nunca oscilamos, mesmo quando as coisas não iam tão bem nas pesquisas de intenção de voto (GRAHAM-FELSEM: 2014).
Nota-se que Graham-Felsen fala em uma mensagem forte, geralmente uma frase curta de impacto, “básica e com poucas palavras”, pois seu público-alvo é a massa e não pessoas letradas, com o poder da reflexão. Na luta em campanhas eleitorais, dentro da esfera midiática, quem souber se espetacularizar, certamente conquistará a vitória na realização dessas operações. Agregar componentes subjetivos junto à imagem do candidato com pouca linguagem ou talvez até nenhuma, é um recurso fundamental inserido no processo de engenharia midiática para trazer grandes ganhos à reputação de um líder político.
Cada vez mais, os candidatos políticos se atentam para essas possibilidades estratégicas, a exploração na medida do possível e especialmente nas novas mídias cujo caráter “interativo” não está sendo explorado de forma satisfatória. Esse novo campo
abre possibilidades de destaque para ações que se dizem participativas aos ouvidos dos grupos sociais.
O espetáculo pode, também, ser agenciado por grupos sociais e usado como estratégia para ajudar em mobilizações sociais e realizar resistências frágeis, agendando e mobilizando diferentes públicos em torno de um conjunto de questões lançadas na cena midiática, mas sem um líder e sem objetivos10.
Atores desses grupos têm reiterado estarem empenhados em usar o potencial de mobilização social desses novos produtos midiáticos como o Twitter e o Facebook em mobilizações de rua como as que ocorreram em junho de 2013 em nosso país.
Raquel Rolnik, Ermínia Maricato, David Harvey, Slavoj Zizek, Lincoln Secco, Venício A. de Lima, Mauro Luis Iasi, Alexandre Pilati, na coletânea Cidades Rebeldes, refletem sobre a relação entre as novas Tecnologias de Informação e Comunicação TICs (notadamente o Twitter e o Facebook) e a velha mídia tradicional. Os protestos geraram conclusões para as quais esses textos apontam a constatação de que o conjunto amplo de opiniões presente na sociedade atual não logra canalização nem nos meios tradicionais de veiculação da informação nem nas chamadas TICs, embora, no caso dessas, haja uma grande tendência a ceder ao fetiche do novo.
“Apesar de a maioria dos jovens manifestantes usar a internet para combinar protestos, os temas continuam sendo produzidos pelos monopólios da comunicação. A internet é também um espaço de interação entre indivíduos mediada pelo mercado de consumo e vigiada pela „inteligência‟ dos governos” (SECCO, 2013, p.72-73).
Na verdade, conclui-se que, graças ao monopólio da informação por grandes conglomerados econômicos, dos quais a velha mídia é canal, muitas pautas geradas exatamente no contexto desse monopólio acabam se espalhando pelas chamadas redes
sociais, que, sob alguma aparência de liberdade, repetem uma velha ladainha que não interessa às reivindicações legitimamente populares. Entretanto, é inegável que a mobilização promovida pelos contatos rápidos através das novas mídias acabou por contribuir, por contraditório que pareça para uma espécie de quebra na serialidade alienante do capitalismo brasileiro. É sobre essa dialética entre romper com e viver a serialidade que fala com muita propriedade Mauro Luis Iasi11.
Para Mauro Luis Iasi:
“As pessoas vivem as explosões cotidianas das contradições urbanas na forma de uma serialidade, isto é, presas em seus casulos individuais, estão no mesmo lugar fazendo as mesmas coisas, mas não formas um grupo, e sim um coletivo serial no qual prevalece a indiferença mútua” (IASI, 2013, p. 41-42).
E continua:
“Submetidos à sociabilidade do capital, interiorizamos as relações sociais na forma de uma representação que as toma como naturezas imutáveis. Nossa consciência imediata assume uma forma particular da realidade como se fosse a realidade, que sempre foi e sempre será assim. Navegamos nas diferentes esferas que compõem a vida de forma fragmentária e superficial, e não como totalidade articulada”
(IASI, 2013, p. 42).
No caso da utilização das redes sociais nos protestos, vemos os dois lados da moeda atuando. Nessas redes, agitam-se forças de ruptura e de manutenção da serialidade reificadora. Entretanto, de alguma forma, prevaleceu a força das contradições que levaram as impossibilidades ganharem corpo de impossibilidade.
Engana-se quem acredita que as redes sociais digitais é um campo rico de várias experiências muito interessantes que estão sendo realizadas em diferentes partes do
Brasil e do mundo no que tange a essas mobilizações sociais, por meio de ferramentas digitais.
Outro aspecto que faz chamar a atenção é o que aponta Venício A. de Lima:
“Pelo que se sabe, a maioria dos aglutinadores e participantes é formada por jovens – em Brasília, um dos „líderes‟ da chamada „Revolta do Vinagre‟ tem 17 anos – que foram inicialmente convocadas através de redes sociais, isto é, uma um sistema interpessoal independente do controle da velha mídia. Apesar de „conectados‟ por essas redes e, portanto, de não se informarem, não se divertirem e não se expressarem (prioritariamente) por meio da velha mídia, os jovens que detonaram as manifestações ainda dependem dela para alcançar visibilidade pública, isto é, para serem incluídos no espaço formador da opinião pública” (LIMA, 2013, p.90).
É nesse momento que explode a serialidade, quando as impossibilidades se tornam elas mesmas impossíveis. Lima conclui:
“Cartazes dispersos nas manifestações revelaram que os jovens manifestantes se consideram „sem voz pública‟, isto é, sem canais para se expressar e ter voz ouvida. Ou melhor, a voz deles não se expressa nem é ouvida publicamente. Vale dizer que as TICs (sobretudo as redes sociais virtuais acessadas via telefone móvel) não garante a inclusão dos jovens – nem de vários outros segmentos da população brasileira – no debate público cujo monopólio é exercido pela velha mídia (LIMA, 2013, p. 90).
Assim, um dos desafios que está posto para a sequência das mobilizações é separar o “joio do trigo”, ou seja, quais são as impossibilidades que se tornaram verdadeiramente impossíveis? Essas são impossibilidades que nos são impostas ou aquelas que abafamos em nosso cotidiano?
Como fruto de toda essa cultura digital política, para os que pensam que a elaboração da própria narrativa nas redes sociais digitais, como uma narrativa de
expressão forte, da “voz pública pela minoria”, nasce se é que algum dia nasceu, mas rapidamente desaparece, como se fosse uma grande explosão, tornando-se, assim, sem consistência, sem perduro; morta, ilusória, fetichista e volátil.
O poder do espetáculo e da força produtiva das mercadorias sustenta o Império das elites internacionais e, ao mesmo tempo, produz a força que exige estratégias de atuação e normatizações como produtos midiáticos nas redes de socialização, onde se faz necessários à sobrevivência da própria vida dos atores sociais como rebanhos a serem conduzidos aos ideais capitalistas.
Está mais do que óbvio que, nessa nova cultura que surge, o que não tem intensa visibilidade ou não espetaculariza dificilmente vai adquirir relevância social ou política. Aliás, a espetacularização, especialmente da velha mídia ou da “mídia de massa”, televisão e rádio, ainda ganha relevância no mundo globalizado. As nações desenvolvidas empenhadas na busca de “inovações” transferem essas espetacularizações em nome de uma valorização da identidade local/nacional para as nações subdesenvolvidas. Com o surgimento da nova mídia, o vislumbre, o novo, o revolucionário, o informativo, sob a égide da “inovação” dividi-nos em vez de aproximar-nos, tornando-nos mais desiguais do que iguais, mais ansiosos que felizes, mais solitários que socialmente conectados, consequentemente, mais consumistas como sustentadores do sistema capitalista.
No Brasil, temos assistido a um intenso investimento no campo simbólico dos governos no sentido de “espetacularizar a pobreza” (os programas de combate à fome e à miséria, por exemplo, são carros-chefes de gestões as mais diversas), este investimento constitui-se numa importante estratégia de mobilização e de engajamento da sociedade do cidadão-consumidor na luta pela minimização de seu problema. Essa postura diante das questões sociais nos obriga a enfrentar uma série de indagações que, politicamente, torna-se eficaz, cada vez mais atuante no terreno do espetáculo.
Buscam-se cada vez mais estratégias, nessa nova cultura digital, de descobrirem, por meio das assessorias dos candidatos às campanhas política eleitorais, como chamar a atenção e adentrar no cotidiano dos eleitores para poder se construir, por parte desses candidatos, artimanhas para atingir alta visibilidade por meio de poucas palavras e/ou imagens espetaculares que possam ganhar a confiança desses eleitores, transformando- os em consumidores de suas ideias, com o objetivo de se obter êxito e destaque e, assim, ganhar eleições neste regime democrático.