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6. ESERDE İŞTİKAK

6.2. Gayr-i Muştak Kelimeler

6.2.8. Mu‘arreb, Daḫîl ve Muvelled Kelimeler

Será apresentada agora a terceira instituição investigada neste estudo, o Lar dos Meninos Dom Orione, que, junto às outras instituições aqui pesquisadas abrigava as crianças e adolescentes do sexo masculino.361 À semelhança das outras instituições, o

Lar estava localizado em área limítrofe entre o urbano e o suburbano, próximo à região da Pampulha, que fora também, anos antes, uma obra do prefeito Juscelino Kubitschek de Oliveira. Essa área, estava, naquela época, em processo de urbanização, foi planejada às margens de um lago construído artificialmente, possuindo conjunto arquitetônico projetado por Oscar Niemeyer.

Fundado em 1944, pertencente de início à Prefeitura da cidade o Lar dos Meninos foi entregue, em 1948 à administração da Pequena Obra da Divina

360

VARANDAS, Cleber. Entrevista, 1998. 361

No dia 01 de junho de 1998, o Padre Dino Barbière, naquele momento o Diretor do Lar, concedeu uma pequena entrevista sem gravação. Procurou-se aproveitar ao máximo suas informações que traçaram um panorama da instituição. A surpresa veio na informação de que os arquivos contendo a documentação dos abrigados haviam sumido, só restando um excelente arquivo fotográfico e um livro de Tombo, consistindo em uma coleção de recortes de jornais feita pelos dirigentes desde os primórdios da instituição. As fotografias abriram a possibilidade de um trabalho iconográfico, não desobrigando a busca de fontes escritas, guardadas em outros locais, que porventura pudessem auxiliar em sua interpretação. Fora da instituição, em arquivos públicos, foram encontrados jornais, relatórios dos prefeitos e leis que permitiram, juntamente com as entrevistas, reunir melhores condições de pesquisa e análise. A segunda entrevista, no dia 06 de julho de 1998, com o Padre Jarbas Assunção Serpa, responsável pela administração do Lar dos Meninos, foi gravada e durou aproximadamente 15 minutos. Apesar de ter confirmado o problema dos arquivos, ele informou sobre outros aspectos da instituição e sobre alguns ex- alunos considerados importantes pelo lugar que estavam ocupando na sociedade naquele momento. A última entrevista foi gravada, no dia 18 de fevereiro de 2000, com o Padre Luiz Lazzarin, ex-diretor do Lar dos meninos, que deu informações sobre aspectos importantes da rotina e das práticas educativas da instituição.

Providência, instituição que representa os orionitas, ganhando a denominação de Lar dos Meninos Dom Orione, e chegou a ter 300 internos em suas dependências.362

A assistência aos menores objetivava, de acordo com, os orionitas, imprimir no espírito e no coração através da oração, o aprendizado escolar e a “iniciação profissional, nas oficinas mecânicas, gráficas, cerâmica ou sapataria e ainda no amanho da terra.” Esperava-se que, aqueles que saíssem do Lar dos Meninos, fossem “cidadãos prestantes, pais de família, cristãos de invulgar dedicação ao lar, atentos cumpridores dos seus deveres para com Deus, para com a Pátria, respeitando-lhes as leis e ouvindo- lhes os chamados.”363

O Lar dos Meninos, que junto às outras instituições congêneres abrigava a infância pobre, não fugindo à regra, estava localizado em área afastada da zona urbana, lugar ideal, segundo as concepções assistenciais, para educar esse contingente de crianças e jovens mal preparados para viver em sociedade. O mesmo poder político que pensava nas modernas formas arquitetônicas para a nova e arrojada cidade de Belo Horizonte, núcleo urbano, começando a se expandir para a periferia, também sentia a necessidade de lançar seu olhar para a outra face do moderno: aquela em que o social constrói a marcante categoria da pobreza. Assim, o olhar do poder público, que vislumbrava o atendimento aos pobres, era definido pela estratégia do isolamento, do mesmo modo que nas instituições privadas, como já foi observado, no Abrigo Jesus e na Cidade Ozanam.

Os quatro anos que o Lar dos Meninos foi administrado pela Prefeitura de Belo Horizonte, não foram, ao que parece, muito calmos e promissores. Como se verá mais adiante, há explicação do poder público para o fracasso dessa administração inicial, que,

362

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de alguma maneira, evidencia razões político-administrativas envolvendo seus funcionários.

A história do Lar dos Meninos começa quando o Prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, recomendou à sua Assessoria de Administração, um estudo para a criação de um órgão que pudesse intervir no problema da infância pobre. Nesse caso, era importânte criar condições para uma ação regeneradora, que recuperasse o senso moral dos futuros integrantes de uma sociedade, valorizando o trabalho e a ordem. A intervenção do poder público nesse tipo de assistência, vinha desde as primeiras três

décadas deste século, como atestam alguns estudos:364 em Belo Horizonte,

encontravam-se em funcionamento, desde 1909, o Instituto João Pinheiro e outras instituições ligadas à tutela do Estado.365

O responsável pelo plano foi o jurista J. Guimarães Menegale que, após formar uma equipe, com a tarefa de organizar a instituição, convocou para sua direção, Vicente Guimarães, conceituado escritor da época, popularmente conhecido como Vovô Felício.366 Após essas providências, o Lar iniciava suas atividades com a primeira turma

de abrigados composta de 32 meninos.

363

Foram recortadas algumas passagens do JUBILEU DE PRATA, op. cit., 1969, que certamente denotam a opinião dos líderes orionitas.

364

Ver entre outros os seguintes estudos: MORELLI, Ailton José. O Atendimento à Criança e ao Adolescente em São Paulo. In: Pós-História, Revista de Pós-Graduação em História. Assis-SP: Unesp, 1997, v. 5, p. 145-170 e CORRÊA, Mariza. A Cidade de Menores: Uma Utopia dos Anos 30. In: FREITAS, Marcos Cezar (org.) História Social da Infância no Brasil. São Paulo: Cortez/USF, 1997, p. 77-96.

365

Há, pelo menos, dois trabalhos que estudaram instituições sob tutela do Estado em Belo Horizonte, no período da Primeira República, são eles: VEIGA, Cynthia G. e FARIA FILHO, Luciano Mendes de. Infância no Sótão. Belo Horizonte: Autêntica, 1999 e SOUZA, Marco Antônio de. A República dos Desvalidos e a Nova Capital de Minas. In: PAIVA, Eduardo França (org.) Belo Horizonte, Histórias de uma Cidade Centenária. Belo Horizonte: Faculdades Integradas Newton Paiva, 1997, p. 43-64.

366

Estas informações encontram-se no JUBILEU DE PRATA, op. cit. , 1969. Esta fonte informa também sobre a primeira equipe de administradores do Lar dos Meninos, composta pelos auxiliares: Joaquim Luiz Pereira, João Tito Ribeiro, Dejanira Pereira, Franklin Isaias, Marieta Alves Costa, Celestino Fonseca dos Santos, entre outros. O personagem do Vovô Felício, foi criado por Vicente Guimarães, cujas histórias eram publicadas no periódico infanto-juvenil do jornal Estado de Minas, com o título era “Era uma vez... Revista do Vovô Felício para os seus netinhos. Ver a este respeito, CAMPOS, Edson Nascimento. Era

Ligado ao Departamento de Saúde e Assistência de Belo Horizonte, o Lar dos Meninos estava incumbido de dar, nos limites de sua possibilidade, assistência aos menores desvalidos. Sua função de solucionar os casos de desajustamento social do município, envolvendo crianças e adolescentes pobres, completava-se com uma lista de outras competências citadas na própria Lei.367 Assim, manter, alimentar, alfabetizar,

assistir educacional e moralmente, dar assistência médico e dontológica, eram algumas dessas competências.

Quanto ao que se pretendia ensinar aos assistidos, a mesma Lei estabelecia a forma e conteúdo: instrução industrial, agrícola e pastoril; educação física, cívica e religiosa. Determinava-se, além disso, a criação de biblioteca e atividades recreativas. Os desajustamentos sociais, deviam ser atendidos pela S. A. S., Seção de Assistência Social da Prefeitura havendo, também, a exigência legal de se manter registros completos de cada um dos menores admitidos no Lar.368

O acompanhamento dos trabalhos do Lar estava sob a responsabilidade de uma Seção de Administração (almoxarifado e zeladoria) e do Serviço de Orientação Educacional. No Art. 129, da Lei 209, de 1947, foram encontradas nos parágrafos 2º e

3º, informações onde se tem uma idéia da estrutura física da instituição. Ali estão

relacionadas as seguintes instalações: portaria, administração doméstica, aviários, estábulo, chiqueiro, horta e oficinas; os serviços que deveriam ser executados pela Administração Doméstica eram: dispensa, cozinha, rouparia, refeitório e lavanderia.

uma vez..., revista de Vovô Felício para os seus netinhos – um projeto de leitura. In: Varia História. Departamento de História, FAFICH-UFMG, 1997, p. 273-298.

367

Lei Municipal de No. 209/1947, que em seu capítulo XIII estabelece as funções do Departamento de Saúde e Assistência, e em seu Art. 126, relaciona as competências do Lar dos Meninos.

368

Como se disse em outra nota, essa exigência lamentavelmente não ajudou a esta pesquisa, os atuais dirigentes do Lar dos Meninos informaram que os arquivos da instituição desapareceram com estes registros, não se sabendo onde estão desde quando houve a mudança do Lar. A procura feita nos arquivos da administração pública foi infrutífera; não houve como recuperar esses documentos.

175

Quatro anos após o início das atividades no Lar, em 13 de janeiro de 1948, o prefeito Otacílio Negrão de Lima, nomeou, pela Portaria número 11, uma comissão de professores, para investigar a “situação administrativa, econômica, financeira, social e assistencial do Lar.” 369 Solicitava ainda a essa comissão, que observasse a utilidade

prática da instituição e que emitisse parecer indicando soluções.

Apesar de não ser possível o acesso ao parecer elaborado pela Comissão, outras evidências deixam transparecer que ele foi desfavorável à administração do Lar dos Meninos pela equipe chefiada por Vicente Guimarães. Portanto, o motivo pelo qual a administração do Lar se transferiu para a Pequena Obra da Divina Providência, parece estar relacionado a uma crise política, envolvendo os dirigentes da instituição e altos escalões da Prefeitura. Em notícia do jornal Binômio, de 1963, há uma versão, um pouco diferente, daquela apresentada oficialmente para a entrega do Lar dos Meninos aos orionitas. Segundo aquela fonte, a razão teria sido financeira: “Em 1949, por falta de dinheiro a Prefeitura entregou o Lar à Congregação de Dom Orione.” Portanto, agregando-se a situação administrativa à situação econômica, uma vez que a Comissão devia investigar os fatos, forma-se um quadro mais completo dos motivos da destituição dos antigos responsáveis pelo Lar dos Meninos.370

Os entendimentos para que os orionitas assumissem o Lar, aconteceram com negociações realizadas entre o prefeito sucessor de Juscelino Kubitschek, Otacílio Negrão de Lima e o Provincial da Pequena Obra da Divina Providência, Carlos Pensa, em 1948, cuja intermediação foi feita pelo Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, Dom Antônio dos Santos Cabral.

369

Estavam nesta comissão: Levindo Lambert; Francisco Nunes Horta e Massanielo Santos. 370

O primeiro padre orionita a chegar em Belo Horizonte foi Nazareno Malfati. Vindo de Roma, esse padre se juntou a um grupo maior que iniciou o trabalho de recolhimento dos meninos de rua, órfãos, rejeitados, excluídos, “que não podiam entrar

na Avenida do Contorno.” 371 Desde os tempos da construção de Belo Horizonte, a

Avenida do Conterno demarcava os limites do urbano e suburbano, delimitando o espaço reservado à população de trabalhadores e pobres ao perímetro externo a esse cordão de isolamento que continuava a cumprir sua função na nova etapa de crescimento demográfico e econômico.

Apesar dessa nova fase de expansão econômica, os pobres continuavam isolados, não fazendo parte dos novos projetos elaborados pelo poder público para atender ao crescimento da cidade. O trabalho que os orionitas estavam dispostos a realizar, só confirmava a intenção de afastar as crianças pobres do seu meio, considerado deletério, com a finalidade de educá-las. A localização do Lar dos Meninos comprova essa idéia. Suas instalações ficavam nos arredores da cidade, numa área de 12 alqueires de terra, que, em 1955, seria desapropriada para a construção do Campus da Universidade Federal de Minas Gerais, obrigando anos depois, a que se fizesse a mudança para local próximo, porém, menor e sem as mesmas condições de trabalho.372

A assistência aos abrigados, de acordo com seus proponentes, objetivava imprimir - no espírito e no coração através da oração -, o aprendizado escolar e a iniciação profissional, nas oficinas mecânicas, gráficas, cerâmica ou sapataria e ainda,

371

Estas informações encontram-se no depoimento do ex-aluno e jornalista VITAL, J. D. Os Padres que Abalaram BH. In: BARBIERO, Pe. Dino et alii (orgs.) Lar dos Meninos Dom Orione, 50 Anos. Belo Horizonte: Gráfica Irmãos Verçosa , 1998, p. 9.

372

O ato de desapropriação do Lar dos Meninos por Decreto Federal, aconteceu em 1956. Durante vários anos a execução da desapropriação foi adiada, até que, em 1974, a nova sede fosse concluída em local próximo, no Bairro Ouro Preto, em terreno doado pela Prefeitura.

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no amanho da terra. 373 Assim, seguindo as orientações de Dom Orione, quando da

fundação e organização de sua Congregação, os orionitas não concebiam a estratégia nova, - de aliar a fé aos princípios de valorização do trabalho, especialmente o trabalho manual -, porém, a reforçavam mais uma vez.

Em várias oportunidades já se pôde ver que a valorização do trabalho fazia parte de todo o ideário da ação social católica, que, por sua vez, identificava-se com outros ideários de cunho político, subsidiários ao saber jurídico, ao saber médico e ao próprio

saber pedagógico que varreram a sociedade do mundo do trabalho no século XX.374

Com esses saberes, a filantropia e o assistencialismo encontraram caminhos novos, novas estratégias, novas práticas e novas formas de educar a infância pobre.

Entretanto, as ações do assistencialismo sempre estiveram associadas à necessidade crucial, de obter recursos financeiros. Esse problema continuou sendo mal solucionado, mesmo com a intervenção do poder público, que poderia representar maior capacidade de alocar recursos.375 O aspecto financeiro, que compõe de maneira decisiva

as estratégias assistenciais, sempre provocou grandes transtornos às direções dessas instituições. Mesmo sabendo que a Prefeitura e outras instâncias do poder público apoiariam financeiramente o Lar dos Meninos, não foi possível fazer estimativa segura

373

Sobre a importância da prece, como um ritual que confirma uma fé e uma crença, ver MAUSS, Marcel. A Prece (1909). In: OLIVEIRA, Roberto Cardoso de. Antropologia. São Paulo: Ática, Coleção os Grandes Cientistas Sociais, 1979, p.102-146. Outra obra consultada, de grande interesse, que esclarece sobre a transmissão da própria fé, é o estudo de GERMAIN, Elisabeth. Langages de La Foi a Travers L’Histoire. Paris: Fayard-Mame, 1972.

374

Ver, LELOTTE, S. J., Fernand. Para Realizar a Ação Católica, Agir, 1947, e a interessante publicação do Grupo de Ação Social, A FAMÍLIA E A QUESTÃO SOCIAL – 1940, SEMANAS SOCIAIS DO BRASIL. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio, 1942. É preciso ainda levar em conta que a partir de Pio XII, em vários de seus pronunciamentos na década de 40, a Doutrina Social da Igreja ganhava novo alento, desde que Leão XIII havia lançado suas bases na Rerum Novarum, em fins do séc. XIX.

375

Veja-se, por exemplo, que até os dias de hoje, as campanhas de arrecadação de recursos financeiros ganham projeção nacional, às vezes, organizadas por grandes redes de televisão, com apoio de organismos internacionais, em edições anuais de programas que envolvem artistas populares, políticos e intelectuais, destacando-se o “Criança Esperança” da Rede Globo de Televisão.

desses recursos,376 entretanto, há outras informações que permitem avaliar como

ocorreu a solução para a arrecadação de fundos, não apenas pelo Lar dos Meninos, mas também para outras instituições. Os jornais constituem fonte privilegiada de informações sobre doações ocorridas em festas, quermesses ou através de testamentos e outros.

A ajuda da comunidade sempre ocorreu através de doações voluntárias, ou participações de encontros festivos, almoços, etc. Os filantropos nunca deixaram de se

376

Através dos Quadros abaixo, comprova-se o auxílio do poder público passando recursos às instituições.

QUADRO DE AUXÍLIOS E SUBVENÇÕES A ENTIDADES EDUCACIONAIS - 1953

NOME DA ENTIDADE IMPORTÂNCIA CR$

Associação das Cantinas Escolares 15.000,00

Auxílios Diversos 12.000,00

Casa da Empregada Doméstica 12.000,00

Escola Doméstica Maria Imaculada 16.500,00

Escola do Pensionato Nossa Senhora Auxiliadora 11.000,00

Escola Doméstica Sagrada Família 21.000,00

Pascoal Comanducci 3.000,00

Escola Mineira de Arte Dramática 8.000,00

Escola Profissional Feminina 16.000,00

Escola Santa Catarina 12.000,00

Lar da Criança Pobre 15.000,00

Patronato da Divina Providência 2.500,00

Sociedade Pestalozzi 20.000,00

TOTAL 164.000,00 Fonte: RELATÓRIO DO PREFEITO – 1953. Prefeitura de Belo Horizonte, 1954. Como é possível notar, o Lar não figura entre as instituições que receberam auxílio ou subvenção, porém, o Patronato da Divina Providência fazia parte das instituições dos orionitas.

No Quadro seguinte, de 1954, o Lar aparece como uma das instituições auxiliadas. QUADRO DE AUXÍLIOS E SUBVENÇÕES A ENTIDADES EDUCACIONAIS – 1954

NOME DA ENTIDADE IMPORTÂNCIA CR$

Ação Social de Santo Antônio 96.502,00

Asilo Bom Pastor 36.000,00

Associação das Damas de Caridade (Boa Viagem) 24.000,00 Associação Evangélica Beneficente de Belo Horizonte 82.000,00

Lar da Criança Pobre 19.000,00

Associação Mendes Pimentel 20.000,00

Casa Transitória 28.000,00

Casa São José dos Padres Redentoristas 37.000,00

Cidade Ozanam 47.000,00

Creche Menino Jesus 32.000,00

Fundação São Geraldo 50.000,00

Lactário Posto Médico Nossa Senhora do Rosário – Pompéia 27.500,00

Lar dos Meninos Dom Orione 40.000,00

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organizar-se para arrecadar recursos. Os jornais apresentam, constantemente, notícias informando sobre as mais diversas doações, sendo, muito comum, a voluntária, por graças obtidas, ou através de testamentos, procedimento que remontam as práticas cristãs antigas, deitando raízes na Europa medieval, ocorridas também, durante o século XVIII no Brasil, nas práticas da religiosidade barroca que envolviam o significado simbólico da boa morte, representando as permanências dos substratos culturais da religiosidade popular.377

No caso do Lar dos meninos Dom Orione, outra fonte de renda surgiu com a instalação de uma olaria, que parece ter sido ajuda decisiva para a solução do problema de arrecadação de recursos; foi patrocinada pelo Rotary Club de Belo Horizonte, como noticiou o jornal Estado de Minas em 13 julho de 1955378e paralisada, definitivamente,

em 1974, ao sair da área onde funcionava desde 1955. Atingido, como já se afirmou, por desapropriação do Governo Federal, para dar lugar às novas instalações da Universidade Federal de Minas Gerais, o Lar passou por importantes mudanças nas suas práticas profissionalizantes, quando perdeu a olaria.

Esses foram os primeiros dez anos do Lar dos Meninos, incluindo a fase de 1944 a 1948, quando esteve sob a administração pública, e o período entre 1949 e 1955, em que os orionitas assumiram a administração, dando-lhe novas feições com a inauguração

Fonte: RELATÓRIO DO PREFEITO – 1954. Prefeitura de Belo Horizonte: 1955 377

Ver a este respeito, CAMPOS, Adalgisa Arantes. Considerações sobre a pompa fúnebre na Capitania das Minas – O Século XVIII. In: Revista do Departamento de História. Belo Horizonte: FAFICH-UFMG, junho de 1987, p. 03-24. É interessante observar que, em alguns casos, o testante deixa seus bens para várias instituições de orientação religiosa diferente, que pode significar uma influência do sincretismo religioso, como é o caso do testamento de Joaquim A. Martins, que deixou a seguinte distribuição de recursos: Asilo de Mendigos de Juiz de Fora, 10:000$000; Albergue dos Pobres, junto ao Centro Espírita, 10:000$000; Asilo João Emílio, 10:000$000; Associação Pão de Santo Antônio, 10:000$000; Associação Dona Rita Halfeld, 10$000; Confraria de São Vicente de Paulo, 10$000; Igreja de São Sebastião, 5:000$000; Centro Espírita, 5:000$000; Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, trinta apólices federais de 1:000$000. ESTADO DE MINAS. Notícias dos Municípios, Belo Horizonte: 14/01/1930, p. 3.

da olaria, quando, ao que tudo indica, já bem organizado e solucionado, em parte, seu problema de manutenção, começava sua fase áurea.

Quanto às práticas da assistência às crianças e adolescentes adotadas nas dependências do Lar dos Meninos Dom Orione, desde seu início até 1990, que serão apresentadas oportunamente, na análise conjunta com as outras instituições, revelam, sobretudo, a pedagogia difundida por Dom Orione à sua Congregação. Considerar-se- ão, por enquanto, de forma breve, algumas estratégias da pedagogia assistencial orionita, para que se tenha uma visão dos princípios norteadores dessas práticas.

Como já foi salientado, essas estratégias estavam firmemente baseadas nas recomendações do fundador da Congregação, Luiz Orione. Suas idéias pedagógicas alicerçadas nas experiências com Dom Bosco, foram transmitidas aos seus seguidores, desde o final do século passado, quando a Congregação surgiu.

No Brasil, essas idéias começaram a se revelar quando, em 1907, o Bispo de Mariana, Dom Silvério Pimenta, solicitou a vinda dos primeiros missionários orionitas para Minas Gerais. Em 1913, Dom Orione enviou uma expedição comandada pelo

Benzer Belgeler