TÜRKİYE’DE KAMU BANKALARININ ÖZELLEŞTİRİLMESİ
3.1 Türk Bankacılık Sisteminin Yapısı ve Kamu Bankalarının Özelleştirilmesi Sürec
3.1.1 Türk Bankacılık Sisteminde Kamu ve Özel Bankalara Ait Bazı Temel Veriler
3.1.1.6 Aralık 2005 Rakamları İle Bankacılık Sektörü Genel Değerlendirmes
Entram mais dois alunos no colégio: Clóvis, de dez anos, considerado novo demais para os bolos de Maciel, e Elias de dezoito anos, visto como velho demais – em comum estudariam o mesmo livro. Clóvis, uma criança que está trocando os dentes, chora fino, traz brinquedos à escola, desde cedo será moldado pelo rigor tirânico de Maciel, que começa cortando seus cabelos (mais tarde dando palmatória) e diferenciando o lar – única instituição, talvez, conhecida pelo garoto – da escola. Ali o professor mandava e não o pai: “o colégio é para estudos. As brincadeiras ficam em casa” (REGO, 1969, p. 78), amputava-se, assim, a infância da criança, inserindo-a no mundo dos adultos.
Elias, ríspido e isolado, diferentemente de Clóvis, não suscita pena em Carlos, mesmo sendo seu primo. Elias não tinha os costumes urbanos: comer com talheres (respeitar a etiqueta da mesa), vestir roupas formais, obedecer às autoridades; era todo do campo, parava “para olhar o tempo”, tinha “mãos duras de trabalhador” (REGO, 1969, p. 80-81), resistência física, devido ao trabalho e ao sol forte da caatinga. Era tido como infame por não saber ler e escrever, porém, ele não se envergonhava disso. Por que tinha de estar na academia se gostava do seu serviço no engenho e, depois de formado, provavelmente, voltaria para lá? Sentia que não tinha de adaptar-se a essa sociedade. No entanto, Carlos pensava: “Elias era um bruto. A sua resistência ao castigo me parecia uma injustificável insubordinação. Ali todos se submetiam à palmatória” (REGO, 1969, p. 81). Carlos, mesmo depois de adulto, não entende sua atitude em apoiar o poder e não a tentativa de liberdade, de resistência à humilhação; acreditamos que seja pelo fato de estar adaptado ao regime de obediência irrestrita dessa
sociedade “civilizada” e letrada ou porque via no primo pontos considerados negativos (ele parecia doido) de sua própria personalidade. Uma maneira de esquecer seus defeitos seria destruir o outro que o faz recordar de si mesmo. 48 O colégio, entretanto, “quase todo ficou com ele [Elias]” (REGO, 1969, p. 82), pois tinha ânsia de liberdade, embora não tivesse coragem de lutar contra a tirania permitida por suas famílias, já que oficialmente era proibido.
Maciel não tolerava a independência do novo aluno e por isso eles brigaram. Elias foi mandado para o quarto do meio e, diferentemente de Carlos quando esteve aí (ficou quieto sentado obedientemente e sentindo saudades das conversas externas), Elias chutou a porta mostrando seu inconformismo. Porém, ao buscar sua autonomia foi jogado para fora do colégio, não foi expulso, mas jogado como se descarta um produto comprado com a validade vencida: um lixo.
Qual o motivo de Elias ser mandado à escola aos dezoito anos e contra sua vontade? O pai de Elias, Mané Gomes, vivia com a família na caatinga; apesar de ser dono da propriedade, sua família vivia como os trabalhadores: “uma vida sem fartura, de tacanho, com os filhos criados como os seus animais nos cercados. Nunca botara um na escola” (REGO, 1969, p. 79), uma vez que não tinha uma diferenciação das funções de autoridade, o que gerava uma relação mais intimista e amistosa. Os parentes se achavam superiores a ele devido ao conhecimento da escrita e da leitura – como se apenas isso constituísse o valor de uma pessoa. Entretanto, Mané, talvez, ao ver a prosperidade dos outros, envia o filho à escola. Isso porque, como observou Sérgio Buarque de Holanda (1995)49 e como denuncia José Lins do Rego, o povo brasileiro se enche “desse orgulho de fazer doutores” (REGO, 1969, p. 79), mesmo que eles não sirvam para nada de útil, como enfatiza o comentário de Carlos sobre a esperança do avô em vê-lo doutor: “Zé Paulino, tão sem vaidade para as outras cousas, amava o luxo da bacharelice” (REGO, 1969, p. 90). Luxo, pois mesmo quando percebia que a pessoa não conseguia aprender, insistia num gasto supérfluo, já que lhe dava prazer, não se importando se resultaria em beneficio profissional e se seria formado para a vida. O que Zé Paulino tinha era um ideal de homem que a escola pudesse fabricar, seja por quais meios fossem e Carlos sabia que não tinha capacidade para atingir esse ideal mesmo que se dedicasse somente aos estudos, visto que, com isso, conseguia decorar, mas não aprender.
48 Carlos tinha preconceito para com o diferente e “os preconceitos produzem o enrijecimento dos indivíduos,
conduzindo-os ao fechamento para qualquer experiência. Olhamos as pessoas e projetamos nelas nossos recalques [...], definimos previamente em quais clichês elas se encaixariam. Assim, passamos a alimentar contra elas o nosso ódio e a nossa inveja” (SILVA, D., 2001, p. 228).
49 “Em quase todas as épocas da história portuguesa uma carta de bacharel valeu quase tanto como uma carta de
recomendação nas pretensões a altos cargos públicos. [...] ainda no vício do bacharelismo ostenta-se também nossa tendência para exaltar acima de tudo a personalidade individual como valor próprio, superior às contingências” (HOLANDA, 1995, p. 157).
Gastar dinheiro com faculdade e colégio caro, exposições e livros, ainda hoje confere status ao indivíduo, mesmo que ele não tire proveito para sua formação, não entenda nem se identifique com aquilo que vê e ouve, em virtude de agir, não por uma convicção interior, mas por conveniência, isto é, buscando algo útil, não para a sociedade nem para sua interioridade, mas para sua imagem pessoal.
Percebemos que Carlos sente pena do garotinho, que, com certeza, seria moldado, e tem vontade de fazer algo contra o poder de Maciel, contudo, quando a oportunidade surge, além de não agir, recrimina o outro que teve coragem suficiente. Essa atitude mostra-nos o seu comodismo em relação ao autoritarismo do mestre que, somente no final do romance, será questionado (experiência referente aos exercícios militares). Além disso, Carlos também considera como verdadeira a opinião do mestre e do avô quanto à importância de estudar para pertencer a uma cultura superior (letrada) e ter um emprego garantido no funcionalismo público.