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İLGİLİ BİR ARAŞTIRMA

6. Resmi ilköğretim okulu yönetici ve öğretmenlerinin, okul rehber öğretmeninin

3.6. Araştırma Yöntem

O tratamento que o Direito Internacional do Trabalho passará a conceder, sobretudo a partir do final da década de 1990, às relações de trabalho em sentido amplo é o resultado da combinação de elementos estruturais no mundo da produção, das realidades sociais no capitalismo global e, também, de algumas mudanças institucionais importantes na OIT, influenciadas pela vocalização de demandas das novas clivagens da(s) classe(s) trabalhadora(s) analisadas na primeira parte deste trabalho. Para se compreender a fundo o que esta transformação em curso representa, uma chave crítica de análise tanto do Direito Internacional do Trabalho, quanto da entidade que concentra a maior parte de seus conteúdos, poderá fortalecer as bases

610 No original: “It is clear, in any case, that the best legislative labour protection is awarded within the

framework of an employment relationship”. Tradução do autor. MARÍN, Enrique. The employment relationship: the issue at the international level. In DAVIDOV, LANGILLE, Boundaries and frontiers of

Labour Law, cit., p. 343.

611 No original: “the global character of both the legal notion of the employment relationship and the

problem of non-protection of dependent workers”. Tradução do autor. MARÍN, The employment relationship, cit., p. 354.

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para uma apropriação reconstrutiva e emancipadora das transformações contemporâneas.

Para tanto, o trabalho de Robert Cox, na década de 1970 é referência obrigatória. Em artigo intitulado Trabalho e hegemonia, Cox critica duramente uma tradição acadêmica funcionalista na análise da OIT e seus compromissos de base. Muda radicalmente as rotas tradicionais de análise e, apoiado no conceito de hegemonia em Gramsci, dispara: “a OIT tem simbolizado um modelo particular de relação de produção”612. A estrutura burocrática por meio da qual esta apontada

hegemonia opera teria impedido a OIT, na visão de Cox, de combater efetivamente ao longo de sua história as questões sociais concretas mais dramáticas, que vão desde o desemprego e a criação de postos, reforma agrária, pobreza e formas de marginalização613. A longevidade da OIT derivaria, então, de um tripartismo viciado,

inserido na onda sociopolítica do corporativismo de Estado, que limitava fortemente seu escopo de ação aos planos legitimados da sociedade industrial, afastando-a de muitas outras formas extremamente graves de expressão da exploração do homem pelo homem. O apontamento de Cox, por desconcertantemente direto, justifica a longa citação:

Questões sociais agudas estavam, no entanto, em desenvolvimento fora da parceria corporativista, para além da esfera dos estabelecimentos industriais, com as quais a OIT estava mal equipada para lidar e mesmo indisposta, pela sua estrutura de representação e sua ideologia dominante, a reconhecer. Havia, em primeiro lugar, a questão da reforma agrária nos países pobres (...). Em segundo lugar, havia a massa ameaçadora de marginais sociais, amontoadas nas crescentes shantytowns, bidonvilles, barrios, favelas — nomes diferentes atribuídos por culturas particulares a essa forma quase universal da miséria humana. Em terceiro lugar, e talvez a menos reconhecida de todas, estava uma tendência a projetar os processos de produção da indústria moderna de modo a utilizar proporções crescentes de trabalho mais barato, mais maleável, menos efetivamente sindicalizado e

612 No original: “the ILO has symbolized a particular model of production relation”. Tradução do

autor. COX, Labor and hegemony, cit., p. 387.

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semiqualificado. Era bastante improvável que estas questões fossem levantadas através das estruturas formais da OIT614.

É aqui que toda a crítica estrutural às relações de trabalho alienado se projeta até a escala internacional da regulação, percebida por Cox como uma “expressão de uma ideologia de relações de produção característica do capitalismo americano dominante”615. Ainda que no plano das disposições constitucionais, das declarações e

expressões normativas a OIT expressasse progressivamente uma visão ampliativa nas questões sociais, como visto, ela se ocupava prioritariamente da relação de emprego padrão, formalizada, remunerada e a prazo determinado, sustentada por exclusões que, de alguma forma, foram assimiladas e sublimadas na dinâmica institucional da Organização. Só mesmo quando o mundo da produção deu sinais estruturais de uma mudança profunda, a partir da década de 1970, com uma incorporação sistêmica da exploração do trabalho fora do emprego, é que se pôde identificar com mais clareza a expressão de movimentos contrahegemônicos no Direito Internacional do Trabalho.

A partir daí, o aparecimento de novos sujeitos — de sindicatos de trabalhadores de setores tradicionalmente negligenciados616, coalisões sindicais

transnacionais617, à representação de trabalhadores informais618 e organizações não

614 No original “Acute social issues were, however, developing outside of the corporatist partnership,

beyond the sphere of the industrial establishments, with which the ILO was ill-equipped to deal and even indisposed by its structure of representation and its dominant ideology to recognise. There was, first of all, the issue of land reform in the poor countries, which could affect a much more numerous though far less powerful body of producers than those with whose interests the industrial establishments were concerned. Second, there were the looming masses of social marginals, clustered in the burgeoning shantytowns, bidonvilles, barrios, favelas — different names assigned by particular cultures to this almost universal form of human misery. Third, and perhaps least recognized of all, was a tendency to design the production processes of modern industry so as to use increasing proportions of cheaper, more malleable, less effectively unionized semi-skilled labor. Such issues were most unlikely to be raised through the formal structures of the ILO”. Tradução do autor. COX, Labor and hegemony, cit., p. 410.

615 No original “expression of an ideology of production relations characteristic of dominant American

capitalism”. Tradução do autor. COX, Labor and hegemony, cit., p. 410.

616 É o caso da Federação Internacional de Trabalhadores Domésticos, cujas articulações globais datam do

início dos anos 2000, com criação formalizada em 2013. Cf. http://www.idwfed.org/en.

617 A este respeito, cf. REIS Daniela Muradas, MIRAGLIA, Lívia Mendes Moreira, NICOLI, Pedro

Augusto Gravatá, BOSON, Victor Hugo Criscuolo. O sindicalismo e as empresas multinacionais. Belo Horizonte: 2014. (Manuscrito inédito).

618 É o caso da rede global de políticas e pesquisa sobre o trabalho informal de mulheres WIEGO

(Women in Informal Employment: Globalizing & Organizing), fundada em 1997. Cf. http://wiego.org/wiego/about-wiego.

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governamentais (ONGs) variadas619 — marcou o movimento de concretização das

demandas ampliadas em torno do trabalho, dentro e fora da OIT620.

A resposta da OIT, como visto, deu-se no reavivamento da ampliação de seu escopo de atuação, com a emergência da plataforma do trabalho decente e o caminhar de rediscussão da relação de emprego como via de acesso ao mundo da proteção social. A universalização da proteção ao trabalho incorporou, enfim, realidades que lhe eram anteriormente estranhas (ao menos da vivência da regulação específica e do controle), numa inflexão de síntese de aspectos gerais do desenvolvimento econômico e social621.

O resultado disso, para os atores, é justamente um “espaço crescente para resistência dentro da OIT e especialmente às suas margens”622, esmaecendo-se progressivamente

o modelo hegemônico-burocrático da Organização descrito por Cox da década de 1970.

De fato, a envergadura da transformação pode-se depreender do próprio Relatório do Diretor-Geral da OIT à 87ª Conferência Internacional do Trabalho, em 1999, que dá início à plataforma do trabalho decente, na qual a OIT reconhece o certo “empregocentrismo” que marcara sua atuação historicamente e sinaliza pela nova posição que pretende incorporar:

Por causa de suas origens, a OIT tem dirigido a maior parte da atenção às necessidades dos trabalhadores assalariados — a maioria deles homens — em empresas formais. Mas esta é apenas parte de seu mandato, e apenas uma parte do mundo do trabalho. Quase todo mundo trabalha, mas nem todo mundo é empregado. (...) A OIT deve preocupar-se com os trabalhadores para além do mercado de trabalho formal — com

619 O debate amplo com a sociedade civil é referenciado pela própria OIT. Cf. INTERNATIONAL

LABOUR ORGANIZATION. Decent work. Report of the Director General to the 87th Session of the

International Labour Conference. Genebra: International Labour Office, 1999, p. 39-40. Disponível em http://www.ilo.org/public/libdoc/ilo/P/09605/09605(1999-87).pdf. Acesso em 13 de novembro de 2014.

620 VOSKO, Decent work: the shifting role of the ILO and the struggle for global social justice, cit., p.

20.

621 SERVAIS, Jean-Michel. Politique de travail décent et mondialisation: réflexions sur une approche

juridique renouvelée. Revue internationale du Travail, Genebra, v. 143, n. 1-2, p. 203-225, 2004, p. 203.

622 No original: “there is growing space for resistance inside the ILO and especially at its margins”.

Tradução do autor. VOSKO, Decent work: the shifting role of the ILO and the struggle for global social justice, cit., p. 24.

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trabalhadores assalariados não regulamentados, os trabalhadores por conta própria e trabalhadores domésticos623.

Depositam-se na agenda do trabalho decente os esforços de recomposição do papel da OIT no plano internacional, em movimento que vai muito além de um programa de ação. Ela constituiu, juntamente com a Declaração de 1998 sobre princípios e direitos fundamentais no trabalho, a expressão precisa do espaço que a OIT pretende ocupar no século XXI, como protagonista na realização de mudanças concretas em torno da proteção ao trabalho e ao equilíbrio do mundo da produção. E não se trata, definitivamente, de uma decisão programática isolada. O trabalho decente, de fato, parece ser o vetor resultante das disputas internas e externas sobre o posicionamento da instituição no mundo globalizado e sobre sua relação com os destinatários finais de seus esforços. A expressão, para Vosko, é uma “metáfora para identificar a extrema necessidade de melhorar as condições de todas as pessoas, assalariados ou não, que trabalhem na economia formal ou informal, através de esforços de re-regulação e a expansão da proteção social e trabalhista”624.

Desse cenário é que resulta uma recolocação das ambiguidades, agora na emergência de novos atores, sujeitos sociais no espaço global de discussão. Ao mesmo tempo em que percebe um significativo avanço nas discussões e na regulação de trabalhadores e trabalhadoras historicamente marginalizados — o que é extremamente positivo —, o momento é de expansão da exclusão jurídica e marginalização, pela estratégia de desmonte da relação de emprego padrão empreendida pelo capitalismo de início de século. Ou seja, a OIT tenta se reinventar em um mundo que se precariza, e com isso pode se tornar ela mesma uma agente no processo flexibilizatório. De todo modo, o produto de tudo isso são novos atores, sujeitos empoderados na formatação

623 No original: “Because of its origins, the ILO has paid most attention to the needs of wage workers

— the majority of them men — in formal enterprises. But this is only part of its mandate, and only part of the world of work. Almost everyone works, but not everyone is employed. (…) The ILO must be concerned with workers beyond the formal labour market — with unregulated wage workers, the self-employed, and homeworkers”. Tradução do autor. INTERNATIONAL LABOUR ORGANIZATION. Decent work, cit., p. 3-4.

624 No original: “metaphor in identifying the dire need to improve the conditions of all people, waged

and unwaged, working in the formal or informal economy, through efforts at re-regulation and the expansion of social and labour protections”. Tradução do autor. VOSKO, Decent work: the shifting role of the ILO and the struggle for global social justice, cit., p. 26.

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de pautas e estratégias, que podem renovar o uso da dimensão internacional como espaço de emancipação625.

O distintivo da inovação em relação aos sujeitos envolvidos nos processos de produção de tratados, aliás, está na configuração genética do Direito Internacional do Trabalho, com seu princípio do diálogo social. Um tripartismo transversal faz com que todas as principais instâncias colegiadas da OIT (de normatização, administração, monitoramento e estudos626) sejam constituídas por representações equilibradas de

empregadores, trabalhadores e governos. Esse, na visão de Basso e Polido, é “o grande diferencial da OIT em sua existência como organização dotada de personalidade jurídica internacional”627. São os autores, aliás, que enfatizam como a singularidade de

uma estrutura negociadora tripartida tornou a OIT precursora em matéria de regulação da proteção à pessoa humana628, em conteúdos normativos dotados de grande

maturidade na construção de um diálogo social permanente.

Esclareça-se que menção geral aos sujeitos é feita, aqui, muito mais na perspectiva de sujeitos sociais engajados amplamente na agenda internacional do que propriamente no contexto discussão técnica dos sujeitos de Direito Internacional, sobretudo no que diz respeito aos atores não-estatais629. Mas é certo que as tendências

da discussão global acerca da legitimidade e reconhecimento jurídico de novos sujeitos no plano internacional afetarão também a esfera trabalhista. Isso porque as linhas da formulação clássica do Direito Internacional repercutiram na definição dos sujeitos de Direito Internacional do Trabalho, entendidos originalmente como tais somente os Estados soberanos, como concluído por Mahaim em 1913: “É o Estado que está em questão, é a sua soberania está em jogo, na resolução dos interesses privados dos

625 A respeito da atuação coletiva operária transnacional, cf. REIS, Daniela Muradas, NICOLI, Pedro

Augusto Gravatá. A negociação coletiva transnacional. Belo Horizonte: 2014. (Manuscrito inédito).

626 Cf., por exemplo, arts. 3.1, 7.1, 12.3, 17.1, 24 da Constituição da OIT.

627 BASSO, Maristela, POLIDO, Fabrício Bertini Pasquot. A Convenção 87 da OIT sobre liberdade

sindical de 1948: recomendações para a adequação do direito interno brasileiro aos princípios e regras internacionais do trabalho. Revista do Tribunal Superior do Trabalho, Brasília, v. 78, n. 3, p. 124-219, jul./set. 2012, p. 133. Ainda sobre a importância histórica do tripartismo cf. JENKS, Wilfred. The significance for International Law of the tripartite character of the International Labour Organisation.

Transactions of the Grotius Society, Cambridge, v. 22, p. 45-81, 1936.

628 BASSO, POLIDO, A Convenção 87 da OIT sobre liberdade sindical de 1948, cit., p. 140-141. 629 Cf. ALSTON, Non-State actors and Human Rights, cit.

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trabalhadores sob seus cuidados, e são também os Estados que estão envolvidos nos tratados gerais de trabalho”630.

As aberturas no transcurso do século XX foram profundamente transformadoras, firmando o que, na visão de Alain Pellet, é um fato: “hoje é impossível definir o Direito Internacional Público como o único ‘direito entre os Estados’; ele é o direito da sociedade internacional como um todo, e ela não é composta apenas de Estados, mesmo que permaneçam elementos essenciais”631,

sobretudo em face da soberania que, ainda que ressignificada, lhes reserva posição especial. É nesse contexto que se sustenta a conclusão mais recente de Süssekind no sentido de que, atualmente, “o Direito Internacional do Trabalho não se restringe às relações dos Estados entre si”632. Tal conclusão parece acertada sobretudo quando

consideradas as ampliações em relação ao objeto do Direito Internacional do Trabalho e a um regime dialogal igualmente em expansão, com a incorporação de vários outros organismos e sujeitos — desde organizações não-governamentais a redes sindicais internacionais — que, de formas variadas, participam dos processos típicos.

Ainda na efetivação da pauta do trabalho decente, a OIT vem buscando novas formas de atuação concreta, em experiências que mobilizam esses sujeitos de maneira inovadora na esfera transnacional. Um dos casos mais emblemáticos é a recente tragédia do Rana Plaza, acidente industrial de enormes proporções em um complexo têxtil em Bangladesh633, que sintetiza várias das preocupações contemporâneas do

630 No original: “C’est l’État qui est en cause, c’est sa souveraineté qui est en jeu, dans le règlement des

intérêts privés des ouvriers dont il s’occupe, et ce sont les Étals aussi qui sont en cause dans les traités de travail généraux”. Tradução do autor. MAHAIM, Le Droit International Ouvrier, cit., p. 23.

631 No original: “il est, aujourd’hui, impossible de définir le droit international public comme le seul

‘droit entre les États’; il est le droit de la société internationale dans son ensemble, et celle-ci n’est pas composée seulement d’États, même s’ils en demeurent des éléments essentiels”. Tradução do autor. PELLET, Alain. Le droit international à l’aube du XXlème siècle. Disponível em http://www.alainpellet.eu/Documents/PELLET%20-%201997%20-%20Cours%20Bancaja.pdf.

Acesso em 1º de dezembro de 2014.

632 SÜSSEKIND, Direito Internacional do Trabalho, cit., p. 17-18.

633 Em 24 de abril de 2013, mais de 1100 trabalhadoras e trabalhadores morreram e mais de 2000

ficaram feridos em um dos maiores acidentes industriais da história da humanidade. A tragédia ocorreu no complexo têxtil Rana Plaza, em Savar, na periferia de Daca, capital de Bangladesh. O Rana Plaza era um edifício de nove andares, no qual operavam diversas fábricas têxteis, onde milhares de pessoas trabalhavam em condições de segurança absolutamente precárias. Com o peso e a vibração das muitas máquinas de costura em operação, somados aos problemas estruturais, de construção e conservação, o

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Direito Internacional do Trabalho, desde o reconhecimento de responsabilidades em relações triangulares de exploração de trabalho, até as formas de sua imputação concreta a grupos transnacionais. Após o desabamento da planta têxtil, em abril de 2013, e enorme pressão internacional, a OIT conduziu uma série de iniciativas, com a participação de atores governamentais, além de sindicatos de trabalhadores, ONGs e as multinacionais envolvidas, dentre as quais se destacou ao chamado Acordo Rana Plaza. Em experiência inovadora, formou-se um fundo internacional administrado pela OIT, em que cotizações das empresas envolvidas, além de doações, visaram indenizar vítimas e fazer face às despesas médicas, engajando, enfim, a responsabilidade de atores não-estatais na esfera internacional634.

O resumo de toda essa transformação nas últimas décadas na OIT é dado por Vosko, ao salientar a nova ênfase da OIT “em estender proteções para trabalhadores na periferia dos sistemas formais de emprego”635 e, para tanto, tornando-se foro de

maior permeabilidade para novos sujeitos e atores do mundo do trabalho. Esta é, definitivamente, a nova bandeira da Organização. Diante da mudança geral de abordagem, que, e alguma forma, incorpora realidades fragmentárias, ficam as perguntas de Judy Fudge: os direitos fundamentais no trabalho serão o bastião diante das forças do neoliberalismo, protegendo o que resta do Estado Social ou eles se

edifício ruiu, levando consigo a vida dessas centenas de mulheres e homens. Trata-se de uma tragédia de proporções globais, que expõe as artérias da lógica contemporânea da exploração de trabalho. Dezenas de grandes marcas internacionais de confecção tinham relações produtivas diretas e indiretas com as fábricas do Rana Plaza, sobretudo por cadeias de terceirização. Nesse sentido, cf. NICOLI, Pedro Augusto Gravatá. A face trágica da terceirização trabalhista: do caso Rana Plaza ao dilema brasileiro. Brasília, outubro de 2014. Disponível em http://trabalho-constituicao- cidadania.blogspot.com.br/2014/10/a-face-tragica-da-terceirizacao.html. Acesso em 5 de dezembro de 2014.

634 INTERNATIONAL LABOUR ORGANIZATION. The ILO’s response to the Rana Plaza tragedy.

Abril de 2014. Disponível em http://www.ilo.org/global/about-the-ilo/activities/all/safer-garment- industry-in-bangladesh/WCMS_240343/lang--en/index.htm. Acesso em 14 de novembro de 2014. Cf., ainda, http://www.ranaplaza-arrangement.org/.

635 No original: “emphasis on extending protections to workers on the periphery of formal systems of

employment”. Tradução do autor. VOSKO, Decent work: the shifting role of the ILO and the struggle for global social justice, cit., p. 38.

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tornarão progressivamente uma força individualizante a minar formas mais solidárias de coesão social?636

A escolha da OIT, resumida por Amartya Sen como uma abordagem baseada em

direitos, pareceu a ele acertada:

Esta universalidade da cobertura, abrangência de preocupação e concepção compreensiva de metas é uma alternativa bem escolhida em face de uma atuação apenas no interesse de alguns grupos de trabalhadores (...). Há diferentes partes da população trabalhadora cujos destinos nem sempre caminham juntos, e na persecução dos interesses e demandas de um grupo, é fácil negligenciar os interesses e demandas de outros637.

E mais. Sen vê se desenhar com as mudanças recentes na OIT “o início de uma abordagem verdadeiramente global”638. A despeito das muitas críticas já tratadas, e

mesmo de uma conectividade histórica com os marcos de fundação (e outros de renovação) da OIT, uma refundação ampliativa renova o compromisso de promover um maior equilíbrio na dinâmica de forças global, agora com a mobilização de outros