3.3. AraĢtırmada Kullanılan Veri Toplama Araçları
3.3.1. AraĢtırmada denek için kullanılan veri toplama araçları
Um dos primeiros passos necessários para se entender o crime, esse fenômeno tão complexo, segundo Felson, seria esclarecer alguns equívocos. Neste sentido, existem dois grandes equívocos no pensamento sobre o crime. O primeiro é assumir que já se conhece qual é o problema do crime e como resolvê-lo; e que tudo de que precisamos é "agir". O segundo engano é duvidar que os intelectuais podem nos dizer algo de útil sobre o crime; reduzindo o crime à idéia de que ele deveria ser deixado por conta do julgamento nos tribunais.
Liberais, conservadores e anarquistas cometem, igualmente, o primeiro erro. Muitos liberais acham que o desemprego, a escola inadequada e a disponibilidade de armas são as grandes causas do crime. Já os conservadores pensam que impondo sentenças mais duras fará com que o crime diminua drasticamente. E muitos anarquistas acham que o fato de legalizar (ou pelo menos descriminalizar) as drogas reduziria os crimes nas ruas.
As pessoas que se consideram pragmáticas e não ideológicas cometem o segundo erro, que seria questionar a utilidade das pesquisas científicas no combate ao crime. Se esta é a visão deles, argumenta Felson, então, eles ficariam muito surpresos ao ver como oficiais de polícia, juizes, e oficiais do sistema correcional já são fortemente influenciados por pesquisa e o quanto mais direção de pesquisa muitos deles gostariam de ter. Talvez isso se deva ao descrédito crescente das explicações ideológicas do crime (Cf. BLUMSTEIN e PETERSILIA,1995).
Autores como REISS e ROTH (1993: 297) não apenas resumiram a poderosa implicação de fatores genéticos e biológicos na criminalidade, como também mostraram como esses fatores interagem com o ambiente, e sugerem que essa interação com o ambiente pode ser modificada. E nesse sentido, pensamos que alguns autores da Escola de Chicago poderiam nos ser de grande ajuda para entender como se daria a relação entre o indivíduo e a dinâmica da comunidade. O fato de levar em conta, no processo causal, o significado da ação para os indivíduos é fundamental em Thomas e veio a ser também uma característica do conjunto da Escola de Chicago. Desse modo, a análise do social torna-se holística, visto que, ao estudar a sociedade, os teóricos da Escola de Chicago partem do contexto global para chegarem ao problema; ao estudar um problema, partem deste para irem em direção ao seu contexto global. Assim, pensamos que seria proveitoso analisarmos o fenômeno da criminalidade a partir de como os indivíduos percebem o seu cotidiano. Partamos, para isso, de uma espécie de "radiografia do crime feita por Felson.
De acordo com Felson o crime nos E.U.A. (e em muitas nações democráticas) é mensurado de duas maneiras: Relatos policiais e Survey de vitimização, sendo que no primeiro tem-se os crimes que as pessoas relatam para a polícia e esta para o FBI (que reúne os dados de todos os Estados para todo o país); e o segundo contém crimes dos quais as pessoas foram vítimas nos últimos meses. Essas duas maneiras de medir o crime produzem resultados diferentes. Para muitos crimes, o Survey Nacional de Crimes de Vitimização (NCVS) mostra um número maior de crimes sendo cometidos do que os Crimes Relatados à polícia (Uniform Crime Report). E esta diferença nos dados se deve exatamente às diferenças nas formas de coletas, isto é:
O UCR contém crimes relatados pôr pessoas e comerciantes que não estão nas
pesquisas de vitimização (sem-casas ou pessoas confinadas a uma instituição);
O UCR contém os crimes separadamente, enquanto que no NCVS não há esta
separação entre os crimes. Se, por exemplo, uma mulher for espancada pelo marido cinco vezes, o UCR considera como cinco ocorrências (cinco crimes), ao passo que o NCVS considera apenas como uma vitimização;
O NCVS conta com vítimas de coisas que podem ter ocorrido há muitos meses
atrás. E muitos de nós não são capazes de nos lembrar de algo que nos ocorreu há tempos atrás (mesmo sendo um crime);
O NCVS é baseado numa amostra casual de todos os lares de americanos e
assim, como qualquer pesquisa de opinião, contém algum grau de erro.
O fato é que, comparando democracias industrializadas e Nações Institucionalizadas similares aos Estados Unidos, Felson coloca que a visão do survey de vitimização é similar em muitos aspectos à estatística da polícia e diferente em outros pontos. Os Estados Unidos respondem pôr altos níveis de crimes violentos, mas esses níveis não são significativamente diferentes de outras nações institucionalmente similares aos Estados Unidos, como a Austrália e Canada. Na verdade, as diferenças entre os Estados Unidos e outras nações em termos de violência e criminalidade é muito menos no survey de vitimização do que nas estatísticas da polícia, ou seja, quando se pergunta para a pessoa se ela foi vítima de algum crime nos últimos meses, não há muita diferença de níveis de violência entre as nações, mostrando assim que os crimes que não chegam ao conhecimento da polícia são bem mais comum do que possam parecer.
Em contraste, as diferenças entre os Estados Unidos e os outros países com respeito ao crime contra a propriedade no survey de vitimização tem uma direção oposta daquela encontrada nas estatísticas da polícia. A prevalência do crime contra a propriedade é claramente similar àquelas nações onde se tem leis comuns. Entre as democracias industrializadas que foram comparadas, apenas a França e a Inglaterra têm taxas menores do que os E U A. Entre as nações mais institucionalmente parecidas com os Estados Unidos, a Austrália e a Inglaterra têm taxas mais altas de roubo.
Um fato interessante que parece ficar claro é que alguns tipos de crimes - aqueles que envolvem algum dano material e, portanto, passível de ser ressarcido por alguma instituição, tendem mais a chegar ao conhecimento da polícia, o que poderia ser explicado pelo teor racional do comportamento das vítimas, ao fazer um cálculo de se vale ou não a pena procurar a polícia para resolver um dado conflito. Assim em contraposição à uma
explicação “culturalista”, a racionalidade parece ser mais definitiva na decisão de acionar
ou não a polícia para a resolução de conflitos (Cf. PAIXÃO e BEATO, 1997). Contudo, os outros crimes, sobretudo aqueles contra e pessoa e que não envolvem vítimas fatais, só são "captados", em sua maioria, através do Survey de Vitimização, mostrando que esses tipos de crime, que constituem a grande maioria dos crimes cometidos, estão camuflados no cotidiano das pessoas, nem sempre aparecem nas estatísticas ou nos relatos de vitimização.