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5. BÖLÜM

5.3. Milli Arşiv Hizmetleri

Coordenadora e Discussante-Eugénia Duarte-Silva, Faculdade de Psicologia, Universidade

de Lisboa

A religiosidade foi uma temática ignorada, durante muito tempo, no âmbito da investigação em Psicologia. A relevância dada por Jung, William James e mais tarde por Allport à experiência religiosa, à espiritualidade, ou a religiosidade como uma dimensão da personalidade, parece ter ressurgido no final do século passado, com o advento da Psicologia Positiva, admitindo a sua participação e/ou o seu impacto na saúde, objectiva e subjectiva, e no bem-estar, em diversas etapas do desenvolvimento, particularmente no curso da idade adulta. A religiosidade seria orientadora na definição de objectivos de vida, dimensão de bem-estar psicológico e movimento contrário à experiência da depressão, interferiria na forma como a doença seria vivida e constituiria um amortecedor face à confrontação com a multiplicidade e diversidade de experiências pautadas pela tónica da perda, comuns na idade adulta mais avançada. Este simpósio debruça-se sobre a temática da religiosidade, abordada em cinco comunicações. Numa primeira comunicação exploram-se os dados de uma investigação empírica em que se avalia esta dimensão na perspectiva de Allport, religiosidade intrínseca e extrínseca, discutindo-se os conceitos e a sua pertinência na religiosidade afecta ao catolicismo. Na segunda e terceira comunicações apresentam-se os resultados de estudos sobre religiosidade e depressão, realizados, um, com imigrantes brasileiros, outro, com participantes em cuidados continuados. Na quarta comunicação, igualmente estudo empírico, explora-se a relação entre

orientação religiosa, depressão e características de personalidade, avaliadas com o Teste de Szondi. Na quinta comunicação, numa perspectiva teórica, reflecte-se sobre a possível relevância da religiosidade/ espiritualidade num caminho para o envelhecimento consciente. Palavras chave: Adultos, Comunidade, Espiritualidade, Promoção da Saúde

Maria Eugénia Duarte Silva

Faculdade de Psicologia, Universidade de Lisboa

Faculdade de Psicologia, Alameda da Universidade, 1649-013 Lisboa 966331410

[email protected]

RELIGIOSIDADE INTRÍNSECA E RELIGIOSIDADE EXTRÍNSECA: ESTUDOS COM A VERSÃO PORTUGUESA DA ‘‘‘‘AGE UNIVERSAL’’’’ I/E-REVISED

Bruno Gonçalves & Teresa Fagulha

Faculdade de Psicologia, Universidade de Lisboa

Allport e Ross (1967) operacionalizaram o conceito de orientação religiosa intrínseca /

extrínseca numa escala para avaliar essas dimensões, independentemente de credos específicos (Ventis, 1995). Alguns autores consideram que estas dimensões se aplicam fundamentalmente aos Protestantes Americanos e alguns estudos verificam a impossibilidade de as distinguir em amostras de outros cultos (e.g., Flere & Lavric, 2008). Neste estudo foi utilizada a versão portuguesa da ‘Age Universal’ I/E-Revised (Linares, 2012) e um Questionário de Prática Religiosa, incluindo perguntas sobre intensidade da prática religiosa atual. Foram estudadas 3 amostras de conveniência da população geral portuguesa. Os participantes da Amostra A (N=301) foram abordados em locais de encontro religioso. As amostras B (N=131) e C (N=220) foram recolhidas pelo método de “bola de neve”. No total, cerca de 95% eram católicos. A análise fatorial exploratória baseada no conjunto das três amostras levou a definir 3 fatores. O Fator 1 agrupa quatro dos oito itens relacionados com a Orientação Intrínseca e os três itens originais da Orientação Extrínseca Pessoal. O Fator 2 agrupa todos os três itens da Escala de Orientação Extrínseca Social. O Fator 3 reúne quatro itens da Escala de Orientação Intrínseca, incluindo os três com formulação negativa. Todos os fatores se correlacionam significativamente com a intensidade da prática religiosa atual, mas a correlação é mais elevada para o Fator 1 (r=.56) e para o Fator 3 (r=.42). Estes resultados sugerem que não é possível distinguir entre Orientação Religiosa Intrínseca e Orientação Religiosa Extrínseca Pessoal em amostras católicas.

Palavras chave: Adultos, Organização Religiosa, Desenvolvimento de Instrumentos de Avaliação, Promoção da Saúde

Bruno Gonçalves

Faculdade de Psicologia, Universidade de Lisboa

Faculdade de Psicologia, Alameda da Universidade, 1649-013 Lisboa [email protected]

ENVOLVIMENTO RELIGIOSO E SINTOMATOLOGIA DEPRESSIVA EM IMIGRANTES BRASILEIROS

Rosilene Linares & Teresa Fagulha

Faculdade de Psicologia, Universidade de Lisboa

Analisa-se a relação entre envolvimento religioso e sintomatologia depressiva numa amostra de imigrantes brasileiros. Estes vivem uma intensa mudança, face á qual necessitam utilizar mecanismos de adaptação. Vários estudos confirmam uma relação positiva entre religiosidade e saúde física e mental. Pretende-se entender se o envolvimento religioso, avaliado em termos de “orientação religiosa” (Intrínseca / Extrínseca) e de coping religioso (Autodirecção: o controlo na resolução dos problemas é exercido pelo self; Delegação: o controlo é efectuado

por Deus; e Colaboração: o controlo resulta duma colaboração entre Deus e o self) podem constituir aspectos protectores da sintomatologia depressiva. Amostra 228 imigrantes (M idades = 31.4 anos; DP = 9.17. Instrumentos: Questionário sociodemográfico e de Prática Religiosa; Versão portuguesa (Linares, 2012) da Age Universal’ I-E Scale (Goursuch e Venable, 1983); Versão portuguesa (Linares, 2012) da Religious Problem-Solving Scale (Pargament, Kennell, Hathaway, Grevengoed, Newman, & Jones, 1988). Versão brasileira (Silveira e Jorge, 2000) da Center for Epidemiologic Studies Depression Scale,CES-D (Radloff, 1977). Resultados: A prática religiosa e o tempo que vive em Portugal apresentaram uma

relação negativa com a CES-D, a qual surge ainda com a Orientação Religiosa Intrínseca, quando se utiliza a solução factorial original. Numa solução a dois factores são os 3 itens de “Seriedade Religiosa” da subescala Intrínseca que se relacionam negativamente com a sintomatologia depressiva. Quanto ao coping religioso, há uma relação negativa com a sintomatologia depressiva e o estilo Colaboração e Delegação. Encontraram-se relações entre variáveis sociodemográficas e estilos de coping religioso e Orientação Religiosa Intrínseca e Extrínseca Social.

Palavras chave: Adultos, Comunidade, Psicologia e Saúde Mental, Prevenção Primária Rosilene Linares

Faculdade de Psicologia

a/c Teresa Fagulha, F. Psicologia, Al. da Universidade, 1649-013 Lisboa [email protected]

RELIGIOSIDADE E DEPRESSÃO EM IDOSOS EM CUIDADOS CONTINUADOS Tânia Borges & Eugénia Duarte-Silva

Faculdade de Psicologia, Universidade de Lisboa

A religiosidade/espiritualidade integra o conceito global de saúde, sendo importante na atribuição de significado e como fator protetor contra sofrimento decorrente da doença. Sabe- se também que a depressão nos idosos é uma das principais causas de incapacidade, conduzindo à diminuição da qualidade de vida.

Este estudo tem como objectivo clarificar a relação entre a religiosidade/espiritualidade e depressão em idosos dependentes, integrados num programa de cuidados continuados.

Amostra constituída por 63 participantes, ambos os sexos, distribuídos por dois grupos: Grupo 1, cuidados continuados (n =29 ), idades entre os 60 e os 94 (M = 74.83, DP =10.94); Grupo 2, saudáveis, inseridos na comunidade (n = 34), idades entre os 60 e os 93 (M = 75.26, DP = 9.45). Participantes responderam: Questionário sócio-demográfico, Questionário de práticas religiosas, Inventário de Saúde Mental (MHI-5) (Pais-Ribeiro, 2001; Veit & Wore, 1975), Questionário de Santa Clara (SCSOF) (Plante & Boccaccini, 1997), System of Beliefs Inventory -SBI-15R (Holland, et al. 1998) e à Escala de Depressão do Centro de Estudos Epidemiológicos (CES-D) (Gonçalves & Fagulha, 2006; Radloff, 1977). Descrevem-se resultados relativos a força da fé, crenças e práticas religiosas assim como o seu papel na adaptação à doença, e comportamentos depressivos, por grupos, com e sem doença, por idade e por género, e apresenta-se o estudo correlacional entre as variáveis avaliadas, evidenciando as diversas associações significativas. Os resultados são discutidos tendo em conta a associação entre religiosidade e depressão na experiência ou não da doença. São apontadas estratégias de intervenção para idosos dependentes.

Palavras chave: Adultos, Habitação, Psicologia e Saúde Mental, Cuidados Continuados Tânia Borges

Faculdade de Psicologia, Universidaded e Lisboa

a/c Eugénia Duarte-Silva, F. Psicologia, Al. Universidade,1649-013 Lisboa [email protected]

RELAÇÃO ENTRE ORIENTAÇÃO RELIGIOSA, DEPRESSÃO E

CARACTERÍSTICAS DA PERSONALIDADE AVALIADAS COM O TESTE DE SZONDI

Silvia Pires & Bruno Gonçalves

Faculdade de Psicologia, Universidade de Lisboa

A finalidade desta investigação consistiu no estudo da relação existente entre orientação religiosa, depressão e características de personalidade avaliadas com o Teste de Szondi. Analisa-se o comportamento das três variáveis simultaneamente e utiliza-se um teste projectivo para aceder às características de personalidade dos sujeitos.

Para isso, foram constituídas duas amostras, amostra clínica (n=33) e amostra comunitária (n=44), incluindo sujeitos de ambos os sexos e equiparáveis quanto às médias de idades e outras características sociodemográficas. Os participantes de ambas as amostras responderam à Escala de Depressão do Centro de Estudos Epidemiológicos (CES-D), à Escala de Orientação Religiosa (EOR; versão portuguesa de Linares, 2009), ao Questionário de Prática Religiosa e ao Teste de Szondi.

Observaram-se diferenças significativas entre os perfis encontrados no Teste de Szondi, para as duas amostras. Obtivemos uma correlação significativa entre as escalas EOR e QPR, sendo que os indivíduos com maior pontuação na Escala EOR apresentaram níveis de sintomatologia depressiva mais elevados.

Este estudo confirmou a validade da escala CES-D e a especificidade do Teste de Szondi relativamente à sintomatologia depressiva e religiosidade. No entanto as amostras consideradas revelaram-se muito pouco representativas da população geral. No futuro seria interessante aprofundar o estudo da relação entre as características de personalidade e a religiosidade dos sujeitos, designadamente no que concerne à resolução do dilema e conflito ético e religioso (e- /hy-) e ao processo de sublimação do factor e; estudo a ser efectuado com maior profundidade e com amostras representativas da população em estudo.

Palavras chave: Adultos, Hospital, Psicologia e Saúde Mental, Proteção da Saúde Sílvia Cristina Fernandes Pires

Faculdade de Psicologia, Universidade de Lisboa

a/c Bruno Gonçalves, F. Psicologia, Al. Universidade, 1649-013 Lisboa [email protected]

DA RELIGIOSIDADE/ESPIRITUALIDADE AO ENVELHECIMENTO CONSCIENTE Eugénia Duarte-Silva

Faculdade de Psicologia, Universidade de Lisboa

O processo de envelhecimento será gradual, largamente heterogéneo, multideterminado e multidireccionado, decorrendo ao longo do curso de vida (Baltes & Baltes, 1990). No entanto, as vicissitudes que o acompanham e que contribuem para o caracterizar, no decorrer da velhice, são pautadas por um desequilíbrio acentuado entre ganhos e perdas - da saúde, das competências cognitivas e instrumentais, da escolta social e das inter-relações, do controlo primário, da autonomia – que se constituem como um desafio individual a que cada geronte terá que dar uma resposta, mais ou menos adaptada, mais ou menos saudável, possibilitando ou não uma experiência de bem-estar e a serenidade possível perante a aproximação do final da vida. Esta vivência multifacetada implica também um olhar para o passado e para a sombra do passado no presente, a possibilidade da aceitação alargada de si e das suas circunstâncias, uma redefinição da sua identidade (Erikson, Erikson, & Kivnick, 1986) e a compreensão/construção de um sentido para a vida (Wong, 1998). Todo este trabalho pessoal parte da admissão das perdas, mas simultaneamente na compensação das mesmas através da elaboração. É um trabalho espiritual, que pode ser feito ao não numa base de religiosidade, implicando

pensamento positivo, promovendo o desenvolvimento da espiritualidade, e que conduz ao envelhecimento consciente (Moody, 2002, 2005), o envelhecimento bem-sucedido então possível.

Palavras chave: Idosos, Comunidade, Espiritualidade, Prevenção Primária Maria Eugénia Duarte Silva

Faculdade de Psicologia, Universidade de Lisboa

Faculdade de Psicologia, Alameda da Universidade, 1649-013 Lisboa 966331410 [email protected]

SIMPÓSIO: “PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DA SAÚDE NOS