Annelik Rolüne Uyum Düzey
5.3. Annelerin Doğum Sonu Dönemde Annelik Rolüne Uyum Düzey
Os depoimentos permitem concluir que a relação com os eventos da empresa é fundamental para a permanência ou não do novo distribuidor:
Os eventos servem tanto para motivar como para desmotivar. Quando a pessoa vê aqueles números, ela pensa: “quem sou eu para chegar aí”. Para quem está lotado de dívidas, você fala, um dia você vai ganhar 50 mil, 80 mil, você não acredita mesmo. (Ioko)
Para muitas pessoas que vão aos eventos, a forma como eles são feitos, como foi descrito anteriormente, muitas vezes causa repulsa, levando os convidados a sair antes do término. No entanto, aqueles que permanecem, mesmo havendo uma crítica a tudo aquilo que está sendo apresentado, como vimos, decidem continuar por causa da possibilidade de aumentarem os rendimentos. De início, pode ser prometido um pequeno aumento, para progressivamente melhorar a expectativa do novato: “Então, eu acho que tem que ser aos
poucos mesmo, 300 reais, 500 reais a mais no seu salário, te atende? A maioria ganha um salário mínimo mesmo” (Ioko).
Contudo, conforme o distribuidor passa a frequentar os eventos, principalmente os maiores, como o STS ou a Extravaganza, passam a demonstrar, nos seus relatos, como vão alterando aos poucos o patamar de seus objetivos e, a partir de então, a ter outra postura frente à própria atividade: “No primeiro ano, eu não precisava do dinheiro da XP. Eu ainda tinha
dinheiro da venda dos meus restaurantes. Aí veio o grande evento da Extravaganza. E resolvi fazer realmente XP. Mexeu demais, eu tive a visão”15 (Carlos) [negrito nosso].
De acordo com os treinadores da XP, a Extravaganza serve para que o distribuidor possa se ver no futuro, saber o que vai acontecer na sua vida nos próximos 10, 20 anos, ou seja, o objetivo é que ele saia do evento com a visão clara de onde estará no futuro. Com a absoluta certeza, enfim, de que alcançará o sucesso econômico e que a única variável importante é o grau de sua determinação:
Eu antes não tinha essa visão do futuro. Eu não acordava cedo, eu acordava e ia malhar. Eu começava a trabalhar meio-dia, meio-dia e meia. Eu não ia às reuniões. Eu não tinha um foco, uma determinação mesmo, como tem que ser. (Carlos)
Uma das formas utilizadas pela empresa para conseguir tal efeito é pelas histórias comoventes de pessoas sem nenhuma qualificação ou facilidades na sua trajetória e que alcançaram grande prosperidade:
O evento que me marcou muito foi o primeiro STS. Ver um sapateiro de Nova Serrana que só tinha o braço direito falando mal o português e a esposa, que era caixa de supermercado, e ela trabalhando três horas por dia com XP e ganhou mais do que ele e, no último mês, tinha conseguido “18 mil real”, como ele falava, e mostrou o extrato. É muito dinheiro, eu vendia a minha hora por 80 reais nessa época, para ganhar 15 mil reais, vendendo a sua hora, não tinha como. Eu não consegui dormir por causa desse cara, eu só me lembrava desse cara. (Plínio)
15 Ter a “visão” nos remete, mais uma vez, a uma experiência religiosa vivenciada por alguns dos sujeitos e que
Assim, a presença nos eventos da empresa torna-se tão imprescindível para a permanência do distribuidor, que é criada uma aura de segredo e mistério sobre o que é dito dentro dos treinamentos, para que aqueles que não estavam no evento passem a se esforçar mais de modo a estarem no próximo:
Uma coisa que me incomodava desde o início e incomoda até hoje é o tal do “você perdeu”, “você perdeu a Extravaganza, você perdeu o jantar”. Aí você pergunta: “o que foi falado lá?”, e eles falam:
“qualifica para o próximo, que você vai entender”. Isso ocorre até entre crosslines16. Você cutuca
alguém, e ele diz: “você não qualificou, então eu não posso te contar”. (Plínio)
Ao perguntar para aqueles que estão ainda na empresa, o que fariam com que deixassem de comparecer a um evento, a maioria deles deixa bem claro que somente um contratempo maior ou estar em outro evento os impediria de comparecer, pois, normalmente, mantêm o compromisso da presença em todos: “Eu só não venho a um evento se não estou
em Belo Horizonte ou estou em outro evento. Se você vier aqui e não me encontrar, pode ter certeza que eu estou em outro evento da empresa” (Bruno).
Assim, os distribuidores têm suas emoções constantemente mobilizadas nos eventos. A partir delas, principalmente pela certeza que lhe oferecem de finalmente terem descoberto como conseguir o próprio sucesso, sentem-se mais abertos para repensar seus parâmetros de avaliação sobre todos os outros aspectos de sua vida:
A Extravaganza é um evento que mexe muito com a gente, é muita gente junta, são as melhores
histórias, as histórias mais fortes, escolhidas a dedo. Toda a liderança do mundo inteiro, mais de dez mil pessoas, é um encontro para o Brasil inteiro. É uma loucura! Não muda o entendimento não, muda a emoção, e quando você está emocionado, é diferente. Uma coisa é pensar aqui em casa sobre
briga no trânsito, outra é quando aquele filho da puta arranha o seu carro e você parte para cima dele, pra matar. Os eventos têm esse poder de tocar a gente e mostrar que eu também sou capaz. (Plínio)
[negrito nosso]
Essa certeza, ao ser confrontada com o dia a dia, é frequentemente colocada em xeque, porém, ao participar de um novo evento, o distribuidor recupera a confiança na empresa como sendo o caminho mais confiável para alcançar sua estabilidade financeira:
Quando um distribuidor quer realmente fazer, eu falo: fulana, você tem que estar nos eventos, você tem que ganhar essa energia, porque não é fácil fazer um trabalho solitário. Por isso tem que estar envolvido, para pegar energia. Por que a gente vai à Igreja? Já não sabe que tem Deus? É para pegar energia, tem que voltar lá toda semana. Marido, namorado tem que falar eu te amo todo dia. A gente
não tem que comer todo dia? Todo dia é um dia novo, por isso temos que ir aos eventos sempre. (Ioko)
[negrito nosso]
Portanto o desenvolvimento de uma nova mentalidade do distribuidor, como será exposto a seguir, ocorre pelo enfraquecimento da percepção da realidade vivida no dia a dia, com base no fortalecimento de uma “realidade” construída dentro dos eventos.