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4.7. Veri Toplama Yöntemleri

4.7.1. Anketler

4.7.1.4. Anketin içeriği

Assim como o ―fator de Impacto‖, calculado e divulgado pelo ISI, propriedade da empresa Thomson Reuters, muitos dos institutos ou entidades aferidoras e mensuradoras de índices e rankings pertencem ou estão ligadas às grandes bases de dados, igualmente propriedade de empresas privadas, que detém e vendem estes mesmos periódicos científicos avaliados.

Neste aspecto uma questão é recorrente: como fica a independência de um instituto de natureza econômica e comercial para fazer esta mensurarão de seu próprio produto? Há ainda que se questionar que estas empresas vendedoras de artigos são em número reduzido e com grande poder de barganha em negociações, refletida nos altos custos de assinatura e mesmo na

36 Em suas normas para publicação o periódico informa que ―Publica, bimestralmente, artigos originais de contribuição

científica, no campo da Ciência Florestal, como: Meio Ambiente e Conservação da Natureza, Silvicultura, Utilização de Produtos Florestais e Manejo Florestal.‖ (SOUZA, 2013) Em vista desta diretriz básica de publicação sua prolífica inserção torna-se de difícil entendimento em áreas como Zootecnia/Recursos pesqueiros (B2), Direito (B5), Administração, Ciências Contábeis e Turismo (A2), Ciência Política e Relações Internacionais (B3) e até em Medicina (B3) ou Medicina Veterinária (B2) (CAPES, 2013n).

37 A revista está classificada nas seguintes áreas no Webqualis (CAPES, 2013n): Ciências Agrárias I; Geociências;

Engenharias III; Planejamento Urbano e Regional / Demografia; Biodiversidade; Zootecnia / Recursos Pesqueiros; Nutrição; Direito; Geografia; Economia; Biotecnologia; Engenharias II; Arquitetura e Urbanismo; Medicina Veterinária; Ciências Biológicas I; Química; Ciências Ambientais; Engenharias IV; Administração, Ciências Contábeis e Turismo; Engenharias I; Interdisciplinar; Materiais; Medicina II; Farmácia; Ciência Política e Relações Internacionais.

aquisição de um único artigo. Um artigo no periódico Urban Studies custava, em outubro de 2013 US$ 25.00 (SAGE, 2013).

Resolveu-se comparar os valores o custo de artigo com o de livros. A editora que ―publica‖ e distribui este periódico, a Sage, também publica livros, fez-se então uma pesquisa de livros publicados por esta editora na ―livraria virtual‖ Amazon: por US$ 28.80 podia-se adquirir, em outubro de 2013, a versão eletrônica do livro Cities in a World Economy escrito pela socióloga Saskia Sassen (AMAZON, 2013), ou seja, um livro como 424 páginas que tem custo de direito autoral pago à autora, impressão, armazenamento, distribuição e margem de lucro da livraria, custa US$ 3.80 mais caro que um artigo, vendido diretamente pela Sage, sem intermediários, que não tem custo de direito autoral, impressão, armazenamento e distribuição38.

Este alto custo das publicações gera inúmeros protestos, como o da universidade norte- americana de Harvard, que, em manifesto dirigido a seus mais de 2.000 pesquisadores, propõe que passem a publicar preferencialmente em periódicos de acesso gratuito. Neste manifesto, informa que gasta, anualmente, 3,5 milhões de dólares com assinaturas de periódicos e reclama que publicações com maior fator de impacto cobram assinaturas anuais que chegam a custar US$ 40 mil (DARNTON, 2012).

Este poder de barganha pode ser visto nas reclamações de várias instituições acadêmicas e mesmo na tentativa de criação de base essencialmente acadêmica proposta pela universidade norte-americana de Harvard. A tentação para uma cartelização é muito grande e pode ser vista no alto custo de artigos vendidos. Em pesquisa feita na Internet, obteve-se, em algumas editoras (bases de dados), os seguintes valores para cada artigo: Springer - US$ 39.95 39, Routledge/Taylor &

Francis - US$ 39 40, Elsevier US$ 41.95 41, Emerald US$ 32 42. O custo de uma artigo na Sage poderia

ser considerado uma barganha em função dos das demais editoras. Certamente que esta editora repassa para a instituição que publica o periódico parte deste valor, entretanto, há que se considerar que o custo manutenção em site e venda de artigos é muito baixo. Há ainda que se considerar que mesmo para as instituições detentoras dos direitos sobre o periódicos, bem como responsável pelas linhas editoriais, o custo é muito baixo pois os artigos são enviados por pesquisadores a custo zero e mesmo o custo de revisores ad hoc43, inexiste.

38Poder-se-ia refutar esta afirmação de ausência de custo de armazenamento ou distribuição, visto que, de fato existe um

custo de armazenamento em provedores, possivelmente na própria editora, além de custo de conexão de internet e mesmo de manutenção de site. Entretanto, este custo, por irrisório (menos de US$ 0.01), não é considerado na composição de custo do artigo vendido, ou seja, mesmo com eventuais aumentos nestes custos, não haveria reajuste de valor no preço do artigo (SHARMA, 2013).

39Custo de artigo da edição de dezembro de 2013 do periódico Annals of Regional Science (SPRINGER, 2013). 40Custo de artigo da edição de dezembro de 2013 do periódico European Planning Studies (ROUTLEDGE, 2013). 41Custo de artigo da edição de dezembro de 2013 do periódico Landscape and Urban Planning (ELSEVIER, 2013).

42 Custo de artigo da edição de dezembro de 2013 do periódico International Journal of Sociology and Social Policy

(EMERALD, 2013).

43 Expressão em latim que pode ser traduzida como ―(especialmente) para estas determinadas circunstâncias‖ e,

complementarmente, ―uma ideia interessante é criar um corpo de especialistas que forneceriam os pareceres Ad Hoc baseados exclusivamente em critérios técnicos e anonimamente‖ (NEVES, 2003, p.41).

Há ainda que se considerar outros problemas nestes índices: - Ausência de citações de livros;

- Influências formais não citadas, muitas vezes motivadas por ―notório conhecimento‖ do campo; - Citação tendenciosa ou preconcebida - por exemplo, ―troca de citações‖ - eu cito você e você me cita;

- Autocitação;

- Existência de áreas em que os autores tradicionalmente não citam as fontes que utilizam; - Acessibilidade às fontes - o alto custo de periódicos;

- Possibilidade de manipulação da mensuração;

Uma das críticas que se faz ao Fator de impacto, como de resto a outros índices é que podem ser facilmente manipulados. Um exemplo paradigmático foi apresentado no periódico Nature em 2008, em artigo assinado por Quirin Schiermeier (2008). O físico Mohamed El Naschie, que tinha índice h calculado em 33 (CALLAGHAM; BREEN, 2010), foi forçado a se aposentar da editoria do periódico Chaos, Solitons and Fractals, por ―auto privilégio‖. Segundo Schiermeier, em edição do mês de dezembro (não cita ano), de 36 artigos publicados, 5 eram de sua autoria. Este ―produtivo‖ editor, no período de um ano, publicou 60 artigos neste periódico. Schiermer, informa que, nesta edição de dezembro, dos 31 artigos que não haviam sido escritos por El Naschie, ―pelo menos 11 estavam relacionados com suas teorias e incluíam 58 citações de seus trabalhos no periódico‖. Este periódico foi fundado por El Naschie em 1991, sua assinatura anual, comercializada pela Elsevier, custava, em 2008, US$ 4.520 e tinha, em 2007, fator de impacto, mensurado pelo JCR, de 3,025 considerado relativamente alto.