2.3. Kalkınma Teorisi
2.4.2. Önemli Hedef ve İlkeler
A urbanização brasileira, tradicionalmente, teve um enfoque predominantemente de valorização das centralidades em detrimento do subúrbio que, ao longo da história urbana brasileira, adquiriu uma conotação pejorativa.
Entretanto, com mais de 84% (IBGE, 2010)13 de sua população residindo em núcleos urbanos a
distribuição espacial no Brasil vem alterando-se significativamente, especialmente no que se refere ao chamado tecido urbano. As cidades brasileiras viram modificadas algumas de suas características tradicionais, especialmente no que se refere às centralidades em suas regiões metropolitanas.
Segundo Motta e Ajara (2001, p.9) em 2000, 34,31% da população brasileira residia em regiões metropolitanas. Quando se aplica este dado de Motta e Ajara à população urbana brasileira mensurada no Censo de 2010, constata-se que cerca de 42% desta população urbana residia, naquela ocasião, em regiões metropolitanas. Analisando-se alguns dados de localização espacial da população residente em áreas metropolitanas no Brasil na última década, pode-se observar algumas transformações.
Na tabela 01 pode-se observar que, em 2010, nas regiões metropolitanas no Brasil com mais de um milhão de habitantes, em sua maioria, tendia a ter mais de 50% de sua população residindo no município sede. Entretanto, destacam-se os casos de Teresina (70,74%), Salvador (74,86%), São Luís (76,24%), Maceió (80,66%) e Manaus (85,56%) com mais de 70% da população residindo no município sede. Ressalta-se ainda o caso de Manaus com mais de 85% em sua sede à qual caberia indagar se esta se configuraria de fato, como região metropolitana (RM), tendo em vista a enorme diferença dimensional entre o município sede e os demais componentes de sua RM. Do outro lado, em direção oposta, os casos de Vitória (19,42%), Baixada Santista (25,20%), Porto Alegre (35,60%), Campinas (38,61%), Florianópolis (41,61%), Recife (41,67%), Belo Horizonte (43,86%) e Norte/Nordeste Catarinense (47,86%) todas com menos de 50% da população residindo no município sede.
13 Segundo o IBGE em 2010, 15,65% da população (correspondentes a 29.852.986 pessoas) viviam em área rural. A
população urbana, segundo o mesmo Instituto era de 84,35% em situação urbana (correspondentes a 160.879.708 pessoas), sendo que em 67 municípios 100% de sua população viviam em área urbana, enquanto em outros 775 municípios tal população correspondia a mais de 90%. Em contraposição, apenas 9 municípios tinham mais de 90% de sua população vivendo área rural (IBGE, 2010).
TABELA 01
População residente– Cidades e Regiões Metropolitanas
Região Metropolitana População Residentes
na sede (%) População Reg. Metrop.
Vitória 327.801 1.687.704 19,42 Baixada Santista 419.400 1.664.136 25,20 Porto Alegre 1.409.351 3.958.985 35,60 Campinas 1.080.113 2.797.137 38,61 Florianópolis 421.240 1.012.233 41,61 Recife 1.537.704 3.690.547 41,67 Belo Horizonte 2.375.151 5.414.701 43,86
Norte/Nordeste Catarinense -Joinville 515.288 1.094.412 47,08 Rio de Janeiro 6.320.446 11.835.708 53,40 Curitiba 1.751.907 3.174.201 55,19 São Paulo 11.253.503 19.683.975 57,17 Natal 803.739 1.351.004 59,49 Goiânia 1.302.001 2.173.141 59,91 João Pessoa 723.515 1.198.576 60,36 Belém 1.393.399 2.101.883 66,29 Fortaleza 2.452.185 3.615.767 67,82 Brasília* 2.570.160 3.717.728 69,13 Teresina* 814.230 1.150.959 70,74 Salvador 2.675.656 3.573.973 74,86 São Luís 1.014.837 1.331.181 76,24 Maceió 932.748 1.156.364 80,66 Manaus 1.802.014 2.106.322 85,56
* RIDE - Região Integrada de Desenvolvimento14
Fonte: Tabela produzida pelo autor a partir de dados do IBGE, Censo 2010
Cabem algumas observações sobre a referida tabela, o percentual de Vitória deve-se a uma particularidade geográfica, a cidade situa-se em uma ilha, com centro bastante montanhoso que inviabiliza expansão limitando seu crescimento e espraiamento.
Estes dados possibilitam especular sobre as razões e fenômenos imbricados nestes números, especialmente nas cidades de Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre. Estes poderiam ser uma tendência de espraiamento e mesmo de encolhimento da área central. Pode-se ainda conjecturar que tal estaria ligado a um processo de migração das elites para as periferias sob a forma de condomínios fechados associados a um fenômeno de ―expulsão‖ de populações de menor poder aquisitivo pressionadas por avanços do mercado imobiliário em regiões residenciais. Sobre esta questão analisa Mendonça (2008, p. 46):
Crescentemente as elites se concentram no território, ao mesmo tempo em que ocupam novas parcelas da cidade e desenvolvem formas de isolamento, entre aparatos de segurança e loteamentos fechados. De outro lado, ainda que os processos que produziram a oposição centro-periferia tenham mudado e que novas forças estejam gerando outros tipos de espaços e uma distribuição diferente dos grupos sociais e das atividades econômicas como afirma Caldeira (2000), a reprodução das periferias distantes e precárias está longe de ser um processo finalizado. Várias são as consequências desse quadro: geração de valor simbólico, supervalorização do solo e permanente pressão por verticalização nas áreas centrais, mobilidade espacial descendente de grupos sociais mais pobres, proliferação de loteamentos irregulares e clandestinos em territórios cada vez mais distantes nas áreas metropolitanas e periferização de favelas. Somam-se ainda o aprofundamento da fragmentação do tecido social, a violência urbana e, em alguns casos, como o da Região Metropolitana de Belo Horizonte, maior distanciamento espacial dos grupos situados nas duas extremidades da hierarquia social.
14 Região integrada de desenvolvimento (RIDE) é a Região Metropolitana que abrange municípios de mais de uma
À semelhança da suburbanização norte-americana, o espraiamento ocorrido no Brasil, decorre principalmente a partir de empreendimentos privados, onde a atuação do poder público quase invariavelmente ocorre apenas no nível legal de aprovação do empreendimento, muitas vezes sem análises de impactos ambientais, sociais ou mesmo metropolitanos. Este fenômeno lembra Reis Filho (2006, p.12) tende a tornar obsoletos os instrumentos de controle do estado sobre o espaço urbano e mesmo sobre as práticas de sua produção e gestão.
Neste aspecto, cabe interpor-se questionamento que, em se havendo uma tendência ao espraiamento, até que ponto é desejável que se formule políticas de adensamento e se procure evitar o espraiamento, conforme ocorre hoje. Por outro lado, para que se defina políticas de urbanização a favor ou contra tanto do adensamento como do espraiamento, pensa-se que algumas questões devam ser respondidas:
Até que ponto a infraestrutura implantada aguentaria um adensamento? Há que se conjecturar que a infraestrutura implantada foi dimensionada para um determinado tipo de ocupação e que poderia entrar em colapso a partir de um uso muito maior que o originariamente previsto. Algumas crateras que periodicamente ―surgem‖ em ruas das grandes cidades não teriam neste colapso uma de suas razões?
O adensamento num país como o Brasil, não poderia conforme analisam Krugman (1991) (1998) e Kubo (1995) aprofundar ainda mais a já grande injustiça social, especialmente no que tange à distribuição de riquezas?
Do outro lado, um eventual espraiamento não acirraria um processo de segregação que marca o crescimento das cidades brasileiras? A adoção de um modelo norte-americano de suburbanização não traria um grande custo ambiental? Como lidar com os históricos problemas de desigualdades que sempre permearam a questão urbana, como destaca Mendonça (2008, p. 47):
No que se refere às políticas urbanas, o jogo de interesses é fortemente marcado pela distribuição de recursos urbanos e das potencialidades de uso do solo, e aqui é importante destacar que as grandes cidades e regiões metropolitanas brasileiras têm presenciado a cristalização e o aprofundamento da desigualdade na distribuição territorial dos grupos sociais e seu acesso aos recursos públicos.