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2.6. Sürdürülebilir Turizm Gelişimi

2.6.2. Önemli Hedefler

A partir destas múltiplas visões das questões relativas ao adensamento e espraiamento urbano apresentadas neste capítulo se estabeleceu os parâmetros para a realização das pesquisas em periódicos através de palavras-chave correlatas a algumas das discussões que estes temas suscitam.

CAPÍTULO 3

A era da informação:

divulgação, conhecimento, cidades do conhecimento e

mapeamentos

O pensamento moderno ocidental é um pensamento abissal. Consiste num sistema de distinções visíveis e invisíveis, sendo que as invisíveis fundamentam as visíveis. As distinções invisíveis são estabelecidas através de linhas radicais que dividem a realidade social em dois universos distintos: o universo “deste lado da linha” e o universo “do outro lado da linha”. A divisão é tal que “o outro lado da linha” desaparece enquanto realidade, torna‑se inexistente, e é mesmo produzido como inexistente. Inexistência significa não existir sob qualquer forma de ser relevante ou compreensível. Tudo aquilo que é produzido como inexistente é excluído de forma radical porque permanece exterior ao universo que a própria concepção aceite de inclusão considera como sendo o Outro. A característica fundamental do pensamento abissal é a impossibilidade da co-presença dos dois lados da linha. Este lado da linha só prevalece na medida em que esgota o campo da realidade relevante. Para além dela há apenas inexistência, invisibilidade e ausência não-dialéctica. Para dar um exemplo baseado no meu próprio trabalho, tenho vindo a caracterizar a modernidade ocidental como um paradigma fundado na tensão entre a regulação e a emancipação social. Esta distinção visível fundamenta todos os conflitos modernos, tanto no relativo a factos substantivos como no plano dos procedimentos. Mas subjacente a esta distinção existe uma outra, invisível, na qual a anterior se funda. Esta distinção invisível é a distinção entre as sociedades metropolitanas e os territórios coloniais. De facto, a dicotomia regulação/emancipação apenas se aplica a sociedades metropolitanas. Seria impensável aplicá‑la aos territórios coloniais. Nestes aplica-se uma outra dicotomia, a dicotomia apropriação/violência que, por seu turno, seria inconcebível aplicar deste lado da linha.

Boaventura de Souza Santos Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes.

3.1 - INTRODUÇÃO

Analisar a questão da chamada produção do conhecimento é uma tarefa complexa, principalmente por se considerar a enorme transformação que passou a sociedade ao longo do século XX e, principalmente, pela ―revolução paradigmática‖ promovida pelos meios de divulgação da produção acadêmica e científica neste início do século XXI, possibilitada pelas tecnologias de informação de comunicação e pela internet.

Nesta ―revolução‖ do acesso à informação, especialmente em relação à produção de documentos científicos, os periódicos acadêmicos que ao longo do século XX tiveram crescimento constante, na virada do século XXI apresentam tendência de crescimento ainda mais expressivo. Tal tendência é incrementada não só pela redução de custos advinda da mudança de ―suporte‖, que migra do papel para o arquivo eletrônico, mas principalmente com a possibilidade de acesso muito maior através da internet, seja por meio da distribuição (venda) por grandes bases de dados como a Thomson Reuters, Web of Science, Sage ou através de bases de acesso gratuito (open access) como o Scielo15, Latindex16 ou Directory of Open Access Journals17.

Embora possa-se pensar que estes periódicos científicos sejam relativamente recentes, foi no século XVII que surgiram as primeiras publicações próximas ao que hoje se designa como ―revista científica‖. Segundo Brown (1972, p. 372) em 1665 é lançado, na França, o primeiro número Journal des Sçavans, que segundo o autor teria sido organizado por Charles-Augustin Sainte- Beuve18. A esta publicação, pouco depois, segue outra publicação, desta feita na Inglaterra,

Philosophical Transactions, lançada em março de 1665, editada por Henry Oldenburg, secretário da Royal Society (1972, p. 372). Embora as publicações tenham surgido no século XVII, até meados do século XVIII o crescimento do número de publicações foi irregular, a partir de 1750 quando havia cerca de 10 publicações científicas o número de novas publicações passa a ter crescimento regular, o que leva Solla Price (1976, p. 146) a estimar ―com certo grau de precisão, que o número cresceu por um fator dez durante cada meio século‖. Em 1830, o crescimento constante no número de publicações, tornou virtualmente impossível a um cientista ler todos os periódicos (naquela ocasião cerca de 300) e manter-se atualizado. Em vista disto, foi lançado o primeiro periódico de resumos (abstracts), que em 1950 chegaram a 300, e, de certa forma, reproduziam o problema de 120 anos antes. Em trabalho seminal de 196119, Solla Price projetando

a evolução do crescimento do número de publicações a partir da análise de uma série histórica,

15http://www.scielo.br

16http://www.latindex.unam.mx 17http://www.doaj.org

18Segundo Brown (1972, p.368) o primeiro número, em forma de panfleto, com 20 páginas, foi lançado em 5 de janeiro de

1665.

19O livro, A ciência desde a Babilônia, publicado no Brasil, teve sua primeira edição publicada pela Yale University Press

lançava uma estimativa de 1.000.000 de títulos de periódicos seriam publicados até o ano 2000 (SOLLA PRICE, 1976, p. 148)20.

Embora os números de Solla Price sejam de difícil comprovação, alguns trabalhos recentes têm procurado mensurar o que seria o total de publicações científicas disponíveis e ativas. Uma das principais referências para a obtenção de informação nesta mensuração é a Base de Dados Ulrich (Ulrich‘ s International Periodicals Directory, 1996)21 disponível naquela ocasião (1996) em

CD-ROM e citada por Mabe e Amin (2001, p.154, 157), Björk et al. (2008, p.178) (2009) e Jinha (2010, p.3) que, relacionavam cerca de 441.00022 periódicos (MABE; AMIN, 2001, p.154). A análise

do gráfico 01 mostra o significativo crescimento do número de periódicos ao longo do século XX especialmente após a década de 1950.

GRÁFICO 01

Evolução do número de periódicos científicos no século XX

Fonte: Adaptado de Mabe e Amin (2001, p.154)

No final do século XIX este tipo de meio de divulgação ―inicia trajetória‖ de crescimento (GROSS; HARMON; PEIDY, 2002, p.230) que irá transformá-la em principal meio de divulgação científica e acadêmica, especialmente nas chamadas áreas básicas ou ―duras‖ do conhecimento, como Física, Química ou Medicina, persistindo, até a atualidade, nas chamadas Ciências Sociais e Humanidades, uma grande importância da divulgação através de livros (HICKS, 1999, 2004; ARCHAMBAULT, 2006; VAN LEEUWEN, 2006; MARTIN, 2010; LEWISON e ROE, 2013).

20 Solla Price ressalva que esta é uma estimativa de números de periódico científicos criados, mas não necessariamente

existentes.

21Em 1922, a bibliotecária Carolyn Ulrich deixa seu posto de Chefe da divisão de periódicos da Biblioteca Pública de Nova

York para organizar, nos seguintes 24 anos, aquele que, no futuro, será uma das maiores e mais prestigiadas base de dados de periódicos (MCDERMOTT, 2002).

22 Sendo: 170.000 periódicos acadêmicos vinculados a instituição acadêmica, 163.000 periódicos acadêmicos não

Porém, ao longo do século XX, cresce substancialmente o número de publicações periódicas acadêmicas com taxas anuais de crescimento a razão de 5,6% dobrando o total de periódicos a cada 13 anos (LARSEN; INS, 2010, p.576). Utilizando-se apenas como referência, hoje os periódicos acadêmicos disponíveis no Portal Capes, representam números significativos do que se pode qualificar como ―profusão‖ de periódicos acadêmicos. Na área de conhecimento de Ciências sociais aplicadas, o Portal de Periódicos Capes disponibilizava, em setembro de 2013, 4.887 periódicos, dos quais 250 eram da área de Arquitetura e Urbanismo, 143 em Planejamento Urbano e Regional; enquanto na área de Ciências Humanas, eram, na mesma época 6.178 periódicos, dos quais, 878 em Antropologia, 730 em Geografia, 970 em História e 1.734 em Sociologia (CAPES, 2013b).

Observa-se que a base do Portal de Periódicos Capes que em setembro de 2013 disponibilizava 36.407 periódicos (CAPES, 2013c) significativa em número de publicações pode ser considerada restrita, pois existem vários periódicos brasileiros, relacionados no Qualis Capes que não estão disponíveis, assim como uma infinidade de outros periódicos acadêmicos de outros países que, igualmente, também não estão disponíveis nesta base de dados.

3.2 - INDICES DE MENSURAÇÃO DE PRODUTIVIDADE E DE IMPACTO DE PERIÓDICOS