3. SANAT EĞİTİMİNDE VELİNİN (ANNE- BABANIN) ROLÜ
1.3. Veri Toplama Aracı
1.1.4. Anket Formuna Yazılı Görüş Bildiren Velilerin Beklentileri
A Comissão de Anistia da UFPB, diante das demandas de pesquisas provindas da Lei de Anistia, apresentou através do Processo nº 013.711/99-07 pedido de retratação institucional, tendo como relator João Otávio Paes de Barros Júnior. A retratação constitui uma espécie de reparação moral e política, pública, em que a instituição reconhece sua responsabilização com os atos de violência. O mesmo CONSUNI que, em 1964, aprovou por unanimidade a intervenção e a repressão contra a instituição e seus quadros, em 1999, trinta e cinco anos depois aprovou o processo de retratação.
A retratação pública significou o “pedido de perdão aos ofendidos e humilhados”, a redução dos danos morais e simbólicos, o reconhecimento de que a universidade foi parte ativa da repressão, uma vez que
[...] prestou-se ao papel de algoz de seus próprios pares [...] a quem tinha por obrigação de cuidar e educar: os estudantes desta casa, como também, o reconhecimento de que é função da universidade fazer uma auto-crítica perante a opinião pública e dela tomar novas lições (BARROS JÚNIOR, 1999, p. 33 – 34).
Trinta anos após a reunião de 13 de março de 1969, do Conselho Universitário, que homologou por unanimidade punições disciplinares, frutos do Decreto nº 477, o reitor Jader Nunes de Oliveira, um dos participantes do Congresso da UNE de Ibiúna, realiza, em 27 de agosto de 1999, em homenagem aos 20 anos da Lei de Anistia, uma sessão solene do Conselho Universitário para homologar a Retratação Institucional da UFPB, revogando o Processo nº 31.260, de 14 de março de 1969. Tal processo de retratação institucional foi coordenado pela Comissão de Anistia da UFPB (UFPB, 1999, p. 37). Através da Resolução nº 16/1999, foram revogadas as decisões do Conselho Universitário de 14 de março de 1969 relativo à Punições Disciplinares, proveniente do Decreto-Lei nº 477, de 26 de fevereiro de 1969, que trata das “infrações disciplinares praticadas por professores, alunos, funcionários ou empregados de estabelecimentos de ensino público ou particulares”. A Resolução aprovou:
Art. 1º Revogar todas as resoluções do Conselho Universitário que homologaram
atos punitivos da Reitoria aplicados a alunos e ex-alunos da UFPB, atos estes fundados em legislação de exceção.
Art. 2º Conferir a esta Resolução efeito de Retratação Institucional deste Colegiado
Superior perante todos aqueles membros da Comunidade Universitária punidos pelo regime militar (UFPB, 1999, p.41).
O Decreto nº 477, de 26 de fevereiro de 1969, determinou aos reitores-interventores a punição e a perseguição de estudantes universitários envolvidos com subversão, impedindo- os de realizarem matrículas em qualquer escola durante vinte anos (SEDH, s/d). Em 13 de maio de 1969, a gestão disciplinar ampliou-se ao Conselho Universitário, que votou o Processo 31.260, encaminhado pela Reitoria, com o objetivo de homologar punições disciplinares, e que foi acatado por unanimidade, impedindo alunos de estudarem e se ausentar do estado e até do país. A Resolução nº 16/99, que revogou as punições aprovadas pelo CONSUNI, reconhece que a ditadura submeteu a universidade ao poder discricionário,
agindo como agente da repressão, violando as liberdades democráticas e o direito à educação, que não prescinde do exercício das liberdades e da cidadania. Como afirma Barreto Filho (1999, p. 55) “A universidade não hesitou em escolher o lado da lógica da violência repressiva da Ditadura pretendendo com isto matar as paixões pela luta libertária”. E continua: “A comunidade acadêmica em sua esmagadora maioria silenciou. O medo, o terror imposto e, em alguns casos, a cumplicidade, foram coadjuvantes das cenas de arbítrio”.
Por outro lado, a resolução reconhece, também, a capacidade de resistência e luta dos segmentos universitários que, sob censura e repressão, foram parte da construção do processo de redemocratização. Resistir ao autoritarismo, rompendo com o silenciamento e o medo impostos à Universidade, foi um processo que impacta e ecoa até hoje na jovem democracia.
[...] os nossos perseguidores não foram capazes de apagar os nossos espíritos libertários, apenas, continuaram incendiando as nossas almas. E hoje longe daquele começo, permanece incendiário o amor à liberdade (BARRETO FILHO, 1999, p.59).
O processo de retratação envolveu dar voz aos docentes e estudantes perseguidos. Cada expressão reflete aspectos para a educação em direitos humanos.
Na medida em que renunciou à autonomia, submetendo-se às injunções do governo militar, o que fez, na verdade, foi solapar os pré-requisitos indispensáveis à afirmação daquilo que lhe caracteriza substantivamente: o exercício do espírito crítico e investigativo de que são portadores os membros da comunidade acadêmica, e que os leva a ampliar as fronteiras do conhecimento, contribuindo, assim, para o progresso da nação (LYRA, 1999, p. 61 – 62).
O sentimento de luta que sustentou a resistência persistiu, como afirma Zenóbio Toscano de Oliveira, na sessão de retratação:
Vejo companheiros [...] que em nenhum instante paralisaram o seu sentimento de luta de busca pela redemocratização do país [...] Trinta anos se passaram, vinte anos de anistia e vejo no semblante de todos os companheiros daquela época este mesmo sentimento de continuar a busca para mudar o mundo (OLIVEIRA, 1999, p. 45).
Do ponto de vista da educação em direitos humanos, a retratação institucional também é uma estratégia política e pedagógica da UFPB, ao responsabilizar-se e fazer justiça aos que sofreram violações de direitos:
[...] o reencontro de todos os brasileiros com a liberdade. Estamos festejando a reafirmação da liberdade como valor intrínseco da nacionalidade. Estamos reverenciando a capacidade de preservar a memória política de uma nação e a memória de todos aqueles imolados na luta para restaurar o direito de contar essa história. Estamos saudando a vontade de fazer dessa memória a arma mais eficaz contra toda e qualquer forma de tirania ou opressão (IDEM, 1999, p. 69).
A necessidade da memória para fazer o silenciamento repressivo falar, é hoje, no contexto democrático, um ato de educação em e para os direitos humanos. Afirma Luiz Augusto Crispim (1999, p.47): “[...] é indispensável cultivar essa memória, para que nós saibamos escapar dos absurdos que a história ainda pode nos reservar”. Barreto Filho enfatiza:
[...] trazer à tona esta fratura exposta é fundamental [...] Reavaliando publicamente o autoritarismo passado que brutalizou a minha geração, hoje nos reconciliamos com a essência e natureza da Universidade, e mais que isto, com o profundo sentimento em saber que trinta anos depois, a história mostrou que estávamos apaixonadamente certos ao escolhermos o lado dos que lutaram pela liberdade (BARRETO FILHO, 1999, p. 54).
A retratação, como ação pedagógica, é colocada na fala de Nonato Guedes, quando ressalta a memória como elemento de uma dinâmica transformadora.
Há quem ache ocioso exumar o passado, sobretudo quando esse passado, ainda bem recente, deixou traumas, cicatrizes profundas e controvérsias intermináveis. A História, no entanto, é insepultável. Ela precisa ser revisitada frequentemente, ou a qualquer época, não só para que se aclarem as verdades, mas para que dos seus registros extraiam-se lições que possam tecer a moldura dos tempos contínuos (GUEDES, 1994, p. 9).
A fala do reitor Jader Nunes de Oliveira, na sessão da retratação, explicita o significado da democracia para os direitos humanos, quando afirma:
Estamos comemorando a construção plural do renascimento da democracia em nosso país. Estamos comemorando o reencontro de todos os brasileiros com a liberdade. Estamos festejando a reafirmação da liberdade como valor intrínseco da nacionalidade. Estamos reverenciando a capacidade de preservar a memória política de uma nação e a memória de todos aqueles imolados na luta para restaurar o direito de contar essa história. Estamos saudando a vontade de fazer dessa memória a arma mais eficaz contra toda e qualquer forma de tirania ou opressão (OLIVEIRA, 1999, p. 69).
A UFPB dispõe, atualmente, de documentos referentes ao período da ditadura junto ao Arquivo Geral, localizado na reitoria, no Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos (acervo
da Delegacia de Ordem Política e Social – DOPS), no Programa de Pós-Graduação em Educação (Acervo dos Inquéritos Militares), no NUDOC e no NDHIR (imagens e materiais videográficos). O projeto de pesquisa “Acervo e Memória: Organização da Documentação da DOPS”, coordenado pela historiadora Lúcia de Fátima Guerra Ferreira, junto ao NCDH, está processando o tratamento das fichas da DOPS, cedidas ao CEDDHC, assim como está fazendo a reconstrução da memória oral dos fichados. A produção acadêmica sobre a memória dos tempos da ditadura na UFPB encontra-se sistematizada em produções acadêmicas (de discentes e docentes), vinculados ao curso de Histórica, Biblioteconomia e Ciências Sociais, articulando projetos de pesquisa com atuações de extensão.
Quadro 10 – Relação de Produções sobre a UFPB no período da ditadura militar (1964 – 1988)
Ano Produções Acadêmicas
1979 ADUF-JP – Grupo de Trabalho em prol da anistia. O caso Jomard Muniz de Brito. Um capítulo do livro negro da UFPB ou o surrealismo da repressão. João Pessoa: ADUF-JP, 1979. 31 p.
1982 LYRA, Rubens Pinto. Universidade e movimento docente. João Pessoa: Editora Universitária, 1982.
1993 CITTADINO, Monique, A UFPB e o golpe de 1964. João Pessoa: ADUF-PB. Cadernos da ADUF- PB, nº 10. 37, 1993. 37 p.
1995 FERREIRA, Lúcia de Fátima Guerra. Arquivos e memórias. In: SAECULUM – Revista de
História. João Pessoa. 09/Jul/dez 1995 Disponível em:
<http://www.cchla.ufpb.br/saeculum/saeculum01_art05_ferreira.pdf>. Acessado em 19/07/2010. 1997 CITTADINO, Monique. Estado autoritário pós-64: perspectivas historiográficas. In: SAECULUM
– Revista de História. João Pessoa, 1997, V. 3, p. 109 – 147 1997.
NEVES, Joana. História local e construção da identidade social. In: SAECULUM – Revista de História. João Pessoa. p 13 – 27, Jan/dez 1997.
1999 UFPB.A retratação da UFPB. João Pessoa: UFPB-Comissão de Anistia, 1999.
2000 SANTANA, Marta Falcão. O movimento de 1964 e a Paraíba: ditadura nunca mais. In: IHGP. A
Paraíba nos 500 Anos de Brasil. Anais do Ciclo de Debates do IHGP. João Pessoa: Secretaria de
Educação e Cultura do Estado, 2000. Disponível em: <http://www.ihgp.net/pb500o.htm.> Acessado em:19/07/2010.
2002 GOMES, Maria José T. L. Ditadura na Universidade Federal da Paraíba. (1964 – 1971). Memória de professores. João Pessoa: CEFET-PB, 2002.
MELLO, José Octávio de Arruda (Org.). O jogo da verdade – 1964, trinta anos depois. João Pessoa: A União, 1994, v. 1.
MELLO, José Octávio de Arruda. 1964 no mundo, Brasil e nordeste. 2ª ed. João Pessoa: Editora Unipê, 2004
2004
FERREIRA, Lúcia de Fátima Guerra. UFPB: histórias de repressão em tempos de expansão (1964 – 1984). (Projeto de Pesquisa). João Pessoa: PIBIC-UFPB, 2004.
2005 CASTELO BRANCO, Uyguaciara Veloso. A construção do mito do “Meu filho doutor”. João Pessoa: UFPB-Editora Universitária, 2005.
2006 FERREIRA, Lúcia de Fátima Guerra; FERNANDES, David. A UFPB 50 anos. João Pessoa: Editora Universitária, 2006.
PEREIRA, Ingrid Rique da Escóssia. UFPB: O processo de expansão e a intervenção do Estado autoritário (1964 – 1971). Monografia (Graduação de História) Universidade Federal da Paraiba. João Pessoa, 2006. (mimeo). 56p.
CITTADINO, Monique. Poder local e ditadura militar: o governo João Agripino – Paraíba (1965
– 1971). Bauru: EDUSC, 2006.
Projeto “Advocacia em Direitos Humanos: Formação, teoria e prática interdisciplinar”, da UFPB, que integra o Programa do MEC/SESU – “Reconhecer: Ressignificando o ensino de Direito”, participação do CCJ, Departamento de História e NCDH, envolvendo, dentre uma das metas, a organização dos Acervos sobre a Violência Institucional na Comissão Pastoral Carcerária (CPC), no Conselho Estadual de Defesa dos Direitos do Homem e do Cidadão da Paraíba (CEDDHC).
2007 LUNA, Guanambi Tavares de. A atuação da DOPS Paraibana no período militar (1964 – 1974). Monografia (Licenciatura Plena em História) UFPB, João Pessoa, 2007. 63p.
CITTADINO, Monique. O golpe de 1964 e a instalação da repressão na Paraíba. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br/licitacao/observa_paraiba_01,pdf>. Acessado em: 27 de set. de 2009. COSTA, Arlene Xavier Santos; LUNA, Guanambi Tavares de; BARBOSA, Fernanda Ribeiro; GADELHA FILHO, Jonas Abrantes; SANTOS, Sandro Eric Pereira dos; JARDIM, George Ardilles da Silva; FERREIRA, Lúcia de Fátima Guerra. Documentação da ditadura militar: memória e cidadamia. Disponível em:<http://www.prac.ufpb.br/anais/IXEnex/extensao/documentos/anais /3.DIREITOSHUMANOS/3CCHLADHOUT01.pdf>. Acessado em: 19/07/2010.
2009 FERREIRA, Lúcia de Fátima Guerra. Direitos humanos e memória. In: ZENAIDE, Maria de Nazaré Tavares; FERREIRA, Lúcia de Fátima Guerra; NADER, Alexandre Antonio Gili (Orgs.). Direitos
humanos: capacitação de educadores – fundamentos histórico-filosóficos e político-jurídicos da
educação em direitos humanos. João Pessoa: Editora Universitária/UFPB, 2008, p. 67 – 76.
BRITO, Ana Paula; FERREIRA, Suelen de; FERREIRA, Lúcia de F. Guerra. Arquivo do DOPS: Patrimônio Cidadão. XI Encontro de Extensão da UFPB. 2009. Disponível em: <www.prac.ufpb.br/anais/XIenexXIIenid/...XI.../3PRACCOPACPEX02.doc.> Acessado em: 19/07/2010.
Fonte: LUNA (2007); ZENAIDE; FERREIRA ; NADER (2008); SITE DA UFPB.
Tais produções, inseridas no eixo VI do PNDH III – Direito à memória e à verdade, e ao eixo – Educação Superior do PNEDH (2009, p. 41), atenderam a demanda às universidadesdea realização de “projetos de educação em direitos humanos sobre a memória do autoritarismo no Brasil, fomentando a pesquisa, a produção de material didático, a identificação e organização de acervos históricos e centros de referência”.
4.3 APROXIMAÇÃO DA UNIVERSIDADE COM OS MOVIMENTOS SOCIAIS NA