3. SANAT EĞİTİMİNDE VELİNİN (ANNE- BABANIN) ROLÜ
3.3. Ailenin Sosyoekonomik Düzeyinin Sanat Eğitimine Etkisi
Foi de séculos a distância entre a criação das universidades européias e latino- americanas em relação ao Brasil. Enquanto na Europa, as universidades surgiram entre os séculos XI e XIII, no Brasil, segundo Lauro de Oliveira Lima (1987, p.76), de 1500 a 1822, mais de 322 anos, foi o tempo que Portugal levou para autorizar a criação de Cursos Jurídicos, em Olinda e São Paulo. Lima diferencia os Estados Unidos do Brasil, na medida em que o processo de colonização americano teve a escola pública universal e gratuita desde o início. Afirma o autor: “Enquanto os portugueses fundavam uma capela e um pelourinho (os dois símbolos da opressão e política), os pioneiros iniciavam os núcleos urbanos com uma escola pública e um banco”. Segundo Lima (1987, p. 76), enquanto “todos os demais países da América Latina tiveram suas universidades desde o primeiro século da colonização, mas nossa universidade mais antiga ainda não tem cinquenta anos”.
No Brasil, segundo Schmidt (2000, p. 244) o preconceito sempre esteve arraigado à mentalidade antidemocrática das elites brasileiras.
[...] nunca encarnaram a educação geral como um bem estratégico, como um componente essencial para a consolidação de uma sociedade democrática e com projetos de poder no quadro internacional. Em parte, isto é devido à nossa herança colonial, onde a igreja e latifundiários controlaram o acesso à educação básica e, em particular, o acesso à educação de nível superior. Educação sempre foi vista pelas elites econômicas e políticas, como uma deferência pessoal e de classe, ou seja, uma maneira de conferir status diferenciados a cidadãos teoricamente iguais. Renda, propriedade e alto nível de educação sempre estiveram aliados, no Brasil, como forma de distinguir pessoas e grupos sociais.
Segundo Cunha (2007a), houve 42 projetos de criação de universidade não aprovados, mantendo, inicialmente, a perspectiva de escolas isoladas ao estilo francês. A universidade, ao modo francês, era vista como símbolo do Antigo Regime, daí que em 1808,
Napoleão Bonaparte promove uma reforma institucional incluindo a universidade. A recusa dos positivistas na criação da universidade no Brasil foi porque, segundo Cunha (2007c, p. 124), “a universidade seria uma iniciativa contrária à liberdade de ensino que pregavam, ainda mais porque, sob o controle direto do imperador, seria previsível o predomínio das doutrinas católicas”.
Um aspecto importante levantado por Cunha (2007a) diz respeito à vinculação da Igreja Católica como religião de Estado, até a proclamação da República, em 1889. A educação escolar, nesse longo período, foi estatal, religiosa ou secular. Não havia autonomia para a pesquisa e a produção acadêmica superior, a censura aos livros cabia ao Santo Ofício assim como o Código Penal criminalizava o ateísmo e a descrença na imortalidade da alma. Romper com a hegemonia espititual católica no ensino, face às idéias liberais e positivistas, ascendentes na Europa com o desenvolvimento da técnica e da ciência, implicou deslocar a Igreja Católica para o âmbito da sociedade civil.
Começando como estabelecimentos isolados no Primeiro Reinado, ampliaram-se até se criar as primeiras universidades livres na Primeira República (Universidade de Manaus, 1909; Universidade de São Paulo, 1911; Rio de Janeito, 1920; Minas Gerais, 1927; Porto Alegre, 1934). A universidade de Manaus, criada em 1909, foi dissolvida em 1926, conhecida como Escola Livre de Instrução Militar do Amazonas, deu-se no auge do ciclo da borracha, desdobrando-se em Faculdades, mas só conseguiu vingar a Faculdade de Direito, federalizada em 1949, sendo incorporada à Universidade do Amazonas por Lei Federal, em 1962. A história oficial reconhece, entretanto, a criação da USP (Universidade de São Paulo) e da Universidade Federal do Distrito Federal como o início da universidade brasileira. Para Almeida, só após a ditadura de Vargas, em 1945, é que foi criada no Brasil a rede de universidades, iniciando-se no Rio de Janeiro, na Bahia e em Recife (ALMEIDA FILHO, 2008, p. 93 – 95).
Enquanto o Brasil ensaiava a criação das primeiras universidades, na América Latina, em 1918, já havia um amplo movimento de crítica ao caráter oligárquico e clerical das universidades, pautando-se na questão da autonomia universitária, da democratização do governo universitário, do academicismo, da falta de uma identidade latino-americana, da ausência da pesquisa e da extensão universitária, da liberdade de cátedra, entre outros (BERNHEIM, 2001a e BATISTA, 2010).
Ao longo da história brasileira, segundo Penteado (1998), a universidade assumiu configurações extremamente diversificadas e heterogêneas em suas formas, funções e modelos de ensino superior. Afirma a autora:
O Decreto nº 2.207 – 97 revogado pelo de nº2.306 – 97, de 19 de agosto de 1997) classifica as instituições de ensino superior em universidades, centros universitários, faculdades integradas, faculdades e institutos superiores ou escolas superiores. Para as universidades, foi mantido o princípio da indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão, e para a figura do centro universitário, novidade criada pelo citado decreto (e regulamentado pela Portaria nº 639 – 97), não existe a exigência de que o ensino, de qualidade e\ou de excelência, deva ser ministrado associado à atividade de pesquisa (PENTEADO, 1998, p. 32).
Na Primeira República (1989 – 1930) deu-se início ao processo de normatização do ensino superior: Decreto 1.232, de 2 de janeiro de 1891 – Conselho de Instrução Superior; Decreto 3.890,de 01 de janeiro de 1901 – Código dos Institutos de Ensino Superior; Decreto 8.659, de 5 de abril de 1911 – Lei Orgânica do Ensino Superior e do Fundamental da República; Decreto 11.530, de 18 de março de 1915 – Reforma reorganizando o ensino secundário e superior em todo o país; Decreto 16.782-A, de 1925 – Reforma de Ensino de João Luís Alves e Rocha Vaz, objetivando o controle político-ideológico de estudantes e professores. Para tanto, foi criada a cadeira de Instrução Moral e Cívica no ensino primário e secundário, a inserção do tema em exames de admissão, criou-se a polícia escolar para “manutenção da ordem e da moral”; Decreto-Lei de 1931 – Estatuto das Universidades Brasileiras, que consagrou a centralidade do controle do ensino superior. Apesar de, neste período, ainda não haver uma estrutura universitária a exemplo da atual, já que a predominância no período eram aglomerados de escolas e faculdade isoladas (CUNHA, 2007a).
A organização do ensino superior no Brasil, sob o controle do Poder Público, iniciou- se em 1930 com a criação do Ministério da Educação. É necessário lembrar que, nos anos 30, o país viveu regime autoritário e a intervenção na economia, face à hegemonia do capitalismo internacional para acelerar o processo de industrialização. O período (1930 – 1964) foi marcado por tensões, golpes de estado, impactando para o campo da educação, políticas de corte liberal e autoritário. A política autoritária tinha como estratégia conquistar adesão ou repressão, privilegiando políticas de benefícios como forma de obter aliados. Na década de 1930 foi criada a União Nacional dos Estudantes – UNE (1938), o Estatuto das Universidades Brasileiras (1931) e o Conselho Nacional de Educação (1934). O Estatuto das Universidades
definia as mesmas como compostas de institutos, constituídos de docentes catedráticos efetivos, auxiliares dos catedráticos e livre docentes, e dirigidas por uma congregação escolhida pelo Ministro da Educação, a partir de uma lista indicada pelo Conselho Universitário. O ensino seria pago tanto nas universidades oficiais como nas privadas e havia restrição à autonomia universitária.
O Departamento Nacional do Ensino ficou subordinado ao Ministério da Justiça e Negócios Interiores, que teve, no início, o comando de dois gestores de orientação facista, tal era a força ideológica e política da Ação Integralista Brasileira – AIB, que agia não só nos quadros de direção do Estado, como através de grupos paramilitares para reprimirem as organizações de trabalhadores. Só através do Decreto 19.402, de 14 de novembro de 1930, é que a gestão educacional foi institucionalizada em Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública. A desarticulação da Saúde ocorreu posteriormente, em 1953, com a mudança para Ministério da Educação e Cultura – MEC. Em 1985, do MEC se desvinculava a Cultura, criando-se o Ministério da Cultura. Em 1992, muda-se para Ministério da Educação e do Desporto e, 1995, o MEC fica delimitado apenas à Educação.
A política populista articulava concessões aos trabalhadores (salário mínimo, redução da jornada de trabalho) ao controle político dos sindicatos pelo Ministério do Trabalho. Tratava-se de uma conjuntura crítica em relação aos direitos civis e políticos, uma vez que os integralistas e facistas da AIB confrontavam diretamente as forçcas da Aliança Nacional Libertadora – ANL. Nesse contexto, foi criada a Comissão de Repressão ao Comunismo contra “pessoas cujas atividades fossem consideradas ‘ prejudiciais às instituições políticas e sociais’” (CUNHA, 2007a, p. 219).
Em 1948, nasce a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Em 1955, no bojo do nacionalismo, é criado o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB). A modernização do ensino superior como questão de desenvolvimento e segurança materializou-se com a criação do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA); do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), em 1951 e do Instituto de Energia Atômica, depois, expandindo com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o Instituto de Matemática Pura, o Instituto de Pesquisas Rodoviárias e o Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação.
Para Cunha (2007a), a pressão dos segmentos médios da sociedade brasileira, durante a República Populista (1946 – 1964), gestou uma importante força política no contexto universitário. Em 1961, foi promulgada a primeira Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional. O Programa Nacional de Expansão das Matrículas duplicou as vagas do ensino superior. Foi criado o Conselho Federal de Educação, em 1962, e renovada a Lei 1.254, de 1950, federalizando as universidades que exigia que, pelo menos três das unidades de ensino deviam ser de Filosofia e Direito, Medicina e Engenharia ou Economia e Serviço Social.
Nos anos 1960 e 70, a maioria dos países do continente americano enfrentou intervenção autoritária nas Instituições de Ensino Superior, convivendo também com mecanismos de controle no âmbito do planejamento (anos 1980) e avaliação (anos 1990). Se por um lado, os regimes autoritários expandiram a educação superior pública (vagas, cursos e novas universidades), também ocorreu a expansão do ensino privado superior. Segundo Lyra, “[...] 80% dos alunos dos cursos superiores frequentavam estabelecimentos oficiais de ensino, e apenas 20% faculdades particulares, atualmente (em 1986), mais de 75% dos universitários estudam em instituições da rede privada” (LYRA, 1982, p. 43).
Corroborando com Lyra, estudos realizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais – INEP (2006), após a criação da Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional – LDB, de 1996 – 2004, no Brasil o crescimento de instituições de esnino superior no campo privado alcançou um percentual de 88,9%. Se no país como um todo, o percentual de crescimento foi de 118,3%, ou seja, de 922 para 2.013 universidades, no nordeste a mudança foi de 97 para 344, representando um percentual de crescimento de 254%. Na Paraíba, enquanto a oferta de ensino superior público reduziu de 08 para 02 instituições de ensino superior, o ensino privado teve um acréscimo de 405,3%.