5.0. TÜRKİYE’DE KREDİ TEMERRÜT SWAPLAR
5.2.1. Analiz Datası
Os resultados da estimação da função ineficiência na qualidade da saúde estão apresentados na Tabela 33. As variáveis que apresentaram coeficientes estatisticamente significativos foram: a coligação, a receita orçamentária, e a taxa de alfabetização da população.
Ao contrário da estimação anterior, quando se constatou que a coligação com o governo estadual possibilitaria melhores níveis de eficiência no gasto municipal em saúde, a
relação observada entre os municípios que eram coligados com a ineficiência da qualidade da saúde mostrou-se direta. Percebe, nesse sentido, que embora as coligações partidárias possibilitem o alcance de melhores indicadores de desempenho na gestão dos recursos, o simples pactuo partidário não refletem em maiores níveis de eficiência da qualidade da saúde dos municípios.
O coeficiente da receita orçamentária apresentou uma relação positiva com a ineficiência da qualidade da saúde municipal, ou seja, acréscimos nos recursos orçamentários não necessariamente implicam em mais esforços dos gestores em prover melhores resultados na qualidade da saúde municipal.
O efeito da taxa de alfabetização da população municipal sobre a ineficiência na qualidade saúde apresentou-se negativo, mostrando, assim, que os municípios que tem população com maiores níveis educacional podem alcançar melhores resultados na qualidade dos serviços de saúde; uma população com maior nível educacional certamente cobrará mais dos seus gestores locais.
Tabela 33 – Resultado da estimação da função ineficiência na qualidade da saúde municipal Regressão Tobit.
Variável dependente Ineficiência = 1─ (1/ θθθθ)
Coeficientes Efeitos
marginais T-statistic P-Value
Efeitos marginais P-Value Parâmetros Idade -0.0008898 -0.54 0.591 -0.000294 0.589 Coligação (dummy) 0. 08282** 2.38 0.020 0.0268** 0.019 Curso superior -0. 0630443 -1.35 0.182 -0.021010 0.173 Curso médio -0. 018358 -0.38 0.708 -0.005941 0.712 Densidade populacional (pop/Km2) -0. 000563 -1.01 0.315 -0.000186 0.311
Receita orçamentária 9.67e-10** 2.25 0.028 3.1e-10** 0.025
Taxa alfabetização -0. 008994* -2.26 0.027 -0.0029** 0.024
Constante 0. 2472*** 1.69 0.097
Log-likelihood -0.2520 LR chi2(7) 29.52 Prob > chi2 0.0001 Fonte: Resultado da estimação do modelo Tobit. ** significativo a 5%, *** significativo a 10%.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O debate sobre a eficiência do gasto em saúde e da qualidade dos serviços que são ofertados à população vem sendo uma das questões de grande discussão entre os economistas, técnicos e profissionais da área, particularmente a partir do processo de descentralização fiscal, no qual foi imposta aos municípios a responsabilidade no tocante ao desenvolvimento local de políticas públicas, em especial aquelas referentes à saúde e a educação. Entretanto, apesar de todos os municípios estarem submetidos às mesmas obrigações constitucionais, ostentam distintos desempenhos quanto à eficiência do gasto e da provisão dos serviços.
O objetivo geral deste estudo consistiu em analisar a eficiência na utilização dos recursos e na qualidade da saúde pública nos municípios do estado do Rio Grande do Norte, no período de 2004 e 2008. Para esse alcance, comparou-se a eficiência no gasto em saúde com o volume de recursos recebidos pelos municípios; analisaram-se quais municípios alcançaram mudanças de produtividade entre 2004 e 2008 e foram relacionados esses resultados com o perfil dos gestores; observaram-se quais os municípios que alcançaram os melhores e piores indicadores na eficiência do gasto e na qualidade da saúde; e, também, procurou-se identificar os determinantes da ineficiência com o dispêndio e com a qualidade da saúde. Para isso combinaram-se distintos métodos de análise: o DEA, o índice de Malmquist e o modelo de regressão Tobit.
A partir dos resultados desse estudo algumas reflexões podem ser objetos de discussão. Na problemática do estudo foram elaborados os seguintes questionamentos: 1) Dada a disponibilidade de recursos direcionados aos municípios, esses os aplicam eficientemente para alcançar uma melhor oferta nos serviços de saúde? 2) Dada a disponibilidade dos serviços em saúde, isto é, de recursos físicos e humanos, pode-se esperar maior eficiência da qualidade da saúde municipal? 3) Considerada a possibilidade de ineficiência na gestão municipal, no gasto e na qualidade dos serviços em saúde, que fatores poderiam explicá-las?
Com relação ao primeiro questionamento, o estudo mostrou que nem todos os municípios aplicaram eficientemente os recursos na provisão dos serviços em saúde, e que esta eficiência não necessariamente está associada à maior disponibilidade de receitas específicas para a função saúde. Alguns municípios realizaram uma despesa maior do que outros, porém apresentaram menores resultados na provisão de serviços em saúde. Quanto ao segundo questionamento o estudo mostrou que, apesar da provisão de alguns recursos físicos
e humanos, alguns municípios foram menos eficientes do que outros na qualidade da saúde. Ou seja, não se pode esperar apenas do espaço físico, do número de médicos e de enfermeiros para se alcançar uma melhor qualidade da saúde. A qualidade da saúde de um município depende além do estoque de recursos financeiros, físicos e humanos – médios, enfermeiros e demais profissionais – também de outra ações do governo local, estadual e federal. Por exemplo, um maior empenho na gestão de políticas que contribuam para redução da taxa de mortalidade infantil. Os municípios que têm baixo indicadores no número de domicílios com acesso à água tratada e saneamento, e elevada proporção de pobres podem exibir maiores taxas de mortalidade infantil. Parte do terceiro questionamento é respondida por esse argumento, mas, não se pode deixar de responsabilizar o gestor do governo local da ineficiência na utilização dos recursos e da qualidade dos serviços na saúde.
As características do prefeito também podem refletir nos indicadores da gestão municipal. O estudo mostrou que algumas características do prefeito, de seu partido e do próprio município podem afetar o desempenho da gestão dos recursos e da qualidade da saúde.
O estudo também procurou comparar gestões municipais considerando, na metodologia, a mudança de produtividade ocorrida entre os dois anos de fins de mandato. A final de contas quem foi melhor? A mudança de produtividade mostra o que um prefeito fez melhor do que outro, ao alterar sua eficiência técnica e a tecnologia na gestão municipal na função saúde. Os resultados apontaram que dos noventa e dois municípios somente treze alcançaram um bom desempenho na produtividade do gasto em saúde, entre o período de 2004 e 2008. Percebeu-se, também, que entre os municípios que alcançaram mudanças de produtividade a maior escolaridade do prefeito, a coligação partidária do município com o governo do estado e a mudança de gestão caracterizaram os diferenciais de produtividade alcançadas pelos municípios. Além do mais, a mudança de eficiência técnica foi o componente responsável pela performance da produtividade do gasto público na função saúde.
Duas hipóteses nortearam este estudo: a primeira, que a eficiência do gasto em saúde não necessariamente está relacionada à maior disponibilidade de recursos; a segunda, que a existência dos recursos físicos e humanos não é uma condição suficiente para uma maior eficiência da qualidade desse serviço. Os resultados encontrados mostraram evidências que validam as duas hipóteses. Os municípios ineficientes receberam mais recursos para aplicação na saúde do que outros, porém exibiram menores indicadores de oferta para o atendimento da população. Os resultados mostraram ainda que alguns municípios revelaram-se ineficientes na
qualidade da saúde, mesmo com o número de médicos, enfermeiros e unidades de saúde semelhantes a outros municípios. Os maiores municípios do estado, Natal e Mossoró, além de Currais Novos mostraram os piores resultados na qualidade da saúde do estado. É importante lembrar que esses municípios são considerados centros polarizadores dos principais serviços em saúde do Estado, e, normalmente, recebem maiores demandas de atendimentos da população local e de outros municípios vizinhos.
Embora os resultados desse estudo possam ajudar na interpretação de alguns indicadores da administração municipal na função saúde, deve-se ter cautela ao se interpretar os resultados sem considerar outros argumentos. Por exemplo, as limitações das restrições dos modelos estimados, do período analisado e das informações utilizadas, que podem alterar os níveis de eficiência obtidos pelos municípios analisados.
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APÊNDICE A
Tabela 34 - Distribuição dos municípios por classe da eficiência do gasto público com saúde, RN, 2004. Modelo DEA.
Classe de eficiência Número de municípios Municípios
0,70├─0,85 26 Arei Branca, Baía Formosa, Parnamirim,
Tenente Ananias, Alto do Rodrigues, Caraúbas, Itaú, Januário Cicco, Jucurutu,
Macau, Messias Targino, Monte Alegre, Mossoró, Natal, Pedra Grande, Píloes, São Gonçalo Amarante, São José mipibu, Serra N.
do Norte, Severiano Melo, Sítio Novo, Tangara, Tenente Laurentino Cruz, Tibau do
Sul, Touros e Upanema.
0,85 ├─ 0,9 10 Afonso Bezerra, Parazinho, Passa e Fica,
Pedro Velho, Pendências, São B. do Trairi, São Vicente, Bom Jesus, Caraúbas, Montanhas.
0,90 ├─ 0,95 21
Upanema, Serrinha, São João do Sabugi, Santo Antônio, Ruy Barbosa, Portalegre, Rafael Fernandes, Parelhas, Paraná, Ouro Branco,
Maxaranguape, Macaíba, Luís Gomes, Lucrécia, Lagoa Nova, Jardim do Seridó,
Florânia, Equador, Ceará-Mirim, Arês, Antônio Martins.
0,95 ├─ 1,0
16 Almino Afonso, Bento Fernandes, Brejinho, Caicó, Campo Redondo, Encanto, Francisco Dantas, Goianinha, Jardim de Piranhas, Lajes,
Nova Cruz, Santa Cruz, São Tomé, Serrinha dos Pintos,Triunfo Potiguar, Vera Cruz.
1,0 33
Açu, Acari, Alexandria, Angicos, Canguaretama, Carnaúba dos Dantas, Cerro Corá, Coronel João Pessoa, Cruzeta, Doutor Severiano, Frutuoso Gomes, Governador Dix- sept rosado, Guamaré, Ipueira, Jaçanã, Janduís, Lagoa d’Anta, Lagoa de Velho, Monte das Gameleiras, Patu, Pau dos Ferros, Pedro Avelino, Poço Branco, Rafael Godeiro, Riacho de Santana, Rodolfo Fernandes, São Bento do Norte, São José do Seridó, São Miguel, São Miguel de Touros, São Paulo do Potengi e Tabuleiro Grande.
APÊNDICE B