5.5. Son Yüz Yılda Edirne Müzik Yaşamının Tanıkları; Etkisi Olan Kişiler ve
5.5.1. Son Yüz Yılda Edirne Müzik Yaşamının Tanıklarının Kısa Yaşam
5.5.1.1. Altan HASTÜRK
Como mostrado acima, a posse é possível no estado de natureza. O direito de possuir algo
exterior é independente da instituição do Estado civil, embora, só no Estado civil ele é garantido.
A sua possibilidade foi deduzida do postulado jurídico da razão prática. A idéia da comunidade
originária do solo, por sua vez, é o argumento utilizado por Kant para fundamentar a aquisição, a
tomada de posse, i. e., é por meio dessa idéia que se justifica o direito que os homens possuem de
adquirir algo para si, de transformar a posse comum em posse individual. Entretanto, o caráter
provisório é a marca indelével do estado de natureza. Assim, nesse estado, toda posse é
provisória.
Existe posse legítima independentemente da efetividade do Estado civil, porém, trata-se
de uma posse provisória. A legitimidade de uma posse provisória é garantida pela conformidade
com a idéia de um Estado civil, i. e., em vista do mesmo e de sua efetivação, mas antes de sua
efetividade, portanto, apenas provisoriamente. A aquisição peremptória ocorre apenas no Estado
civil
96. A idéia da vontade universal é a condição sine qua non da posse jurídica. No estado de
natureza, a posse é legítima se estiver de acordo com a referida idéia. A legitimação racional da
propriedade é destacada por Berlanga:
Toda propriedade legitimada ou legitimável é um direito, supõe uma apelação à idéia de
universalização da vontade, à idéia de racionalidade, à dimensão social do homem ou ao seu caráter moral. A propriedade se baseia na razão, na possibilidade de universalização; este é seu único título racional, sua legitimidade.97
95 Cf. Ibid., p. 71. 96 Ibid., p. 74.
Toda aquisição (tomada de posse) no estado de natureza é contingente; não existe garantia
de que os outros indivíduos não tentarão tomá-la para si próprios, uma vez que o critério para
assegurar algo, nessa situação, é a força. Uma vontade unilateral, escreve Kant,
[...] não pode impor a cada qual uma obrigação, que em si é contingente; para tal precisa-se de uma vontade omnilateral, não contingente, mas a priori, logo, necessariamente unificada e, por isso, legisladora; de facto, só de harmonia com este princípio seu é possível o acordo do arbítrio de cada um com a liberdade de cada qual, por conseguinte, um direito em geral, e, portanto, assim também um meu e um teu exteriores.98
No estado de natureza só é possível ter algo externo como seu através da posse física que
possui a pretensão de transformar-se em posse jurídica, o que só é possível pela reunião da
vontade de todos em uma legislação pública. Esse período de espera pela peremptoriedade vale,
para a posse física, comparativamente, como uma posse jurídica. A posse física legítima é como
se fosse uma posse jurídica.
Tem-se, então, o seguinte quadro: é possível ter algo externo como seu no estado de
natureza. A posse é um direito legítimo e logicamente anterior ao estabelecimento do Estado.
Dessa legitimidade, todavia, não segue uma garantia; o direito à posse, no estado de natureza, é
legítimo e provisório. Terra esclarece:
A possibilidade de se ter ou de se adquirir originariamente algo de exterior está vinculada à idéia da vontade geral; dessa forma, no estado de natureza pode-se ter ou adquirir algo legitimamente, desde que esteja de acordo com aquela idéia; mas, por outro lado, tal aquisição é provisória, porque a vontade geral não é ainda efetiva.99
No estado de natureza não há reciprocidade de obrigações a partir de uma regra universal,
ou seja, ninguém é obrigado a deixar intocado o seu externo do outro, se, em contrapartida, não
houver uma garantia de que todos os outros deixarão o seu igualmente intocado
100. Diante disso,
Kant sentencia:
Assim, só uma vontade que obriga a cada qual, logo, colectivo-universal (comum) e poderosa, pode proporcionar a cada um aquela segurança. – Mas o estado submetido a
98 KANT, 2004a, p. 73. 99 TERRA, 1995, p. 128. 100 Cf. KANT, 2004a, p. 64.
uma legislação exterior universal (ou seja, pública), acompanhada de poder, é o estado civil. Pelo que só no estado civil pode haver um meu e teu exterior.101
É possível ter algo externo no estado de natureza, mas somente enquanto posse física, por
isso provisória
102, pelo fato de não existir uma garantia universal de que esse algo é meu. Kant
observa:
Por conseguinte, antes da constituição civil (ou dela prescindindo), tem de se admitir como possível um meu e um teu exterior, e ao mesmo tempo o direito de obrigar quem quer que seja, com quem de algum modo nos possamos relacionar, a entrar connosco numa constituição em que aquele possa estar assegurado.103
A necessidade do Estado está vinculada ao postulado jurídico que possibilita a posse já no
estado de natureza
104. Kant, em vários momentos da Doutrina do direito, torna explícita essa
vinculação entre a possibilidade da posse no estado de natureza e a necessidade do Estado. “Se
deve ser juridicamente possível ter um objecto exterior como o seu, permitir-se-á também ao
sujeito forçar qualquer um, com quem entre em conflito sobre o meu e o teu acerca de semelhante
objecto, a ingressar com ele numa constituição civil”
105. E ainda: “Do direito privado no estado
de natureza deriva, então, o postulado do direito público: numa situação de coexistência
inevitável com todos os outros, deves passar desse estado a um estado jurídico, isto é, a um
Estado de justiça distributiva”
106.
A necessidade do Estado funda-se na existência legítima, porém provisória, da aquisição
no estado de natureza. Se não existisse direito provisório a um meu e um teu externos no estado
de natureza, “não restaria um argumento sequer que pusesse sustentar a necessidade do
Estado”
107. Kant afirma:
Se alguém, antes de ingressar no estado civil, não se quisesse reconhecer nenhuma aquisição como legal, nem sequer provisoriamente, então até aquele Estado seria impossível. (...). Por conseguinte, se no estado de natureza também não houvesse
provisoriamente um meu e um teu exteriores, não haveria igualmente deveres jurídicos a
tal respeito; logo, também não haveria mandamento para sair desse estado.108