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Almanya’da Yabancı Düşmanlığına Genel Bakış

Görsel 2.5. Öldürülen Sendika Liderleri Kaynak: (Killer Coke, 2017) Kaynak: (Killer Coke, 2017)

4.1. Almanya’da Yabancı Düşmanlığına Genel Bakış

A fragmentação e a pulverização dos formatos e proposições das ações artísticas, voltadas para o espaço aberto e urbano contemporâneo, acentuam-se nas décadas de 1980 e 1990. Essa configuração verifica-se por um aumento do interesse dos agentes do sistema artístico por essa vertente contemporânea justificando a atenção que tem sido dada à área tanto em pesquisas teóricas quanto na própria produção artística atuante.

Há uma grande convergência de artistas contemporâneos, ligados a proposições estéticas derivadas da escultura, do objeto, da instalação artística, ou mesmo, de processos criativos de repetição e reprodução da imagem, pelos mais distintos meios tecnológicos, em torno da experimentação dessa linguagem espacializada. Percebe-se, como caminho de resposta para tal ligação, o incentivo dado por propostas curatoriais pontuais ligadas à vertente extramuros, que fazem com que, muitos deles, passem a incorporar às suas investigações poéticas, raciocínios projetivos e práticos que incorporam elementos da apresentação em situações urbanas, públicas e efêmeras ao trabalho, mesmo que esses dispositivos não venham a se tornar, sua orientação definitiva para a práxis.

Assim, vai sendo constituído o amadurecimento do repertório criativo dessa estética, já estabelecida na década de 1970, por meio de eventos importantes construídos com a consciência e a complexidade usuais nessa vertente artística atual. O resultado deste amadurecimento exibe, por conseqüência, clara preocupação com elementos tais como a site specific art; a efemeridade do trabalho artístico; a percepção da ação e do evento como novas possibilidades de arte, ao invés da matéria ou do objeto. Mesmo no relacionamento com o público, item normalmente polêmico, percebe-se uma ampliação dessa preocupação entre artista, espectador e proposta artística espacializada.

Do processo de criação individual à formação dos primeiros grupos de artistas, hoje caracterizados como coletivos, percebemos a atuação crescente da listagem dos

interessados no fluxo urbano como condição criativa a priori para sua inserção no circuito contemporâneo da arte. Contudo, mais que propor a construção dessa listagem de nomes de artistas, curadores, instituições e projetos específicos, parece ser a consistência crítica das posturas adotadas frente ao tempo e ao circuito atual o elemento que propicia a verificação do perfil da arte interventora e urbana brasileira hoje. Assim, evitando um contexto mais fechado, que não pode nos garantir a exaustão do tema, a investigação proposta prefere o levantamento dos principais aspectos presentes no processo das práticas e do discurso adotado por artistas, críticos e eventos atuais de modo a tecer, junto com tais exemplos, o espectro geral dessa vertente estética instaurada em paisagens brasileiras.

José Resende pode ser considerado como artista que representa o eixo de condução desse amadurecimento, e suas contribuições para a formação dos elementos extramuros na arte brasileira são destacadas neste capítulo. Com uma atuação prática e discursiva de grande importância nesse campo estético, Resende colabora com o questionamento sobre a inserção de obras artísticas, em especial, da ordem escultórica, no espaço dos centros urbanos contemporâneos. Identifica, no dado da ausência da escultura, título dado a um texto de sua autoria, seminal para esse estudo, que esse cenário em constante mudança conduz o artista à problematização das relações de pertença e de representatividade da arte dentro dessa paisagem.

Indica assim um dos pontos do confronto entre materialidade e efemeridade pertinentes ao contexto criativo das ações extramuros, no meio urbano atual. Alerta- nos para uma espécie de alienação do trabalho de arte ante à difícil tarefa, a ser enfrentada pelos agentes artísticos, de localizar os monumentos na carência de seus lugares nos centros urbanos contemporâneos. Contudo, ao contrário do que se pode imaginar, não tece um discurso lamentoso ou rancoroso diante desse vazio identificado. Sugere que o que, realmente, passa a importar para a Arte, em sua constituição contemporânea ressemantizada pelo dado urbano, está nas formas de negociação efetivadas entre o efêmero, mutável e o permanente e fixo, dispostos nesse campo. A discussão acirrada, gerada em torno da validade de manutenção desses elementos expostos na paisagem urbana, na qual a escultura e o monumento sofrem perigo iminente de cristalização, precisam ser postas em debate.

Os vetores que organizam a oposição entre o monumento perdurável e a paisagem movediça elaboram um jogo de importâncias que faz oscilar a atenção

dispensada à obra e ao seu autor, marcado, a partir de então, por sua inserção no disputado conjunto intitulado de espaço público.180

Em paralelo, segue-se uma linha de pensamento sobre a seqüencialidade técnica ou histórica da linguagem artística contemporânea que nos leva até a programação e a atualização efetivada pelos museus e galerias já adequados à condição contemporânea. A evidência da condição efêmera desses projetos contemporâneos conduz à reflexão e à modificação nos procedimentos museológicos e curatoriais, que estabelecem, de modo negociado, a noção do transbordamento como dinâmica incorporada ao seu trabalho.

Algumas instituições mais atentas exercitam, desde então, essa renovação de valores. Posicionam-se definitivamente interessadas na reconstrução de seu papel, quanto ao sentido de salvaguarda, exposição, intermédio e comercialização frente à crescente efemeridade dos trabalhos artísticos e ao risco de serem desconectadas do lugar urbano que ocupam. 181 O papel de Walter Zanini à frente do MAC USP e de

Frederico Morais, no Rio de Janeiro, demonstram formas de atuação que demarcam o trabalho nesse terreno, válidas até hoje. Altera-se, portanto, o acento do domínio público aplicado ao trabalho da instituição, nesse caso, distanciado pela perspectiva histórica daquelas décadas de 1970 e os dias atuais. Além disso, essa circunstância afeta a compreensão de que essa esfera pública se confunde, na contemporaneidade, com a formulação própria do sistema de cultura do qual fazem parte instituições e os artistas.182

Desse mesmo modo, dispositivos aplicados nas primeiras etapas do encontro com o espaço urbano reaparecem nas estratégias adotadas por artistas das gerações mais atuais, mas não nos permitem a tranqüilidade de um entendimento linear. A

180 Resende inicia seu texto, publicado na revista Malasartes, com as perguntas: Se o Cristo Redentor

fosse destruído e o pedestal do Corcovado tivesse que ser ocupado, que alternativas a arte ofereceria? Poderia se indicar um artista, simplesmente, para que uma das suas obras ocupasse o pedestal? Que critério usar para a escolha desse artista e que obra seria mais significativa? Uma coisa é certa, o nome do artista assumiria uma importância muito maior do que a obra exposta. O pedestal estaria ocupado não por um trabalho, mas por um artista que carregaria inclusive todo o restante de sua obra sob o rótulo da peça exposta no morro. Com essas idéias, reforça não apenas a dificuldade da tarefa como evidencia a mudança do paradigma entre mundo moderno e contemporâneo no seu tratamento para com a figura e a obra do artista atuante. Ver em: RESENDE, José. Ausência da Escultura. Revista Malasartes, nº 03, RJ, 1976, pág. 04.

181 Reforça essa idéia o contexto trabalhado pela curadora da Sala Rekalde, Chus Martinez, em seu texto

Como aprender del arte a la hora de reinventar neustro espacio social, já anunciado nesta pesquisa,

além do trabalho questionador desempenhado pelo projeto virtual Fórum Permanente de Museus

coordenado por Martin Grossmann. Para mais detalhes, ver em:

http://forumpermanente.incubadora.fapesp.br/portal.

182 Idéia elaborada a partir de Sonia Salztein: No contexto contemporaneo, o signficado dessa esfera

pública confundir-se-ia com o de um sistema da cultura, com suas instituições e critérios bem cravados socialmente, com sua capacidade, enfim, de institucionalizar a produção e fazê-la repercutir publicamente. Ver em: SALZSTEIN, Sonia. Uma dinâmica da arte brasileira: modernidade, instituições, instancia pública. In: BASBAUM, R. (org) Op. Cit. 2000, pág. 387.

constância não se alinha com a abertura desses diferentes feixes lançados pelo meio urbano e pela ampliada inventividade da época contemporânea. Em seu lugar, propõem-se a percepção de sua conectividade pelos nódulos criados na esteira dos acontecimentos desse circuito, da ponta artística à cultural.