4.2. Araştırmada Kullanılan Veri Toplama Teknikleri
5.1.2. Nicel Verilere Yönelik Bulgular
5.1.2.3. Alanya ve Manavgat Destinasyonlarındaki Yerel Halkın
Cabe ressaltar que, enquanto o processo de elisão no PB é considerado mais recorrente quando em primeira posição está a vogal /a/ (BISOL, 1992), no PE a vogal /a/ é a menos apagada, ainda que sem gerar sequências de antagonismo acentual, ou seja, mesmo em sequências de atonicidade total. Conforme Ellison e Viɲnɲ (1995), ɲs vogɲis ɨ] e u] são ɲs que mais sofrem apagamento na variedade europeia da língua.
Com relação às vogais em segunda posição, Bisol (1992, p. 57) afirma que a elisão da vogal /a/ aplica-se com tendência à regra geral quando a vogal subsequente for posterior e, opcionalmente, quando for uma vogal frontal. Não há, entretanto, outras evidências em estudos fonológicos anteriores sobre a relação da vogal inicial do vocábulo em segunda posição sobre o processo de elisão, exceto em estudos realizados à luz da Teoria da Variação5. Logo, pretende-se, neste estudo, investigar não só a relação entre o tipo de vogal candidata ao apagamento e a elisão, como também a influência da vogal em segunda posição para a aplicação da regra em PE e PB.
Ainda que tenha apontado a relevância da qualidade das vogais envolvidas no processo, conforme Bisol (1992, p. 95), a principal restrição à aplicação da elisão é de caráter rítmico e diz respeito ao acento da segunda vogal envolvida no processo, visto que a regra é bloqueada quando o acento principal da frase fonológica recai sobre a vogal em segunda posição (mɲstigɲvɲ ervɲs → * mɲstʃigɲ’vɛrvas]).
A relação do processo de elisão com a incidência de acento sobre as vogais que constituem o contexto para a sua aplicação é relatada mesmo em estudos que consideram corpus escrito do português arcaico, como em Massini-Cagliari (1995), em que a autora classifica o processo como um fenômeno rítmico por natureza, em razão do condicionamento acentual referente à segunda vogal.
O caráter rítmico revelado pela influência do acento sobre o processo em variedades do PB foi atestado ainda em Liberato (1978), sobre a variedade falada em Belo Horizonte – MG, em Tenani (2002), sobre o português falado em São José do Rio Preto – SP, além de estudos à Luz da Teoria da Variação. Já com relação ao PE, os estudos de Ellison e Viana
(1995), Vigário (1997) e Frota (1998) corroboram o bloqueio acentual ao processo de elisão, que parece, pois, o principal condicionamento desde o português arcaico. Bisol (1992, p.96) ressalta, entretanto, que o acento é frequentemente apagado quando pertence a uma palavra funcional ou às conjugações do verbo ser, como era e ela, não caracterizando um choque acentual.
Além da restrição acentual, outros aspectos rítmicos da língua também exerce influência sobre o processo quando considerado o constituinte prosódico em que se estabelece o contexto para a aplicação da elisão. Com relação a esse condicionamento, embora haja consenso sobre a sua relevância na literatura sobre o tema, a divergência sobre o domínio prosódico preferencial de sândi em PB e PE instigou questionamentos durante a realização da pesquisa de que resultou esta tese. Logo, os aspectos prosódicos que caracterizam o processo merecem destaque6.
Com relação ao tipo de vocábulo envolvido no processo, a principal restrição ocorre, conforme Bisol (1992), quando a primeira posição é ocupada por um monomorfema, visto que a vogal candidata ao apagamento carrega informações morfológicas relevantes neste tipo de vocábulo. Assim, é comum o bloqueio da elisão em sequências como na estrada
→*nistrada em razão da preservação do único segmento contrastivo de vocábulos como da/do e na/no. O mesmo bloqueio foi encontrado por Veloso (2003), estudo no qual, ao
abordar a elisão no dialeto goiano, a autora recorre à Morfologia Distribuída para explicar o bloqueio supracitado. Corroborando a justificativa atribuída por Bisol (1992) à restrição do apagamento em monomorfemas, Veloso (2003) atribui o fato à presença de um determinante que, quando apagado, prejudica informações de concordância de gênero e número. A restrição é, pois, resultado da interação de uma regra morfológica com um processo fonológico, os quais, segundo Poplack (1980), podem ser bloqueados quando sua aplicação pode comprometer informações morfológicas de superfície.
Ao encontro da restrição apresentada por Bisol (1992) e Veloso (2003), Vigário (1997), em estudo sobre a elisão da vogal não-recuada /e/ em PE, afirma que a regra não pode ser classificada como um fenômeno puramente fonológico. Conforme a autora, a queda da vogal em palavras funcionais, dentre as quais estão os monomorfemas, depende de condições de redução específicas desse tipo de vocábulo, como apresentado por Bisol (1992) e Veloso (2003), que determinam a preservação de informações morfológicas. Ainda com relação ao
tipo de vocábulo, a autora atribui caráter de aplicação obrigatória à regra quando envolve palavras lexicais.
O papel do acento, tomado como a principal restrição ao processo de elisão no português, foi discutido a partir de uma abordagem distinta em Cabré e Prieto (2005), sobre o catalão. Nesse estudo, as autoras investigam a relevância da distância entre acentos de cada um dos vocábulos envolvidos e concluem que a possibilidade de aplicação do processo é maior quando a distância é superior a duas sílabas. Pretende-se verificar o funcionamento da distância entre os acentos no português e obter, assim, mais uma evidência para a discussão sobre o ritmo das variedades brasileira e europeia da língua portuguesa.
Em suma, a restrição acentual configura-se como única afirmação unânime entre os estudos sobre elisão no português. Com relação aos demais aspectos, como a qualidade da vogal em segunda posição e o tipo de vocábulo envolvido na sequência que constrói o contexto para a aplicação do fenômeno, ainda cabe propor investigação. Merece destaque a ocorrência de epêntese em fronteiras de vocábulos demarcadas por vogais, processo abordado por Ellison e Viana (1995) e Segura (2013), sobre o qual se pretende realizar uma descrição sistemática a partir da amostra em estudo. Espera-se que a discussão proposta no Capítulo 3, a seguir, aponte evidências para a construção das demais variáveis linguísticas deste estudo.
3 ASPECTOS PROSÓDICOS E A REGRA DA ELISÃO
Os estudos anteriores que contemplam o fenômeno em foco nesta pesquisa já consagraram os aspectos prosódicos como os mais importantes condicionadores para a aplicação da elisão. A atonicidade da vogal candidata ao processo, por exemplo, é condição elementar para que ocorra o apagamento, conforme constatado na revisão apresentada no Capítulo 2. O presente capítulo tem por objetivo apresentar e embasar a discussão sobre a estrutura prosódica do contexto envolvido no fenômeno de sândi em estudo, a fim de fundamentar a definição das fronteiras prosódicas previstas, características dos contextos considerados. Além disso, pretende-se levantar questões que encaminhem para a discussão acerca das distinções rítmicas entre PB e PE.
Para tanto, a seção 3.1 apresenta as propostas teóricas de Selkirk (1984) e de Nespor e Vogel (1986), a fim de que se justifique o tratamento do fenômeno no presente estudo. Em 3.2 são apresentadas as considerações mais relevantes sobre a relação entre a estrutura prosódica e a ocorrência da elisão, baseadas nos estudos de Bisol (1992, 1996, 2003), Vigário (1997), Frota (1998) e Tenani (2002). A seção 3.3, por fim, tem por objetivo salientar as questões rítmicas que, segundo Abaurre (1981) e Frota e Vigário (2000), diferem PB e PE. Nessa última seção, serão também contempladas considerações sobre a taxa de elocução (BARBOSA, 2006; MEIRELLES, 2009), por sua relação com o ritmo e influência sobre a ocorrência de elisão.